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Japonya, Kore ve Çin Đşletmelerinde Yönetim Süreci Boyutu

PERSPEKTĐFĐNDEN ULUSAL BĐR YÖNETĐM TARZININ BOYUTLARINI BELĐRLEMEYE YÖNELĐK BĐR ÇERÇEVE ÖNERĐSĐ

2.1. Yönetim Tarzının Boyutları Đle Đlgili Olarak Literatür Özeti

2.2.3. Yönetim Süreci Boyutu

2.2.3.1. Japonya, Kore ve Çin Đşletmelerinde Yönetim Süreci Boyutu

Como exposto, partimos para a análise – leitura – do blog de André Newmann munidos das teorias de Bakhtin. Mas não somente. O autor russo estabeleceu-se como eixo paradigmático de nossa pesquisa, nosso norte para, antes de chegar ao blog, pensar os processos de comunicação (e Comunicação) na vida humana.

Além de Bakhtin, Brandão (2012), Fiorin (2008, 2012), Maingueneau (2010, 2011) e Orlandi (1990, 2012) passam a compor nosso estudo. Quase como uma fortaleza “instrumental” os autores são eixo para a Análise do Discurso no blog de André.

Mas a questão que se instala é o porquê da escolha pela Análise do Discurso, entre tantas outras teorias, no estudo do blog de André Newmann. Para construirmos uma resposta coerente, devemos retomar Bakhtin a fim de apontar as semelhanças, na maneira de pensar a linguagem, entre o autor russo e os autores escolhidos para nossa análise.

Como visto, para Bakhtin (2010a), a verdadeira substância da língua é sua concretude, resultante da interação verbal entre os seres humanos. A noção de concretude afasta ideias da língua como ato fisiológico, como produto de ação individual ou abstrações. Orlandi comunga dessa premissa em seus estudos de Análise do Discurso (AD). Em várias passagens, a autora expressa o imperativo do concreto: “[...] a Análise de Discurso não trabalha com a língua enquanto um sistema abstrato, mas com a língua no mundo, com maneiras de significar, com homens falando, considerando a produção de sentidos enquanto parte de suas vidas” (ORLANDI, 2012, p. 16). Também Brandão, sob os pilares teóricos de Bakhtin, explica que “o discurso ultrapassa o nível puramente gramatical, linguístico. O nível discursivo apoia-se sobre a gramática da língua (o fonema, a palavra, a frase) e sobre os aspectos extralinguísticos que condicionam a sua produção” (BRANDÃO, 2012, p. 19).

Assim, discurso é visto como: efeito de sentidos entre locutores, uma vez que, de acordo com Figaro “[...] a linguagem não comunica quando ela não constrói sentidos para os interlocutores da interação. A noção de discurso [...] só pode ser entendida como aspecto e

elemento dado pela comunicação” (FIGARO, 2010, p.7).

No processo de formação dos discursos, observa-se que – reforçando o que já foi posto – “ a linguagem serve para comunicar e para não comunicar. As relações de linguagem são relações de sujeitos e de sentidos e seus efeitos são múltiplos e variados” (ORLANDI, 2012, p. 21). Logo, discurso é a relação entre um sujeito e outro e, por isso, “os estudos discursivos visam pensar o sentido dimensionado no tempo e no espaço das práticas do homem” (ORLANDI, 2012, p. 16).

Em síntese, como bem coloca Brandão “[...] o trabalho no nível discursivo tem como objeto não a frase, mas o enunciado concreto” (BRANDÃO, 2012, p. 20). A Análise do Discurso permite enxergar o que está fora da língua, sua exterioridade; os processos de produção dos dizeres é o objeto soberano. Processos esses que incluem, indubitavelmente, a enunciação dos sujeitos do discurso.

Quando Bakhtin afirma não haver discurso sem a relação entre sujeitos, o autor nos assegura que o falante é peça principal da análise discursiva. Por mais clara que essa afirmação possa parecer, para outras abordagens – sem méritos ou juízo de valor – o processo enunciativo do interlocutor poderia até ser deixado de lado.

Percebe-se, portanto, o tecido discursivo no qual os interlocutores se encontram. Não há discursos unilaterais, não há “donos de um discurso”: há processo e interação. É nesse processo que repousamos o olhar. Um processo dialógico estabelecido no espaço virtual de uma minissérie, em um blog de personagem. Portanto, buscar compreender o processo com base na Análise do Discurso não é privilegiar a produção ou a recepção, mas demarcar um espaço de interação entre esses dois polos. Para Orlandi não há separação definida entre os interlocutores,

na realidade, a língua não é só um código entre outros, não há essa separação entre emissor e receptor, nem tampouco atuam numa sequência em que primeiro um fala e depois o outro decodifica etc. Eles estão realizando ao mesmo tempo o processo de significação e não estão separados de forma estanque (ORLANDI, 2012, p. 21).

