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Özel Hukuka İlişkin Sonuçlar

ESASLI UNSUR DOKTRİNİNİN FİKRİ MÜLKİYET HAKLARI ALANINDA UYGULANMASI VE HUKUKİ SONUÇLAR

B. Özel Hukuka İlişkin Sonuçlar

“Eu sou onça… Eu - onça! Mecê acha que eu pareço onça? Mas tem horas em que eu pareço mais. Mecê não viu, Mecê tem aquilo - espelhim, será? Eu queria ver minha cara. Eu tenho olho forte. Eh carece de saber olhar a onça, encarado, olhar com coragem: hã, ela respeita. Se mecê olhar com medo, ela sabe, mecê então tá mesmo morto. Pode ter medo nenhum. Onça sabe quem mecê é, sabe o que tá sentindo.

João Guimarães Rosa

Neste fragmento do capítulo faremos uma apresentação de dois eixoss de análise importantes à pesquisa, que se propõe a fazer o estudo de um processo realizado dentro do âmbito da esfera da política pública. Para tanto os conceitos de Estado e de Movimentos sociais são necessários.

Introduzimos estes conceitos com a literatura de João Guimarães Rosa (2015) com o conto “Meu tio, o Iauaretê” em que um matador de onça conversa com um homem também matador, mas de gente. No conto, o onceiro meio índio, meio branco, conta ao sujeito viajante sua relação de amor e de ódio, ou de amor e sobrevivência com as onças que habitam a floresta. À medida que o onceiro Macuncôzo conta sua história, sem perceber, vai se transformando em uma delas. Não sabemos ao certo se ele chega a se transformar, pois o sujeito matador atira no onceiro, certamente por não compreender o que está acontecendo. Existe aí uma passagem entre onceiro e onça, que Guimarães deixa em suspenso. Uma possibilidade de devir-onça é anunciada.

Eduardo Viveiros de Castro (2008) faz uma metáfora bastante interessante desta relação onça-sujeito, definindo que a onça, este animal voraz, rápido, arisco, que sabe olhar nos olhos de suas presas, que conhece seus sentimentos está representando a figura do Estado. Para o autor, o Estado é uma subjetividade que se impõe sobre os sujeitos, os cidadãos, em suma pela expressividade da lei. “(...) existe uma despossessão subjetiva extrema, a perda das condições de auto definição. É essa alteridade que me confronta que define quem sou; estou em suas mãos. Como impedir isso? Como escapar dessa? Questão angustiante.” (p. 231). Este pressuposto angustiante, imposto por uma subjetividade maior, ampla é a relação que o autor faz entre onça e Estado. Ela, a onça, representa a ausência de parentesco, diante dela somos mais uma presa. Diante do Estado não somos mais do que indivíduos, o Estado mantém, supostamente, uma relação de distanciamento solidário dos indivíduos mantendo-se ligados a ele sem a mediação de laços familiares, há sempre uma fronteira entre um e o outro. De um

lado da margem a singularidade, o sujeito, sozinho, único. De outro lado o Estado, a massa e a noção de totalidade, o público. No centro, o todo das relações. Podemos acrescentar a esta metáfora os fenômenos presentes no movimento dos rios e águas: a ideia de represa e correnteza. A represa representa algo mantido sob controle, algo de certa forma que permanece estático e vai se dispondo na medida do necessário. Já a correnteza, é fluxo. Ela desenha seus contornos, modela as rochas escorre sobre a superfície com velocidade e vigor. Neste sentido o Estado se configura muito mais com a figura de uma represa do que de um rio em sua correnteza, pois se organiza a partir de dispositivos de controle de fluxo e não o contrário.

Outro aspecto interessante trazido por Viveiros de Castro (2008) problematiza as relações de parentesco. Apesar de o Estado ser essencialmente contrário às relações de parentesco, algo que travaria o sentido racional de imparcialidade enquanto princípio estatal, percebe-se que o mesmo Estado é composto por sujeitos, por gente e, neste sentido, o autor aponta “(...) que tudo é gente, mas não pode ser gente ao mesmo tempo, uns para os outros” (p. 233), o Estado então composto por gente, ganha pontos de vista. Neste caso forma-se um combate pelo ponto de vista, e na disputa pelo ponto de vista com o Estado, ou a representação de sua figura, como a polícia, ou o fisco, o ponto de vista do cidadão é sempre posto em questão. O Estado é implacável. Encontrar com o Estado sem documentos, sem ter os impostos em dia, é como topar com uma onça no mato.

