• Sonuç bulunamadı

Personel Güçlendirme Uygulamalarının DavranıĢa ve Performansa Olan Etkis

1.2 Personel Güçlendirmenin Tanımı

1.5. Personel Güçlendirme Uygulamalarının DavranıĢa ve Performansa Olan Etkis

À oeste da região do abacateiro, bem próximo ao sambaqui, encontramos o rio Penico que se configura como outro elemento da paisagem que marca o território quilombola dos Mandira pelas histórias associadas às mulheres. Eles lembram que os homens, na época da fazenda de escravos, faziam suas necessidades no mato ou nos rios. Mas as mulheres pelo comportamento mais recatado faziam suas necessidades em penicos e depois lançavam os dejetos nesse rio, lavando a louça no local. A partir daí se justifica o nome do Rio Penico. Hoje em dia a região está toda ocupada pela densa mata tropical. Entretanto, a toponímia indica que as áreas próximas ao rio Penico foram possíveis áreas de moradia dos Mandira.

Questionada sobre o local de moradia dos Mandira, Dona Saturnina conta que as casas eram todas espalhadas no meio do mato. “As casas não ficavam juntas como são

hoje, naquela época eram todas espalhadas. As vezes tinha a casa do filho perto da do pai, mas ficava tudo espalhado”. São muitas as áreas de moradia relatadas nas histórias

dos Mandira. Em todos os lugares prospectados durante o projeto foi evidenciado os sinais nas paisagens descritos pelas narrativas e vestígios de materiais construtivos e objetos domésticos dispersos ao longo de uma topografia plana e extensa (variando entre 150 à 500 m2).

128

Na região próxima a casa-de-pedra, na baixa vertente do morro foram encontrados vestígios da tapera do Dito, pai do Vardo (UTM 22J 796056/ 7231691). O local apresenta um terraço na baixa vertente do morro, com materiais dispersos próximos a uma figueira. Vardo relata que nasceu e viveu até os cinco anos de idade nessa tapera. O único sinal que se recorda é o pé de figueira que ficava próximo à casa. Ele lembra também que

existiam outras casas no entorno, aproximadamente há cem metros de distância. No local foi encontrada uma garrafa de gargalo com coloração verde, um chinelo havaiana de criança, uma xícara de louça e materiais construtivos como telha e

tijolo, provavelmente artesanal por não apresentarem a sigla do fabricante gravada.

Próximo, outra tapera foi localizada em um platô (UTM 22J 0796124/ 7231694) de aproximadamente cem metros quadrados de extensão, com uma grande pedra de granito em uma das extremidades. No local foram evidenciados objetos domésticos, como uma pequena panela de metal esmaltada branca e um suporte metálico bem oxidado de formato retangular, apresentando uma asa como aparador. Luis, filho de Seu Chico, participou da prospecção e apontou o local como antiga moradia do Seu Floriano.

Para oeste da casa-de-pedra, próximo a região denominada Grota Funda, foi encontrada a tapera do Seu Frederico, rente a atual estrada que corta o território Mandira. No local (UTM 22J 796709/ 7231996) foram evidenciados materiais construtivos recentes, como tijolos baianos dispersos e objetos domésticos como lata de óleo, garrafa de vidro lisa de formato convencional, na coloração oliva e um pequeno penico de metal com coloração branca.

Figura 85: Figueira sinaliza local da tapera.

Figura 84: Garrafa de gargalo.

129

Na margem esquerda do rio Mandira, na região da escola, foram localizadas três taperas, além de uma estrutura de concreto, segundo os Mandira correspondente a casa de um padre holandês que residiu no local. Além da presença do Luis, a prospecção nessa região também contou com a ajuda do Senhor Leonardo. Segundo ele, o local da casa do padre

holandês (UTM 22J 0797366/ 7232437) é identificado por uma laje de concreto cumprida medindo mais de seis metros de comprimento por sessenta centímetros de largura e menos de dez centímetros de espessura, com buracos esféricos abertos que varam a laje de um lado a outro. Apesar das histórias vivenciadas pelo Seu Leonardo e confirmadas pelo Seu Chico e do terreno ser plano e extenso, nenhum outro vestígio é encontrado em superfície que confirme a área como de moradia.

Os Mandira contam que nesse lugar conhecido hoje como região da Escola existiu um padre holandês que ocupou uma porção do território por uma época. Consta que esse padre montou um orfanato onde hoje é a escola estadual e trazia crianças de Cananéia para viver com ele. O orfanato era de zinco e chegou a hospedar mais de trinta crianças. Mas dizem que o padre obrigava as crianças a trabalharem para ele, o que fazia muitos deles fugirem do orfanato. O padre não permaneceu muito na região, mas no lugar onde montou o orfanato abriga hoje a escola Estadual do Mandira, com aulas para alunos da pré-escola.

