1.2. ULUS-DEVLET, ULUSÇULUK, TOPRAK VE SINIRLAR
2.3.7. Sınırlar ve Zihinsel Haritalar
Alga Marinha, reportando-se à docência, emite uma caracterização, ao passo que enumera alguns atributos “ensino”, “aprendizagem”, que são essenciais para distinguir a docência dos demais conceitos, e abstrai propriedades que são distintivas, mas não suficientes, para elaborar conceituação. No seu enunciado abaixo apresenta atributos referentes ao conteúdo do conceito, isto é, à sua singularidade:
Alga Marinha – A docência é o conjunto de competências e habilidades que permeiam o fazer pedagógico de um professor. É um conceito mais amplo que intermedeia (professor – aluno – escola – ensino – aprendizagem). (Conceito prévio de docência elaborado por Alga Marinha em 12 de março de 2009).
Apesar da quantidade de atributos contidos no conceito de docência, o seu enunciado apresenta restrições quanto às relações de generalidade, particularidade e singularidade, que são necessárias para conceituar. O significado do conceito apresentado, ao fazer referência “ao conjunto de competências e habilidades que permeia o fazer pedagógico do professor”,
diz respeito aos conhecimentos, atitudes, posturas, experiências e ações necessárias ao professor para exercer a sua função, não contendo o conjunto de atributos e relações que distingue o conceito de outras modalidades de conhecimentos.
Nesse sentido, Alga Marinha, logo no início do processo de elaboração do conceito de docência e de professor, expressa a sua dificuldade para elaborar esses significados, questionando: “é que eu estou... docência é um conceito, professor é um ser”? Essa “dúvida” mostra a falta de clareza sobre o que é conceituar: capacidade humana que exige, para se desenvolver, um processo de aprendizagem.
No aspecto histórico, recorremos a Altet (2001, p. 28) para situar a sua significação, já que a autora afirma:
Essas competências são de ordem cognitiva, afetiva, conotativa e prática. São também duplas: de ordem técnica e didática na preparação dos conteúdos e de ordem relacional, pedagógica e social, na adaptação às interações em sala de aula.
A autora ressalta, ainda, que a evolução do conceito de docência na educação tornou- se mais visível a partir das discussões acerca da profissionalização. Desse modo, a docência passa a ser considerada trabalho do professor, organizado e orientado por objetivos e ética profissional, tendo suas bases nos conhecimentos racionais reconhecidos pela ciência e legitimados pelas universidades, bem como em conhecimentos explicitados advindos da prática no contexto em que ela se desenvolve, por exemplo, nos micro e macro contextos educativos.
Assim sendo, embora Alga Marinha não tenha atingido o estágio conceitual, evidenciamos alguns indícios para situarmos o seu significado à docência como atividade. Dada a especificidade da profissão, o exercício da docência exige do professor uma tomada de decisão em sala de aula, tanto na dimensão relacional professor/aluno/contexto escolar quanto na habilidade para operacionalizar o conteúdo. (ALTET, 2001).
Considerando o exposto, passaremos à análise do significado de professor. Constatamos que Alga Marinha se encontra na mesma categoria, quando afirma:
Alga Marinha – Professor é o profissional responsável pelo processo ensino e aprendizagem no ambiente escolar ou fora dele. É o mediador da aprendizagem do aluno quanto aos conteúdos curriculares, transversais, valores, princípios, éticos, morais, religiosos, etc. É quem conduz a mediação de forma a despertar no educando o gosto pelo estudo, pela busca do saber; é quem indica meios para que o educando elabore/crie suas metas, construa seu próprio caminho de aprendizagem. Professor é alguém com competências e habilidades para construir aprendizagens. (Conceito prévio de professor elaborado por Alga Marinha em 12 de março de 2009).
Como podemos observar, Alga Marinha elenca no seu enunciado os atributos necessários e essenciais (profissional, mediação, processo ensino-aprendizagem) para a elaboração de conceito, contudo não foi capaz de estabelecer as relações de generalidade entre os conceitos. Encontramos no seu enunciado atributos do significado de professor semelhantes aos evidenciados por Sereia do Mar. Quando ela explicita, por exemplo, “mediador da aprendizagem do aluno”, está fazendo relação com o atributo particular: “mediar o processo ensino-aprendizagem”, elencado no conceito-chave.
O seu enunciado não se constitui ainda um conceito, no entanto os atributos por ela elencados encontram-se presentes nas discussões de concepções relativas à docência. Desde a década de 90 do século passado que estudos enfatizando a questão das competências vêm sendo efetivados, no sentido de redimensionar o trabalho docente.
Perrenoud (2000, p. 12) destaca: “[...] A especialização, o pensamento e as competências dos professores são objeto de inúmeros trabalhos, inspirados na ergonomia e na antropologia cognitiva, na psicologia e na sociologia do trabalho, bem como na análise das práticas”.
