2.3. Konu ile İlgili Araştırmalar
2.3.2. Bağışlama ile İlgili Yapılan Araştırmalar
2.3.2.2. Bağışlama ile İlgili Yurt Dışında Yapılan Araştırmalar
No capítulo anterior, apresentei o percurso de análise desta pesquisa. Como o Modelo de Análise Modular do Discurso não é um modelo somente teórico, mas também metodológico, grande parte dos procedimentos e dos instrumentos de análise adotados no tratamento do corpus já foi explicitada. Por isso, neste item, limito-me a tratar de algumas decisões e de questões mais gerais não abordadas anteriormente, as quais, no entanto, são importantes para a compreensão das etapas do percurso de análise a serem apresentadas nos capítulos seguintes.
4.2.1 Forma de organização sequencial
Nesta pesquisa, a análise da forma de organização sequencial do corpus será abordada no capítulo 5 e trata da constituição do tipo narrativo da reportagem e da identificação das sequências narrativas das dezesseis reportagens. Entretanto, a segmentação das
Forma de organização sequencial
Carta Capital Época IstoÉ Veja
(r1) A culpa não é só da natureza
(r2) São Paulo na lama (r3) Uma história bipolar (r4) Vanguarda do atraso (r1) Um mensalão de R$ 150 mil? (r2) É possível evitar? (r3) O bolívar forte ficou fraco
(r4) O pecado público
(r1) Caça ao vazamento (r2) Eles não deveriam estar aqui (r3) O passado ainda presente (r4) A hora do medo (r1) Desvios subterrâneos (r2) Ele tem 150 000 metros quadrados (r3) Sol, mar e organização (r4) Trágico, absurdo, previsível
Forma de organização composicional
Carta Capital Época IstoÉ Veja
(r1) A culpa não é só da natureza
(r2) São Paulo na lama
(r2) É possível evitar? (r3) O bolívar forte ficou fraco
(r2) Eles não deveriam estar aqui (r3) O passado ainda presente (r3) Sol, mar e organização (r4) Trágico, absurdo, previsível
Forma de organização estratégica
Carta Capital Época IstoÉ Veja
(r1) A culpa não é só da natureza
(r2) É possível evitar? (r2) Eles não deveriam
estar aqui
(r4) Trágico, absurdo, previsível
160 reportagens não se limitou a identificar as sequências narrativas, já que saber que uma sequência não pertence ao tipo narrativo implica saber a que tipo de discurso (descritivo ou deliberativo) ela pertence. Então, foi preciso extrair não apenas as sequências narrativas que compõem as dezesseis reportagens, mas também as descritivas e deliberativas. Como esta pesquisa não tem por objetivo identificar os tipos descritivo e deliberativo do gênero reportagem, os instrumentos usados para extrair as sequências pertencentes a esses tipos foram os propostos pela versão atual do modelo modular, os quais apresentei no capítulo 2. Porém, tendo em vista os objetivos da pesquisa, a segmentação não levou em conta o estudo da estrutura hierárquica das sequências descritivas e deliberativas, mas apenas as suas estruturas referenciais.
Quanto ao tipo narrativo da reportagem, a discussão, realizada no item 2.4.1 do capítulo 2, do método empregado por Adam (1992) para chegar ao protótipo narrativo revelou que decisões teóricas implicam modificações na metodologia adotada. Sendo assim, este trabalho, que advoga uma noção sócio-histórica para os tipos de discurso, não poderia partir de um tipo narrativo prévia e arbitrariamente escolhido pelo analista. Portanto, a identificação do tipo narrativo da reportagem se pautou na percepção de elementos recorrentes nas sequências narrativas identificadas, por considerar que o gênero tem impacto sobre a constituição dos planos referencial e textual dos tipos.
A identificação dessas recorrências constituiu o resultado de constantes idas e vindas entre a elaboração dos episódios do tipo narrativo da reportagem e a análise das sequências narrativas. Nesse sentido, é possível dizer que a elaboração do tipo narrativo e a identificação das sequências narrativas foram processos que se alimentaram e que se desenvolveram paralelamente, não tendo sido a elaboração do tipo anterior à extração das sequências.
