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İSPAT YÜKÜ KAVRAMI

Belgede VERGİ HUKUKUNDA İSPAT GAMZE (sayfa 125-129)

VERGİ HUKUKUNDA İSPAT YÜKÜ ve İSPAT ÖLÇÜSÜ 2.1. VERGİ HUKUKUNDA İSPAT YÜKÜ

2.1.1. İSPAT YÜKÜ KAVRAMI; KAVRAMIN DELİL GÖSTERME, İDDİA VE SOMUTLAŞTIRMA YÜKÜNDEN GÖSTERME, İDDİA VE SOMUTLAŞTIRMA YÜKÜNDEN

2.1.1.1. İSPAT YÜKÜ KAVRAMI

De Porfirio Díaz à Francisco Madero: la sucesión dictatorial de 1911, escrita em 1911 por Luis Lara Pardo e publicada em 1912 foi, segundo Paul Garner, um dos ―ejemplos más virulentos del antiporfirismo en México‖ (GARNER, 2003, p. 18),

constituindo-se em um clássico desta literatura e contribuindo para sua consolidação. A própria ―Comisión Nacional para las celebraciones del 175 aniversario de la Independencia Nacional y 75 aniversario de la Revolución Mexicana‖65 considerou, em

1985, o livro supracitado como uma obra fundamental para o estudo do movimento revolucionário66.

Para Gómez Galvarriato e Tenorio Trillo, a obra foi escrita ainda sob as metrallas calientes da Revolução que eclodiu no país em 1910. Este evento era, para Lara Pardo, o início de um movimento que fazia cair os pilares do que ele qualificara de Antigo Regime (1912, p. 02). Ao analisarmos o conceito utilizado pelo escritor, não podemos deixar de comentar a analogia com revolucionários franceses de finais do século XVIII, que denominaram o período anterior à Revolução neste país com o mesmo epíteto. O levantamento, para Lara Pardo, era percebido como a consequência da concentração cada vez maior de poderes nas mãos do presidente.

Percebemos, neste ponto, uma primeira semelhança com a obra de John Turner, periodista que utilizou o mesmo qualificativo para se referir ao Porfiriato. A Revolução, para ambos, foi vista como um movimento de mudança, devido à falta de liberdade política e a concentração de poderes nas mãos do presidente. Era necessário que se desenvolvesse a democracia no México. Podemos encontrar esta matriz de pensamento nas obras de Alexis de Tocqueville. Embora os referidos autores não o tenham citado, podemos inferir que refletiam acerca da Revolução Mexicana a partir de uma apropriação do tropo tocquevilleano. No ano de 1856 escreveu O Antigo Regime e a Revolução (L'Ancien Régime et la Révolution), cujo objetivo era encontrar as causas da Revolução Francesa. Para ele, as origens do levantamento estavam no interior do que ele chamou de Antigo Regime, uma vez que a monarquia cada vez mais suprimia as liberdades políticas da população, além de desprivilegiar as camadas mais pobres.

Tocqueville, ao pensar a conjuntura francesa, via rupturas, mas também permanências entre os períodos pré e pós-revolucionário, principalmente no que se referiu à centralização administrativa do Estado. Contudo, o movimento, para ele, trouxe elementos novos à sociedade. Embora este escritor tenha interpretado a revolução como um movimento anárquico em seu país, Turner e Lara Pardo não entendiam o levante mexicano como uma etapa caótica, mas sim como algo que iria trazer as modificações necessárias. Se Díaz não saía do poder, era necessário que a

65Comissão do Instituto Nacional de Estudos Históricos da Revolução Mexicana.

população se mobilizasse e o tirasse da presidência. Deste modo, os conceitos utilizados por Tocqueville foram instrumentalizados (e apropriados) pelos escritores analisados. Frente à eclosão do levantamento, e para legitimá-lo como um movimento de mudança (e progresso), era necessário mostrar as rupturas de um período ao outro. Explicitar que o ―Antigo regime‖ ficara no passado tinha relevância.

