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Bir Modern Zaman Sömürüsü: Emeğin Kültür

Belgede İslam toplumunda emek ve sermaye (sayfa 109-114)

2.3. İSLAM’DA ÇALIŞMA AHLAK

2.3.4. Bir Modern Zaman Sömürüsü: Emeğin Kültür

É possível afirmar que a segunda usina nuclear do Brasil seja decorrência de uma conjunção de fatores, dentre os quais, é possível destacar os interesses político-estratégicos bilaterais entre Brasil e Alemanha, em função, principalmente dos problemas enfrentados pelos Estados Unidos após o primeiro choque do petróleo, e a respectiva falta de cumprimento de suas obrigações para com esses países. Enquanto o Brasil sofria com uma crise de incerteza em relação aos Estados Unidos, em virtude da suspensão da garantia de fornecimento de combustível (urânio enriquecido) para sua usina nuclear, a Alemanha sofria com a suspensão da garantia e com o impedimento de enriquecer urânio em seu próprio país, em decorrência de acordos diplomáticos como os Tratados de Bonn e de Paris, pois os Estados Unidos temiam que a Alemanha repetisse as atrocidades cometidas pelos próprios norte americanos com as bombas no Japão (Cabral, 2011).

Todo esse contexto de incerteza culminou com o momento denominado “milagre econômico brasileiro”, em meados da década de 1970, em que o crescimento econômico nacional no regime ditatorial fortalecia os interesses de assegurar soberania nacional e a instalação das usinas nucleares seria o primeiro passo para a produção de materiais bélicos. Paralelamente o vizinho latino americano – Chile – experimentaria a partir de 1973, o chamado “milagre chileno”, decorrência do golpe militar liderado por Augusto Pinochet e do projeto neoliberal desenvolvido pelo grupo de jovens economistas norteados pelas ideias de Milton Friedman, que a mídia apelidou de Chicago Boys, precedendo a adoção do neoliberalismo pela Inglaterra de Thatcher e pelos EUA de Ronald Reagan60. O momento de alienação social foi complementado pela vitória do Brasil na copa mundial de futebol, no ano de 1970, no México.

Do outro lado, o setor nuclear alemão61 apresentava claros interesses em uma das maiores reservas de Urânio do mundo – o Brasil, sobretudo num período marcado pela crise do

60 Imas (2010) defende que o período, inicialmente tratado pela mídia como um milagre, foi responsável por grande

terror decorrente do neoliberalismo e do management. O autor caracteriza as técnicas empregadas como “Dirty Management”, em razão do sofrimento populacional provocado pela imposição do regime, baseado numa ordem ditatorial. Para maior aprofundamento a respeito dos problemas decorrentes do neoliberalismo, ver tópico 2.2 desse documento.

