BÖLÜM 3:TÜRK YÖNETĐM TARZININ ĐNCELENMESĐNE YÖNELĐK BĐR YÖNTEM ÖNERĐSĐ BĐR YÖNTEM ÖNERĐSĐ
4.2. Đslamiyet Sonrası Dönem
4.2.4. Cumhuriyet Dönemi
respostas, falo por experiência própria, pois ingressei em um mestrado de Neuropsicopatologia e acabei escutando demais os apelos da minha vaidade, graças a ela acabei acreditando que seria uma valente desbravadora do cérebro e realizadora de grandes descobertas… não é bem assim,a ciência na vida real não fica tão simples como em nossos ideais. [...] Espero que encontres um bom desfecho para tua tese.
Comentário 1 (Post 6): Ôh André… sei parece desperador mais vaiconseguir. Persevere! Acho que vc deve desmembrar essa pergunta, tá muito vago. Vamos afunilar? Olha, o que as mulheres querem em relação à quê? Amor, profissão, família? Hã?! Queremos te ajudar!!
Além da teoria de ethos baseada nos estudos de Maingueneau, Fiorin acrescenta que “as teorias do discurso mostram que há três elementos configuradores de um ethos: a) as características psíquicas ou o éthos propriamente dito (...); b) as características físicas, o corpo (...); c) um tom (...). Mesmo o texto escrito tem um tom, uma voz” (FIORIN, 2012, p. 70). Nos dois primeiros comentários selecionados (32 e 39), as preocupações das internautas são bastante semelhantes às dos que qualificamos como intelectuais: aproximação do personagem e construção de um ethos balizado pelo conhecimento. A diferença substancial, nesse caso, está no tom do discurso. Os telespectadores-internautas intelectuais lançavam mão da objetividade discursiva, ou mesmo da função da linguagem referencial (JAKOBSON, 2003), ao falar de temas, autores e centrar-se, por vezes, na terceira pessoa. Aqui, os internautas utilizam-se da primeira pessoa do singular, da pessoalidade, do relato de experiências que são compartilhadas pelo personagem, isto é, produzem enunciados baseados na confissão, ou sob outro ponto de vista; marcados pela função da linguagem emotiva (JAKOBSON, 2003).
Apesar de um diferencial acadêmico que constitui o ethos dito (MAINGUENEAU, 2010) – informações dadas pelo próprio falante/autor -, há uma busca por um ethos discursivo que transmita proximidade, partilha e acolhimento para com André. Portanto, apesar dessa fala tão explícita sobre si mesmo (“ingressei em um mestrado de Neuropsicopatologia”, “eu estou fazendo uma dissertação de mestrado em História”), os interlocutores mostram que compartilhar essas informações acadêmicas e pessoais implica mostrar a André que o blogueiro não está sozinho em sua jornada profissional.
Nos próximos comentários selecionados, há ainda a construção de um perfil de telespectador-internauta confidente: um interlocutor que não apenas fala de si, mas fala para o personagem em um tom pessoal. Na linha do que Tondato observa no blog Sonhos de
Luciana, colocamos que
o uso das novas tecnologias ainda reproduz os modos de utilização das tecnologias tradicionais – se antes as receptoras escreviam para as revistas de TV, hoje elas entram nos blogs. Entretanto, a relação é diferente. Nas revistas, a comunicação se dá (dava) em contexto de comentários – sobre as características, maldade, bondade, das personagens, opiniões sobre os rumos da história. No blog, ocorreu um posicionamento de “igual para igual”. O contexto do discurso era de dialogia, ou pelo menos “espera-se que”. As usuárias do blog escreviam “para” a personagem, e não “sobre” ela (TONDATO, 2011, p. 19).
Comentário 39 (Post 21): Andre, adorei essa loucura em que vc vive!! realmente escrever uma tese não é
nada fácil, eu estou fazendo uma dissertação de mestrado em História, e já sei que vou pirar o cabeção, mas, tenho absoluta certeza de que não pirarei tanto quanto vc (pelo menos eu espero que não!!!) [...].
