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Delil Kuralları

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KAVRAMSAL VE TARİHSEL AÇIDAN VERGİ HUKUKUNDA İSPAT

1.2. İSPATIN MUHAKEMEYE İLİŞKİN DİĞER BAZI KAVRAM VE İLKELERLE İLİŞKİSİ KAVRAM VE İLKELERLE İLİŞKİSİ

1.2.1. İSPAT, YORUM VE NİTELENDİRME İLİŞKİSİ

1.2.2.4. Re’sen Araştırma Yetkisinin Kullanımı

1.2.2.5.3. Delil Kuralları

O livro El general Porfirio Díaz de Bernardo Reyes teve como escopo construir uma síntese da vida de Díaz, objetivando apresentar sua biografia pública – tanto como general, quanto primeiro magistrado do país – à posteridade. O escritor visava consolidar uma memória do presidente mexicano. Ao analisar a obra, percebemos que Reyes construiu a interpretação do presidente como um herói que, após lutar em várias guerras civis e intervenções estrangeiras, buscou, com seu patriotismo, regenerar um país imerso em caos e anarquia.

Don Bernardo, como Díaz, foi um general mexicano que começou sua carreira militar aos quatorze anos de idade, alistando-se contra a Intervenção francesa nos grupos de guerrilhas de seu estado natal, Jalisco (SOTO, 1979, p. 01.). Além disto, também participou contra os levantes indígenas de Lozada, conhecidos como ―batalha de Mojonera‖, ocorrida em 1873. Segundo a historiografia sobre o Porfiriato, Reyes ficou conhecido como um dos pilares do presidente (SOTO, 1979; GUERRA, 1991).

Durante o governo de Don Porfirio, o general atuou por muitos anos como governador do estado de Nueva León, além de ter sido encarregado da zona militar da região noroeste do país. Em 1896 foi nomeado pelo presidente à função de secretário de Guerra, mas renunciou. Assumiu novamente o referido Ministério em 1900, permanecendo no cargo até 1902, época em que terminou o livro.

Ao atentarmo-nos para os aspectos formais da obra de Reyes, vemos que ela é constituída por duas assimétricas partes. A primeira e maior delas narrou factualmente, ano a ano, os feitos militares de Porfirio Díaz nas batalhas sofridas pelo país, demonstrando, assim, a importância que aquele passado turbulento tinha para sua geração. Don Porfirio participara da maioria dos conflitos entre liberais e conservadores, da mesma forma como Reyes. Este não deixou de descrevê-las e mostrar como o país estava imerso em problemas políticos. Já na segunda parte do livro, o autor descreveu, por períodos de mandatos presidenciais, os feitos de Díaz como governante (após 1876).

Ao mencionar o ano de 1821, o tapatío focalizou a heterogeneidade nacional pós-independência. Explicou que não havia um elemento dominador que desse unidade ao país, e sim o conflito entre diversas facções que, como o mesmo escreveu, ―ocasionaron una anarquía tan desoladora, que llegó a hacer perder alguna vez hasta la esperanza de la salvación nacional.‖ (REYES, 1960 [1902], p. 09)19.

Para Reyes, logo após a efetivação da independência, dois grandes partidos possuíam proeminência: o ―republicano‖, possuindo ideias e propostas liberais; e o ―partido monarquista‖, defendendo os serviços espanhóis e propondo ideias conservadoras, ancorado, principalmente, pelos militares e clérigos. Segundo suas palavras, com o ―Plano de Iguala‖, Itúrbide tornou-se imperador, mas em pouco tempo esta forma de governo foi desconhecida e ―comienza luego la separación de los bandos, llamados conservador el que tenía tendencias a la monarquía, y liberal el que anhelaba por la república.‖ (REYES, 1960 [1902], p. 10). Citamos,

19 No século XIX mexicano vários setores da população possuíam ideias divergentes de nação. Segundo

Enrique Florescano, o discurso de ―unidade nacional‖ que foi construído alijou uma multiplicidade de memórias históricas dos discursos oficiais. Como explicou, ―El Estado-nación, en lugar de aceptar la diversidad de la sociedad real, tiende a uniformarla mediante una legislación general, una administración central y un poder único. La primera exigencia del Estado-nación es entonces desaparecer la sociedad heterogénea y destruir los ‗cuerpos‘, ‗culturas diferenciadas‘, ‗etnias‘ y ‗nacionalidades.‘‖ (FLORESCANO, 2001, p. 561). Para um aprofundamento sobre o tema ver: FLORESCANO, Enrique.

