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KAVRAMSAL ÇERÇEVEDE TOPLUM VE KURUM

7. Aile ortamının mahremiyetinin giderek azalması, aile fertlerinin birbirine olan ilgisinin görsel ve yazılı medya yoluyla değiĢmesi, ekranlara yansıyan

2.6.1. Aile Kurumunda Çözülme: BoĢanma

Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. EXPRESSÕES LEXICAIS 11 Lexicalização. EXPRESSÕES LEXICAIS 12 Discursivização. A seguir fizemos quadros informando a quantidade de ocorrências encontradas

em cada categoria analisada.

SUBSTANTIVO QUANTIDADE OCORRÊNCIA

Gente 07 Descategorização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Tipo 02 Descategorização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo.

ADJETIVO QUANTIDADE OCORRÊNCIA

Claro 14 Descategorização;

Sintagmatização e

Reanálise; Continuidade e Gradualismo.

VERBO QUANTIDADE OCORRÊNCIA

Virar 28 Descategorização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Feito 13 Descategorização, Sintagmatização e Reanálise. Andar 10 Descategorização, Sintagmatização e

Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Rolar 08 Descategorização, Persistência, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Bater 05 Descategorização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Cortar 01 Descategorização, Persistência, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Cair 03 Descategorização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Pegar 02 Descategorização, Persistência, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Dançar 01 Descategorização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Pintar 01 Descategorização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Boiar 01 Descategorização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Quebrar 01 Descategorização, Persistência, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Lutar 01 Descategorização, Persistência, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Esquentar 01 Descategorização,

Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Cobrir 01 Descategorização, Persistência, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Explodir 01 Descategorização, Persistência, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Colar 01 Descategorização, Persistência, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Amassar 01 Descategorização, Persistência, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Viajar 01 Descategorização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Comer 03 Descategorização, Persistência, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Papar 02 Descategorização, Persistência, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Traçar 01 Descategorização, Persistência, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Fraturar 01 Descategorização, Persistência, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Dar 05 Descategorização, Persistência,

Sintagmatização e

Reanálise, Continuidade e Gradualismo.

ADVÉRBIO QUANTIDADE OCORRÊNCIA

15 Descategorização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Bem 07 Descategorização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Assim 06 Descategorização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo.

PRONOME QUANTIDADE OCORRÊNCIA

Isso 33 Descategorização,

Sintagmatização e

Reanálise, Continuidade e Gradualismo.

NUMERAL QUANTIDADE OCORRÊNCIA

Segundo 02 Descategorização, Degramaticalização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Primeiro 01 Descategorização, Degramaticalização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Quinta 01 Descategorização, Degramaticalização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo.

Sessenta e quatro 01 Descategorização,

Degramaticalização, Sintagmatização e

Reanálise, Continuidade e Gradualismo.

PREPOSIÇÃO QUANTIDADE OCORRÊNCIA

Até 23 Descategorização, Degramaticalização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. QUANTIDADE OCORRÊNCIA EXPRESSÕES LEXICAIS 11 Lexicalização. 12 Discursivização.

Na análise do corpus, podemos verificar alguns princípios da gramaticalização: Descategorização, Persistência, Estratificação, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo, além dos casos de Lexicalização e de Discursivização e a degramaticalização. Viver em sociedade significa conversar com outras pessoas, trocar experiências, ou seja, sempre participamos de algum tipo de interação comunicativa e, para realizarmos essas atividades comunicativas, devemos conhecer e compreender os sentidos que as pessoas dão ao léxico ou expressão lexical da qual fazem uso na comunicação, haja vista, a necessidade de interagir com outras pessoas. Os princípios de gramaticalização que foram mencionados, os exemplos de lexicalização, de discursivização e de degramaticalização são os responsáveis pelo processo de interação, seja em sociedade, seja nos textos escritos. Arnaldo Jabor consegue trazer para os textos escritos esses exemplos que existem com maior frequência nas conversas descontraídas dos bares ou nos lares etc.

Na análise, verificamos que, em primeiro lugar, os verbos são muito utilizados com sentido metafórico, demonstrando as intenções comunicativas do locutor-enquanto- pessoa, aparecendo 88 vezes, sofrendo os Princípios de Descategorização, Persistência, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo. Em segundo lugar, está o pronome demonstrativo isso que apareceu 33 vezes nos exemplos com valor anafórico ou catafórico, mostrando que o locutor-enquanto-pessoa utiliza-o com a função de organizar o texto fazendo referência a algo que já foi citado ou anunciando algo novo a ser apresentado, sofrendo os Princípios de Descategorização, Sintagmatização e