Esse método que consiste em ir da análise dos dados para a elaboração teórica e desta para aquela é próprio dos modelos teóricos que se baseiam nos usos da língua, mas é bastante característico das várias etapas por que passou o modelo modular ao longo de seu desenvolvimento, como revela Roulet (1999a, p. 140), ao tratar da capacidade descritiva e explicativa do modelo:
Advém daí [dessa capacidade] o movimento dialético constante, após o início das nossas pesquisas sobre este tema [da organização do discurso], em 1979, entre a análise de diálogos e de textos autênticos (isto é, não fabricados para
161 fins de análise) e a formulação de hipóteses, com a maior previsão possível, sobre a organização do discurso.
Para a obtenção de um maior rigor na percepção dos elementos recorrentes e definidores de cada episódio do tipo narrativo da reportagem, julguei pertinente apoiar essa percepção na quantificação desses elementos. Por exemplo, a introdução de um episódio
sumário nesse tipo narrativo é decorrente do fato de que, como veremos, em 64 das 129
sequências narrativas identificadas no corpus completo foi detectado um segmento de texto em que o jornalista antecipa informações que serão dadas nos episódios seguintes, com o objetivo de esclarecer o leitor ou de aguçar sua curiosidade. Caso um segmento com essas características tivesse apresentado apenas uma ou duas ocorrências no corpus, não seria pertinente a introdução do episódio sumário no tipo narrativo da reportagem, justamente porque esse tipo diz respeito a expectativas sobre a forma como os jornalistas narram acontecimentos em reportagens, devendo, portanto, se compor dos elementos que são recorrentes no corpus estudado.
Identificadas as sequências narrativas, associei a cada uma delas um código, tendo em vista tornar mais ágil a busca de uma dada sequência nos vários arquivos eletrônicos criados para armazenar as análises das três etapas da pesquisa. Por exemplo, a primeira sequência narrativa da reportagem “A culpa não é só da natureza”, da revista Carta Capital, recebeu o código (sn1/r1/c). Esse código informa que a sequência é a primeira sequência narrativa (sn1) da primeira das quatro reportagens (r1) da revista Carta Capital (c). Da mesma forma, a última sequência narrativa da reportagem “Sol, mar e organização” recebeu o código (sn3/r3/v), porque ela é a terceira sequência narrativa (sn3) da terceira reportagem (r3) da revista Veja (v).
Quanto às sequências narrativas encaixadas, o seu código apresenta ainda informação sobre o episódio a que ela corresponde na sequência encaixante. Por exemplo, a segunda sequência narrativa da reportagem “O pecado público” recebeu o código (sn2/r4/e/Com/sn1), porque ela é a segunda sequência narrativa (sn2) da quarta reportagem (r4) da revista Época (e). Além disso, ela corresponde à complicação (Com) da primeira sequência narrativa (sn1) da mesma reportagem.
O estudo da forma de organização sequencial das dezesseis reportagens se fez basicamente em duas etapas:
162 a) segmentação das reportagens nas sequências narrativas, descritivas e deliberativas que as compõem;
b) estudo das sequências narrativas identificadas.
Como o foco desta pesquisa é o tipo narrativo da reportagem, a segunda etapa apresentou uma complexidade muito maior e, por isso, se subdividiu em quatro etapas mais específicas, a fim de caracterizar de modo aprofundado o plano referencial e o plano textual do tipo narrativo da reportagem. Essas etapas são:
a) definição dos episódios componentes do tipo narrativo da reportagem. Foi nesta etapa que as constantes idas e vindas entre a análise das sequências narrativas e a elaboração do tipo narrativo foram mais frequentes e necessárias. Isso porque a busca pelas recorrências caracterizadoras desses episódios levou, muitas vezes, à recategorização tipológica de sequências, à inserção em sequências narrativas de segmentos que, num primeiro momento, foram interpretados como pertencentes a outras sequências ou à eliminação em sequências narrativas de segmentos componentes de outras sequências.
b) definição da ordem em que os episódios tipicamente ocorrem na representação praxeológica. Esta etapa e a anterior estudaram o tipo narrativo da reportagem do ponto de vista referencial.
c) estudo do estatuto principal ou subordinado da intervenção em que cada episódio costuma ocorrer.
d) estudo do processo de encaixamento de uma sequência narrativa no interior de outra sequência narrativa, a fim de saber em qual(is) episódio(s) costumam ocorrer sequências narrativas encaixadas. Das 129 sequências narrativas identificadas, 35 são encaixadas. Esta etapa e a anterior estudaram o tipo narrativo da reportagem do ponto de vista textual ou hierárquico.