O escritor nasceu na Cidade do México, capital do país, no ano de 1873, falecendo em 1959. Formou-se médico, mas dedicou sua carreira ao periodismo, sendo colaborador em importantes jornais como, por exemplo, El imparcial e El mundo ilustrado. Fora do México, morou na França, onde foi correspondente do Excelsior e, em Nova Iorque, chefe de redação do La Prensa (COMISIÓN, 1985)67. Em 1887 começou a escrever no Diário del Hogar, cujo diretor era Filomeno Mata, grande crítico de Díaz e seu governo. Ademais, segundo uma revista eletrônica mexicana, Lara Pardo tornou-se chefe de redação do El Imparcial e, em 1909, fundou Actualidades, periódico antiporfirista e defensor da democracia no México (CAMBIO DIGITAL, 2012). Seu livro supracitado foi publicado pela Polyglot Publishing & Commercial Co., editora norte-americana, uma vez que o autor estava exilado no país por problemas políticos com o governo de Díaz, principalmente por suas críticas no Actualidades68.

67 Não podemos deixar de nos atentarmos ao fato de que muitos escritores mexicanos direcionaram suas

críticas ao Porfiriato a partir dos Estados Unidos. Havia um grande intercâmbio entre eles e alguns setores norte-americanos, como o socialista. Muitos indivíduos partiram em exílio voluntário para o vizinho do norte. A vertente crítica, e posteriormente revolucionária, do magonismo, por exemplo, tinha muita força entre os americanos. Como os mencionados no tópico acima, muitos indivíduos corroboravam com a causa mexicana, mantendo contato com as lideranças do Partido Liberal Mexicano (como foi o caso de Turner). Ademais, o periódico socialista Appeal to Reason foi um importante veículo de difusão das ideias e lutas mexicanas, principalmente magonistas. Como explicou Velázquez Estrada (2000), a partir de 1903 muitos oposicionistas começaram a chegar nos EUA, com o intuito de criticar o Porfiriato; a maioria se concentrava em cidades sulistas e do Oeste, como Saint Louis (Missouri), Laredo e San Antonio (ambas no Texas). Madero mantinha contato com Jesús Flores Magón e Camilo Arriaga, afastando-se do radicalismo de Enrique Flores Magón. Por conseguinte, Lara Pardo também enxergava nos EUA uma possibilidade de crítica aberta ao governo de Díaz. Como vimos, levar em consideração este intercâmbio de ideias é importante. Vários intelectuais e polígrafos faziam da fronteira entre os países algo fluido e encontravam na nação acima do Rio Grande um espaço mais aberto de crítica ao governo. Para um aprofundamento ver: RAAT, W. Los revoltosos. Rebeldes mexicanos en los Estados

Unidos 1903-1923. Cidade do México: FCE, 1988.

68 Embora Lara Pardo seja considerado um importante escritor da literatura revolucionária, ainda são

poucas as informações e trabalhos acadêmicos sobre ele e sua produção. Não conseguimos obter a informação do porquê de seu exílio nos Estados Unidos, mas apenas a menção do fato em seu próprio livro e em uma nota sobre ele feita pelo periódico online Cambio Digital. Ademais, durante a pesquisa, não encontramos notícias sobre a editora que publicou a obra, qual perfil de publicação ela possuía, entre outros aspectos.

Sua obra fez uma crítica aberta ao Porfiriato, contribuindo assim para a consolidação de uma historiografia ―antiporfirista‖69. É importante perceber que, logo

no início de seu livro, o escritor se colocou como o primeiro autor a criticar Don Porfirio e seu governo, época que, para ele, Francisco Madero ainda elogiava o presidente. Citamos:

Mi independencia me trajo al destierro. Mío es el honor de haber sido

el primero en atacar por su base el régimen de Porfirio Díaz,

rechazándolo en principio públicamente en la ciudad de México, cuando el gran dictador en la plenitud de su poder imponía el pánico; cuando los revolucionarios de ahora eran porfiristas, y cuando D. Francisco Madero cantaba himnos á la grandeza del caudillo. (LARA PARDO, 1912, p. 03- Grifo nosso).

Nesta passagem do texto vemos que Lara Pardo deslegitimou a crítica do coahuilense, já que este, ao final de seu livro La sucesión presidencial en 1910: el Partido Nacional Democrático, afirmou que Don Porfirio havia proporcionado estabilidade, paz e progresso ao México (sobre isto, dissertamos no capítulo um deste trabalho). Deste modo, o médico se colocou como o primeiro a fazer uma crítica severa e aberta ao Porfiriato, censura que, como afirmou, ―atacou desde sua base o regime‖. Sentia-se honrado, ou seja, sua conduta pessoal, baseada na moral, coragem e honestidade, fá-lo-ia ser o primeiro a construir uma tradição de crítica ao porfirismo70. Como percebemos, no cume de seu poder, Díaz, referido no trecho como ditador, impunha o pânico ao país: a situação vivenciada por seus concidadãos era de desespero, pavor. A nação não mais aguentava aquela conjuntura.