Temos aí uma relação paradoxal entre margem e fluxo, um vai controlando a ação do outro, ao passo que um não existe sem o outro, no caso de um rio. Sabemos que na relação Estado e sujeito existem outros modos de organização, que não depende exclusivamente do Estado, portanto, existe sujeito sem necessariamente existir Estado. Neste sentido Estado e sujeito, quando ele se constitui são, portanto, elementos complementares e ao mesmo tempo, diferentes. Deleuze (2012) nos mostra uma passagem que ilustra este sentido oposto destas figuras:

(...) as referências encontram-se em razão inversa, no sentido em que um escapa do outro e o outro detém o um, impedindo-o de fugir mais; mas eles são estritamente complementares e coexistentes, porque um não existe senão em função do outro; e, no entanto, são diferentes, em razão direta. (DELEUZE, 2012, v. 3, p. 109)

Em Boaventura de Souza Santos (2010) encontramos outros elementos que trazem para nossos estudos o processo de crise enfrentado pelo Estado e os dilemas presentes na relação com os princípios de mercado e comunidade. Inicialmente, para lidar com esta crise, dois caminhos possíveis são apresentados: a revolução ou a reforma.

sociedade moderna, nas palavras de Viveiros de Castro em sua palestra A revolução faz o bom

tempo (2015)8, não existe revolução, nem bom tempo, estas são considerações falsas, que não

combinam. A história seria a forma de esboço de um bom tempo, a proposta de um futuro melhor, que está cada vez mais difícil de afirmar, já que o futuro depende também de um lugar de bem estar, de um ambiente propício à vida, porém, o planeta já não oferece o mesmo clima, as mesmas condições naturais que em outros tempos. Não há tempo para o anúncio de um bom tempo.

O reformismo é então, a possibilidade que vigora até a atualidade, mesmo nos países que optaram pela revolução posteriormente ao período de tomada do poder, a reforma foi instalada. A reforma é pensada e exercida pelo Estado. Nesta concepção, a sociedade é a entidade problemática, logo ela é o objeto da reforma e o Estado sujeito da reforma. Ocorre que o Estado também não está livre de crises e ele se torna também objeto de reforma. Neste processo, Santos (2010) lança algumas questões problematizadoras para pensarmos as possibilidades de reforma estatal: 1) Neste momento em que o Estado também é objeto da reforma, quem será o sujeito? 02) É possível que o Estado se auto-reforme? Se sim quem seria o sujeito? 3) Será a vez da sociedade? Se sim, quem da sociedade é o sujeito da reforma? 4) A reforma do Estado coloca então a discriminação entre Estado e sociedade? Para o autor, a única maneira de frear os fascismos sociais advindos desta crise é um processo de reinvenção do Estado.

A instituição da reforma coloca três princípios de regulação para a sociedade moderna: princípio do Estado, princípio do mercado e princípio da comunidade. Estado e mercado se articularam e o princípio da comunidade saiu enfraquecido, com a política de solidariedade e cooperação mediados pelo Estado. A opção do princípio Estatal foi de manter o capitalismo sob controle, e enquanto consequência acabou por legitimá-lo. Dentro do Estado moderno o capitalismo procurou realizar todas as suas atividades produtivas, reconhecendo seus limites e impondo aos Estados formas diversas, mas complementares de imposição. Nos países do centro coube a instalação do Estado providência, nos países periféricos o Estado desenvolvimentista.

A proposta de reforma se alicerça na ideia de que só é possível uma mudança social que possa ser definida e normalizada, uma lógica que provém da simetria entre repetição e melhoria. A normatização provém de instituições de controle como o aparelho judiciário e sistema escolar. “A repetição é a condição da ordem e a melhoria é a condição do progresso,

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Palestra proferida no evento “Os mil nomes de Gaia” entre os dias 15 e 19 de setembro de 2015, na cidade do Rio de Janeiro.

as duas pertencem-se mutuamente e o ritmo da mudança social normal é determinada pela sequencia dos momentos” (SANTOS, 2010, p. 343).