4.2.2 Forma de organização composicional
Nessa forma de organização, cuja análise será apresentada no capítulo 6, estudam-se a marcação linguístico-discursiva típica das sequências narrativas, bem como sua função cotextual típica. Como exposto, não serão estudadas, nesta etapa, todas as sequências narrativas identificadas na etapa anterior, mas apenas as identificadas em oito das
163 dezesseis reportagens, que formam um conjunto de 53 sequências, das quais dez são encaixadas. Esse recorte se justifica pelo fato de que essa forma de organização aprofunda a análise sequencial, combinando-a com as análises do módulo sintático e das formas de organização relacional, informacional e enunciativa. Além disso, esse número de sequências narrativas se mostrou suficiente para identificar regularidades na marcação linguística e na função cotextual das sequências.
Por constituir um desdobramento do estudo da forma de organização sequencial, a composicional continua a verificar o impacto do gênero reportagem sobre o seu tipo narrativo, investigando agora a recorrência de marcas linguístico-discursivas (sintáticas, relacionais, informacionais e enunciativas) na composição das sequências narrativas, bem como das funções hierárquico-relacionais que elas exercem em relação ao cotexto. A recorrência de uma marca diz respeito à frequência com que ocorre em um dado corpus. Por isso, para medir essa recorrência, também nesta etapa apoiei minhas observações na quantificação de elementos do corpus, mais especificamente na quantificação das marcas linguístico-discursivas empregadas na construção das sequências e das relações de discurso que as ligam ao cotexto.
Entretanto, vale esclarecer que, tendo em vista a extensão relativamente reduzida do corpus desta pesquisa, os resultados que serão apresentados não têm a intenção (ou a pretensão) de oferecer provas categóricas sobre o uso das marcas analisadas. A função dos resultados percentuais que apresento, muito mais modesta, é a de sugerir tendências na forma como os jornalistas constroem as sequências narrativas de reportagens. Por isso mesmo, a análise quantitativa tem como finalidade alimentar ou sustentar a análise qualitativa das sequências narrativas, que procura investigar em que medida a frequência de um dado fenômeno decorre do gênero reportagem e do seu impacto sobre a construção dessas sequências.
Na verdade, a percepção de que seria necessário quantificar as análises das formas de organização sequencial e composicional surgiu da constatação de que havia poucos trabalhos sobre o gênero reportagem que, ao defenderem a tipicalidade de uma dada marca, pautassem essa defesa no cálculo da sua frequência em um corpus. De modo geral, o método consiste em defender a tipicalidade de uma marca com base em autores que estudaram outro gênero ou na análise de apenas um exemplar do gênero ou de fragmentos de textos escolhidos para ilustrar uma teoria previamente elaborada.
164 Na forma de organização composicional, a análise das 53 sequências narrativas obedeceu ao mesmo método em todas as etapas, desenvolvendo-se basicamente em dois momentos:
a) estudo das sequências narrativas do ponto de vista do módulo (sintático) ou da forma de organização considerada (relacional, informacional ou enunciativa). Nesse momento da análise, as dez sequências narrativas encaixadas foram sempre desconsideradas. Aqui as sequências encaixadas precisaram ser desconsideradas da análise, para que um mesmo item (forma verbal, conector, expressão nominal, segmento de discurso representado, etc) não fosse computado repetidamente. Se essas sequências fossem levadas em conta, os números obtidos seriam enganosos, porque levariam a crer que há mais itens do que realmente há. Então, esse primeiro momento da análise levou em conta apenas as 43 sequências narrativas encaixantes.
b) combinação do estudo das sequências narrativas do ponto de vista sequencial, realizado no capítulo 5, e do estudo das mesmas sequências do ponto de vista do módulo (sintático) ou da forma de organização considerada (relacional, informacional ou enunciativa). Nesse momento da análise, diferentemente do anterior, as dez sequências narrativas encaixadas foram sempre consideradas, uma vez que também elas foram analisadas na forma de organização sequencial e auxiliam, portanto, a descobrir a frequência com que um item ocorre em cada episódio do tipo narrativo da reportagem. Sendo assim, aqui já não interessa mais a frequência total de um item, mas a sua frequência em cada episódio.
