• Sonuç bulunamadı

Nizar Kabbani Ve Mahmud Derviş’in Sanatsal Zevkinin Karşılaştırılması

Antes de iniciar este capítulo, faz-se importante salientar que a Matriz de Insumo Produto do Nordeste (MIP), foi apenas um instrumento utilizado para a mensuração de impactos e identificação de setores chave na economia do Nordeste. Neste contexto, não obstante a sua relevância no escopo deste trabalho, haja vista que à sua luz foram gerados os parâmetros que permearam esta análise, ela foi unicamente um meio, e não um fim.

Desta forma não é objetivo desta seção, nem deste trabalho, um aprofundamento nas especificidades técnicas e metodológicas que balizaram a construção da citada ferramenta, mas sim, conforme já pontuado na introdução, replicar algumas noções básicas acerca da metodologia e características da MIP e seus variados enfoques espaciais (nacional, regional e inter-regional).

A Matriz de Insumo-Produto do Nordeste – MIP foi elaborada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas – FIPE, sob encomenda do Banco do Nordeste do Brasil – BNB, por intermédio do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste – ETENE. Referida Matriz foi encomendada em substituição à versão anterior, datada de 1996, que já se encontrava defasada. Seu processo de elaboração levou cerca de 1 ano e meio e contou com a participação de Técnicos de ambas as instituições.

O alicerce metodológico empregado no processo de elaboração baseou-se na construção de sistemas de insumo-produto intra e inter-regionais que pudessem descrever e mensurar os fluxos de bens e serviços dos setores da Região Nordeste e de seus Estados com outras regiões do País, respeitando as particularidades de cada região no processo de identificação de estratégias mais pontuais.

Os sistemas inter e intra-regionais, mencionados acima, são baseados na descrição teórica dos modelos abordados nas duas últimas seções do capítulo anterior. Para a construção destes sistemas, foram utilizadas várias técnicas a partir de um conjunto limitado de informações, visto que não existia disponível a totalidade dos dados que se fizeram necessários. No entanto, em virtude do exposto nos dois primeiros parágrafos desta seção, aprofundamentos acerca de referidas técnicas não serão alvo de análise.

Conforme ilustra Guilhoto (2009), tendo em vista a limitação de dados citada no parágrafo anterior, a MIP do Nordeste, assim como a maioria das matrizes de insumo- produto, foi construída a partir de técnicas de informação semi censitárias, ou seja, que se utilizam de dados primários e secundários, os quais demandaram alguma técnica de estimação.

Para a estimação da MIP, os autores efetuaram a análise de equilíbrio entre a oferta e demanda de cada um dos 111 grupos de produtos que compõe a Matriz de produção para o Brasil. Neste intuito, com base nos dados disponíveis nas tabelas de Recursos e Usos, são delimitadas as origens e destinos de todos os grupos mencionados e, em seguida, efetuados os respectivos confrontos e os devidos ajustes nas eventuais diferenças detectadas. A informalidade de algumas atividades, aliada à falta de detalhamento sobre determinados grupos e à existência de diferentes fontes de informação foram as dificuldades e principais problemas de mensuração.

A partir desta análise, foram calculados os coeficientes técnicos em cada região/estado com o Brasil e entre estas. Em seguida, foram desagregados os produtos e serviços da matriz de produção nacional, passando dos originais 111 para 169 na MIP. Também foram desagregados os setores, passando de 55 para 111 na nova matriz.

A ampliação do número de setores e produtos na matriz de insumo-produto nacional e interestadual, assim como a construção do sistema de insumo-produto interestadual fez uso das informações do IBGE, assim como de informações adicionais de outras fontes como as do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Neste âmbito, foram utilizadas as publicações dos Censos da Indústria, Comércio e Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Basicamente, as estimativas foram realizadas analisando-se os itens abordados nas pesquisas, como a participação do Consumo Intermediário no Valor da Produção das atividades, Salários no Valor Adicionado, Produtividade Média, Margem de Comércio e outras informações levantadas. Outras fontes de informações foram consultadas, como Censos Demográficos e dados coletados junto a empresas e na Internet, a fim de complementar/confrontar os dados da matriz de insumo- produto original e aqueles fornecidos pelo IBGE.

