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BÖLÜM 3:TÜRK YÖNETĐM TARZININ ĐNCELENMESĐNE YÖNELĐK BĐR YÖNTEM ÖNERĐSĐ BĐR YÖNTEM ÖNERĐSĐ

4.2. Đslamiyet Sonrası Dönem

4.2.2. Selçuklular Dönemi

4.2.2.2. Selçuklular Dönemi Yönetim Anlayışı

As diversas vozes que se constituem no blog de André são responsáveis não apenas por construir o ethos do personagem, mas de seus interlocutores. Ao incorporar um conjunto de esquemas do interlocutor, os internautas definem, mesmo sem perceber, seu próprio ethos discursivo no blog.

Mas antes da construção do ethos dos internautas, há também a noção de um pathos do enunciatário, ou seja, uma imagem do auditório, da audiência, com quem André se relaciona. Nesse processo simbiótico em que ethos, pathos e logos (discurso) são construídos na coletividade, “[...] o enunciatário adere ao discurso, porque nele se vê constituído como sujeito, identificando-se com um dado éthos do enunciador” (FIORIN, 2008, p. 157). Mas, além disso, a noção basilar de pathos defende que o enunciatário não é apenas constituído pelo discurso de seu enunciador, mas colabora na constituição desse mesmo discurso. Tendo esses pontos em vista, a construção de uma imagem do sujeito com quem André dialoga no blog é possível e necessária para entender a produção de sentidos nesse espaço virtual.

A única informação, de antemão, que temos dos telespectadores de Afinal, o que

querem as mulheres? é teórica: a audiência da minissérie prevê um público mais seleto que o

das telenovelas “[...] e mais exigente quanto ao nível de elaboração dos programas que passam na telinha” (BALOGH, 2002, pp. 123-124). Fala-se, nos estudos de ficção televisiva, na diferença entre os espectadores de minisséries e os de outras ficções, como a telenovela. Assim, o olhar sobre o blog de André Newmann, a priori, é regido por essa característica. A

posteriori, após compreender como se dá o discurso do blogueiro-personagem-ator no blog,

podemos corroborar ainda mais essa visão teórica, na medida em que, discursivamente, André Newmann e seu blog representam um produto fora dos padrões diários da televisão nacional.

Portanto, ao analisar os discursos no blog de André Newmann deve-se levar em conta que a enunciação no blog e na ficção é direcionada a um interlocutor específico. É isso o que Bakhtin chama de endereçamento, traço constitutivo do processo de enunciação: “[...] o enunciado tem autor [...] e destinatário” não é construído cegamente, no vazio (BAKHTIN, 2010a, p. 301).

No blog de André, o maior número de comentários analisados é marcado pela conversa com o personagem, em um tipo de interatividade não direcionada estritamente ao contexto da trama da minissérie. Há predominância de comentários de pessoas que se apresentam como do sexo feminino que fazem uso de uma linguagem mais formal, menos coloquial.

Ao ser comparado a blogs de telenovelas, como ao Sonhos de Luciana de Viver a Vida (TV Globo, 2009-2010), quantitativamente, o blog de André Newmann é consideravelmente menor. Em Sonhos de Luciana, o post mais comentado reuniu 436 respostas de espectadores e a postagem com menos comentários somou 55. No blog de André Newmann, o maior número em um post é de 93 comentários, enquanto a postagem com menos respostas reúne apenas três comentários. Essa diferença pode ser significativa em termos quantitativos, mas não diminui nosso objeto qualitativamente uma vez que disponibilizar espaços para comentários é compreender uma necessidade humana de produzir sentidos, significar: responder. Nesse processo de enunciação, o ouvinte ao responder de maneira ativo-responsiva, se torna também falante consolidando o ciclo das relações dialógicas. A compreensão de enunciados é prenhe

de resposta: “toda compreensão da fala viva, do enunciado vivo é de natureza ativa-

responsiva” (BAKHTIN, 2010a, p. 271).

Nessa necessidade intrínseca de responder aos enunciados do mundo, cada internauta responde, à sua maneira, aos enunciados do blog. Em entrevista concedida à autora, Melamed discorre sobre os comentários no blog de André Newmann: “lembro muito, [...], da brincadeira, o aspecto lúdico, como se as pessoas estivessem atuando ali, interpretando personagens…”. Para o ator, no espaço ficcional do blog todos eram atores: internautas e blogueiro. Todos se encobriam com uma posição discursiva, um ethos discursivo e enunciavam (jogavam, interpretavam) sob essas regras. Nos próximos tópicos, analisamos os múltiplos personagens interpretados pelos telespectadores-internautas. Essa tentativa de categorização, no entanto, não imprime um caráter reducionista ou quantitativo à pesquisa. Uma vez compreendida a necessidade de selecionar, da amostra de 1.236 comentários, apenas aqueles que desvelassem os interlocutores do blog e que fossem mais significativos em termos discursivos, optamos por separá-los por categorias construídas a partir da posição discursiva no blog.

6.1 Telespectador-internauta intelectual

Quando definimos, discursivamente, o ethos do blogueiro André Newmann calcamos nossas inferências nos posts do personagem. As características mais recorrentes nos posts auxiliam na construção de um gênero discursivo que determina os discursos do blog de André. Além disso,

toda enunciação, mesmo produzida sem a presença de um destinatário é, de fato, marcada por uma interatividade constitutiva (fala-se também de dialogismo), é uma troca, explícita ou implícita, com outros enunciadores, virtuais ou reais, e supõe sempre a presença de uma outra instância de enunciação à qual se dirige o

enunciador e com relação à qual constrói seu próprio discurso (MAINGUENEAU, 2011, p. 54).

Nesse processo dialógico, os comentários se dirigem a um co-enunciador específico, André. Após as leituras dos posts do personagem, os interlocutores do blog se inserem no gênero discursivo construído no diário virtual e passam a respondê-lo (responsivamente). Quando, no post “Afinal, o que querem as mulheres?”, André Newmann coloca: estou

tentando escrever uma tese de doutorado. [...] Sobre a famosa pergunta que Freud fez e jamais conseguiu responder: afinal, o que querem as mulheres? Alguma dica? vários

internautas se detêm em responder à questão.

Os trechos selecionados demonstram a preocupação do internauta em produzir comentários que respondam bakhtinianamente aos posts do blog, especialmente, no que tange à qualidade do texto (esse tipo de comentário é o que sobressai no blog de André Newmann). Essa resposta “à altura” é explicada pelo gênero do discurso que prevalece na linguagem do blog/minissérie além de ser esperada, pois “[...] nós falamos por gêneros diversos sem suspeitar da sua existência. Até no bate-papo mais descontraído e livre nós moldamos o nosso discurso por determinadas formas de gênero” (BAKHTIN, 2010a, p. 282).

Fazendo uso das palavras de Bakhtin temos que cada internauta não “[...] é o primeiro falante, [...], e pressupõe [...] alguns enunciados antecedentes” (BAKHTIN, 2010a, p. 272). Esses enunciados antecedentes são os de André Newmann e os de sua própria formação discursiva, que também não foram os primeiros discursos no silêncio mudo do mundo: foram moldados pelo discurso da minissérie Afinal, o que querem as mulheres?. Assim caminhamos por uma “[...] corrente complexamente organizada de outros enunciados” (BAKHTIN, 2010a, p. 272), um conjunto que dá origem a interdiscursos.

Dessa forma, é possível verificar uma construção discursiva semelhante entre os internautas frequentadores do blog de André Newmann: a vontade de desvendar junto com a