Vale esclarecer que, dependendo da complexidade da forma de organização ou dos meus interesses como analista, cada um desses momentos se subdividiu em etapas mais específicas. Por exemplo, no estudo da forma de organização relacional, o primeiro momento se subdividiu em duas etapas: (i) contagem de todas as relações de discurso e (ii) contagem de todos os marcadores dessas relações. Da mesma forma, o segundo momento se subdividiu em duas etapas: (i) análise da função (argumentativa, comentativa, contra-argumentativa, etc) que cada episódio do tipo narrativo costuma exercer e (ii) análise da frequência das relações de discurso no interior de cada episódio.
No início do item que trata de cada módulo ou forma de organização, são indicadas as etapas específicas da análise.
165 4.2.3 Forma de organização estratégica
Nesta pesquisa, o percurso de análise se completa com o estudo da forma de organização estratégica, o qual será apresentado no capítulo 7. Com essa forma de organização, estudo a função contextual das sequências narrativas, investigando como o jornalista, ao conduzir a gestão das relações de faces, territórios e lugares em uma situação de ação, constrói sequências narrativas específicas, submetendo as expectativas relativas ao tipo narrativo da reportagem a processos contextuais de acomodação.
Como exposto, o subcorpus desta etapa são as quatro reportagens, uma de cada revista, que tratam das catástrofes ocorridas na passagem de 2009 para 2010. Nas duas primeiras etapas da pesquisa, não foi adotada uma perspectiva de análise comparatista. Ou seja, não foram comparados os resultados individuais das análises sequencial e composicional de cada revista de informação. Isso porque o objetivo dessas análises foi obter resultados acerca do impacto do gênero reportagem sobre a constituição do seu tipo narrativo e sobre a marcação linguístico-discursiva e a função contextual das sequências. Nesse sentido, possíveis particularidades devidas, por exemplo, à linha editorial de uma revista não foram consideradas.
Mas, na forma de organização estratégica, comparou-se o modo como cada jornalista, agindo a serviço de uma instância midiática específica, transforma o mesmo “evento bruto” em um “evento midiático” (RAMOS, 2007, p. 52). A comparação das especificidades das sequências narrativas de cada reportagem revelou-se importante, por evidenciar as estratégias discursivas que os jornalistas de cada uma das revistas empregaram para se apresentar ao cidadão de uma maneira ou de outra, ainda que todos desenvolvessem o mesmo tópico. Em outros termos, essa comparação evidenciou como cada jornalista, inserido em um dado contexto, atualiza a seu modo as expectativas (sequenciais, sintáticas, relacionais, informacionais e enunciativas) do tipo narrativo da reportagem na construção de sequências narrativas particulares.
Considerações finais
Este capítulo ofereceu informações acerca da constituição do corpus e da metodologia adotada no percurso de análise desta pesquisa. No item sobre a constituição do corpus, foram verificados os critérios que nortearam a seleção de reportagens para a composição
166 do corpus definitivo, bem como os recortes realizados nesse corpus em cada etapa da pesquisa.
Já o item sobre a metodologia se ocupou de questões mais gerais acerca dos procedimentos de análise adotados em cada etapa, cujo conhecimento será útil para a compreensão dessas análises. Nos próximos capítulos, componentes da segunda parte desta tese, apresento os resultados e a discussão dessas etapas.
167
5 ANÁLISE DA FORMA DE ORGANIZAÇÃO SEQUENCIAL
Neste capítulo, apresento as análises da forma de organização sequencial das dezesseis reportagens do corpus, dando enfoque especial às sequências narrativas. Este capítulo se dedica, assim, a apresentar as análises que permitiram identificar as sequências narrativas, descritivas e deliberativas do corpus, bem como elaborar o tipo narrativo da reportagem, o qual foi apresentado no capítulo 3.
Inicialmente, exponho a segmentação geral das reportagens em sequências narrativas, descritivas e deliberativas, a fim de verificar qual o tipo de sequências predomina no corpus. Feita essa exposição inicial, passo a focalizar apenas as sequências narrativas, procedendo à apresentação das regularidades observadas na forma como, nas sequências narrativas do gênero reportagem, os jornalistas constroem a cadeia de acontecimentos e estruturam os constituintes textuais em que essa cadeia se textualiza. A relevância dessas regularidades está, como será mostrado, em permitir elaborar o tipo narrativo da reportagem.
Dessa forma, com este capítulo, busco alcançar os dois primeiros objetivos específicos desta tese, a saber:
• identificar o tipo narrativo com que, no gênero reportagem, os jornalistas produzem sequências narrativas.
• identificar as sequências narrativas em que esse tipo se manifesta em exemplares do gênero reportagem.