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2.1.3. Empatinin Özellikleri

2.1.3.2. Kendine Dönük/Öze Yönelmiş Bakış Açısı Alma

Para estudar a variação de superfície entre as sequências pertencentes a um mesmo tipo de discurso, Filliettaz (1999), seguindo a proposta de Roulet (1991), considera que a marcação linguística e as relações de discurso empregadas na construção de uma sequência podem torná-la mais ou menos argumentativa, narrativa e/ou autotélica. Nesse sentido, a concentração de um determinado conjunto de marcas linguísticas e de relações de discurso garantiria a produção de um dado efeito composicional (argumentativo, narrativo, autotélico).

Sem desconsiderar que as marcas linguísticas sejam portadoras de instruções convencionais capazes de modular o grau de argumentatividade ou de narratividade de uma produção discursiva, é preciso, porém, levar em conta que essas marcas manifestam um ou outro efeito somente quando participam da construção de uma dada forma de organização do discurso.

Por exemplo, o ato “Uma estranheza atrás da outra” (ato 10), presente na sequência narrativa analisada neste capítulo (subitem 2.3.2.1), contribui para a produção de efeitos composicionais argumentativos não só porque contém uma palavra, estranheza, que denuncia o ponto de vista do jornalista. Ela contribui para a produção desse efeito, principalmente porque, colocada estrategicamente após a menção de três irregularidades na condução de uma obra pública, retoma essas irregularidades, fazendo delas o tópico do ato. Dessa forma, a palavra estranheza torna a sequência mais argumentativa não simplesmente porque possui uma carga semântica intrínseca, mas também porque desempenha um papel importante na forma de organização informacional dessa sequência.

Além disso, constitui uma questão fundamental e de importância não negligenciável para o discurso jornalístico a decisão do jornalista de revelar ou não as suas fontes, bem como a decisão de como fazer a atribuição de uma informação a uma fonte, indicando o grau de confiança que deposita nessa informação. Esse aspecto delicado do discurso jornalístico se materializa em segmentos de discurso representado. Por isso, considero

97 fundamental para esta pesquisa a análise da forma de organização enunciativa, que se ocupa desse plano de organização do discurso.

Nessa perspectiva, o estudo das marcas que manifestam os efeitos composicionais em sequências narrativas de reportagens pode enriquecer-se, ao levar em conta os resultados das análises de outras formas de organização do discurso, como a informacional e a enunciativa.

Considerações finais

Neste capítulo, o objetivo foi apresentar o modelo teórico que fornecerá as bases para a realização do estudo do tipo narrativo e das sequências narrativas de reportagens. Após apresentar um panorama do Modelo de Análise Modular do Discurso, apresentei a primeira versão do estudo da heterogeneidade composicional no modelo. Em seguida, descrevi a versão atual desse estudo, apresentando as formas de organização sequencial e composicional. Por fim, tratei de problemas que essa versão coloca para a pesquisa que proponho realizar. A discussão desses problemas no item anterior mostra que, para constituir um instrumento teórico-metodológico adequado para esta pesquisa, a versão atual do estudo da heterogeneidade composicional no modelo modular pode passar por algumas reformulações. A proposição dessas reformulações constitui o objetivo do próximo capítulo.

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3 EM BUSCA DE UMA PROPOSTA TEÓRICO-METODOLÓGICA

PARA O ESTUDO DA HETEROGENEIDADE COMPOSICIONAL

Este capítulo se dedica a apresentar uma proposta teórico-metodológica para o estudo da heterogeneidade composicional visando contornar os aspectos problemáticos apontados ao final do capítulo anterior, a fim de permitir a realização de um estudo que busque investigar as especificidades do modo como os jornalistas constroem sequências narrativas em reportagens.

Vimos que Filliettaz e Grobet (1999), após apontarem problemas e inconsistências na proposta inicial de Roulet (1991) para o estudo da heterogeneidade composicional, propuseram reformulações nessa proposta, as quais deram origem à versão atual desse estudo no modelo modular. Neste trabalho, procuro realizar um movimento semelhante, na medida em que, depois de discutir, ao final do capítulo anterior, problemas na versão atual, formulo neste capítulo uma proposta com que seja possível contornar esses problemas. A proposta aqui apresentada se aproxima da versão atual, porque mantém muitos de seus postulados, mas, ao mesmo tempo, se distancia dela, porque procura solucionar os problemas apontados.

Neste capítulo, proponho para o tratamento da heterogeneidade composicional estudar os tipos de discurso e as sequências discursivas em três etapas e não mais em duas. Essas três etapas, que serão apresentadas nos itens a seguir, são as formas de organização sequencial, composicional e estratégica.