No sopé do morro, a primeira tapera Mandira encontrada foi habitada por Amâncio Mandira, filho do Jango Mandira. No local (UTM 22J 797504/ 7232313) aparecem telhas de cerâmica recentes do tipo francesa e uma pilha “Alex” da Companhia Nacional de Pilhas, que data das décadas de 1960 e 1970 30.

Rente a margem do rio Mandira, próximo a estrada (UTM 22J 797368/ 7232354) encontramos uma pequena estrutura provavelmente de fossa, sinalizando o possível local da tapera de Dona Zumira. A estrutura feita de concreto tem formato quadrado com pouco mais do que cinquenta centímetro de cada lado. Cavada mais do que trinta centímetros

30 A Companhia Nacional de Pilhas inaugurou em 1955, uma fábrica de pilhas em Itapecirica, Minas

Gerais. Aproveitando uma jazida de Manganês e carvão existente na região, a fábrica montava as Pilhas Alex, que ganharam o mercado nacional com seu aperfeiçoamento técnico, após 1960. Entretanto, a fábrica de pilhas foi fechada em 1973, depois que o diretor Alexandre Szundy foi afastado e a Pilha Alex parou de ser produzida.

Figura 87: Penico.

Figura 88: Pilha Alex.

130

no chão, sua base afunila terminando em um pequeno buraco esférico, por onde os dejetos eram direcionados ao rio. A estrutura da fossa possui bordas quadrangulares que se sobressaem aproximadamente quinze centímetros da superfície. Nas proximidades da

mesma evidenciamos um aglomerado de fragmentos de telhas e tijolos amontoados. A personagem de Dona Zunira é conhecida entre os Mandira como a amante do Seu Jango.

A tapera do Seu Jango também foi localizada na região da escola, na margem esquerda do rio Mandira, antes da estrada (UTM 22J 797462/ 7232383). A referência que determina o local de tapera foi novamente a topografia plana do terreno associado a evidência de materiais concentrados em torno de um forno. O forno quadrangular tem as paredes construídas de tijolos deitados, com noventa centímetros de altura e aproximadamente setenta centímetros de comprimento em cada lado. Na parte de cima encontra-se a boca do forno feito de concreto em formato circular, proporciona um suporte onde a taipa poderia ser apoiada. Na parte inferior de um dos lados existe uma abertura retangular, por onde o forno era alimentado de lenha e na outra parede existia a saída da fumaça por um cano grosso. No entorno do forno evidencia-se uma figueira (como marco paisagístico do local), alguns

materiais construtivos, como tijolos, telhas e granitos recortados na forma de cubos retangulares e fragmentos de garrafas de vidro lisas de coloração oliva escuro.

Seguindo a margem esquerda do rio Mandira, no serpentear do seu caminho, após a estrada Itapitangui-Ariri, aproxima-se de um

Figura 89: Fossa na tapera da Dona Zumira.

Figura 91: Luis, ao lado do forno da tapera do Seu Jango.

Figura 90: Rio Mandira na região das Areias.

131

lugar chamado “As Areias”. O lugar é assim chamado por estar próximo ao meandro do rio Mandira onde a deposição de sedimentos formou um bolsão de areia em sua margem esquerda. Este lugar é lembrado pelos Mandira como o lugar onde se originou a família Mandira, com os filhos do Francisco Mandira. Segundo Dona Saturnina, seu avó, João Mandira, morou lá. Somente depois de sua morte seus filhos se mudaram para a trilha do Porto-de-fora, próximo ao sambaqui.

Os Mandira relatam pelas histórias que nesse lugar existiam muitas casas. Nos caminhamentos feitos ao longo da trilha das Areias foram evidenciados dois locais (UTM 22J 0797546/ 7231822 e 0797443/ 7231757) com concentração de materiais construtivos como pedras brutas de quartzo e granito com restos de conchas moídas nas bordas misturadas a uma resina endurecida. Também foram evidenciados materiais domésticos, como garrafão de vidro de cor oliva e frasco de vidro transparente para remédio, dispersos no chão. Os dois locais de terrenos planos localizados próximos ao rio e trilha com materiais em superfície comprovam que foram sítios de taperas.

Seu Chico se lembra do antigo campo de futebol que existia nas Areias (UTM 22J 0797510/ 7231830). As narrativas tradicionais e as histórias orais apontam para esse ser o provável lugar de moradia dos escravos no tempo da fazenda dos Andrades. Não foram encontrados em superfície qualquer vestígios de estrutura de senzala ou objeto que remeta ao tempo da escravidão. Provavelmente, os escravos moravam em casas de pau-a-pique com telhado de palha, não deixando exposto muitos vestígios de sua construção. Algumas poucas estruturas construídas em pedra devem ter sido desmontadas após o abandono do local. O processo de abandono desse lugar e a transformação da paisagem do território após a doação das terras à Francisco Vicente

Figura 92: Objetos dispersos em superfície.

Figura 93: Pedra de quartzo com evidência de resina com conchas trituradas.

132

fornece mais informações sobre a territorialidade Mandira relacionado aos lugares e suas histórias.