Desse modo, o conhecimento prévio de Alga Marinha sobre professor reúne muitos atributos que poderiam ter sido sintetizados de maneira a emitir um enunciado para a significação em termos de conceito. O volume de informações que apresenta contém a essência que atende aos critérios de generalidade (profissional), particularidade (mediação) e singularidade (processo de ensino-aprendizagem dos conteúdos curriculares), suficientes para conceituar o professor, segundo a totalidade dialética. No entanto, ao especificar elementos descritivos dos conteúdos curriculares, objetivos e características do processo, o seu enunciado situa-se no estágio de caracterização.
No que se refere ao aspecto histórico, o volume de informações no seu significado inclui ideias e características similares às de autores como Tardif (2002), Altet (2001), Silva (2005), dentre outros, que consideram o professor um profissional, como fica evidenciado no que dizem a esse respeito.
Para Tardif (2002, p. 207-208 grifo do autor):
Um profissional dotado de razão e confrontado com condicionantes contingentes [...]. Nesse sentido, como qualquer outro profissional, um professor age em função de ideias, motivos, de projetos, de objetivos, em suma, de intenções ou de razões das quais ele está “consciente e que ele pode geralmente justificar, por exemplo, quando interrogamos sobre sua prática,
seus projetos ou suas decisões. Em suma, pode-se dizer que, de um modo
geral, um professor sabe o que faz e por que faz.
Semelhante a Tardif, Altet (2001, p. 25-26) refere-se ao professor, afirmando:
Definimos o professor profissional como uma pessoa autônoma [...] o profissional sabe colocar as suas competências em ação em qualquer situação; é o “homem da situação”, capaz de “refletir em ação” e de adaptar- se dominando qualquer nova situação [...]. O professor é um profissional da aprendizagem, da gestão de condições de aprendizagem e da regulação interativa em sala de aula.
Na direção das discussões expostas, Silva (2005, p. 32) argumenta:
Nossa concepção de professor é a de um profissional intelectual, [...] capaz de refletir sobre seu trabalho e capaz de transcender a alienação; não o vemos como um mero executor de tarefas. Para nós, o professor atua como sujeito, nas suas formulações de objetivos e em suas estratégias de trabalho.
Esse modo de Alga Marinha significar professor se coaduna, ainda, com o pensamento de Therrien (2006, p. 301), quando diz que o professor pode ser visto como profissional “mediador de saberes”. Alga Marinha coloca a mediação como componente do significado de professor ao afirmar “é o mediador da aprendizagem do aluno [...]”.
Em outro trecho do seu enunciado, ela diz: “[...] para que o educando elabore/crie suas metas, construa seu próprio caminho de aprendizagem. Professor é alguém com competências e habilidades para construir aprendizagens”. Nessa proposição, estão implícitos os conhecimentos que esse profissional deve possuir para exercer a atividade de ensinar. Nesse movimento, a atividade é orientada para o aluno, que deve criar suas próprias possibilidades para aprender.
Considerando as ideias hoje existentes nesse campo sobre o que é ser professor, Alga Marinha evidencia um significado que busca romper com a proposição de que professores e alunos (sujeitos do processo e da relação com o saber) mantêm uma relação passiva com o conhecimento como meros consumidores de conteúdos. O seu entendimento sobre o que é ser professor como mediador do processo de ensino-aprendizagem apresenta semelhanças com o de Tardif e Lessard (2008, p. 272), quando afirmam que, ao assumir esse papel, o professor estará envolvendo-se “[...] num processo de interação e abertura ao outro – um outro coletivo dando-lhe acesso ao que ele próprio domina, o conhecimento”.
Nesse sentido, dizemos que o seu significado contém atributos de concepções relativas à docência na idade média, conforme os estudos de Cambi (1999), bem como de autores da atualidade, como em Altet (2001), Ibiapina (2007) e outros. Diante do exposto, há evidências, também, para situarmos o significado dessa partícipe para o mestre profissional da modernidade.
Destacamos, por fim, que Alga Marinha necessita desenvolver, a fim de capacitar-se no que concerne à elaboração de conceitos, procedimentos lógicos próprios da elaboração conceitual, atentando para as considerações expressas por Ferreira (2009, p. 151-152):
[...] um dos momentos mais difíceis da elaboração de conceitos é a compreensão das propriedades essenciais e de sua importância fundamental no ato de conceituar. Essa dificuldade está relacionada à capacidade de saber distinguir o principal do secundário, podendo ser reduzida ou superada à medida que forem desenvolvidos os processos mentais de abstração, generalização, análise e síntese e os procedimentos lógicos adequados.
Esse fato não ocorre espontaneamente, mas requer processo de aprendizagem consciente e voluntário voltado para essa finalidade.