2.3. REFAH EKONOMİSİ
2.3.2. Yeni Refah Ekonomisi
2.3.2.1. Pareto Optimumu
A classificação das obrigações no Direito Brasileiro é dada pelo próprio CC e em função de seu: (a) objeto; (b) sujeito; (c) elementos acidentais.
Para o presente trabalho, interessa apenas a classificação das obrigações em relação ao seu objeto.
Tal critério foi importado do Direito Romano – que classificava as obrigações, segundo o objeto, em dare, facere ou praestare – e adotado praticamente sem alteração pelo CC. Rigorosamente, a única modificação consiste na substituição da obrigação de prestar por não fazer. Assim, de acordo com o CC, as obrigações podem ser divididas, em relação ao seu objeto, em: (a) dar coisa certa ou incerta; (b) fazer; (c) não fazer.308 As obrigações de dar e fazer são denominadas positivas, enquanto a de não fazer é denominada negativa.
308 Essa classificação não está imune às críticas. Isso porque nem sempre é fácil diferenciar uma obrigação de dar de uma de fazer. Como destaca Caio Mario da Silva Pereira (Instituições de direito civil. vol. II. 19.ª ed. Rio de Janeiro: Forense, p. 33), “os
casos extremos não padecem dúvida, pois que uma envolve uma traditio ou entrega, e outra uma ação pura. Mas numa zona grísea existem prestações que reclamam acurada atenção, como, no exemplo clássico, o caso do artesão que manufatura a coisa para o credor, ou, em termos de direito positivo brasileiro, a empreitada, em que existe o facere no ato de confeccionar e um dare no de entregar a coisa elaborada, sendo ambos os momentos integrantes da prestação”.
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§ 3º Obrigação que autoriza a execução
para entrega de coisa
A execução para entrega de coisa estará sempre fundada em título executivo que contenha obrigação de dar. Fundamentalmente, a obrigação de dar consiste num fato positivo – entrega de coisa móvel ou imóvel – para que o credor se beneficie dessa coisa, exercitando sobre ela uma finalidade jurídica.
Tal obrigação tem por objeto uma coisa certa ou determinada ou, pelo menos, determinável, que reúna condições para que se possa estabelecer, com segurança, qual é a obrigação do devedor e o direito do credor.
A obrigação de entrega de coisa será certa quando a coisa estiver perfeitamente individualizada, distinta das demais da mesma espécie e será incerta quando a coisa estiver indicada apenas quanto ao seu gênero e quantidade, ou seja, será incerta quando houver a determinabilidade da coisa.
Geralmente, nas obrigações relativas a coisa determinada apenas pelo gênero e quantidade, a escolha pertence ao devedor, se o contrário não resultar do título da obrigação; mas não poderá dar coisa pior nem será obrigado a prestar melhor (CC, 244). A conseqüência da escolha é a
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individualização da coisa, ou seja, a coisa deixa de ser incerta e passa a ser certa.
O CC argentino, ao contrário do nosso, estabelece uma definição da obrigação de dar. De acordo com aquele Código, “la obligación de dar, es la que tiene por objeto la entrega de una cosa, mueble o inmueble, con el fin
de constituir sobre ella derechos reales, o de transferir solamente el uso o la
tenencia, o de restituirla a su dueño”.
A obrigação de dar, portanto, consiste na entrega de coisa, seja para transferir a propriedade, seja para ceder a posse, seja, ainda, para restituir a coisa. Tal modalidade de obrigação, portanto, compreende, como ensina Orlando Gomes,309 (a) a prestação de dar stricto sensu, mediante a qual o devedor transfere, pela tradição, a propriedade de uma coisa, (b) a de entrega, proporcionando o uso ou o gozo da coisa (c) a de restituir, segundo a qual o devedor restitui ao credor a coisa emprestada. Em outras palavras, a obrigação de dar é gênero da qual são espécies: (a) a obrigação de dar stricto sensu; (b) a de entregar; (c) a de restituir.
Mas será que todas as obrigações de dar autorizariam a propositura de execução para entrega de coisa? A coisa cedida por meio de contrato de comodato e que não é restituída autorizaria a propositura de
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execução para entrega de coisa? Aquele que quer ver o inquilino despejado, após a sentença que determina o despejo, poderia – antes da reforma que extinguiu a execução para entrega de coisa fundada em título executivo judicial – valer-se de um processo de execução autônomo para entrega de coisa?