3.1 Forma de organização sequencial

No estudo do módulo referencial, Filliettaz (ROULET; FILLIETTAZ; GROBET, 2001) reconhece os limites da teoria dos protótipos e explicita o papel das atividades sociais na seleção dos recursos psicológicos. Por isso, nesse módulo, a noção de prototipia é substituída pela de tipicidade (SCHUTZ, 1987). Segundo Filliettaz (2000, ROULET; FILLIETTAZ; GROBET, 2001), o protótipo de uma categoria é uma entidade universal, que não sofre o impacto do ambiente social em que é mobilizada. Assim, o pardal é o melhor representante ou o protótipo da categoria pássaro, porque possui todas as suas características prototípicas (ter bico e plumas, saber voar, etc).

100 Diferentemente do protótipo, uma entidade típica está ligada a um “subdomínio da vida social” (ROULET; FILLIETTAZ; GROBET, 2001, p. 129). Nessa perspectiva, os agentes operam uma seleção dos recursos psicológicos apropriados para a realização das atividades, o que faz com que os “protótipos” variem, dependendo da situação em que são mobilizados. Por exemplo, a representação mental de livro não constitui uma entidade ou protótipo universal, mas constitui o objeto de tipificações, conforme o subdomínio da vida social em que é mobilizado. Se mobilizado em uma transação de compra e venda em uma livraria, designa um objeto de saber. Mas, se mobilizado em operações contábeis, designa um suporte de escrituração contábil (ROULET; FILLIETTAZ; GROBET, 2001).

Entretanto, no estudo da forma de organização sequencial, Filliettaz adere globalmente às proposições de Adam (1992) e, por isso, adota uma concepção dos tipos de discurso como protótipos e não como entidades típicas ligadas a um subdomínio da vida social. Como vimos no capítulo anterior, os tipos no modelo são concebidos como entidades universais e não determinadas contextualmente. Assim, o mesmo tipo narrativo seria mobilizado durante a produção de discursos pertencentes a quaisquer gêneros.

Porém, é intuitivamente difícil admitir que o jornalista que narra os acontecimentos de uma guerra, o romancista que narra uma história fictícia e o radialista que narra uma partida de futebol mobilizem exatamente o mesmo recurso psicológico, que seria o tipo narrativo e que, no modelo, é representado pela cadeia culminativa de acontecimentos (figura 3). E as pesquisas sobre narrativas produzidas em diferentes gêneros, apresentadas no item 2.4.1 do capítulo anterior, fornecem evidências que apontam para a inconsistência dessa hipótese. As especificidades dessas narrativas sugerem que cada “subdomínio da vida social” ou gênero opera uma seleção ou uma especificação dos recursos referenciais, dos quais fazem parte os tipos de discurso.

Para superar a noção de tipo como protótipo, parece ser pertinente, então, introduzir no estudo da forma de organização sequencial a noção de gênero do discurso. Como será mostrado neste capítulo, o gênero diz respeito ao componente esquemático ou sócio- histórico das produções linguageiras. Com base nessa noção, defendo que a cada gênero do discurso se associam tipos de discurso específicos e, por isso, menos gerais do que a cadeia culminativa de acontecimentos. Como consequência, os tipos passam a ser

101 concebidos como recursos psicológicos típicos de um gênero que os agentes selecionam para produzir um discurso pertencente a esse gênero.

Assim, o tipo narrativo da reportagem é diferente do tipo narrativo da fábula, por exemplo, já que jornalista e fabulista não mobilizam os mesmos recursos psicológicos. Em outros termos, cada gênero define quais elementos são característicos do seu tipo narrativo e quais não o são. Dessa forma, ao longo do processo de constituição histórica do gênero fábula, a moral foi selecionada como um elemento do seu tipo narrativo. O mesmo não ocorreu com o gênero reportagem, cujas propriedades definidoras não selecionaram a moral e selecionaram, como veremos adiante, o sumário como categoria típica de sua narrativa.

Observa-se que, nesta proposta da forma de organização sequencial, o gênero passa a desempenhar papel de destaque não só na seleção dos tipos de discurso, mas na constituição mesma dos tipos. Por essa razão, os objetivos dessa forma de organização são parcialmente diferentes daqueles da versão atual. Aqui, a forma de organização sequencial busca:

• definir os recursos psicológicos (tipos de discurso) com que, em uma atividade social (gênero do discurso), os agentes produzem e interpretam segmentos textuais (sequências discursivas).

• definidos os tipos, identificar as sequências discursivas em que os tipos se manifestam.

Na sequência deste item, apresento hipóteses sobre como alcançar cada um desses objetivos, buscando aplicar essas hipóteses na compreensão do tipo narrativo e da sequência narrativa da reportagem.