1.2 Personel Güçlendirmenin Tanımı
GELENEKSEL YÖNETĠM Yöneticiler problemleri çözüp,
1.7.3. Personel Güçlendirme ve Motivasyon
Pelo particular fato histórico dos Mandira terem sido segregados em suas próprias terras, nos últimos cinqüenta anos o Território Mandira sofreu uma brusca transformação. Com o processo de abandono forçado das antigas áreas dos núcleos de moradia, a população foi obrigada a ocupar apenas a porção de área do extremo leste do território. Assim, o que antes era um espaço totalmente ocupado, com lugares significativos, com memórias biográficas, hoje em dia boa parte se encontra abandonado, coberto pela mata, em nível avançado no processo de sucessão ecológica.
Por outro lado, onde antes era um espaço de passagem, sem muito significado, hoje é ocupado por núcleos de moradia, reproduzindo outros lugares significativos na continuidade histórica dos Mandira. Como podemos observar as áreas de atividade são criadas a partir do núcleo de habitação. Isso fica claro quando comparamos os mapas históricos com o mapa atual do território Mandira (ver mapas no Anexo 1).
Deste modo, vemos a parte sudoeste do território Mandira densamente ocupada na época da fazenda. A sede da casa dos Andrades estrategicamente situada entre o engenho de arroz e o porto, com seus escravos, entre eles Francisco Vicente e seus filhos, habitando a região das Areias e os carreadores e caminhos interligando as áreas de moradia, as roças e os portos da fazenda. Com o abandono da família Andrade e a doação das terras para Francisco Mandira, muitos dos ex-escravos devem ter deixado a região e outros transferiam-se para a sede da fazenda, ocupando a casa do antigo senhor. Segundo os relatos históricos de Dona Saturnina, a família de Francisco Vicente permaneceu na região das Areias até a morte de João Vicente Mandira. Só depois disso, a família se mudou para próximo da Trilha do Porto-de-fora e da região do Abacateiro.
Conforme a comunidade crescia outras áreas do território eram ocupadas. Eles contam que é dessa época as taperas no sopé do morro, na região da Casa-de-pedra. As pessoas escolhiam esse lugar por ser bom para plantar e ficar próximo a trilha do Porto- de-fora, tendo acesso fácil ao rio Mandira. A comunidade crescia em torno da trilha do
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Porto-de-fora e do rio Mandira, procurando ter acesso fácil tanto aos recursos da terra quanto do mar, além do transporte para outros lugares.
Essa região era muito ocupada quando as tropas da revolução de 1932 obrigaram as famílias a abandonarem a área e retornarem novamente às Areias. Contam que o período de guerra foi vivido intensamente pelos Mandira. Depois disso, muitos não voltaram e foram viver mais afastados da casa-de-pedra ou do Abacateiro. Novos núcleos de moradia se formaram no sopé do morro, próximo ao caminho do PC. Outros caminhos foram feitos, novas roças cultivadas e mais locais condicionados a portos para o uso diário.
A territorialidade Mandira continuava preservando seu território entre o ambiente do mangue e as terras dos morros próximos. Continuavam criando os lugares significativos nos canais, portos e mangues, assim como nos caminhos e carreadores. Desse período data a transferência de Jango Mandira, para a região próxima a atual Escola, onde era o orfanato do padre holandês. Jango havia começado a criar gado, por isso precisava de um lugar apropriado para transformar em pasto. Assim, quando o padre holandês fechou o orfanato e deixou a região, Jango se mudou com a família para esse local de áreas planas no sopé do morro.
Nessa mesma época, a família de Cristino Mandira estava vivendo na região denominada Baixa Grande, em frente ao caminho do cavalo, onde hoje é um dos núcleos de moradia do atual vilarejo. Próximo ao local foi montado uma carvoaria no início da década de 1960. Seu Cristino se associou a uma pessoa de Minas Gerais que habitava a região de Cananéia, para montar essa carvoaria. Entretanto, o negócio não prosperou e em pouco tempo a carvoaria foi abandonada. Da experiência só restou o local com os vestígios e os perfis dos fornos registrados no solo. Trata-se de uma área de aproximadamente 100 m2 (UTM 22J 0799014/ 7232267), onde foram encontrados oito perfis de forno no chão e na encosta do morro, todos cobertos pelo mato. Os perfis demonstram os fornos distribuídos de forma circular, medindo aproximadamente um metro de altura, com amontoados de tijolos. Alguns preservam a abertura rebaixada de abastecimento do forno.
Quando veio a ocorrer o fato da venda das terras, a família de seu Cristino já estava vivendo nesse local e lá permaneceu (hoje em dia Seu Zacarias, filho de Seu Cristino, vive com a família no mesmo lugar). Como se sabe, as outras famílias foram obrigadas a se transferirem para a região da Baixa Grande, onde hoje é a atual vila. Com
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isso, novos caminhos e carreadores foram abertos e novos portos foram estabelecidos. Já não podiam utilizar os recursos da terra, então só lhes restaram os recursos do mar.
Observando os mapas históricos e comparando-os com o mapa atual procuramos ilustrar o território Mandira com seus vestígios de ocupação em uma perspectiva temporal. Assim, podemos observar no mapa do Século XIX muitas áreas de atividades, os caminhos e portos reproduzidos a partir das áreas de moradia. No mapa da década de 1960 observamos novas áreas de atividade, como o cultivo de caixeta e a área de pasto. No entanto, a partir dessa data, as áreas do território foram limitadas, assim como as atividades nelas realizadas. Porém, os caminhos, portos, sítios arqueológicos e históricos continuam sendo um marco na paisagem do território, ao mesmo tempo em que outros lugares vão sendo (re)significados.
Como já foi mencionado, o vestígio de estrutura de pedra encontrada sobre o flanco sul do sambaqui terminou de ser destruída quando ampliaram a trilha do Porto- de-fora. Nessa época, os Mandira pouco conheciam sobre a importância do patrimônio cultural arqueológico do seu território e a identidade quilombola ainda não tinha reconhecimento social. Os Mandira viviam abandonados e rejeitados por serem pobres e negros.
Hoje em dia, eles preservam estes sítios arqueológicos como importante marco histórico para a sociedade brasileira e para a identidade quilombola. As ruínas servem como atrativo para a comunidade receber turistas e grupos de alunos de escolas particulares, para trabalharem com esses temas educativos e contribuirem para a economia local. Eles expõem o sítio arqueológico como prova material da longa existência histórica de seus ancestrais no que hoje chamam de território quilombola.
Os Mandira nunca deixaram de transitar por seu território. Mesmo sendo proibidos de utilizar os recursos de suas terras e ocupar livremente seu território, eles permanecem transitando pelos caminhos dos antigos e acessando os portos e canais. Apesar disso, a intensidade com que os lugares antigos são acessados mudou. Hoje em dia, eles ocupam mais as áreas próximas à vila. Isso inclui o porto de Boacica e o portoo Zé Abraão, assim como o caminho do Mato e dos portos. Desta forma, a territorialidade dos Mandira permaneceu sendo inventada, com novos lugares incorporados aos antigos modelos de ocupação do território.
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