Ao aceitarmos o blog de André Newmann como um espaço discursivo, há consenso que o uso da língua nesse espaço é feito por meio de enunciados concretos, construídos na relação de interlocutores. E se a produção de sentidos é oriunda desse processo dialógico, indeterminado e constante, o resultado dessa interação não é transparente. Não há nada dado nos textos, os sentidos não estão predeterminados em uma postagem do personagem no blog. Como diria Orlandi, “não há uma verdade oculta atrás do texto” (ORLANDI, 2012, p. 26). Ao lado de Orlandi, Brandão nos lembra da necessidade de “considerar a não literalidade das

palavras [...], [visto que] o sentido se forma levando em conta os contextos, um sujeito histórico produz a linguagem interagindo com outro sujeito, a linguagem é constitutivamente heterogênea” (BRANDÃO, 2012, p. 21). É dessa sensação de enunciados quase inconciliáveis que Brandão define a opacidade da linguagem: não há transparências e por isso a urgência de desvelar sentidos por meio da Análise do Discurso.

3.3.1 Ethos e Pathos: processos de construção de instâncias enunciativas

Retomando a noção de dialogia de Bakhtin (2010a, 2010b) entendemos que

[...] o enunciado não está ligado apenas aos elos precedentes mas também aos subsequentes da comunicação discursiva. [...] O papel dos outros, para quem se constrói o enunciado, é excepcionalmente grande, como já sabemos. [...] Não são ouvintes passivos mas participantes ativos da comunicação discursiva. Desde o início o falante aguarda a resposta deles, espera uma ativa compreensão responsiva. É como se todo o enunciado se construísse ao encontro dessa resposta (BAKHTIN, 2010a, p.301).

A compreensão de que existe um outro instaurado no discurso é essencial na teoria dialógica e, especialmente, na noção de gêneros discursivos. O Outro é aquele para quem o falante se direciona, ou seja, aquele que influencia diretamente o que é dito e em como é dito. Para Bakhtin, “[...] o direcionamento, o endereçamento do enunciado é sua peculiaridade constitutiva sem a qual não há nem pode haver enunciado” (BAKHTIN, 2010a, p. 305, grifo do autor).

E para que haja esse Outro é imprescindível a existência de um Eu, de um falante, de um sujeito “primeiro”. Ambos fazem parte do processo enunciativo, consequentemente, ambos se constroem mutuamente. Para Fiorin, “[...] o discurso não é apenas um conteúdo, mas também um modo de dizer, que constrói os sujeitos da enunciação” (FIORIN, 2008, p. 157).

É nesse ponto que a noção de ethos (ou éthos)21 se faz essencial para observar a

eficácia de um discurso. Fiorin explica que o termo foi empregado por Aristóteles para definir a imagem do orador, o caráter do orador, ou melhor, uma imagem discursiva desse caráter. Nas palavras do autor:

Aristóteles diz que o orador [...] ao produzir um discurso, cria uma imagem de si, projeta uma imagem de si. Quando falamos de autor como instância discursiva, estamos fazendo referência a essa imagem e não ao sujeito de carne e osso, que não diz respeito à teoria do discurso (FIORIN, 2012, p. 69).

21 Em sua obra, José Luiz Fiorin refere-se ao éthos e ao páthos com o uso do acento agudo. Optamos por, ao longo do trabalho, grafar ethos da maneira como Maingueneau refere-se ao mesmo termo e, igualmente, usamos o termo pathos sem o acento (a exceção das citações diretas do autor).

Para capturar a imagem do enunciador é necessário apreender o ethos, analisá-lo “nas recorrências de elementos discursivos e textuais: por exemplo, na construção de personagens, na pontuação, na escolha de palavras, etc.” (FIORIN, 2012, p. 70). Dessa forma, a Análise do Discurso desenvolve nosso olhar para diferentes categorias enunciativas: pessoa, espaço e tempo visto que “[...] todas as grandezas estão subordinadas à instância da enunciação, dado que todas elas revelam não só uma imagem do autor, mas também um modo de ver o mundo” (FIORIN, 2012, p. 76).