O objetivo do capítulo um – Cómo llegó al poder Porfirio Díaz – foi mostrar a transformação das ações de Don Porfirio desde chefe liberal e republicano a caudilho revolucionário e, posteriormente, de presidente constitucional a ditador vitalício. Para o escritor, Díaz, no ano de 1876, era o que ele chamou de ―militar de prestígio mediano‖, já que os indivíduos que o defendiam como o melhor general que o país tivera extrapolavam nas afirmações.

O futuro presidente, na literatura oitocentista (escritores que viveram durante o Porfiriato e escreveram sobre ele), era, para Lara Pardo, ―ungido como um semideus‖

69 Cabe reiterar neste capítulo que a categoria ―antiporfirismo‖ é retomada no texto a partir das

explicações de Paul Garner em seu livro Porfirio Díaz, del héroe al dictador: uma biografia política(2003).

70A definição de honra no trecho acima é entendida como uma virtude, e não procedência, nascimento.

Sobre o assunto e distinção entre as duas significações ver: BRAVO OLMEDO, Valentina. La re-

significación del honor durante la primera mitad del siglo XIX en Latinoamérica. Cuadernos de Historia

(1912, p. 07). Como a analogia com Cristo, que Turner criticou, o médico censurava as representações do presidente como um grande homem ou um deus encarnado. Neste sentido, percebemos que o presidente, pelos escritores que o elogiavam, era consagrado com o qualificativo de herói, um mortal divinizado. O que o autor criticava era que outros indivíduos também tinham o direito de glória, desconstruindo, assim, a imagem de grande e inatingível homem da figura do presidente71. O herói desenhado por Bernardo Reyes, como vimos no capítulo um, agora recebia novos contornos: passava a ser um indivíduo normal, que possuía, ademais, a ambição de permanecer no poder. Escreveu Lara Pardo,

Desde 1893, en que las finanzas mexicanas arrojaron el primer sobrante; desde que se vió á la República Mexicana pasar por varias crisis políticas y económicas, como las de 1884 y 1892, sin grandes convulsiones y sin que se resolviera el conflicto en el campo de batalla; desde que las estadísticas fiscales empezaron á pregonar que teníamos comercio exterior, producción agrícola y minera; que los mexicanos podíamos trabajar y vivir en paz (cosas que los virreyes españoles tenían bien sabidas); el general Díaz se proclamó el gran hacedor de México, y gastó muchos millones de pesos en que los portavoces de la opinión pública gritaron a los cuatros vientos del globo el nuevo evangelio: Díaz, como Jehová, hizo á México de la nada.‖ (LARA PARDO, 1912, p. 20).

Percebemos, portanto, a crítica feita aos argumentos que defendiam Díaz como o grande, e quase único, construtor do país. Para Lara Pardo, tanto o próprio Don Porfirio, quanto os ―porta-vozes da opinião pública‖, como os intitulou, pagos pelo presidente para mostrá-lo e representá-lo como um grande governante, construíram tal imagem. A crítica do médico era sobre o discurso que afirmava ser Díaz o indivíduo que ergueu o país ―do nada‖. Os porfiristas, para o escritor, viam o presidente como um Jeová, ou seja, como um deus que construiu o mundo em sete dias, Porfirio Díaz conseguira reconstruir uma nação72. De forma irônica, o engenheiro criticava estas afirmações:

71 ―Más de todas maneras, los pregoneros de la gloria porfiriana, tuvieron ocasión de ensordecer con sus

clarinadas; los heraldos de la grandeza gubernamental dejaron oír por todas partes sus fanfarrias, y el país entero, atónito, subyugado por lo que no había visto jamás, creyó que, efectivamente, el general Díaz era el hacedor de todos esos bienes, que, como el caudillo hebreo, había guiado al pueblo á través del desierto, haciendo brotar el agua de las rocas, y lo había llevado á la tierra de promisión, en donde por obra de milagro el maná divino caía del cielo en lluvia perenne.‖ (LARA PARDO, 1912, p. 65).