Até aqui, os internautas conversam com André e sobre a pesquisa de André. O tom mais recorrente é impessoal por conta da vontade dos internautas de inserir-se nessa cadeia de conhecimento literário e teórico. Mesmo assim, um pouco na contramão da maioria, estão os internautas que falam de si, dividem confissões com André em busca de acolhimento ou aconselhamento, e deixam um pouco de lado esse aspecto mais “rígido”, acadêmico e complexo do blog. Os exemplos a seguir foram escolhidos para ilustrar esse ethos discursivo:
Os comentários mostram que o blog de André é visto não apenas como um “depositório de prosa e verso” do personagem e dos telespectadores, mas também como um local de conversa. Conversa em seu sentido primordial de trocar experiências de vida, ouvir e ser escutado pelo outro. Aqui os telespectadores-internautas também entendem o blog, em sua definição mais basilar, como diário pessoal on-line, como um espaço pessoal onde é permitida uma narrativa de si, uma escrita íntima (AMARAL; RECUERO; MONTARDO, 2009). Responsivamente, o blog é legitimado como local de partilha emocional e afetiva: ,
.;
[...] os pensamentos e as emoções, virtuais, [são] impossíveis de localizar, efêmeros. E estes, por sua vez, emergem do espaço mais virtual de todos: a consciência, uma consciência absolutamente inapreensível, que está sempre aqui, agora, sem ser de nenhum aqui e de nenhum agora (LÉVY, 2001, p. 138).
Em estudos transmidiáticos desenvolvidos pelo OBITEL nos últimos dois anos (LOPES; MUNGIOLI, 2011; LOPES; MUNGIOLI, 2012), no Orkut, Facebook e Twitter, observa-se que os usuários se relacionam com as ficções de forma emotiva nas redes sociais.
Comentário 27 (Post 3): Eu só sei, afinal, o que elas não querem: Eu! :( Pô, André, você podia fazer por
aqui um classificado do Amor, fica a dica. Abraço, aê!
Comentário 10 (Post 27): (...) Eu nunca namorei, não acredito q ainda hoje, exista homens q amem, homens
q vê na mulher o sentimento e não apenas o objeto sexual, então não sou a pessoa mais indicada pra falar sobre isso, mais eu qro amar com tda minha alma, com tdas as minhas forças e qro ser amada da msma maneira. Estou solteira tbm André…ops! [...]
Comentário 11 (Post 45): Essa é uma solução para quem esta cansado,gostei do segundo exemplo, as vezes
estou de saco cheio, quero ficar sozinha ,mas tem filhos ,marido enfim não da para relaxar sozinha, pensarmos assim ,mas isso é injusto porque se olharmos ao nosso redor o nosso problema é um grão de arroz,familia saudavel,casa para poder dormir,comer etc… e ter o que comer todos os dias isso é a felicidade.
Comentário 58 (Post 43): Ser solterio não significar ser sozinho. [...] Eu já fui casada, foi uma fase boa mas,
que me sufocava um pouco, de um dia para outro decidi que não iria mais me auto-resistir de certas coisas. rsrsrs. Desde de então sou solteira por opção logo não significa q eu esteja sozinha. rsrs
Muito se deve ao caráter emotivo da própria ficção, mas muito também ao ciberespaço – especialmente blogs e redes sociais – como um espaço para mostrar um pouco de si. Portanto, quando Lévy comenta sobre a virtualidade das emoções, o autor apresenta, no contraponto, a virtualidade do ciberespaço que se constituiu, também, como um locus de emotividades. No blog de André, as funções emotivas não estão apenas no enunciado da internauta que diz: “Eu já fui casada, foi uma fase boa mas, que me sufocava um pouco”, mas também – indiretamente – no discurso dos que fazem uso de um tom de objetividade, uma vez que os temas abordados no blog de maneira geral e na minissérie (pensando o gênero discursivo) são marcadamente emotivos. Tendo tudo isso em vista, a audiência aceita André como seu ombro amigo e confidente.