O papel central dos Estados nacionais na mudança social em reforma se desdobrou em três estratégias: acumulação, hegemonia e confiança. Com a estratégia de acumulação o Estado conseguiu estabilidade de produção capitalista. Pela hegemonia o Estado garantiu a lealdade das diferentes classes sociais à medida que ofereceu uma gestão de oportunidades e de riscos e, desta forma, garantiu também a própria estabilidade como entidade administrativa e política. Com as estratégias de confiança estabilizou as expectativas dos cidadãos ameaçados pela acumulação e caos capitalista, melhorando também as interações humanas.

Desde 1980 temos assistido à crise do modelo de mudança normal. A simetria entre repetição e melhoria se perdeu, e a repetição começou a ser encarada como a única forma de melhoria possível, com isso os processos de exclusão social tornaram mais frequentes que os de inclusão social. O capitalismo global desestruturou os espaços nacionais de conflito e negociação e minou a capacidade financeira e reguladora do Estado, além disso, a articulação entre as três estratégias do Estado - acumulação, hegemonia e confiança, entrou em desagregação. Deste processo surgiu uma única estratégia de articulação: a acumulação. Neste sentido emerge-se um Estado fraco no que se refere à estratégia de hegemonia e confiança, e o Estado torna-se forte na medida em que ganha espaço para gerir e legitimar as exigências do capitalismo global. Não se trata, portanto, de crise do Estado em geral, mas de um tipo de Estado; também não se trata de termos um cenário comandado somente pelo mercado. Trata- se de uma nova articulação mais próxima e íntima entre o princípio do Estado e o princípio do mercado. O Estado continua sendo um articulador simbólico, já que o mercado não opera por este meio; o mercado opera por uma dinâmica de conexão e desconexão real, lugares, informação, mercadorias, capitais, tecnologia, sem necessariamente haver um sentido claro. O enfraquecimento da lógica estatal passou por um processo político muito preciso, destinado a construir um Estado forte, e esta força provém da sintonia das exigências do capitalismo. A força estatal que no período do reformismo consistiu na capacidade do Estado promover interdependências não mercantis, passou a consistir na capacidade do Estado em submeter todas as interdependências à lógica de mercado. (Santos, 2010).

Para Viveiros de Castro (2015) o “reformismo lubrifica a máquina (estatal) e abre as portas para os lucros do mercado”, contudo o mercado já não tem mais o tempo a seu favor. Existe uma perspectiva de esgotamento embutida na ideia de progresso que está também em vigência. Na mesma direção, Stengers (2015) aponta que o consumidor também é convidado a medir sua pegada e fazer esta reflexão sobre o crescimento e o progresso,

(...) é comum ouvir: é preciso modificar nosso modo de vida. Há um apelo à boa vontade em todos os níveis, mas o desespero dos políticos é quase palpável. Como conciliar o imperativo de „soltar as rédeas do crescimento‟ de „ganhar‟ na grande competição econômica, e o desafio de ter que pensar um futuro que define esse tipo de crescimento como irresponsável e até criminoso. (STENGERS, 2015, p. 11) O reformismo tornou-se então um mecanismo de utilização do Estado como agente de transformação social. Quando esta fase se estagnou, iniciou-se um período de reforma do Estado. Esta, por sua vez, compreendeu duas fases: Estado reformável pela condução do mercado e do Estado reformável que se estabelece pela estrutura social e política.

A primeira fase mostrou-se extremamente predatória e diminuiu sua atuação: “o Estado é inerentemente ineficaz, parasitário e predador, por isso a única reforma possível e legítima consiste em reduzir o Estado ao mínimo necessário para o funcionamento do mercado” (SANTOS, 2014, p. 346), esta fase prolongou-se até os primeiros anos da década de 1990, com um movimento global de instituições financeiras juntamente com ações dos países centrais utilizando recursos como a dívida externa, ajustamento estrutural, controle de défice público e da inflação, privatização, ameaças de colapso e sobretudo, redução drástica do consumo coletivo com ameaça à segurança e proteção social. Esta foi a fase do Estado mínimo.