Reanálise, Continuidade e Gradualismo; em terceiro lugar, temos o advérbio que apareceu 28 vezes nos textos de Arnaldo Jabor, sofrendo os Princípios de Descategorização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo; em quarto lugar, temos a preposição até que apareceu 23 vezes, sofrendo os Princípios de Descategorização, Degramaticalização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo; em quinto lugar temos as expressões lexicais que sofreram mudanças e apareceram 23 vezes, sendo, 12 casos de Discursivização e 11 casos de Lexicalização, que, inicialmente, não eram objeto de estudo deste trabalho, mas, devido à quantidade de ocorrências encontradas e devido o processo de Lexicalização ser muito parecido com o de Gramaticalização, consideramos importante abordá-los; em sexto lugar, temos o adjetivo claro que apareceu 14 vezes nos exemplos com função modalizadora, sofrendo os Princípios de Descategorização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo; em sétimo lugar temos os substantivos que apareceram 09 vezes nos exemplos sofrendo os Princípios de Descategorização, Estratificação, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo e, em oitavo e último lugar, temos os numerais que apareceram 05 vezes nos textos exercendo as funções de substantivo ou adjetivo sofrendo os Princípios de Descategorização, Degramaticalização, Sintagmatização e Reanálise, Continuidade e Gradualismo.

Todos os princípios, mecanismos e características de gramaticalização, casos de lexicalização, os casos de discursivização e os de degramaticalização são importantes para compreendermos e entendermos esse processo de interação comunicativa, mas temos de levar em consideração que nem sempre todos esses aspectos apareceram em um único texto. Vale lembrar que a gramaticalização, lexicalização, discursivização e degramaticalização são processos que mostram que a língua está passando por transformações, renovações e inovações diariamente, que em outras palavras é o chamado de princípio de continuidade e gradualismo que prevalece no processo de gramaticalização, pois a língua é viva.

CONCLUSÃO

O tema desse trabalho é as mudanças linguísticas nas crônicas do livro “Amor é prosa, sexo é poesia: crônicas afetivas” de Arnaldo Jabor.

Quando falamos em língua, imaginamos a fala de um grupo, às vezes dizemos que uma língua é mais difícil do que a outra, ou que a língua espanhola é mais fácil, pois é mais parecida com a língua portuguesa. Nosso conceito de fácil ou difícil é baseado sempre na gramática da língua, mas nunca no movimento que ocorre durante o processo de interação comunicativa.

A gramática funcional define a língua como sendo um instrumento de interação social, cuja principal função é a comunicação. Dessa forma, a competência comunicativa é a habilidade que cada falante tem de interagir socialmente com a língua. As pessoas valorizam demasiadamente a norma culta, esquecendo-se de prestar atenção ao meio social em que estão situadas, do qual fazem parte. Elas não observam a língua em uso no dia a dia, cheia de expressões, funções e sentidos que refletem o funcionamento da língua num dado contexto.

A estrutura de uma língua é moldada pelas diversas situações comunicativas. O usuário é quem organiza seu discurso de acordo com a aceitação ou não de seu interlocutor. O objetivo do locutor é, em geral, fazer com que o seu interlocutor mude de ponto de vista em relação à informação que está sendo transmitida, em outras palavras, o objetivo do locutor nada mais é do que buscar convencer seu interlocutor em relação a algum ponto de vista, fazendo uso de meios criativos para alcançar esse objetivo, rompendo com as estruturas existentes e criando novas construções, para conseguir mudar o conhecimento do outro.

A língua em uso é um sistema que se adapta de acordo com a necessidade comunicativa, ou seja, ela sofre alterações continuamente. Ela é renovada diariamente, as mudanças na língua acontecem com muita frequência e de forma gradativa e são o resultado de um longo e contínuo processo histórico.

De acordo com Coseriu (1979, p. 63),

a língua muda justamente porque não está feita, mas, sim, faz-se continuamente pela atividade lingüística. Em outros termos, muda porque é falada: porque existe apenas como técnica e modalidade do falar. O falar é atividade criadora, livre e finalista, e é sempre novo, enquanto se determina por uma finalidade expressiva individual, atual e inédita. O falante cria ou estrutura a sua expressão utilizando uma técnica e um material anterior que o seu saber lingüístico lhe proporciona. A língua, pois, não se impõe ao falante, mas se lhe oferece: o falante dispõe dela para realizar a sua liberdade expressiva.

As questões que direcionaram nosso estudo foram:

- Nas crônicas de Arnaldo Jabor, na obra Amor é prosa, sexo é poesia: crônicas

afetivas, quais seriam as ocorrências de gramaticalização de que ele faz uso para

manifestar suas intenções comunicativas e que caracterizariam o gênero jornalístico crônica?

- Quais seriam os efeitos de sentido que essas ocorrências, como marcas da língua em uso, possibilitam?