As características físicas, psíquicas e o tom do falante podem ser elementos configuradores do ethos (FIORIN, 2012). Para Maingueneau, o ethos pode ser manifestado em alguns planos básicos, entre eles: ethos dito e ethos propriamente discursivo. O primeiro se refere àquelas informações que o próprio falante dá de si: “podemos encontrar aí dois tipos de informação: de ordem social (residência, estado civil, profissão...) e, o que é mais frequente, de ordem psicológica (personalidade, gostos...)” (MAINGUENEAU, 2010, p. 84). O ethos propriamente discursivo, por sua vez, se estabelece por índices da própria enunciação (pontuação, ritmo, ortografia...). Além dos elementos apresentados por Maingueneau e Fiorin para observar a manifestação do ethos, vários fatores são levados em conta na construção dessa imagem do orador. Cabe ao analista do discurso desvelar os sentidos produzidos a partir dessa construção do ethos e apontá-los em sua análise.

Mas se o processo enunciativo é dialógico e, portanto, depende da alteridade, do outro, como pensar apenas no ethos discursivo de apenas um interlocutor? Levando em consideração, o processo mútuo (e coletivo) de construção discursiva é natural aceitar que todos os falantes constroem seus ethos a partir da interação com o outro. Tomando o blog de André Newmann como exemplo, à medida que o personagem constrói seu ethos discursivo no blog, ele determina temas, assuntos, maneiras de dizer que também definem como seus interlocutores devem enunciar no espaço discursivo do blog. Feito isso, esses interlocutores, ao passo que identificam o ethos do personagem, constroem seu próprio. O processo é mútuo e constante.

A construção do ethos desse outro também é compreendida também como pathos do enunciatário. A ideia de enunciatário pode ser relacionada com o conceito de leitor-modelo de Eco (1994), uma vez que, “o enunciatário é também uma construção do discurso. Não é o leitor real, mas um leitor ideal, uma imagem de um leitor produzida pelo discurso” (FIORIN, 2008, p. 153). A diferença basilar entre os conceitos está no fato de o leitor-modelo ser construído pelo autor com dicas e instruções ao longo de sua obra, de seu texto. O leitor- modelo nasce de uma imposição, de um modelo idealizado pelo outro. Por sua vez, o

enunciatário é construído com o autor. A ideia é que nem o enunciador nem o enunciatário existem antes do processo enunciativo. Claramente, as duas noções são conciliáveis, como veremos em nossa análise do blog de André Newmann.

Assim como o ethos, a noção de pathos também é aristotélica. Na Retórica, Aristóteles apresenta os três integrantes de um ato de comunicação: o ethos, o pathos e o logos (orador, auditório e discurso). “Atualmente, poder-ia-se dizer que, num ato comunicativo, há uma relação entre três instâncias: o enunciador, o enunciatário e o discurso” (FIORIN, 2008, p. 154). Um bom orador, para Aristóteles, deveria conhecer seu auditório, não o espaço físico, mas o estado de espírito do auditório. Dessa forma, tem-se que

o páthos não é a disposição real do auditório, mas a de uma imagem que o enunciador tem do enunciatário. [...] Nesse sentido, o auditório, o enunciatário [...] faz parte do sujeito da enunciação; é produtor do discurso, na medida em que determina escolhas linguísticas do enunciador (FIORIN, 2008, p. 154).

Ser produtor do discurso significa construir, interpretar, avaliar, compartilhar ou rejeitar significações (FIORIN, 2008). Essa ideia afasta a imagem de um enunciatário passivo que apenas recebe aquilo que foi produzidor pelo enunciador. Para a nossa pesquisa, essa consideração sustenta a maneira como os sujeitos falantes no blog de André são enxergados. No espaço do discurso do blog, o personagem e os telespectadores constroem o discurso desse locus virtual. Apesar do gênero discursivo da minissérie moldar os discursos do blog, ainda assim, há uma interação entre os falantes que permite a construção do ethos e do pathos. Assim, “se o páthos constrói a imagem do enunciatário, o éthos constrói a do enunciador” (FIORIN, 2008, p. 155).

Com isso, a Análise do Discurso nos entrega como produto da análise um desenho do processo enunciativo e da construção de discursos em ambientes onde há interação. É assim que pretendemos desvelar sentidos no blog de André Newmann, dar vida ao personagem e, especialmente, apresentar a audiência que faz parte – até então teoricamente – do discurso transmidiático da minissérie.