72 Em algumas versões da Bíblia Sagrada o nome de Deus era mencionado como Jeová. Ademais,

percebemos que esta crítica se assemelhou e muito à de Turner, embora Lara Pardo não tenha citado a obra do periodista. Como podemos inferir, a crítica ao governo de Díaz deslegitimava sua figura de herói e deus encarnado. O presidente dissimulava, ocultava suas ambições e era um indivíduo comum e imperfeito. Para os autores, seu caráter humanitário, bondoso e patriota fora construído por escritores que arquitetaram um discurso laudatório acerca do porfirismo. Sendo assim, percebemos que uma nova matriz avaliativa começava a se formar e ganhar força.

México libre no realizó el más leve progreso sino cuando él general Díaz le enseñó á vivir en paz. Todo lo demás, todo el período de nuestra historia que se extendía desde el amanecer del 16 de Septiembre hasta el día de Tecoac era negro, lúgubre, era una fermentación como la de los pantanos, una descomposición social que infestaba con su hálito á todo el continente. (LARA PARDO, 1912, pp. 21-22).

Deste modo, como vemos no trecho supracitado, Lara Pardo deslegitimou os argumentos de que desde a independência o país viveu imerso em uma atmosfera onde não existia paz e progresso, e que esta conjuntura apenas se transformou sob o Porfiriato. Como afirmou, estes argumentos não passavam de um suporte, sustentáculo, ao governo. Defendia: ―(…) esa noción, que tanto cuadraba con la estabilidad del sistema porfirista, es una de tantas imposturas que sirvieron de sostén al solio del tirano.‖ (LARA PARDO, 1912, pp. 21-22). A tirania possuía um elemento de crueldade, opressão, em que o presidente governava com um poder ilimitado, abusando do mesmo para com a população. Citamos:

Si benevolencia y generosidad habían sido los rasgos aparentes del gobierno de Díaz antes de llegar él á la cumbre de la autocracia, una vez en ella no se guardó ni siquiera de cubrir las apariencias. Bajo los oropeles de la abundancia y prosperidad comenzaron a aparecer la crueldad, la intransigencia, la ambición sin límites y el egoísmo del césar. Entonces pudo verse que las verdaderas características de su régimen eran dos: exterminio y prostitución. El exterminio dejó de cubrirse con el ropaje hipócrita del bien público. Ya no se exterminaba sólo en nombre de la paz, los intereses nacionales y el bien social: ya los lugartenientes enarbolaban á cara descubierta, en sus expediciones asoladoras, el estandarte del porfirismo. (LARA PARDO, 1912, p. 100- Grifo nosso).

Após a leitura de toda a obra, por ser uma literatura político-testemunhal sobre a conjuntura mexicana do início do século XX, Lara Pardo não mencionou autores específicos que indicassem a ideia de tirania de que se valeu. O conceito, como percebemos, ganhou uma dimensão importante para qualificar o Porfiriato. Deste modo, uma das hipóteses refletidas na dissertação foi pensar a querela entre autores ―antigos‖ e ―modernos‖ sobre o referido conceito; para isso, iremos discorrer sobre o clássico quadro taciteano a respeito do termo (MOMIGLIANO, 2004). Em As Raízes Clássicas da Historiografia Moderna, Arnaldo Momigliano atentou-se em discutir as leituras da obra de Tácito desde a antiguidade até o século XIX, mostrando como uma tradição sobre suas ideias formou-se ao longo dos períodos – principalmente sobre a qualidade do tirano.

Tácito refletiu em algumas de suas obras sobre o governo imperial e a tirania. Discutiu sobre o assunto em seus Anais e Histórias. No primeiro, focalizou-se nos governos de Tibério e Nero, imperadores romanos posteriores a Augusto. Já nas Historiae, escritas por volta dos anos 100 a 110 d. C., atentou-se desde a queda de Nero à morte de Domiciano. Em seus escritos, o autor analisou as características indesejáveis do tirano, bem como as consequências acarretadas por uma destruição de liberdade por parte do governante (MOMIGLIANO, 2004, p. 166). Analisando a figura do tirano por um viés psicológico, ele se constituía como um governante ganancioso e sua administração era acompanhada pela desmoralização.