Memoria Mexicana. México: Taurus, 2001, capítulo IX. ―La construcción de la nación y el conflicto de

Se suceden luchas entre ambos, en muchas de las cuales quedaban mezclados, que no unidos, vencedores y vencidos, debido a combinaciones efectuadas por el acaso de las revueltas. Surgían otras nuevas, en que solo se trataba de asaltar el poder por una u otra personalidad, que halagaba á sus parciales según su interés ó sentir político, y así se llegó a la más horrorosa anarquía. En medio de ella, presidiendo al país el general Antonio López de Santa Anna, hombre que había afectado pertenecer una vez a un bando y mañana á otro, según sus conveniencias del momento, pero con tendencias manifiestas al monárquico, en donde sus vanidades eran mejor satisfechas, en el año de 1846, después de una guerra tristemente sostenida por ese general, que le valió hondas humillaciones, se efectúa la separación de Texas de nuestro territorio, para quedar anexada aquella gran porción de México á la República de los Estados Unidos del Norte. (REYES, 1960 [1902], p. 10).

Novamente, para Reyes, o conflito entre estes dois grandes setores (liberal e conservador) causava uma situação de ―horrorosa anarquia‖ ao país, em que muitos governantes e personagens políticos apenas tinham como objetivo defender seus interesses: ―y en cada partido, sin ideales bien definidos, sin jefes que pudieran imponerse sobre las muchedumbres, bullían las pasiones exacerbadas por multiplicados bajos intereses.‖ (REYES, 1960 [1902], p. 10).

Além deste quadro interno, havia os conflitos com outros países. A perda do Texas pelo então presidente Antonio López de Sant‘Anna não deixou de ser mencionada. Falar sobre as guerras civis e intervenções estrangeiras para esta geração que vivenciou tais conjunturas era importante e necessário. O tema tinha destaque nas obras: qual seria o futuro do México? Segundo o autor, eram conjunturas que levaram o país à anarquia e perda de mais da metade do território mexicano. O desejo era por mudança, a nação necessitava se reerguer e se transformar, para não perder a soberania. O México precisava de um grande homem, um herói. Ainda sobre os eventos políticos, afirmou o escritor,

Tras la derrota, se firmó en la villa de Guadalupe el tratado de paz, en Febrero de 1848, que nos hizo perder en favor del vencedor, además de Texas, desde antes unido á la República del Norte, parte del territorio tamaulipeco, Nuevo México y la alta California. Más tarde el funesto Santa Anna vendía a nuestros vecinos La Mesilla, para que redondearan sus posesiones.

No bien los invasores desocupaban nuestras plazas, cuando la guerra civil, encendida en ambiciones personales, volvía entre llamas y truenos a lanzar su alarido de destrucción. (REYES, 1960 [1902], p.

O que podemos perceber, portanto, é que os conflitos internos e as intervenções estrangeiras ganharam dimensão para a geração que vivenciou parte dos conflitos20. Ao escrever sobre o Porfiriato e diante deste passado, o México necessitava ―consolidar o princípio de autoridade‖. Segundo o tapatío, a paz era base para a construção de uma nação moderna, a ser erguida por Porfirio Díaz.

Como mencionado no parágrafo inicial deste tópico, o livro constituiu-se numa biografia, gênero que possuía campo fértil no século XIX. (MALATIAN, 2008, p. 18). Como afirmou Mary Del Priore, era a época ―da história dos grandes homens, motores de decisões (...).‖ Ademais, nos oitocentos, ―a biografia assimilou-se à exaltação das glórias nacionais, no cenário de uma história que embelezava o acontecimento, o fato. Foi a época de ouro de historiadores renomados como Taine, Fustel de Coulanges e Michelet, autor de excepcionais retratos de Danton e Napoleão.‖ (DEL PRIORI, 2009, pp. 9 e 8).