Com base nessas questões, o trabalho teve como objetivos:

- Aprofundar conhecimentos, com base nas crônicas de Arnaldo Jabor, sobre os diversos tipos de ocorrências de gramaticalização presentes no gênero jornalístico crônica.

- Identificar as ocorrências de gramaticalização nas crônicas de Arnaldo Jabor, como marcas da língua em uso.

- Analisá-las de acordo com os princípios de gramaticalização, propostos por Castilho (1997) e critérios de gramaticalização, levantados por Gonçalves et alii (2007), a fim de estabelecer um quadro tipológico dessas ocorrências.

- Verificar qual a intenção comunicativa do autor ao utilizar essas ocorrências e qual o efeito delas na construção de sentidos do texto.

Quando lemos as crônicas do escritor Arnaldo Jabor, lembramos da conversa de bar, da fala descontraída sem preocupações com correções gramaticais, ou seja, encontramos uma linguagem livre das barreiras dos puristas. O autor frequentemente faz uso de elementos da língua falada em seus textos escritos. Em decorrência dessa utilização, quando lemos seus textos, temos a impressão de que estamos participando de uma conversa informal. Arnaldo Jabor assume posições diferentes nos textos, ou seja, não fala sempre do mesmo jeito e, em decorrência do posicionamento que assume, vai escolher determinados elementos gramaticalizados que darão destaque à posição assumida como locutor, construindo assim os sentidos do texto. Ele valoriza a expressão coloquial, pois, no fim das contas, ele se comunica de acordo com a língua em uso e de acordo com o meio social com quem interage.

Os textos de Arnaldo Jabor, apesar de conterem muitas expressões que são usadas na fala, são coerentes e coesos. Logo, as construções gramaticalizadas presentes

em seus trabalhos não impedem que sejam produções textuais bem elaboradas. Elas tornam evidente que a língua não é uma realidade estática. Por estar na boca do povo, seus falantes inovam-na e renovam-na, a cada momento em que participam de situações comunicativas em interação social.

Nas palavras de Coseriu (1979, p. 65),

o falar é sempre falar uma língua, justamente porque é falar (e não um mero „exteriorizar‟), porque é „falar e entender‟, expressar para que o outro entende, ou seja, porque a essência da linguagem ocorre no diálogo. Donde, também, que o que é compreendido pelo ouvinte, enquanto compreendido, seja aprendido e se torne „língua‟ (saber lingüístico), e possa ser utilizado como modelo para posteriores atos de expressão: o ouvinte não só entende o que o falante diz, mas percebe, do mesmo modo, a maneira pela qual diz.

Continua o autor (1979, p. 93-94),

para entender a mudança lingüística e sua racionalidade, basta considerar a língua em seu existir concreto. A mudança não é mero acidente, mas pertence à essência da língua. De fato, a língua se faz mediante o que se chama „mudança lingüística‟: a mudança lingüística não é senão a manifestação da criatividade da linguagem na história das línguas. Por isso, estudar as mudanças não significa estudar „alterações‟ ou „desvios‟, mas, ao contrário, estudar a consolidação de tradições lingüísticas, ou seja, o próprio fazimento das línguas. A língua se refaz porque o falar se fundamenta em modelos anteriores e é falar-e-entender; supera-se pela atividade lingüística porque o falar é sempre novo; e renova-se porque entender é entender além do que já se sabia pela língua anterior ao ato. Por isso a língua se adapta às necessidades expressivas dos falantes, e continua a funcionar como língua na medida em que se adapta.

Analisamos as crônicas do livro: “Amor é Prosa, Sexo é Poesia: Crônicas Afetivas” de Arnaldo Jabor, utilizando os parâmetros de gramaticalização apontados por Martellota e Ataliba Teixeira de Castilho. Com base no referencial teórico apresentado nos capítulo I e II, podemos responder às questões que direcionaram nosso trabalho:

- Nas crônicas de Arnaldo Jabor, na obra Amor é prosa, sexo é poesia: crônicas

afetivas, quais seriam as ocorrências de gramaticalização de que ele faz uso para

manifestar suas intenções comunicativas e que caracterizariam o gênero jornalístico crônica?

O autor faz uso das ocorrências de gramaticalização dos substantivos, adjetivos, verbos, advérbios, pronomes, numeral, preposição, expressão gramaticalizadas, e também faz uso da lexicalização, da degramaticalização e da discursivização que podemos dizer são fenômenos de mudança lingüística que caracterizam o gênero crônica na atualidade.

- Quais seriam os efeitos de sentido que essas ocorrências, como marcas da língua em uso possibilitam?