Os dilemas de um Estado fraco apareceram com a efervescência das máfias e da corrupção política, sobretudo em Estados do chamado Terceiro Mundo. Como a reforma do Estado precisa ser feita por ele mesmo, somente um Estado forte produz a sua fraqueza. Neste caso coloca-se em questão que o capitalismo não pode dispensar o Estado, mas construir uma nova qualidade de Estado, a partir do pensamento de que o Estado é sim, reformável a cargo dos setores da sociedade com capacidade para intervir. A sociedade neste momento é o espaço miniatura da ação e fiscalização global. Para Santos (2010) estamos vivendo esta fase.

Para Lewkowicz e Cantarelli (2003) neste contexto se realiza a morte do Estado:

Em Assim falava Zaratustra, Nietzsche postula a morte de Deus. Não se trata da descrição de objetividades, trata-se de uma declaração que sanciona a morte de Deus em certas condições especificas. Isto não quer dizer que a declaração de Nietzsche mata Deus, e mata Deus porque daí em diante organiza um percurso sem o suporte divino. (...) Para nossa estratégia não se trata de Deus, e sim do Estado, mas se trata - e aqui a contemporaneidade problemática - de ser testemunho do esgotamento de uma dominante. Pois bem, ser testemunho não significa ser espectador de uma transformação exterior, significa determinar o sentido dessa transformação (p. 16).

Para os autores, ao constatarmos a morte do Estado, ou ao notar que o Estado tornou- se mínimo, já não somos mais os mesmos. Esta é fase áurea do neoliberalismo e com ela crises intensas vieram.

reforma, a fase do Estado reformável que, diferente desta primeira exposta, possui um caráter social e político mais atuante. Uma vez que nos países periféricos o caos se instalou. Após as medidas tomadas pelo mercado mundial sobretudo, da dívida externa, os Estados transformaram-se em uma entidade praticamente inviável. Aponta-se então para o que o autor denominou de reinvenção do Estado, seguindo duas concepções opostas e determinantes para o projeto de futuros dos Estados nacionais: o projeto de Estado empresário; e o projeto de Estado-novíssimo-movimento-social.

No Estado empresário existem duas recomendações: 1) privatizar todas as funções que o Estado não tenha que desempenhar com exclusividade; 2) submeter à administração pública aos critérios de eficiência, eficácia, criatividade e competitividade, a serviço de consumidores, próprios do mundo empresarial. Neste caso o governo deve se instituir como uma empresa que promove concorrência entre os serviços públicos, centrado em objetivos e resultados, muito mais do que o cumprimento de regras, deve atentar para a obtenção de recursos, muito mais do que em gastá-los e transformar os cidadãos em consumidores.

Lewkowicz e Cantarelli (2003) trazem também um conceito próximo a este apresentado por Santos (2010), trata-se do “Estado técnico-administrativo”. Este consiste no enfraquecimento do Estado como prática dominante para dar lugar a um Estado incapaz de produzir sentido e orientação para a experiência de vida individual e coletiva, o Estado técnico-administrativo serve aos interesses de mercado e administra as normas de organização contratual ou gerencial e, portanto, acompanha as novas tendências econômicas de mercado.

Para os autores esta constatação de fim do Estado-Nação promove um novo modo de pensar e operar sem esta meta condição reguladora. Ao citar Nietzsche, consideram que está declarada a morte de Deus, ou do Estado, será necessário daqui em diante organizar uma existência sem este suporte que doador de sentido, para todas e em cada uma das situações.