O livro retratou a vida do general e presidente de uma forma linear, construída em uma sucessão cronológica de acontecimentos e formando um trajeto coerente sobre sua história. Como explicou Pierre Bourdieu, esta forma de escrita nos dá a impressão de como se a vida se constituísse em um todo, provida de sentido, embora seja uma concepção artificial, uma ilusão retórica. (BOURDIEU in AMADO; FERREIRA, 2006, p. 184).21

No capítulo inicial do livro, o autor remeteu-se ao nascimento de Don Porfirio. Ao mencionar este momento, Reyes relacionou a vida do futuro presidente a um dos momentos históricos mexicanos mais importantes para a história nacional: a própria independência do país. Na biografia, havia um significado e direção dos acontecimentos (BOURDIEU, 2006). Escreveu o tapatío,

20 É importante destacar que os conflitos perdidos por Díaz e seu exército foram transformados por Reyes

em vitórias morais. Um exemplo específico foi o ocorrido em Mitla, em que disse o autor descrevendo a perda da batalha pelas tropas do coronel: ―Aquel grupo de veteranos del 2º Batallón de Oaxaca, resto glorioso, reliquia que había quedado de las compañías que, bravas en todas partes, habían sido el núcleo, el nervio de acción de duras campañas y desiguales combates; aquel grupo, rodeando a su campeón [Porfirio Díaz] que los había siempre llevado á la victoria, lo acompañó integérrimo, sublime á la hora de la derrota, y se retiró organizado, dejando ver que los héroes también en la desgracia se muestran admirables. ¡Ah, sí!, ¡más, muy más grandes que á la hora de los triunfos!‖ E na página seguinte concluiu: ―La victoria no es una obligación, pero sí lo es el seguir sin desmayar nuestras banderas después de que ella nos ha herido, como las siguió sin tregua el coronel Díaz, mostrándose cada día más esforzado aún, como si se hubiera mejor templado con la caldeante llama del infortunio.‖ (REYES, 1960, pp. 58 e 59).

21 Como explicou Bourdieu, ―produzir uma história de vida, tratar a vida como uma história, isto é, como

o relato coerente de uma sequência de acontecimentos com significado e direção, talvez seja conformar-se com uma ilusão retórica, uma representação comum da existência que toda uma tradição literária não deixa de reforçar.‖ (BOURDIEU in AMADO; FERREIRA, 2006, p. 185).

Viene el general Díaz á la vida en el año de 1830; nace en Oaxaca el 15 de Septiembre de ese año, día que es aniversario de aquel en que Hidalgo profiriera, con fulminante inspirado acento, en 1810, en el pueblo de Dolores, el sublime grito de Independencia, que repercutiendo atronador por valles y montañas, hasta los más apartados confines del virreinato del México, levantó en armas á un pueblo siervo, que tras de once años de lucha heroica, rompió las cadenas que lo ataran por trescientos años á la metrópoli española, para así formar una nación independiente y soberana.

¡Coincidencias inexplicables, pero que por su enlace magnífico hablan de algo inescrutable y grande! Aparece el predestinado para defender y transformar brillantemente á México, en ese aniversario glorioso del grito heroico por su independencia. (REYES, 1960 [1902], p. 09- Grifo no original).

Notamos no trecho acima que Don Bernardo ligou de uma forma linear a história de vida de Díaz à própria história mexicana. Em 15 de setembro de 1810, o padre Miguel Hidalgo y Costilla, conhecido no país como o pai da pátria, iniciou, segundo o calendário nacional, o processo independentista do México, após ter, no povoado de Dolores, proferido seu famoso grito: “Viva la Virgen de Guadalupe! ¡Abajo el mal Gobierno! ¡Viva Fernando VII!”22. Este evento histórico ficou conhecido como um

momento de sublevação de criollos e população local contra as autoridades do Vice- reino da Nova Espanha. Com um tom encomiástico, o historiador Luis Villoro escreveu: ―a la voz del cura ilustrada, estalla súbitamente la cólera contenida de los oprimidos. La primera gran revolución popular de la América hispana se ha iniciado.‖ (VILLORO, 2000, p. 504).

Ainda analisando o trecho supracitado, percebemos que Reyes utilizou os conceitos ―coincidências inexplicáveis‖ e ―predestinado‖ para referir-se ao nascimento do futuro presidente. Ao final do parágrafo, vemos que o autor optou pelo caráter predestinado do nascimento de Díaz. Ou seja, o herói que, por antecipação, destinado a grandes feitos, viria não apenas ―defender‖, mas ―transformar‖, modificar com magnificência aquele México marcado por instabilidade e desordem, que o tapatío mencionava em páginas anteriores (BARBOSA; FERNANDES, 2011).

