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1.9. İnovasyon Yönetimi

1.9.3. İnovasyon ve İnovasyon Yönetimini Engelleyen Faktörler

[...] se o conhecimento científico e a elaboração de um pensamento rigoroso não podem prescindir de sua matriz problematizadora, a apreensão deste conhecimento científico e do rigor deste pensamento filosófico não pode prescindir igualmente da problematização que deve ser feita em torno do próprio saber que o educando deve incorporar. (FREIRE,

2002b, p. 54).

A educação que se pretenda constituir em uma situação autenticamente gnosiológica não pode, como acima afirma Freire, prescindir da problematização dos conteúdos postos na ação educativa dialógica.

Os pressupostos da educação problematizadora radicam-se na condição do ser humano como ser inconcluso e de busca, na vocação ontológica para o SER MAIS e na sua natural condição comunicativa e intercomunicativa. Só uma educação baseada nesses pressupostos, considerando a unidade dialética homem-mundo, pode ser autenticamente libertadora, ou seja, conduzir homens e mulheres no seu processo de humanização.

Ao tornar-se problematizadora, a educação se volta para as relações concretas, em permanente transformação porque históricas, apresentando-as como “problemas” a fim de que educador e educandos possam desvelá-las pela atividade reflexiva. Essa atividade tem um papel fundamental na superação da percepção ingênua inicial dos educandos, pois também a educação problematizadora representa um esforço de desmisticação da realidade bem como de estímulo para que os homens – educadores e educandos, no caso – se possam perceber criticamente nas relações com o mundo e a existência, superando a doxa pelo logos.

Para ser vivenciada a educação problematizadora exige que seja superada a dicotomia educador-educandos e seja implantada a relação

dialógica. Sem a superação da contradição educador-educandos “não é possível a relação dialógica, indispensável à cognoscibilidade dos sujeitos cognoscentes, em torno do mesmo objeto cognoscível” (FREIRE, 2005a, p. 78). Sem a dialogicidade não ocorre a educação problematizadora, pois nela não há espaço para o “depósito” de conteúdos e sim o respeito às necessidades do educando, propondo à sua curiosidade, “ad-miração” e criatividade dimensões significativas de sua realidade existencial, como dimensões interativas de uma totalidade que exige uma leitura crítica.

“É na educação problematizadora que acontece a superação da contradição educador-educandos ”(Idem). Só na prática problematizadora o educador supera as contradições presentes na educação “bancária”, onde o próprio docente dicotomiza sua atividade : enquanto estuda, é sujeito cognoscente; enquanto ensina é um narrador, um pronunciador do discurso que estudou. Como educador problematizador ele re-faz sua própria cognoscibilidade nas relações com os educandos, sujeitos cognoscentes, que também são capazes de “ad-mirar”, refletir e criticar.

Freire propôs em sua pedagogia a investigação temática (palavra, tema ou contexto gerador) como a primeira etapa da problematização. No entanto, podemos indagar: e quando é preciso abordar temas que não são imediatamente percebidos como necessários pelos educandos? Freire responde que tudo pode ser problematizado e o uso de certos recursos didáticos como, por exemplo, a dramatização e a leitura de livros, jornais e revistas (começando por trechos) podem estimular à investigação problematizadora. Em sua prática problematizadora o educador trabalha os conteúdos não como “saberes” definidos, doados aos educandos, “comunicados”, mas como objetos mediadores do conhecimento para ambos, educador e educandos a exigirem a atitude reflexiva.

É na obra Pedagogia do Oprimido, no capítulo três, que Freire apresenta o desenvolvimento da investigação das palavras geradoras para a alfabetização de adultos e sua metodologia afirmando que é a mesma, em essência, na educação problematizadora. Uma das melhores sínteses que conhecemos das cinco etapas daquilo que se convencionou chamar de

“método”, é da autoria da professora Tânia Moura (1999) e mesmo um pouca longa constitui um único parágrafo que abaixo reproduzimos :

A primeira etapa do desenvolvimento do método constitui-se na preparação dos educadores para a investigação de campo. Os pesquisadores fazem a delimitação da área e iniciam a “codificação ao vivo”. Na segunda fase, os investigadores selecionam algumas contradições, identificadas nos dados recolhidos, a partir das quais serão elaboradas as “codificações” que vão servir à investigação temática. Nesta segunda fase, os investigadores se debruçam sobre o planejamento e elaboração das situações “codificadoras” que serão apresentadas aos educandos. A terceira fase da investigação constitui-se na volta dos investigadores para a área de trabalho, para inaugurar ao diálogos descodificadores,

nos círculos de investigação temática (FREIRE, 1982: 131)

Esta fase oferece os elementos fundamentais para a sistematização dos conteúdos programáticos. A quarta fase de

investigação tem início quando, terminadas as

“descodificações” nos círculos, os investigadores começam o estudo sistemático e interdisciplinar dos seus achados. Esta fase é concluída com a devolução, ao povo, de forma sistematizada e ampliada, das temáticas que, com eles decifradas, ampliadas e estudadas nos círculos de cultura representadas por “codificações” que, pelo processo dialógico, serão “descodificadas”. Todo esse processo complexo de investigação culmina com a quinta fase que consiste no trabalho de aquisição da leitura e da escrita. É o momento em que, segundo Freire, [...] começa o trabalho efetivo de alfabetização. (MOURA, 1999, p. 59).

Eis a síntese: identificação da realidade onde se situa a atividade educativa e dimensões mais significativas, perfilização dos educandos (necessidades, curiosidades); seleção dos objetos (conteúdos) a serem tematizados, planejamento das situações e os recursos didáticos necessários; execução das situações de ensino aprendizagem nas relações dialógicas entre educador e educandos através da problematização (do concreto para o abstrato e do abstrato para o concreto, agora problematizado); sistematização do conteúdo-objeto mediatizado através da reflexão conjunta e re-elaboração pessoal dos sujeitos quanto ao objeto mediatizado que, espera-se, supere a percepção ingênua do início e apresente certo nível de consciência crítica, de leitura crítica da realidade.

Realizando uma prática educativa problematizadora o educador contribui para que o educando possa atingir o nível da “consciência possível”, caminho para sua emancipação e visão do futuro como possibilidade e não como determinação, enraizando-se no presente e fundamentando-se na criatividade humana e estimulando uma ação-reflexão sobre a realidade e sua transformação. Todo esse processo recebe a denominação de ciclo de ensinar e aprender.