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İslam ve Protestan Çalışma Ahlakı Üzerine Küçük Bir Mukayese

Belgede İslam toplumunda emek ve sermaye (sayfa 114-117)

2.3. İSLAM’DA ÇALIŞMA AHLAK

2.3.5. İslam ve Protestan Çalışma Ahlakı Üzerine Küçük Bir Mukayese

Antes propriamente de descrever parte do presente vivenciado pela Eletronuclear e as perspectivas do setor de produção de energia nucleoelétrica no país, é importante estabelecer, a priori, que ao tratar da Eletronuclear, refiro-me ao complexo de usinas nucleares CNAAA (Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto) em Angra dos Reis-RJ e não a uma das usinas em especial, já que o conglomerado conta com um modelo centralizado de gestão (e um amplo e complexo modelo de governança), que define estratégias em nível corporativo, apesar de a

operação de cada uma das usinas ocorrer separadamente, em função da existência de critérios óbvios de segurança e precisão, além da própria complexidade presente em cada uma delas.

Cumpre destacar que até o ano de 2004 o setor nucleoelétrico encontrava-se estagnado no país e qualquer tipo de retomada ou revisão do chamado Programa Nuclear Brasileiro, dados os problemas enfrentados na construção de Angra I e Angra II, parecia algo muito pouco provável. No entanto, neste mesmo ano, a pedido do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve início um trabalho interministerial destinado à revisão do Programa Nuclear Brasileiro (PNB) motivado, dentre outras questões, pela “[...] necessidade de considerar as opções de fontes de energia para sustentar o desenvolvimento econômico do País a curto, médio e longo prazos.” (Mattos & Dias, 2008). Esse foi o ‘pontapé inicial’ para a retomada da construção da usina nucleoelétrica de Angra III, paralisada em 1986, que teria aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em 2007 para recomeçar (Eletronuclear, 2012), mas somente em 2008 é que fora anunciada oficialmente sua continuidade, pelo Ministério de Minas e Energia. Em 2010, a Eletronuclear obteve a licença de construção plena, pela CNEN, órgão que, embora seja encarregado de fiscalizar os processos nucleares no Brasil, é também parte desses processos (Kuramoto & Appoloni, 2002; Alvim et al. 2007; Silva, 2009). Cabe apontar que no Plano decenal de Energia Elétrica 2006-2015, a figura prevista de Angra III já contava com estimativas de demanda de combustível nuclear e que no mesmo documento, é possível identificar a renovação do interesse pelo projeto após a crise energética de 2001 (Brasil, 2007).

Além do argumento inerente aos temores gerados pela crise energética de 2001, o documento Matriz Energética Nacional 2030 destaca o “[...] expressivo aumento do consumo mundial de energia, especialmente de energia elétrica, as preocupações crescentes com a segurança energética e as pressões ambientais, sobretudo com relação às emissões de gases de efeito estufa [...]” (Brasil, 2007, p.143), além da estabilidade nos preços do principal combustível das usinas – urânio (enriquecido), e do Brasil ocupar oficialmente a sexta posição mundial de reservas de urânio, considerando que apenas 25% do território nacional fora prospectado. Tomando-se por base o argumento de que as reservas hidráulicas estejam se esgotando, em virtude dos problemas ambientais provocados com inundações de áreas, a atual reserva de urânio no país tem sido uma alternativa a considerar. A figura 13 ilustra o potencial de reservas de energéticos no Brasil. Apesar de inúmeros indicadores apontarem para a viabilidade ambiental, política e econômica do avanço desse mercado, faz-se necessário

relembrar das questões paradoxais presentes no setor de geração energética62 e tomar atenção aos possíveis efeitos do mesmo, cabendo não apenas a consideração das dimensões apontadas mas, adicionalmente, levar em conta aspectos sociais inerentes a esse avanço, normalmente relegados a um segundo plano.

Figura 13. Reservas de Energéticos Brasileiros

Fonte: Zancan, F. L. (2013). O Carvão Mineral na Matriz Elétrica Brasileira. In.:III Seminário de Matriz e

Segurança Energética. Rio de Janeiro: FGV-IBRE.

Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, há estimativas que as 309 mil toneladas prospectadas, possam alcançar 800 mil toneladas de recursos adicionais e que, se estimativas se concretizarem, as reservas podem quadruplicar (Brasil, 2007). A figura 14 demonstra a evolução das reservas brasileiras de urânio, cabendo destacar que desde o final da década de 1970 as prospecções não avançaram no país, motivo pelo qual o gráfico mantém-se estagnado. Apesar disso, a possibilidade de ‘um pré-sal de urânio63’, vem sendo aventada na

62 Descritos no item 5.1 desse capítulo.

63 O tópico foi abordado em 2013 e 2014 em diversos veículos da mídia, sob essa chamada (“um pré-sal de

urânio”), embora representantes da CNEN reforçam que as informações não passam de especulação, já que as

prospecções estão paradas. Ainda assim, há fortes expectativas de que, de fato, o Brasil possua tais reservas. Exemplos de notícias veiculadas a esse respeito podem ser encontradas em: < http://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2012/07/brasil-tem-pre-sal-de-uranio-explorar-diz-pesquisador-na- sbpc.html>; < http://oglobo.globo.com/economia/o-brasil-tem-um-pre-sal-de-uranio-explorar-diz-novo- presidente-da-inb-8054541>; < http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,uranio-merece-status-de-pre-sal-

mídia em anos recentes. O entrevistado 1a justifica a estagnação das prospecções: “Não tão fazendo! Não tão! Não tá, não tá ainda, não existe... Quem faz a prospecção não é a INB! É a CNEN!! Faltam geólogos hoje em dia. Muito, a maioria dos caras que trabalhavam na Nuclebrás, todos foram para a CNEN. A maioria se aposentou”. Por outro lado, o entrevistado 12 destaca outros motivos: “Talvez você tenha visto essa história. Então essa ideia de ter urânio, parou a prospecção por quê? Porque a gente não, não tem uma, uma demanda ainda que esteja valendo a pena uma maior prospecção”.

Figura 14. Evolução das Reservas Brasileiras de Urânio (em toneladas de U3O8)

Fonte: Brasil. (2007). Matriz Energética Nacional 2030. Brasília, Ministério de Minas e Energia: EPE.

Além do potencial energético, na forma de urânio, há de se considerar que o Brasil detém tecnologia proprietária que domina todo o ciclo de produção do combustível, inclusive o enriquecimento. É preciso, em função disso, refletir com reserva sobre esse quadro aparentemente vantajoso, haja vista os inúmeros interesses imperialistas nessas reservas, ainda que com o intuito de regulação (ou contenção) nacional. Mesmo levando em consideração que

diz-assessor-imp-,674618>; além de diversos outros endereços, amplamente replicados em blogs e páginas pessoais.

o petróleo ainda seja a fonte energética mais cobiçada, há que se preocupar com o futuro dessas riquezas. Em todas as conversas e entrevistas, procurei fazer menção ao possível problema, que era visto com reserva e desconfiança, por parte dos entrevistados (e até mesmo com despreocupação). Chamou-me a atenção, especificamente, a posição de um deles, de origem militar. Fiz a seguinte afirmação: “Pois é, aí de repente uma especulação jornalística e eu comecei a ver um monte de notícias com a mesma chamada. E de fato, a expectativa é que haja né (muito urânio no Brasil). Realmente a gente fica com essa, com essa luzinha amarela acesa né!”, numa alusão à preocupação frente aos futuros conflitos por insumos. A resposta foi curta, direta e honesta: “É bom que fique (risos)! É bom que fique (risos)!” (Entrevistado 17).

Todos esses aspectos funcionaram como motivadores, associados ao fato de que, apesar de as obras de Angra III estivessem paralisadas desde 1986, ainda que com mais de 60% dos equipamentos já adquiridos, gerando um custo anual de mais de 20 milhões de Reais (Eletrobrás Eletronuclear, 2013b), estimularam a decisão de rever o PNB, retomar as obras de Angra III e prover a instalação de novas usinas nucleares no Brasil (Brasil, 2007). Todo o cenário parecia favorável, especialmente pelo fato de a memória de boa parte dos brasileiros não recordar com nitidez as mazelas produzidas pelo acidente nuclear em Chernobyl, no norte da Ucrânia, e de também não mais associarem com vigor, os problemas decorrentes do acidente com césio 137, em Goiânia, aos possíveis problemas inerentes à radiação produzida por acidentes nucleares. No entanto, um terremoto de 8,9 pontos na escala Richter proporcionou um tsunami que causou um grave acidente na Central Nuclear de Fukushima, no Japão64. A repercussão do acidente, agravada pelo sensacionalismo midiático, que molda o imaginário de uma população carente de informações consistentes, provocou súbita mudança nos planos governamentais. Os noticiários apontaram claramente que a mudança foi decorrência do acidente, que afetou fortemente a opinião pública, que pode se movimentar contra políticas setoriais e enfraquecer a imagem do governo perante os cidadãos.