Da ascensão de Díaz à presidência do país, ao voltar os olhos para trás, Reyes enxergava um caótico passado nacional. De 1810 a 1876 o México estava mergulhado em anarquia, devido, como mencionamos, aos conflitos internos e intervenções estrangeiras. Assumir a primeira magistratura naquele contexto não era, para o autor,

22Cabe mencionar que existem várias versões sobre o ―Grito de Dolores‖. Como o foco não é o seu

estudo e cotejo, optamos pela variante de maior circulação. Sobre o tema cf. VILLORO, Luis. ―La revolución de independencia‖. In: COSÍO, Daniel Villegas et al. Historia general de México. Cidade do México: El Colégio de México, 2000.

tarefa fácil. Qualquer estadista, mesmo que egrégio, ou algum afortunado vencedor, sentir-se-ia desalentado, uma vez que reerguer a nação imporia ―tarefas titânicas‖, gigantescas. Mas tal situação não desanimava Díaz, quem com o gênio do adivinho, a predestinação do nascimento e o heroísmo das grandes lutas que sofrera o país, enxergou com ―intuição profética‖, ou seja, podendo predizer fatos do futuro, um porvir feliz:

El compromiso era solemne é imponía tareas titánicas, ante cuya perspectiva se hubiera sentido anonadado cualquier estadista ilustre, cualquier afortunado vencedor, pero no quien con el genio del vidente, con la energía del gladiador, desarrollada en grandes luchas; con la fe del triunfador, con la iniciativa del gobernador providente, y con el amor á la patria del que hiciérase glorioso combatiendo á muerte por ella, había medido de antemano, con olímpica serenidad y con intuición profética, lo formidable de la empresa á que se arrojara, y entrevisto con los ojos de la mente la realización feliz de sus proyectos colosales…

Al solitario de Oaxaca en 1870, á fuerza de encender su pensamiento en los grandes ideales patrióticos, habíase mostrado la visión de la República feliz. Y el vidente se sintió impulsado, volando á realizar los propios destinos, en busca de aquella anhelada prosperidad para México. (REYES, 1960 [1902], p. 267).

A biografia de Reyes assemelhava-se ao gênero épico, apresentando os eventos heroicos de Díaz. A construção da imagem do presidente e general equiparou-se ao herói moderno, consagrado como matriz de pensamento a partir do livro de Thomas Carlyle23. Como explicou Débora Andrade, o historiador escocês compartilhava de uma tradição oitocentista que se preocupava com as ações dos grandes homens no processo histórico. ―As comunidades históricas recorrentemente apropriaram-se do passado e das narrativas ancestrais na tentativa de legitimar ou compreender ações presentes.‖ (ANDRADE, 2009, p. 229).

No início do livro Tratado de los héroes (ed. 1946), o escritor deixou claro seu objetivo:

(...) a mi entender, la Historia Universal, la Historia de lo que los hombres han realizado en este mundo es, en lo esencial, la Historia de los Grandes Hombres que han actuado en él. Estos Grandes son los

23 Referimo-nos à obra On heroes, heroe-worship, and the heroic in history, publicado pela primeira vez

em 1841, ganhando uma edição em espanhol no ano de 1893.Foi historiador e ensaísta durante o reinado de Vitória, no Reino Unido. O escritor foi influenciado pela filosofia alemã, possuindo fundamentação no chamado ―Historicismo‖. Suas obras foram amplamente lidas entre os séculos XIX e início do XX. Como explicou Andrade, ―no historicismo, a vida das nações seria criada e transformada pela ação dos homens, assim como o sentido do mundo histórico seria gerado por ela. (RUEDIGER, 1991).‖ (2009, p. 246). Sobre esta filosofía, também ver: RUEDIGER, Francisco. Paradigma do Estudo da História. Porto Alegre: IEL, 1991; MATA, Sérgio. ―Elogio do Historicismo‖. In: VARELLA, F.; MOLLO, H.; MATA, Sérgio da; ARAUJO, Valdei L. de. (Org.) A dinâmica do historicismo: revisitando a historiografia moderna. Belo Horizonte: Argumentum, 2008.

conductores de hombres; los modeladores, los ejemplares y, en lato sentido, los creadores de todo cuanto el común de las gentes se han propuesto hacer o lograr; todo lo que vemos persistir de lo realizado en el mundo, es propiamente el resultado material exterior, la realización práctica y corpórea de los Pensamientos que residieron en los grandes Hombres enviados al mundo: el alma de toda la historia del mundo, podemos decirlo con toda razón, ha sido la historia de estos hombres. (CARLYLE, 1946, p. 33).

