ÜÇÜNCÜ BÖLÜM
3.2. Bezm ve Rezm
3.2.2. Savaş ve Ordu
3.2.2.4. Savaş Aletleri
Este estudo foi fundamentado na abordagem exclusivamente qualitativa e seus pilares atendem a três perspectivas, delineadas conforme a teoria de Crotty (1998) para este tipo de classificação. Na epistemologia, fundamentei-me nos pressupostos da complexidade, complementados pelo construcionismo; na teoria, fundamentei-me no interpretativismo, como uma das perspectivas alinhadas tanto à complexidade como ao construcionismo; e, na metodologia, a fenomenologia-hermenêutica, caminho que também converge para as duas primeiras.
As três perspectivas orientaram e deram suporte não somente à lógica do percurso metodológico, mas também aos critérios e procedimentos que delimitaram o processo de tomada de decisão quanto ao método, inclusive fortalecendo-me na expressão de questões paradigmáticas. Neste aspecto, a complexidade e a transdisciplinaridade constituíram-se também como perspectivas paradigmáticas que me auxiliaram a evitar que os marcos estabelecidos se tornassem padrões rígidos e bloqueios à expressão do pensamento.
Instigada pela relação do problema de pesquisa com a minha trajetória pessoal e profissional, entendi que, ao explorar a criatividade na expertise, alcançaria um nível maior de aprofundamento, se seguisse em duas direções relativamente opostas, para que uma complementasse a outra, atendendo aos princípios do método dialógico. Para tanto, integrei duas dimensões na realização do estudo, caracterizando-o como um estudo multigênero, o que, por sua vez, deu origem a uma pesquisa teórico-empírica. Essa dupla direção integrou o caráter reflexivo (na interpretação do arcabouço teórico) e o caráter prático (na realização da pesquisa de campo).
A logística dos dados, abrangendo da geração à apresentação dos resultados, seguiu o conceito de círculo hermenêutico. Com isto, eu pretendi materializar uma dinâmica, que foi representada pelos círculos da geração de dados, interpretação e nova compreensão. A ideia
subjacente foi ilustrar o movimento circular, recursivo e não linear do processo de análise e codificação do texto das narrativas.
Na dimensão teórica, considero que desvelei o meu próprio processo de metacognição. Resolvi seguir pela estratégia do relato, apresentando o modo como articulei o diálogo com os dois campos de conhecimento e seu respectivo aporte teórico. Os dados foram gerados das teorias de ambos os domínios, tendo, como fonte, a revisão de literatura ou pesquisa bibliográfica. Esta dimensão teve por finalidade constituir as categorias teóricas, que se uniram às categorias indígenas, as quais emergiram da dimensão empírica da pesquisa. Esses dois conjuntos de categorias estruturaram o círculo da nova compreensão e a elaboração da teoria fundamentada nos dados da pesquisa.
A atitude metodológica na dimensão teórica da pesquisa atendeu aos princípios da bricolagem. A característica essencial deste procedimento de pesquisa é atribuir sentido interpretativo ao que parece estar fragmentado. A integração desta com a estratégia de codificação da teoria fundamentada nos dados permitiu-me buscar as categorias teóricas que, por sua vez, geraram os indicadores teóricos da criatividade e da expertise.
Na dimensão empírica, a atitude fenomenológica foi o caminho que me permitiu explorar, com profundidade, as questões e os objetivos da pesquisa. Este aprofundamento foi propiciado pela multiplicidade de enfoques e de estratégias na execução do método. Entre as estratégias que são coerentes com esta perspectiva metodológica, a história de vida se apresentou como a mais adequada para a geração dos dados. Integrando-se à história de vida, como estratégias, procedimentos e instrumentos, foram acrescentados: análise documental, notas de campo e a técnica de follow-up. Estas duas últimas não constavam no planejamento prévio. Elas foram incluídas como necessidade emergente no decorrer da investigação.