Para Santos (2010), um dos modos de organização que também se articulam à ideia de reinvenção do Estado é a intervenção do chamado terceiro setor sob a forma de organizações- não-governamentais. Que possuem múltiplas variações, de acordo com os países que habitam diferenças não apenas terminológicas, mas com histórias e tradições diferentes. O ressurgimento do terceiro setor no fim do século XX pode ser compreendido como a oportunidade do princípio da comunidade comprovar sua significância frente aos princípios de Estado e de mercado que falharam no processo de hegemonizar a regulação social nos períodos anteriores. Contrapondo esta premissa o autor indica que não é possível afirmar que existe um duplo fracasso do Estado e do mercado. Se existir, é menos claro que o princípio da comunidade que esteve há mais de um século marginalizada e colonizada pelo próprio Estado,

ou pelo mercado, tenha ainda a energia necessária para reagir e protagonizar uma nova proposta de regulação social, capaz de articular a regulação e emancipação social constituinte da modernidade ocidental. Portanto, é menos pertinente pensar uma relação entre Estado e terceiro setor mutuamente exclusiva, já que o princípio de mercado não passa por nenhum tipo de crise, vivemos tempos de total hegemonia de mercado penetrando inclusive às áreas da sociedade civil, como educação, religião, assistência e proteção social, produção de sentimentos, gostos, atrações e repulsas. As instituições disciplinares situadas em Foucault (2013) dos séculos XVIII e XIX do Estado Nacional, família, escola, hospital, quartel, fábrica que formavam a subjetividade cidadã também se encontram em esgotamento.

Gilles Deleuze em Post-scriptum (2013) coloca a substituição da sociedade disciplinar pela sociedade de controle, que operava de maneira analógica. Neste caso os meios de confinamento, escola, prisão, hospital, fábrica e a família entram em estado de crise e os anúncios de reforma surgem a todo instante, um jeito de gerir a agonia que se instala. Esta forma analógica imprime uma modulação consideravelmente distinta dos confinamentos que são como moldes. Estas modulações oscilam a cada instante, tudo é substituível e temporário, a fábrica transformou-se em empresa, a ideia de formação permanente e continuada, substitui a escola e assim por diante. A sociedade disciplinar age a partir de dois polos: a assinatura que indica o individuo e o número de matrícula ou identificação que indica sua posição na massa, ambas correlacionadas uma vez que o poder é massificante e individual ao mesmo tempo. Já na sociedade de controle, a assinatura e o número perderam a validade. Nesta perspectiva o que vale é a cifra, ela é a senha. Esta talvez seja a grande diferença entre as sociedades. “A disciplina sempre se referiu a moedas cunhadas em ouro - que servia de medida padrão -, ao passo que o controle remete a trocas flutuantes, modulações que fazem intervir como cifra uma percentagem de diferentes amostras de moeda” (DELEUZE, 2013, p. 226). Não existe mais o par indivíduo-massa, os indivíduos tornaram divisíveis e as massas amostras, dados, mercados.

Em Foucault (2013) encontramos um refinamento da capacidade de estruturação do poder pelo mercado, no que se refere aos modos de controle:

(...) as mutações econômicas do século XVIII, tornaram necessário fazer circular os efeitos do poder por canais cada vez mais finos, até os próprios indivíduos, seu corpo, seus gestos, a cada uma de suas performances cotidianas. Que o poder, mesmo com uma multiplicidade de homens a controlar, seja tão eficaz como se exercesse sobre apenas um. (FOUCAULT, 2013, v. 6, 112).

Retomamos as possibilidades do terceiro setor enquanto um meio para efetivação da proposta de reinvenção do Estado. Santos (2010) problematiza que existe uma forte imposição

dos Estados em determinar o papel do terceiro setor dentro das políticas públicas, colocando esta relação em três possibilidades: 1) terceiro setor enquanto instrumento do Estado; 2) terceiro setor enquanto amplificador de programas estatais; 3) terceiro setor parceiro nas estruturas de poder com fins de coordenação. A complexidade e a variação das relações entre Estado e terceiro setor são determinantes para a realização da reforma solidária e participativa do Estado e consequentemente na proposta de reinvenção do Estado como novíssimo movimento social, já que o terceiro setor carrega em si as possibilidades de refundar democraticamente a administração pública, além de promover uma nova discussão a respeito da democracia representativa e participativa.

Neste sentido a proposta de Estado como novíssimo movimento social, segunda concepção de reforma do Estado, sustentada na ideia de que diante da avassaladora dominação do princípio de mercado sobre o princípio de Estado e comunidade, nenhum deles