Neste sentido, para Carlyle, a história universal foi definida como a biografia dos grandes homens, estes detentores da característica de conseguirem modificar a sociedade em que estavam inseridos – tanto no aspecto material, como moral e espiritual. Esses importantes cidadãos enviados ao mundo tinham a tarefa de conduzir os outros indivíduos, servindo sempre como modelo e exemplo a ser seguido e admirado. O escritor menciona seis tipos de heróis, cada um aparecendo em uma determinada época. O primeiro constituía-se como o Herói-Divindade e sua figura maior foi representada por Odin, considerado deus nórdico da sabedoria, guerra e morte. O segundo era o Herói Profeta, representado na figura de Maomé. Também destacava- se o Herói-Poeta e Sacerdote, centrados na figura de Shakespeare e Martinho Lutero. Por fim, Carlyle menciona o Herói-Literato, cujo exemplo foi Rousseau e o Rei, representado nas figuras de Napoleão Bonaparte e Oliver Cromwell. O herói-rei foi considerado pelo escritor como um dos tipos mais modernos e que agregava características das classes anteriores de heróis. Por conseguinte, uma de suas qualidades era guiar a nação a um momento de ordem, estabilidade, em oposição à desordem. Como afirmou, ―a pesar de todo, el héroe surge, y se afirma realmente de tal modo que todos confían en él.‖ (CARLYLE, 1946, p. 252).

Sendo assim, podemos inferir que a construção da imagem de Díaz reuniu todas as qualidades dos tipos heroicos de Carlyle em Reyes: Don Porfirio era o homem predestinado a transformar o México e guiá-lo à uma atmosfera de ordem e estabilidade. Com ―intuição profética, como dito acima, ele guiaria a nação a um futuro feliz, diferente do passado em que vivera o país. Seu caráter continha elementos de bravura e, por patriotismo, sacrificava-se nas batalhas e ―tarefas titânicas‖. Utilizando as palavras do historiador escocês, Díaz era o ―Homem Capaz‖ que sintetizava toda uma época.

Ao assumir a presidência, o que precisava Díaz fazer? Segundo Reyes, ―despertar el amor al trabajo é imponer el respecto á la ley, en un pueblo que había nacido y vivido en el llameo de nuestras guerras extranjeras ó intestinas. (REYES, 1960 [1902], p. 269). Para o tapatío, o que movia Díaz a governar o México era seu

patriotismo, ou seja, seu desejo de conduzir para (e pela) a nação. Se o passado mexicano era caótico, o presente era caracterizado por uma atmosfera de paz, progresso material e ordem. Reyes acreditava em um bom futuro mexicano. O autor via na figura do presidente o indivíduo que iria trazer prosperidade ao país.

Diante das reflexões acima, percebemos que a imagem de Díaz era importante no que Reyes conceituou ―evolução salvadora‖ do México e sua população (1960 [1902], p. 273). Enquanto a presidência de Benito Juárez foi marcada por governos paralelos, tendo sempre que migrar da Cidade do México a outros estados – como explicado acima –, o Porfiriato distinguia-se pela ordem: o México evoluía com seu governo. Como dizia o tapatío, o grito da locomotora, símbolo do progresso material porfirista, era mensageiro de dias melhores.

Sobre o período governamental de Díaz, Reyes destacou o amor do presidente pelo México, a transformação do país em uma nação moderna que, sob esse governo, passou a vivenciar uma situação de paz, ordem e progresso material. Reproduzindo trechos dos documentos oficiais, Don Bernardo destacou os grandes feitos materiais do país, a construção das estradas de ferro, dos telégrafos, a construção de hospícios, bancos, escolas, do Desagüe del Valle, que na época era símbolo de salubridade pública, entre outros24. Além disto, ―mientras el mundo aumentaba sus exportaciones, como sus importaciones, a un ritmo anual del 3.6%, México lo hacía al 6.1% y 4.7% respectivamente.‖ (KRAUZE, 1987, p. 108). O tapatío também dava ênfase na organização da ―Hacienda‖ pública, ou seja, ao equilíbrio econômico dos egressos e ingressos do país. Tal equilíbrio foi conseguido pelo presidente entre os anos de 1895- 1896 e Reyes descreveu da seguinte forma o episódio:

La obra estaba hecha, la nación regenerada; el México moderno saludó gozoso á los pueblos cultos al entrar de lleno en la nueva era de su historia, que señala la época de la gestión administrativa de que nos hemos ocupado en los tres últimos capítulos de esta biografía; biografía que ha necesitado extensas páginas, ya que se ha tratado escribir la vida de un héroe y de un estadista que con sus proezas en la guerra y en la paz ha fatigado los ecos de la Fama. (REYES, 1960 [1902], p. 313- Grifo nosso).

24 ―Los tiempos en que para tener noticia de alguna parte del país se demandaba el transcurso de medio

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