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BÖLÜM 3:TÜRK YÖNETĐM TARZININ ĐNCELENMESĐNE YÖNELĐK BĐR YÖNTEM ÖNERĐSĐ BĐR YÖNTEM ÖNERĐSĐ

4.2. Đslamiyet Sonrası Dönem

4.2.1. Karahanlılar Dönemi

4.2.1.2. Karahanlılar Dönemi Yönetim Anlayışı

No último post do dia 20/10/2010, terceiro texto de apresentação do personagem, André escreve57:

57 Inicialmente, deixamos de lado enunciados como Afinal, o que querem as mulheres?! Talvez seja mais fácil

inventar o teletransporte…, ou ainda,“TESE”, o perfume de um enigma. Nessas passagens está marcada,

ideologicamente, a questão do feminino na minissérie. Retomaremos esse assunto mais adiante, por ora, nosso foco é o personagem e seu papel de blogueiro.

Figura 18. Post 3 – Afinal, o que querem as mulheres?!? 3

O gênero discursivo de um diário pode ser determinado por vários elementos: o início da narrativa com “querido diário” seguido por um relato cronológico e coloquial de algum acontecimento seria a marca mais definitiva desse gênero (virtual ou não). No entanto, aqui, não há um eixo temporal sobre o qual se apoiar. André joga com a sedução da linguagem poética, ou mais especificamente, “fala como um psicólogo” fazendo associações entre palavras, situações e imagens. Essa maneira de dizer do personagem define sua maneira de

ser. Nas palavras de Maingueneau,

Post 3 – Afinal, o que querem as mulheres?!? 3 Última tentativa, ok?

Olá, me chamo André. Esse é o meu blog. Um recreio na escola de abismos. Explico: minha tese começa com a famosa pergunta que Freud fez… Afinal, o que querem as mulheres?! Talvez seja mais fácil inventar o teletransporte… Pesquiso, leio, escrevo, rasuro… Como disse antes, entre o grande gole e o afogamento. Afinal, o que elas querem? Mal acordo, trabalho, mal durmo: o que vocês querem?!? A pergunta se entranhou nos meus ossos…

Por isso é que imaginei esse lugar plácido, uma piscininha na beira do mar em dia de ressaca, um letreiro em neon anunciando uma miragem… Aqui, poderei emergir para renovar forças e, então, o novo mergulho: a tese. “A Tese”, hoje, soa para mim como o nome de uma deusa grega… “TESE”, a deusa das mulheres. “TESE”, o perfume de um enigma. “TESE”, o sino imóvel. Finalmente um lugar onde posso me espreguiçar sem esbarrar nas nuvens (do meu cachimbo).

Agora, o pulmão como refém, volto às profundezas para batucar nos fundos falsos – onde imagino o brilho das setas por detrás das pérolas. Meu último espelho.

o universo de sentido propiciado pelo discurso impõe-se tanto pelo ethos como pelas “ideias” que transmite; na realidade, essas ideias se apresentam por intermédio de uma maneira de dizer que remete a uma maneira de ser, à participação imaginária em uma experiência vivida (MAINGUENEAU, 2011, p. 99).

Dessa forma, os interlocutores, a partir da maneira de dizer de Newmann associada ao personagem televisivo, constroem o espaço discursivo do blog. A forma como o dono do blog gerencia o discurso reflete diretamente na forma como os internautas respondem. As interdições e as possibilidades de dizer algo nesse ambiente virtual são definidas pela maneira como se enuncia. Não é uma coerção visível, mas um acordo tácito entre os interlocutores desse espaço. Seria o que chamamos de formação discursiva, ou seja,

o discurso se constitui em seus sentidos porque aquilo que o sujeito diz se inscreve em uma formação discursiva e não outra para ter um sentido e não outro. [...] As formações discursivas, por sua vez, representam no discurso as formações ideológicas. [...] E isto não está na essência das palavras mas na discursividade, isto é, na maneira como, no discurso, a ideologia produz seus efeitos, materializando-se nele (ORLANDI, 2012, p.43).

Em uma situação corriqueira, em um blog na Internet de um usuário “comum” poderíamos delimitar sua formação discursiva (ideológica) observando suas condições de produção do discurso e a memória do discurso (ditos e não-ditos). O protocolo com o blog de André é o mesmo, a não ser pelo fato de a formação ideológica do personagem ser marcada também por uma instituição, a rede Globo.

Os processos enunciativos de André no blog são definidos por várias instâncias. Se fosse possível ilustrar esse processo, teríamos algo como a representação da figura 19:

Figura 19. Processo enunciativo do blog de André

Todas essas instâncias já foram discutidas ao longo de nossa pesquisa. Quando compactuamos com a noção de cadeia discursiva, correia de discursos, que emerge dos trabalhos de Bakhtin (2010a, 2010b), aceitamos que o discurso construído no blog de André

não está isolado, mas tem antecessores e discursos que dele derivam e que se inserem em gêneros do discursos específicos.