“O Brasil não prevê novas usinas nucleares até 2021, anunciou ontem (08/05/2012)

o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann. Segundo ele, no plano decenal que compreenderá o período encerrado naquele ano não está prevista nenhuma outra central além de Angra III, em fase de construção em

Angra dos Reis, município no litoral sul do estado do Rio de Janeiro. “As informações

que tenho tido é que o plano de 2021 não vai considerar (novos projetos nucleares). Vamos esperar para ver os outros (planos)”, declarou Zimmermann após participar

do 9º Encontro Nacional do Setor Elétrico (ENASE)” (Gonçalves & Torres, 2012).

Esse movimento decisório estratégico, essencialmente político, demonstra claramente aspectos referentes às suposições feitas nesse trabalho, de que organizações são mobilizadas por diferentes aspectos, como político, social, regulatório, e não somente econômico. Em setores sensíveis como o nuclear e o elétrico, a relevância de questões políticas e sociais são muito mais evidentes que propriamente questões econômicas, amplamente defendidas na literatura dominante de GE e, por conseguinte, os estrategistas dessas organizações precisam estar muito mais alinhados a essas práticas sociais e geopolíticas que propriamente com as premissas do mercado, teoricamente ‘livre’ (sic).

A proposta de suspender a construção de novas usinas nucleares no Brasil aparenta muito mais preocupada com a percepção de risco da população do que propriamente com questões relativas ao mercado consumidor de energia, já que após 2021, o governo não desconsidera a construção de novas usinas, segundo o próprio documento.

“Já no plano que considera o horizonte até 2030, o governo prevê espaço para a

construção de quatro a oito centrais nucleares. Para sair do papel, uma usina leva, em média, seis anos a partir do início da construção. Mas, segundo Zimmermann, antes de o governo tomar a decisão de construí-la, é necessário mais tempo para a discussão do projeto. "O novo programa nuclear implica em outra discussão, qual o tipo de central que vamos usar, qual será a tecnologia", afirmou. Ele comentou que, depois do acidente ocorrido na usina japonesa de Fukushima, no ano passado, aumentou a preocupação do setor com a questão da segurança, o que tornou mais complexo o processo de implantação de novas plantas nucleares”. (Gonçalves &

Torres, 2012). Grifos meus.

A declaração do secretário aparenta indicar maior preocupação com a opinião pública e com a proteção do mercado, que com os possíveis problemas sociais daí decorrentes, sinalizando que, de certo, após a acomodação da situação, os projetos serão retomados. Essa questão, além de outras como o próprio trato da Eletronuclear com a responsabilidade social e ambiental despertaram-me forte atenção frente à Gestão e Administração Estratégica da organização, a partir de seu lócus de atuação. É relevante apontar que a declaração da missão e da visão de futuro da Eletronuclear sugere atenção para com o setor elétrico nacional e com a responsabilidade social e ambiental: A missão da Eletronuclear é “[...] “atender à demanda de eletricidade do sistema elétrico brasileiro, a partir de geração nuclear, com elevados padrões tecnológicos, de segurança, eficiência técnica e econômica, e de responsabilidade social e

ambiental, com crescente participação da indústria nacional” (Eletrobrás Eletronuclear, 2013a). E sua visão de futuro é de:

“[...] ser a empresa nacional de referência na produção de energia elétrica, de fonte

nuclear, com capacidade técnica para operar centrais nucleares, desenvolver engenharia de apoio, e incorporar, integrar e gerenciar projetos e processos de implantação de novas centrais, com elevados padrões de segurança, inovação, desempenho empresarial, responsabilidade social e ambiental.” (Eletrobrás

Eletronuclear, 2013a). (Grifos meus).

Como forma de melhor concentrar o olhar em questões correlatas à sociedade historicamente subalternizada pela neocolonialidade e pelo projeto neoliberal busco, no próximo tópico, analisar aspectos inerentes à presença da Eletronuclear em seu lócus de atuação, a partir desse lócus. A vista disso, direcionando esforços ao cerne desse trabalho, procurando analisar e compreender o processo de proteção social, desenvolvido por meio de Estratégias Sociais, produzido sob forma difusa e não necessariamente estruturada, a partir de uma diversidade de atores.

Belgede İslam toplumunda emek ve sermaye (sayfa 114-117)