Pois bem, a execução para entrega de coisa sempre estará fundada em obrigação de dar coisa prevista num título executivo extrajudicial. Mas, nem toda obrigação de dar coisa prevista em título executivo extrajudicial autoriza processo autônomo de execução para entrega de coisa.
Isso porque, como já visto anteriormente, a execução somente é cabível quando os atos executivos recaírem sobre o patrimônio do devedor, para retirar algo que ali se encontra legitimamente e transferi-lo ao do credor. Se os atos recaírem sobre o patrimônio de quem pleiteia a tutela jurisdicional, então não estaremos diante de execução autônoma, tal como estabelece o Livro II do CPC.
Se a coisa imóvel vendida já tiver sido transferida ao patrimônio do credor por meio do registro do título translativo no Registro de Imóveis (CC, 1245), não será possível propor execução para entrega de coisa. Tampouco será possível propositura de tal execução se ela estiver fundada em obrigação de restituir. Quem restitui, devolve algo que não lhe pertence.
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Logo, os atos executivos recairiam sobre o patrimônio do próprio credor e não do devedor.
Dessa forma, apenas as obrigações de dar stricto sensu – desde que não tenha havido a transferência da propriedade, seja pelo registro (coisa imóvel), seja pela tradição (coisa móvel) – e as de entrega autorizam a propositura de execução autônoma para entrega de coisa.
§ 4º Coisas sujeitas à execução para
entrega de coisas
A execução para entrega de coisa sempre terá por fundamento uma obrigação de dar coisa certa ou incerta. O dinheiro, por possuir meio executório próprio, foge do campo de atuação da execução prevista nos arts. 621 e seguintes do CPC.
Entretanto, diverge a doutrina acerca da possibilidade de a execução visar a entrega de pessoa.
Para José Frederico Marques,310 não é possível que a execução para entrega de coisa vise a entrega de pessoas, pelo simples motivo de pessoa não ser coisa. José Antônio de Castro311 ensina que: “juridicamente
310 Manual de direito processual civil. vol. IV. São Paulo: Saraiva, 1974, p. 116. 311 Execução no CPC. O. DIP Editores Ltda., 1978, p. 134-135.
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há impossibilidade de se englobar pessoas no art. 621. O Código faz
separação nítida entre coisa e pessoa, bastando ver o artigo 440, onde se diz
“o juiz inspecionará pessoas e coisas” e o artigo 839 “o juiz pode decretar a
busca e apreensão de pessoas e coisas”. Ainda nesse sentido, Humberto
Theodoro Júnior,312 Moacyr Amaral Santos313 e Sérgio Shimura.314
Por outro lado, Alcides de Mendonça Lima315 e José Carlos Barbosa Moreira316 entendem que as regras previstas nos arts. 621 e seguintes do CPC se aplicam por analogia e no que couber à execução de decisão judicial que condene alguém a entregar pessoa. Esse fato se explica porque, embora não haja referência a pessoas na execução para entrega de coisa, o CPC de 39 não estendia a pessoas as medidas preventivas de busca e apreensão e, mesmo assim, essa prevenção também era concedida a pessoas.
Ao que parece, a execução para entrega de coisa não pode envolver pessoas, não porque pessoas não são coisas, como afirmou José Frederico Marques, mas porque pessoas não são economicamente apreciáveis. Em outras palavras, a execução para entrega de coisa, como
312 Curso de direito processual civil. vol. 2. 37.ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 152. 313 Primeiras Linhas de direito processual civil. vol. 3. 21 ed. rev. e atual. São Paulo:
Saraiva, 2003, p. 344.
314 “Execução para entrega de coisa”, RePro 81/104.
315 Comentários ao Código de Processo Civil. vol. VI, t. II: arts. 586 – 645. Rio de Janeiro: Forense, 1974, p. 677-679.
316 O novo processo civil brasileiro: exposição sistemática do procedimento. 22. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 242.
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todas as outras espécies de execução, deve ter por fundamento uma obrigação, ou seja, uma relação jurídica, de caráter transitório, estabelecida entre devedor e credor, e cujo objeto consiste numa prestação pessoal e econômica. Se pessoas não são economicamente apreciáveis, como admitir que possam ser objeto de execução?
Logo, apenas coisas podem ser objeto de execução para entrega de coisa.
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