Olhar para o blog de André é, antes de tudo, compreender a cadeia discursiva na qual o blog se insere. De maneira simplificada e mesmo reduzida, a figura 19 esquematiza esse processo. A primeira instância é representada pela TV Globo que seria a formação discursiva da qual fala Orlandi (2012), responsável por construir a memória do discurso e as condições de sua produção. O formato minissérie, por sua vez, define muito claramente um gênero discursivo no qual várias ficções da TV Globo se inserem. Gênero construído durante anos com base na faixa horária de exibição das ficções, índices de audiência, telespectadores, temáticas das tramas. Já o diretor Luiz Fernando Carvalho, além de se inserir no discurso da emissora e no gênero discursivo das minisséries, também define discursivamente o caráter das ficções que dirige e/ou escreve. Todas as questões de estilo do diretor representam opções enunciativas, assim, a inovação e o apuro estético – marcas de Carvalho – também determinam os discursos no blog de André.

As três últimas instâncias, exaustivamente discutidas ao longo de nosso trabalho, são aquelas que, mais superficialmente, podem ser identificadas no blog de André Newmann: a própria minissérie Afinal, o que querem as mulheres?, o ator/roteirista/blogueiro Michel Melamed e, enfim, o blog do personagem André Newmann.

Essa ilustração serve para afirmarmos que várias instâncias marcam a formação discursiva do personagem André em seu blog. Isso significa que André, por mais pessoal, ou intimista que seja, estará sempre ligado nessa correia discursiva.

Mas, sem dúvidas, o papel da TV Globo nesse sistema é destacável. Mungioli et al. (2011) discutem que, para Jost, três instâncias regem o discurso das emissoras: discurso da empresa, da instituição e da marca. Os dois primeiros se referem às questões socioeconômicas e à missão da empresa. O discurso da marca, por sua vez, está presente na programação e na voz de apresentadores, offs e mesmo personagens. É como se “a rede como marca qu[isesse] não somente falar, mas prescrever comportamentos” (JOST, 1997, p. 4-5 apud. MUNGIOLI et al., 2011, p. 5). O discurso da marca é a construção da alma da emissora.

Nesse percurso de construção de discursos – definidores da rede – há um contrato de comunicação muito óbvio já que “[...] não pode haver um ato de comunicação sem que a ele esteja subjacente um contrato [...]. O único objetivo desse contrato é tentar fazer com que o outro entre na própria intencionalidade do proponente” (JOST, 2004, p.11). Há uma intencionalidade da emissora impressa no blog, mesmo que todo o processo transmidiático de

própria minissérie e não pela equipe de desenvolvimento de formatos da Central Globo de Produção. Por se tratar de uma ficção, a formação ideológica da emissora pode não aparecer nitidamente nos posts de André, mas aquilo que não pode ser dito está, de alguma forma, inscrito nesse espaço.

Quando, no post supracitado, André diz: por isso é que imaginei esse lugar plácido,

uma piscininha na beira do mar em dia de ressaca, um letreiro em neon anunciando uma miragem… Aqui, poderei emergir para renovar forças e, então, o novo mergulho: a tese.

Desenhamos mentalmente a imagem de um local de refúgio, aconchego – muito provavelmente – associado à ideia de reunir amigos, ou pessoas que deem apoio e acolhimento. O blog é a calmaria de André em meio ao caos de sua busca. Dessa forma, mesmo que indiretamente, André desperta uma posição ativo-responsiva de solidariedade. Aí, ouve-se, metaforicamente, a voz da emissora determinando um espaço ficcional em que deve haver diálogo entre personagem e audiência e não se constituir em um espaço de reclamações sobre a minissérie, sobre a TV Globo, muito menos se tornar um canal de conversa entre a produção da emissora e os telespectadores. Mesmo que não haja, nesse post, respostas diretas ao que foi colocado pelo blogueiro, a postura dos internautas de sugerir respostas à pergunta de Freud ou apenas advertir André de “estar pisando em um território complexo” sinaliza esses não-ditos. Como um discurso-fundador, André fixa: Aqui será meu esconderijo, lugar onde pretendo conversar sobre a minha tese e minha vida. Socializar com vocês. Não há espaço para nada além disso.

Sem dizer, a emissora define um local em que o personagem é protagonista e não a emissora. Como resposta a esse discurso, vemos nos comentários pouca (ou nenhuma) menção ao papel da TV Globo ao longo de todas publicações do blog. É desse modo que “o coenunciador incorpora, assimila, [...], um conjunto de esquemas que definem para um dado sujeito, pela maneira de controlar seu corpo, de habitá-lo, uma forma específica de se inscrever no mundo” (MAINGUENEAU, 2011, p. 99). Na voz de André, os telespectadores- internautas ouvem a voz da TV Globo, a voz de Luiz Fernando Carvalho, a voz da produção da minissérie mesmo sem escutá-las sonoramente (ou em linhas escritas).