O compartilhamento de vivências e sentimentos é uma das maneiras encontradas pelos usuários de se colocar no blog de André. Nesse estado de partilha, os internautas também disponibilizam dados mais específicos de sua vida pessoal como a idade. Esse número é exposto não apenas para uma apresentação, mas para dizer quão habilitado o sujeito se considera para responder a pergunta colocada por Newmann e Freud.
A idade aqui é mais que um dado quantitativo, ela representa conhecimento e vivência. Nos dois primeiros comentários, a idade é colocada como um dado que dá sustento para as opiniões emitidas refletindo uma experiência de vida. As duas internautas, uma com quarenta anos e outra com 15, usam a idade para enunciar que sabem o que querem as mulheres. Mas há outras que ainda buscam o que querem, a despeito da idade:
Comentário 40 (Post 1): Se ajudar , penso que no fundo,no fundo, as mulheres querem é se entender a si
mesmas, se aceitar ( o mais difícil), nos meus maravilhosos 60 anos ainda estou me descobrindo… e descobrindo a maravilha que é viver e acredite eu não ainda não consegui saber exatamente o que quero dentro de todas as experiências que vivi. Boa Sorte!!!
Comentário 48 (Post 1): Particularmente, eu, com 15 anos, quero muita coisa… Na vida em geral, quero paz, ah pelo amor de deus, eu quero paz! Paz interior sabe? Quero tempo pra cuidar de mim. Respirar e sentir que estou respirando… [...]
Comentário 30 (Post 1): Olá André, Espero que ate o final da mini serie consiga chegar a alguma conclusão!
Na verdade ao chegar aos meus 4.0 anos (que ate agora não aceito) posso dizer que queremos tudo e não queremos nada! Sou uma eterna criança grande…risos! Somos mulheres e isso nos faz eternamente insatisfeitas! Eu me satisfaço não sendo cobrada! Acho que é isso…sem cobranças e assim a vida segue! Beijos e boa sorte!
As três internautas, no sentido oposto das anteriores, se apoiam na idade para mostrar a André que mesmo tendo vivido 18, 25 ou 60 anos não é possível – ainda que na pele de uma mulher – compreender o que elas buscam. Assim, a pergunta de André, pelo viés dessas internautas, tenderia a ficar sem resposta, leve André os anos que precisar para respondê-la.
O que esses comentários dos telespectadores-internautas confidentes revelam é a construção de um ethos baseado na proximidade. Falar de si é compartilhar, mais diretamente, pistas de sua própria vida que não seriam facilmente apreendidas no discurso. Em tom acadêmico ou majoritariamente pessoal, o que a audiência deseja é se mostrar, se colocar frente a André, dizer seu nome, sua idade, sua profissão, enfim, seu papel.
6.3 Telespectador-internauta crítico
Várias particularidades do blog de André Newmann o colocam em uma categoria diferente da dos blogs de personagens ou de outros blogs pessoais que seguem as diretrizes de um diário virtual. Apesar disso, a condição basilar do blog de André é inegável: um blog de personagem regido pela narrativa de uma minissérie. Os internautas falam sobre Afinal, o que
querem as mulheres? (se não o fizessem, seria necessário questionar o diálogo nesse espaço),
mas curiosamente ao longo das postagens do personagem a trama televisiva não é o fim, mas o meio. A minissérie aparece nos comentários como um pretexto, algo sobre o qual não se fala diretamente: os interlocutores passam por ela a fim de chegar a André ou a outros assuntos.
Comentário 33 (Post 26): Olhar, e não ver os olhos, mas saber que os olhos estão vendo. Bonitos o
suficiente, para não deixarmos nos esquecer deles por nenhum instante… Pessoas, fatos, amigos, tudo envolve nossa vida, mas ela parece não ter sentido, ou ter de uma forma meio inexpressiva… ou falta alguma coisa! Isso é loucura? [...] A história da série faz com que nos envolvamos de tal maneira, q nos forçamos a pensar em tudo. Tempo, nossa vida pasado, futuro.