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BÖLÜM 3:TÜRK YÖNETĐM TARZININ ĐNCELENMESĐNE YÖNELĐK BĐR YÖNTEM ÖNERĐSĐ BĐR YÖNTEM ÖNERĐSĐ

3.4. Türk Yönetim Tarzının Đncelenmesinde Kullanılacak Yöntem

3.4.1. Çoklu metot yaklaşımı

Ainda na esteira do tópico anterior, sobre a noção de gêneros e de um estilo gerado pela coletividade, quando André, em alguns posts, apresenta textos de outros autores há nesse discurso uma delimitação de gênero discursivo. Retomando: o gênero do blog é essencial para determinar o que e como enunciar nesse espaço de atividade. E um gênero do discurso não é imposto, mas construído no processo dialógico (BAKHTIN, 2010a). E para consolidar um gênero do discurso é necessário que os interlocutores definam maneiras de enunciar. E é isso que André faz quando publica algum post.

No post transcrito logo abaixo (Figura 17), Newmann compartilha com seus leitores um texto de Kafka. Há em outros posts o mesmo tipo de construção: André comenta sobre algo que leu, gostou e que achou interessante compartilhar em seu blog.

Cada enunciado, traduzido em postagens do personagem, constrói discursos

relativamente estáveis definidos por um gênero discursivo. Esse gênero constrói sentidos para

o personagem e os internautas e pode-se dizer que cada post é uma pista, para os leitores, de como se portar, uma vez que “[...] não é tanto a expressão que se adapta ao nosso mundo interior, mas o nosso mundo interior que se adapta às possibilidades de nossa expressão” (BAKHTIN; VOLOCHÍNOV, 2010, p. 122-3).

Figura 17. Post 15 – Obs.:

Post 15 – Obs.:

Lembrei de um texto do Kafka que gosto muito chamado “A Ponte”. Para dizer a verdade, sinto-me a própria – à exceção de que, ao invés de uma criança, sonho, assaltante ou qualquer das hipóteses imaginadas pelo grande escritor, no meu caso, com toda a certeza, trata-se de uma mulher…

A Ponte

Eu era rígido e frio, eu era uma ponte; estendido sobre um precipício eu estava. Aquém estavam as pontas dos pés, além, as mãos, encravadas; no lôdo quebradiço mordi, firmando-me. As pontas da minha casaca ondeavam aos meus lados. No fundo rumorejava o gelado arroio das trutas. Nenhum turista se extraviava até estas alturas intrasitáveis, a ponte não figurava ainda nos mapas. Assim jazia eu e esperava; devia esperar. Nenhuma ponte que tenha sido contruída alguma vez, pode deixar de ser ponte sem destruir-me. Foi certa vez, para o entardecer – se foi o primeiro, se foi o milésimo, não o sei – meus pensamentos andavam sempre confusos, giravam, sempre em círculo. Para o entardecer, no verão, obscuramente murmurava o arroio, quando ouvi o passo de um homem. A mim, a mim. Estira-te, ponte, coloca-te em posição, vigã órfâ de balaústres, sustém aquele que te foi confiado. Nivela imperceptivelmente a incerteza de seu passo, mas se cambaleia, dá-te a conhecer e, como um deus da montanha, atira-o à terra firme. Veio, golpeou-me com a ponta férrea de seu bastão, depois ergueu com ela as pontas de minha casaca e arrumou-as sôbre mim. Com a ponta andou entre meu cabelo emaranhado e a deixou longo tempo ali dentro, olhando provavelmente com olhos selvagens ao seu redor. Mas então – quando eu sonhava atrás dele sobre montanhas e vales – saltou, caindo com ambos os pés na metade de meu corpo. Estremeci-me em meio da dor selvagem, ignorante de tudo o mais. Quem era? Uma criança? Um sonho? Um assaltante de estrada? Um suicida? Um tentador? Um destruidor? E voltei-me para vê-lo. A ponta de volta! Não me voltara ainda, e já me precipitava, precipitava-me e já estava dilacerado e varado nos pontiagudos calhaus que sempre me tinham olhado tão aprazilvelmente da água veloz.

Além disso, no caso acima, a literariedade do texto traz inúmeras possibilidades de interpretação, de produção de sentidos. Tanto é verdade que os comentários para essa publicação de André incluíram desde pessoas citando trechos do texto e dizendo o quão bonitos ou bem escritos eram, até outras que diziam se sentir como a ponte do conto. Há aqui uma busca de André pela polissemia; ao apenas “jogar” um texto para que seja lido, André faz também um tipo de “sondagem” que detecta um pouco os gostos e conhecimentos literários de seus interlocutores, a capacidade interpretativa frente a autores como Kafka. Por exemplo, não há entre os comentários, a presença de um internauta que diga ser amante do autor, ou conhecer sua obra. Apenas esse sinal já seria suficiente para André conhecer um pouco melhor o Outro com quem dialoga.

Por outro lado, posts com esse tipo de conteúdo consolidam o ethos discursivo de André toda vez que são publicados. Ao citar autores, o personagem compartilha sua intelectualidade e mostra aos internautas que além de escrever sua tese e ler autores da psicanálise, ele dedica um pouco de seu tempo para os romances literários. André apresenta aqui não apenas sua biblioteca física (ou virtual), mas seu conhecimento enciclopédico (ECO, 1994), ou mesmo dá pistas da importância dos gêneros secundários (BAKHTIN, 2010a) – como romances, publicidades e dramaturgia – em sua formação intelectual. Ao mesmo tempo em que, tais posts, corroboram a construção do sujeito discursivo. É dessa maneira que seus interlocutores compreendem que no blog de André o espaço não é restrito apenas a confissões, mas está aberto também para compartilhamento de obras lidas. Os comentários selecionados ao longo de nossa análise apontam como os telespectadores-internautas “aceitaram” esse processo dialógico no blog.

Também, por outro viés, como Amaral, Recuero e Montardo (2009) já apontaram, há uma dificuldade de se categorizar os diversos tipos de blog que nascem, dia a dia, na blogosfera. Dessa forma, guiar-se pelo autor-blogueiro é a maneira mais simples de entender a função do blog. Assim como a linha editorial de jornais impressos ou revistas que definem o conteúdo divulgado nos veículos, as publicações do autor do blog desvelam seu ethos e consequentemente o caráter genérico do blog. Na prática, portanto, quando André escreve em tom de devaneio, faz poesia ou cita textos de outros autores, o personagem não apenas determina o tipo de diálogo, mas também os temas que pretende desenvolver em seu diário virtual.