Como sabemos, as leituras e usos das obras de Tácito possuíram oscilações durante os períodos analisados por Momigliano, bem como cada país possuiu especificidades em suas interpretações. Entretanto, segundo o referido autor, ―Tácito transmitiu a antiga experiência de tirania a leitores modernos.‖ (2004, p. 182). Ou seja, o tirano ainda adquiria o status de corrupto, hipócrita e cruel (2004, 167). Não queremos afirmar que Lara Pardo foi leitor direto da obra taciteana, e que utilizou toda uma linguagem desenvolvida pelo historiador romano. Também não asseguramos que Tácito tenha sido o principal escritor a se atentar sobre a tirania. Contudo, pensando a questão da tradição construída ao longo dos anos, o arquétipo de tirano antigo, especificamente o desenvolvido por Tácito, pode iluminar nosso problema. Como percebemos no trecho supracitado do médico, o governo de Díaz foi permeado por crueldade, ambição e egoísmo. Além disto, uma de suas marcas foi o extermínio da população. Díaz dissimulava, para o autor sua administração foi marcada pelas aparências, vestidas com uma roupagem hipócrita de bem comum e discurso de pacificação. Sendo assim, as consequências daquele governo eram preocupantes. Se por um lado Tácito não defendia uma revolução como mudança, veremos mais abaixo que o escritor mexicano apenas veria uma transformação no México sob o levantamento da nação. Apenas a Revolução seria capaz de mudar as bases políticas e sociais de seu país.

Embora o médico tenha criticado a postura de Madero, percebemos que sua obra se aproximou muito, em alguns temas, da do coahuilense. Para o primeiro, o presidente também era um ditador que revestia seu governo com uma forma republicana. Segundo o escritor, Don Porfirio apenas dissimulava, tendo como objetivo a perpetuação no poder, e esta, sua ambição máxima. Não havia, para Lara Pardo, atitudes patrióticas em Díaz. Cada vez mais o presidente foi concentrando poderes em suas mãos, ao ponto de aquela situação ficar insuportável para o povo mexicano. Para ele, a nação não mais

conseguia tolerar: ―(...) la situación del país se hacía cada vez más angustiosa. Ya se perdía la esperanza de que el general Díaz dejara el poder jamás, y todo el mundo se preguntaba hasta cuándo se prolongaría un estado de cosas que tocaba los límites de lo insoportable.‖ (1912, p. 125).

Para mostrar o dissímulo e ocultamento dos planos reais de Don Porfirio, Lara Pardo utilizou a metáfora de uma esfinge que, petrificada, sem expressão e enigmática, escondia todos seus planos ambiciosos: ―(…) su política de extermínio, de degradación y prostitución se limitó a ir absorbiendo poder, y todas las modificaciones importantes que hizo a la constitución fueron eminentemente liberticidas y tendieron á incapacitar más y más al país para gobernarse por sí mismo.‖ (LARA PARDO, 1912, p. 96). Como a esfinge que o escritor mencionava, Don Porfirio aparentava governar de forma legal, seguindo a constituição, mas, no fundo, ou seja, na situação menos exposta ao olhar dos cidadãos, apenas tomava suas atitudes para cada vez mais alimentar sua ambição e se fixar no poder73.

Se para autores contemporâneos a Díaz, como foi o caso de Bernardo Reyes, Justo Sierra e até mesmo o de Francisco Madero, o presidente havia pacificado o país, edificado um novo México, estável e de progresso material, no livro de Lara Pardo Díaz se transformou no mais abominável tirânico (o presidente não era visto apenas como um ditador, como afirmavam Madero e Turner, mas como um tirânico, ou seja, um valor cruel era agregado ao seu governo). Lara Pardo leu as obras de Sierra e Madero; sobre o primeiro, ainda que o considerasse como um importante indivíduo que defendeu o ensino laico em todo o país, criticou-o por ser um suporte do governo porfirista, o que o fez ―arrojar su talento y su valer moral á los pies del dictador.‖, tornando-se um

73―Más todavía al finalizar su tercer período presidencial, Díaz obraba con aparente moderación y

benignidad, exageradas por una pose de magnanimidad. Mientras ordenaba al general Reyes el exterminio de todos los elementos perturbadores en la frontera; mientras se deshacía de sus enemigos por procedimientos muy semejantes á los de los señores feudales, mientras enviaba tropas á las comarcas inquietas con órdenes de no traer prisioneros, daba muestras de sensibilidad extraordinaria llorando en público cada vez que hablaba al pueblo, y hasta llegó a suspender la aplicación de la pena de muerte por delitos del orden común. Es que todavía entonces no se sentía absolutamente seguro en la dictadura; todavía pensaba que es más fácil engañar al pueblo que vencerlo, y que una crisis cualquiera podría en

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Benzer Belgeler