61 Nesse período a Alemanha, que concedera suas usinas nucleares à iniciativa privada (em especial à Siemens),

petróleo, com significativo aumento de preços do barril; pela onda de neoliberalização chilena e o suposto “milagre econômico” do vizinho periférico. Então, em 27 de junho de 1975, mediante certo sigilo, em virtude da possibilidade de um boicote estadunidense ainda maior, no governo de Ernesto Geisel, o Brasil assina um acordo com a Alemanha, se comprometendo a não empregarem energia nuclear com fins bélicos. Mediante conhecimento estadunidense, essa era a gota d’água para o rompimento com a potência neocolonizadora (Kuramoto & Appoloni, 2002). Segundo Eletrobrás Eletronuclear (2012), o acordo previa que o Brasil pudesse ter acesso completo ao ciclo de abastecimento, iniciando assim, um mercado de combustível nuclear e um protocolo de compra de oito usinas, mantendo no entanto, a relação de dominância eurocêntrica. De acordo com dados da empresa, neste mesmo ano, são encomendados dois reatores de 1.300 MW Siemens/KWU. A negociação marcou o início da construção das usinas Angra II e Angra III.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, em 1976 iniciou-se a contratação dos principais componentes pesados junto ao ‘parceiro’ alemão e foram iniciadas as obras civis de Angra II. Somente as obras da usina Angra II foram concluídas. Passados quase 20 anos do início das obras e a um custo aproximado de US$ 10 bilhões, somente ao final do ano 2000, início de 2001, no segundo mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso, é que Angra II começa a operar comercialmente (Eletronuclear, 2012; Xavier et al. 2007; Cabral, 2011; Kuramoto & Appoloni, 2002). Tamanha demora na concretização da planta pode ser parcialmente explicada pelas inúmeras paralisações das obras, decorrentes de restrições orçamentárias enfrentadas no período (Brasil, 2007). Segundo dados da própria Eletrobrás Eletronuclear (2012), a desaceleração das obras teve início em 1983, em virtude da crise econômica vivenciada pelo país, fruto do amplo crescimento da dívida externa brasileira, motivada, dentre outras coisas, pela imposição de proibitivas taxas de juros pelo FED, à época comandado por Paul Volcker. Em 1986 as obras foram paralisadas, sendo retomadas somente no final de 1994, até sua conclusão. O entrevistado 15 reforça o péssimo momento político- econômico experimentado pelo Brasil à época, justificando os inúmeros atrasos relatados:

“É, o Brasil entrou em recessão forte, de 80 até 90, 91, a coisa ficou muito

séria aqui. É a, essa é a fase brasileira em que os engenheiros viraram suco. Né, houve uma quantidade enorme de profissionais de engenharia que deixaram de ser engenheiros porque não arranjaram mercado de trabalho. Como tem que comer,

de forma incipiente, o que seria parte do contra movimento de mercado proposto por Karl Polanyi (Polanyi, 2001[1944]).

vamos ser donos de lojinha, de lanchonete, dirigir taxi e por aí vai. Porque o teu diploma não serve para nada se você não tem um país que te absorva profissionalmente. Pra isso precisa de energia, né! País em recessão, não aproveita nada do que tem, nem sua mão de obra qualificada. Então vivemos isso aí durante quase dez anos. Tudo parou, inclusive o projeto das usinas. É, não só usinas nucleares, outras usinas. O Brasil estava na época desenvolvendo uma série de coisas que não tinha mais dinheiro para fazer. Então ao mesmo tempo tinha Itaipu, Tucuruí, Angra... ...sabe, Itaipu, Tucuruí levou o triplo do tempo para ficar pronto. Itaipu demorou pra caramba né. A mesma coisa com Angra. “Há, vocês não fizeram nada, demorou!” Demorou porque não tinha dinheiro! Sem dinheiro você não faz nada né! É! O Brasil foi à bancarrota! O Brasil não pagou suas dívidas. Foi o Burn out! Você não pagou a dívida e aí teve que ficar devendo. E o que que acontece quando você não paga? Ninguém mais empresta dinheiro para você. Você só é um bom cliente se você tiver pagando juros direitinho, senão não serve. Então até que, é, a parte econômica voltasse a se reorganizar, você não construiu usina nuclear, nem usina de nada, nem coisa nenhuma né. É a década perdida. Nunca se fala essa coisa dessa forma, parece que foi só o nuclear que não foi, não foi nada. Não foi coisa nenhuma,

você tinha uma inflação galopante de 1000%.”

Apesar dos problemas inerentes à sua construção, o acordo entre Brasil e Alemanha trouxe aparentes vantagens ao país, já que permitiu transferência tecnológica (Cabral, 2011) mantendo, no entanto, parte significativa da lógica colonial. Atualmente a usina de Angra II [...] “vem gerando para o sistema interligado nacional com fator de disponibilidade sempre superior a 60%” (Brasil, 2007, p.144), sendo capaz de atender plenamente uma cidade de dois milhões de habitantes, e sua performance na geração de energia tem sido exemplar desde o início de sua operação, ocupando em 2009, a 21ª posição em comparação com o ranking das 50 melhores usinas Estadunidenses (Eletrobrás Eletronuclear, 2013a).

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