1.3. İSLAM VE BİLİM OLARAK İKTİSAT
1.3.4. İslam İktisadının Özellikleri
1.3.4.7. Emek ve Sermaye
A Nova Sociologia Econômica é um referencial importante para tratar mercado, no entanto, ainda insuficiente para lidar com seus fenômenos paralelos e subjacentes, sobretudo no contexto latino-americano e, em especial, no brasileiro. Isso justifica a adoção de bagagens teóricas de política, geografia e história, todas sob a perspectiva decolonial de conhecimento, de modo que o olhar em GE/GAE seja mais coerente com a realidade local. A alegação, dentre outras questões, é suportada pela forte influência Euro-Norte-Americana na área, que vem impedindo teorizações apropriadas a essa realidade, vez que a área encontra-se subordinada aos modelos de colonialidade. Outra importante justificativa para a busca do embasamento em Geografia para a teorização de mercado em GE/GAE reside na dificuldade de a Nova Sociologia Econômica conceber, de forma convincente em suas teorizações, a ideia de contexto geográfico (Peck, 2005). Apesar disso, o autor menciona que há uma série de crenças compartilhadas e complementares entre a Nova Sociologia Econômica e a Geografia Econômica, dentre as quais, destaca: (i) o ceticismo em relação à visão de mundo teórica da economia ortodoxa, (ii) o caráter heterodoxo e plural desses campos; e (iii) a ideia que mercado e economias devam ser confrontados como fenômenos institucionais, como construções políticas, e formações especificamente históricas e geográficas.
Entender e pensar sobre questões tipicamente inerentes a um determinado contexto geopolítico de conhecimento parece ser de central importância para subsidiar o processo de compreensão e de tomada de decisão em GAE (Jack et al., 2012), sobretudo alinhada às
questões sociais, sem no entanto ser paroquial, já que a ideia de estabelecer fronteiras não é compatível com a proposta transmoderna adotada neste trabalho. Candler, Azevêdo e Albernaz (2010) apontam que o paroquialismo epistêmico provoca, dentre outros problemas, um forte viés nas pesquisas, já que autores buscam citações que legitimem seus trabalhos dentro de um espaço geográfico limitado. Apesar dessa aparente clareza, a corrente dominante de GE prossegue negligenciando esse tipo de argumento e permanece importando teorias de forma acrítica (Bertero, Vasconcelos & Binder, 2003; Faria & Guedes, 2008), analogamente a um escravo no período colonial que, por sua própria visão de mundo subalternizada, tinha dificuldades de enxergar possibilidades de liberdade além muros, tomando-se por metáfora em relação à filosofia da libertação de Dussel (2005).
Existe muito do contexto latino americano e, no caso específico desse trabalho, de contexto brasileiro, que os teóricos de GE do mundo não são capazes de imaginar. Lamentavelmente, em função da colonialidade que também escraviza os colonizadores (Mignolo, 2012), muitos deles se negam a refletir sobre contextos como o brasileiro e o latino americano, na crença que os fenômenos daqui não mereçam ser pesquisados, sobretudo por estudiosos de nações mais desenvolvidas, já que esses problemas daqui são marginais e subalternos, específicos de países atrasados e de territórios de bárbaros (e.g. Barney, 2005; Burton, 2005).
A tentativa de impor uma teorização única e generalista para problemas dos diversos tipos de mercados e capitalismos existentes pelo mundo, tal qual o Consenso de Washington tentou fazer é, de certo, muito mais um processo político/imperial de controle (Fligstein, 2001; Evans, 2004; Mignolo, 2010; Grosfoguel, 2008a; 2012), que propriamente a tentativa de estabelecer um desenvolvimento científico purista, isento e apolítico. Felizmente alguns pesquisadores do Norte (aparentemente descolonizados) estão reconhecendo que a sobreposição cultural não melhora o desempenho de países colonizados e se revela muito mais como problema que propriamente solução (e.g. Evans, 2004). Nessa mesma ótica, contrariando o pensamento singular da corrente dominante, Arrighi (2012[1944]) defende que as principais características observadas no capitalismo, sob um enfoque histórico, são a flexibilidade o e ecletismo e seu processo de formação é não linear, composto por uma dinâmica ao mesmo tempo contínua e descontínua, que desafia a teorização dominante e singular de mercado.
