BĠRĠNCĠ BÖLÜM: DEVLET VE GÜVENLĠK ARASINDAKĠ ĠLĠġKĠ
B. Modern Devlet (Ulus Devlet) ve Güvenlik AnlayıĢı
1. Kapitalizmin GeliĢimi ve Modernite
Nessa fase, os educadores que trabalhavam no currículo interdisciplinar via tema gerador, utilizavam os dados e as informações do Estudo da Realidade para daí retirarem as questões geradoras para cada uma de suas áreas disciplinares, a partir das quais se determinavam os conteúdos específicos a ensinar em cada série/ciclo.
O tema gerador, proposto como um caminho para reorientar de forma interdisciplinar o currículo, era compreendido como um objeto de estudo que compreendia “o fazer e o pensar, a ação e a reflexão, a teoria e a prática” (SAMPAIO, QUADRADO E PIMENTEL, 1994:59).
Para contribuir nessa fase, a Secretaria da Educação de São Paulo articulou a noção de conceitos unificadores, proposta por Angotti (1982), que eram desenvolvidos para cada área disciplinar. De acordo com o Documento 5 – Visão de Área: Ciências (1992), produzido pela Secretaria Municipal de Educação com o objetivo de ampliar a discussão sobre o ensino de Ciências Naturais nas escolas e propor parâmetros para a construção de programas escolares, a abordagem por
conceitos unificadores, além de garantir “um referencial para seleção
dos conteúdos escolares”, permitia o tratamento de questões contemporâneas que usualmente não constavam nos currículos escolares.
A figura abaixo fornece uma representação gráfica do papel central dos conceitos unificadores ao longo dos três ciclos do Ensino Fundamental:
Figura 01 (SÃO PAULO, 1992)
O quadro a seguir representa o significado e a aplicação dos conceitos unificadores apresentados na figura 01, ou seja, apresenta o uso pedagógico dos conceitos unificadores nas Ciências.
Conceitos Significado Aplicação (exemplos) Conceitos primitivos: espaço, tempo, matéria viva e não viva - estruturação da realidade externa em permanente relação com o indivíduo;
- devem ser quantificados e servir de referência para os diferentes tópicos abordados; - devem ser trabalhados ao lado de habilidades de classificação, observação, descrição, relação e diferenciação da realidade. - na construção das “coisas” e de suas relações com o “Eu” e com o “Mundo”.
Transformações - fenômeno ou situação que altera as condições do objeto no espaço e no tempo antes, agente transformador e depois;
- diz respeito aos constituintes do universo. - mudanças de posição, temperatura, aspecto, tamanho, forma, etc. Regularidades (ciclos)
- é a busca das invariâncias nos fenômenos naturais (conserva- ções);
- as transformações ocorrem vinculadas a certas regulari- dades, ou seja, a aspectos que permanecem mesmo após sucessões de transformações; - ciclos fechados ou abertos; - as regularidades estão presen- tes tanto nos modelos teóricos como no trabalho experimental.
- ciclos da matéria (água, oxigênio, carbonos, etc.); - redes de água, esgoto, eletricidade, etc.; - teias e cadeias alimentares; - consumo de combus- tíveis e alimentos; - movimentos dos cor- pos celestes; -conservação de massa e matéria; - equilíbrios estáticos. Energia - o agente transformador;
-conservação de um agente abstrato que pode ser quantificado e caracterizado em diferentes formas. -conservação nas diferentes formas de energia (luz, calor, potencial, química) nos
movimentos, reações, organismos, ecossistemas, etc. Regulações e dinâmicas dos equilíbrios
-conceitos anteriores (principal- mente energia) retomados em novo patamar cognitivo; -estudo dos controles, dos esquemas de equilíbrios dinâmicos e das perdas; -eficiência e ineficiência de equilíbrios estáticos e dinâmicos em diferentes níveis de abordagem;
-interação entre diferentes ciclos (fluxos de energia entre ciclos).
-catalisadores, entropia, rendimentos, reguladores biológicos (hormônios, DNA, sistema nervoso, predador/presa, adaptação natural, relações ecológicas entre os seres vivos e entre fatores bióticos e abióticos); -mecanismos de feedback. Revolução e evolução
- reflexão sobre a produção científica (períodos “normal” e de “ruptura”);
- evolução e interação dos conceitos científicos e suas transformações históricas, segundo as necessidades e relações sociais. -história e filosofia dos modelos científicos; - tópicos atuais, enfatizando o papel das relações sociais na produção do conhecimento científico (AIDS, cólera, poluição, genética, etc.) e seus limites explicativos. Escalas - são as ordens de grandeza em
que ocorrem todos os outros conceitos trabalhados, portanto, estão presentes e devem ser abordadas simultaneamente com todos os outros conceitos;
- escalas de compri- mento, tempo, massa, energia, etc., associa- dos aos outros modelos
- permite extrapolações do micro para o macro;
- explicita os limites de validade dos modelos científicos.
científicos.
Quadro 01 - Equipe Interdisciplinar do NAE 6, 1991 (TORRES, O' CADIZ e WONG, 2002)
A figura a seguir ilustra a relação entre os conceitos unificadores e as perguntas geradoras para cada disciplina que se desenvolvem a partir de um tema gerador.
Para Torres, O’Cadiz e Wong, os conceitos unificadores:
Pretendiam agir como um fio de referência no tecido do plano curricular, orientando os educadores na seleção do conteúdo e dos materiais para as atividades educativas no período de OC do processo de planejamento curricular (2002: 148).
E, conforme coloca Angotti:
Os conceitos unificadores são complementares aos Temas e carregam para o processo de ensino- aprendizagem a veia epistêmica, na medida em que identificam os aspectos mais partilhados (em cada época) pelas comunidades de Ciência & Tecnologia, sem negligenciar os aspectos conflitivos.
No campo cognitivo, tais conceitos constituem ganchos teóricos que podem articular/organizar conhecimentos aparentemente distintos em níveis intra e interdisciplinar. Por conseqüência, minimizam o risco de fragmentação; riscos que os Temas, por si só, não conseguem minimizar ou superar (1991: 108).
Nesta perspectiva, os conceitos unificadores são o fio condutor de um programa que, embora temático, marcado por características locais e regionais, manterá a unidade enquanto parte das ciências naturais.
Ao sintetizar esta etapa, pode-se afirmar que o estudo problematizado dos dados levantados sobre a comunidade apresenta situações significativas, que precisam ser organizadas e analisadas, situando-as no contexto da realidade, assim como ao nível macro social ou global. É esse trabalho que entusiasma um diálogo interdisciplinar, ou seja, o tema desafia as disciplinas a selecionar e integrar conhecimentos, permitindo assim uma leitura crítica da realidade.
3.6.3 Aplicação do Conhecimento (AC): a terceira etapa do