Para determinar o número de pessoas ocupadas em cada grupo de atividade e os Salários foi utilizada a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE em conjunto com os dados de outras fontes, como a Pesquisa Industrial, Pesquisa Anual de Serviços e Pesquisa Anual do Comércio, todas do IBGE, confrontando os resultados com os dados originais da matriz de insumo-produto.

Devido ao grande volume e variedade de informações necessárias à montagem de um sistema interestadual de insumo-produto para a economia brasileira e nordestina, o ano de 2004 foi o mais recente para o qual a construção da MIP tornou-se possível, no momento da sua elaboração, sendo então utilizado como ano base do modelo construído. Associado a este fato, a constante de validação das informações e o processo de verificação da consistência das inter-relações econômicas estimadas consomem uma grande quantidade de tempo, fato que dificulta a construção de uma matriz com dados mais atualizados.

É importante destacar que o modelo de insumo-produto inter-regional ora em tela, construído com uma abertura de 111 grupos de atividades econômicas e 169 grupos de produtos, foi compatibilizado com a pauta de atividades e produtos da matriz insumo-produto do Brasil e da Tabela de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). Além disso, como o modelo se relaciona com os vínculos de importações e exportações com o resto do mundo, também foi necessário compatibilizar os dados da MIP com outros códigos de agregação setorial como a Nomenclatura Comum do MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) – (NCM).

O resultado do confrontamento das estimações feitas a partir da MIP com os dados consolidados, divulgados pelas instituições oficiais apontou que a MIP fornece saídas muito semelhantes e com robustez econométrica em relação aos dados oficiais, suprindo assim necessidades de informações regionalizadas, especialmente nos anos em que as matrizes oficiais ainda não estão disponíveis. Certamente esta é o grande mérito e vantagem da ferramenta em análise.

Em suma, a MIP permite mensurar o impacto que as mudanças ocorridas na demanda final, ou em cada um de seus componentes (consumo das famílias, gastos do governo, investimentos e exportações), teriam sobre a produção total, emprego, importações,

impostos, salários e valor adicionado. A partir dos coeficientes diretos e da matriz inversa de Leontief, é possível estimar, para cada setor da economia, o quanto é gerado direta e indiretamente de produção, emprego, tributos, valor adicionado, e salários etc. para cada unidade monetária produzida para atender a demanda final. Também é possível calcular o efeito induzido ocasionada pela renda, mas para isso os autores tiveram que endogeneizar o consumo e a renda das famílias no modelo de insumo-produto, ou seja, fazer com que o consumo e a renda das famílias exerçam influência no cálculo do efeito multiplicador total.

Estudos que avaliam a estrutura econômica regional, como é o caso da MIP, são fundamentais, haja vista que atuam como elementos que subsidiam à tomada de decisão, tanto no âmbito do governo como das instituições privadas, buscando incentivar os setores produtivos mais eficazes. Além disso, ao possibilitar a identificação dos principais setores- chave para fomento de externalidades positivas no que concerne à geração de emprego, renda e produção, a MIP apresenta-se como ferramenta para prover elementos que podem direcionar o planejamento e a atuação dos gestores de políticas públicas na missão de induzir o desenvolvimento sustentável do Nordeste e integrá-lo na dinâmica da economia nacional. Da mesma forma, a matriz pode ser útil à academia como instrumento para subsidiar estudos sobre fluxos regionais e demais pesquisas no âmbito da avaliação e das teorias sobre o desenvolvimento regional.

A relação contendo os 111 setores contemplados pela MIP do Nordeste pode ser consultada no Anexo A, ao final do trabalho.