Dessa maneira, é improvável que uma teorização importada acriticamente seja capaz de cobrir situações como a do mercado e contexto da Eletronuclear e de outras organizações instaladas no espaço brasileiro que, por vezes, carecem de experimentar negociações com atores
não tratados na literatura importada, tida como especializada. Exemplos desses atores, que operam como representações da sociedade (não tão civilizada quanto no centro), podem ser vistos em associações de classes, associações de moradores de determinadas regiões, grupos indígenas locais26, sindicatos de trabalhadores, grupos religiosos, entidades reguladoras, partidos políticos, além de outros (Abdalla, 2011). Apesar da imensa relevância de todos esses atores anteriormente descritos, vale um breve comentário sobre a variável religião, tópico amplamente trabalhado por Durkheim (1978), sob o propósito da coesão social, embora pouco compreendido e pouco relacionado ao mercado e à GE. Um país com cultura fortemente enraizada na crença e na religiosidade e, ao mesmo tempo tão sincrética, merece levar em consideração tais questões para pensar GAE. Traçando um paralelo, em relação à academia oriental e, mais especificamente à chinesa, com todo crescimento e ocidentalização, felizmente ainda preserva pesquisadores que não negligenciaram essas questões culturais (e.g. Hwang, 1987; Yum, 1988; He, 2006), relatando que não se pode desprezar a milenar influência do confucionismo27 para se tratar questões relativas ao mercado e seus problemas. No mundo
ocidental, dificilmente encontram-se pesquisadores em gestão preocupados em contextualizar tais questões, para então se pensar mercado28. E assim, reforçando colocações anteriores, torna-
se fundamental o engajamento de pesquisadores brasileiros com a filosofia da libertação (Dussel, 2005) e com o pensamento decolonial, com o intuito de melhor refletir sobre a esfera social local e seus respectivos problemas, bem como alternativas, na forma de Estratégias Sociais, para que as empresas lidem com (e minimizem os) problemas inerentes aos seus respectivos mercados e práticas institucionais.
26 Os telejornais brasileiros frequentemente veiculam notícias sobre movimentos sociais indígenas, muitas vezes
hostis, motivados por disputas e demarcações de terras, reivindicação de direitos e benefícios que, em muitos casos são concedidos pelas organizações em questão (que ocuparam áreas anteriormente pertencentes a esse povo), e não necessariamente pelo governo local, num processo de concessão aos problemas desse mercado. Podem-se resgatar, a título de exemplo, os casos de relações entre empresas como a Vale (antiga Vale do Rio Doce) e a da Usina de Belo Monte (em construção no momento dessa tese), que vivenciaram (e vivenciam) experiências de negociações com esses grupos, típicas do país e não retratadas na literatura tida como especializada, que prefere
‘proteger’ o mercado neoliberal de seu próprio contra movimento dialógico. Normalmente os exemplos de campos
mais comuns que se interessam por esses grupos são a antropologia, a geografia, as ciências sociais, além de outros campos, menos preocupados em preservar a reputação do neoliberalismo, razão dentre as quais, a área de gestão, em geral, prefere seguir negligenciando tais atores ou escondê-los atrás de um “não” (mercado).
27 Sistema filosófico chinês que se preocupa, dentre outras questões, com a moral, com a política, com a pedagogia e a religião. É conhecido e retratado como o “ensinamento dos sábios”.
28 Um interessante exemplo de exceção, no entanto fora do escopo da administração estratégica, mas fortemente
Sob os argumentos desse capítulo, defendo a importância de pensar mercado sob essa perspectiva ampliada, que des-subalternize e envolva não mercado como elemento natural de sua própria existência, no entanto, sem tal acepção, tal qual parcialmente teorizado pela sociologia dos mercados, ou como proposto por Bandeira-de-Mello & Marcon; e por Fernandes, Bandeira-de-Mello & Zanini (2012), além de outros – Estratégia Política (e suas variações – aliança política, recursos políticos, etc.). Também é central que pensemos mercado com base na multiplicidade de possibilidades e nuances, mutáveis em cada contexto, ainda que esse contexto esteja subordinado ao projeto de globalização neoliberal, razão que demanda pelo engajamento com a perspectivas transmoderna e decolonial, por intermédio da filosofia da libertação de Dussel, além da própria compreensão dos seus processos naturais.
Com a finalidade de aumentar a compreensão do leitor frente ao alcance do objetivo geral proposto e, seguindo a orientação de Whetten (2003, p.70), que defende a proposta de “[...] desafiar e estender o conhecimento existente, e não simplesmente reescrevê-lo”, proponho uma breve discussão com objetivo de avançar em questões inerentes à chamada Responsabilidade Social Corporativa, como forma de melhor compreender suas lacunas e, a partir de então, procurar amenizá-las por meio da teorização aqui empregada, que pretende se engajar com os problemas sociais decorrentes do mercado neoliberal, buscando desafiar o avanço desse projeto por intermédio do desenvolvimento de GE/GAE e das Estratégias Sociais. Vale ressaltar que uma das grandes diferenças do propósito de produção de Estratégias Sociais da Responsabilidade Social Corporativa é a fonte de produção. Enquanto Responsabilidade Social Corporativa, como o próprio nome sugere, reivindica que ações sejam tomadas pelas corporações, em Estratégias Sociais, proponho a produção conjunta e diversa de estratégias que visem ao bem estar social, podendo emanar das corporações, mas também de outros atores do não mercado como, por exemplo, do legislativo, do executivo, da própria sociedade, além de outros. O próximo tópico se encarregará de melhor debater o tema Responsabilidade Social Corporativa.