O cronista, na construção de seus dos textos, tenta aproximá-los o máximo possível da língua em uso comum no dia a dia e, para produzir diferentes efeitos de sentidos faz uso constante de elementos que passaram pelo processo de gramaticalização, de lexicalização, de degramaticalização e de discursivização. Ao fazer uso desses elementos, verificamos que Arnaldo Jabor assume posições diferentes como locutor, enunciador e autor, ou seja, ele mostra diferentes posicionamentos aos seus interlocutores, e, em função da posição assumida, escolhe determinados elementos gramaticalizados ou expressões lexicalizadas que darão destaque à sua posição no momento da enunciação. Ao alternar os papéis de locutor e enunciador, o autor consegue aproximar a cena do leitor, e é por isso que, ao lermos suas crônicas, temos a impressão de que estamos conversando com o locutor do texto temos a sensação de que estamos participando de uma conversa como esse locutor parecendo fazermos parte daquela cena de enunciativa. Colocando a cena perto do leitor, ao alternar-se nas funções enunciativas, é que, como o autor, ele faz as escolhas lexicais que mais se aproximam da língua em uso comum no dia a dia, pois ele transfere-se, projeta-se e designa-se pelo outro. Para Edgar Morin (2002, p. 57), “o ser humano é ao mesmo tempo singular e múltiplo. Traz em si multiplicidades interiores, personalidades virtuais, uma infinidade de personagens quiméricos, uma poliexistência no real e no imaginário”. No momento dessa transferência, projeção e designação pelo outro, o cronista faz uso do léxico como fundamento ou âncora para o enunciado configurado pelas modalidades da enunciação.

Ao falarmos de elaboração lexical do falante/ouvinte, não podemos esquecer de mencionar que essa elaboração, manifestada por unidades lingüísticas memorizadas pelos falantes e ouvintes é o que se pode chamar de lexia. De acordo com Turazza (2005), as lexias são descritas por Pottier como a combinação de dois signos mínimos: o lexical e o gramatical, que compreendem a formalização de um plano semântico que está à disposição do falante no momento da interação comunicativa. As lexias gramaticais são divididas em: classe das relações e a classe das formulações, sendo a classe das formulações responsável pela veiculação das intenções de um locutor, exercendo dessa maneira um papel fundamental com âncora para o falante elaborar seus enunciados.

O cronista em seus textos faz uso do léxico manifestando sua intenção: conseguir manter a interação com seu leitor por meio das escolhas lexicais que faz na elaboração de seus enunciados. Dessa maneira, ele consegue mostrar que o falante é o responsável por essa aquisição de novos sentidos para palavras já existentes e que elas estão passando por um processo de mudança na medida em que adquirem novos sentidos para palavras já existentes. Para Martelotta (2011), a lexicalização é um processo criador de novos elementos gramaticais que são capazes de modificar ou combinar os elementos já existentes. O falante é o responsável pela construção de maneira significativa do enunciado.

Verificamos que, em todos os exemplos, existe um locutor que representa o “eu” na enunciação e existe um locutor-enquanto-pessoa, representado pela pessoa do mundo que se apresenta no discurso, ou seja, aparece no discurso como sendo de sua autoria. Arnaldo Jabor é um cronista, conhecedor da norma padrão de escrita, mas, no momento em que está escrevendo seus textos, pelos deslocamentos acima apontados, ele transfere-se para um outro campo, o campo da coloquialidade, fazendo as escolhas lexicais mais adequadas para o novo campo. Fazendo esse movimento, o autor consegue manter a interação com seus leitores.

Logo, nossos objetivos foram alcançados quando constatamos que os efeitos de sentidos que essas ocorrências de gramaticalização / lexicalização /degramaticalização / descursivização causam possibilitam aproximar o leitor da cena de enunciação, pois essas marcas da língua em uso fazem com que o locutor/enunciador seja parte da cena de enunciação, participando do cenário. Assim chegamos à seguinte conclusão, os fenômenos de mudança lingüística no texto escrito ocorrem por meio do movimento de transferir-se, projetar e designar-se pelo outro que o autor faz, pois, dessa maneira, ele consegue despir-se da norma padrão e vestir-se com a norma coloquial, ou seja, com as formas da língua em uso comum no dia a dia, nas quais encontramos as ocorrências de mudanças, pois a língua é viva, sendo, portanto, necessário buscarmos entender todos os movimentos que nela ocorrem. Fazendo essa troca de posição, fazemos também seleções lexicais diferentes daquelas usuais e, assim, entramos na classe das formulações, utilizando o léxico que é adequado para fundamentar ou ancorar nosso dizer naquele momento de enunciação. Essa captação de efeitos de sentidos do texto decorrentes das mudanças destacadas mostra a liberdade organizacional do falante, fato somente levado em consideração pelos estudos funcionalistas como a Gramática de

Usos da Maria Helena de Moura Neves, é uma gramática cujo objetivo é descrever a língua usada atualmente no Brasil e não prescrever regras de bom uso.

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