Sobre os participantes, foram identificados 28 e selecionados 10 experts. Entre outros critérios, inclui-se que eles exercem diferentes profissões e são reconhecidos e validados pelo campo, por suas contribuições relevantes. Na pesquisa de campo, dos 10 participantes, nove residiam no Brasil: cinco em Brasília-DF e quatro em outros estados. Um deles reside e atua no exterior. Depois de concluída a pesquisa de campo, mais um dos participantes, entre os que residiam em Brasília-DF, passou a residir e desenvolver suas pesquisas no exterior. Com nove dos participantes, as histórias de vida foram gravadas em áudio e somente um optou por entregar sua narrativa por escrito.
Gerados os dados, seguiu-se a análise e interpretação. A Interpretação5, segunda fase no círculo hermenêutico, foi constituída pelo processo analítico-interpretativo. Abrangeu desde a transcrição in verbatim até a parte de apresentação dos resultados e nova compreensão. A distinção entre os momentos de abordagem ideográfica e nomotética me orientou para a busca da essência do fenômeno, a partir da associação das categorias às unidades variantes e às grandes invariantes. Estes aspectos são constituintes do método/atitude fenomenológica.
Para cada passo específico, que envolveu análise e interpretação, foi atribuído o nome de ato interpretativo, visto que todos eles fizeram parte de um processo mais amplo no círculo hermenêutico, denominado de Interpretação. Também fez parte da atitude fenomenológica três procedimentos que cruzaram a codificação, ao longo dos três atos interpretativos: descrever, ou modo in verbatim, quando a codificação esteve circunscrita aos termos dos participantes; reduzir, tarefa dos recortes significativos que constituíram as sínteses até a emergência das categorias indígenas; e interpretar, que correspondeu à realização da interpretação fenomenológica propriamente dita. Neste procedimento, ocorreu a suspensão da epoché e a recuperação do diálogo com o aporte teórico para discutir os resultados.
Cada ato interpretativo requereu um tipo de atitude fenomenológica, uma fonte de dados específica e um meio adequado de geração desses dados. Os dois primeiros atos foram realizados em estado de epoché, mantendo-se na abordagem ideográfica. O terceiro ato diferenciou-se pela „saída do parêntese‟ e seguiu alguns procedimentos na abordagem nomotética.
O primeiro ato interpretativo foi denominado de análise dos dados biográficos. Nele, constam os dados referentes à caracterização dos participantes confirmando a adequação aos critérios de seleção. Como fonte de dados, foram utilizados os corpora e algumas partes específicas das histórias de vida. Como meio de análise, foi realizada a análise documental.
O segundo ato interpretativo foi denominado de análise das narrativas. Como fonte dos dados, utilizei as histórias de vida. Como meio de análise, optei por integrar alguns elementos da Análise de Conteúdo e da Teoria Fundamentada nos Dados.
5 O uso da maiúscula foi adotado para distinguir quando se trata da Interpretação, como parte da logística dos
dados que se fundamenta no conceito de círculo hermenêutico, e, da interpretação fenomenológica, como procedimento específico do processo final que se apresenta como as respostas ao problema de pesquisa.
Já, no terceiro ato interpretativo, concentrei-me em discutir os resultados da análise dos dados biográficos e das narrativas. Esta parte da tese correspondeu à interpretação fenomenológica e foi concebida como um diálogo envolvendo os resultados das análises fenomenológicas e o aporte teórico. Caracterizei o meio de análise como inferência, pela natureza do conceito aplicado à construção da discussão. Este procedimento diferenciou-se dos dois primeiros atos interpretativos, pela saída do estado de epoché. Ele foi estruturado tendo como eixo a resposta às questões norteadoras e aos respectivos objetivos específicos. O terceiro ato foi organizado em dois grandes blocos: a caracterização dos participantes, com a discussão dos resultados da análise dos dados biográficos; e a caracterização do fenômeno, com a discussão dos resultados da análise das narrativas e definição das categorias indígenas.
O conteúdo da nova compreensão encerrou o processo metodológico. Este foi o espaço dedicado à minha narrativa pessoal dos resultados, constando uma reflexão sobre todo o percurso da investigação, focalizando as aprendizagens, lacunas e avanços. Apresenta também as considerações teóricas nos termos de uma nova compreensão para a criatividade na expertise. Neste círculo, encontra-se a resposta ao problema de pesquisa: qual o papel da criatividade na expertise?