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O crescente aumento do número de medicamentos, para prescrição, disponíveis no mercado mundial tem gerado uma maior preocupação sobre o potencial desse arsenal em induzir sérias enfermidades (BARKER; McCONNELL, 1962; ROSEBRAUGH et al., 2002). A denominação do medicamento, bem como a existência de outros medicamentos com similaridade ortográfica e fonológica (parece ou soa como), possui implicação direta no potencial de erro relacionado à prescrição

destes. Segundo Kühner, Marques (2004) as embalagens semelhantes e a similaridade em escrita e som contribuem com 25% dos erros, pois induzem os profissionais a trocas não intencionais.

Segundo a legislação vigente no Brasil, um medicamento pode ser designado por seu nome genérico (oficial) ou por seu nome comercial, sendo o uso da denominação comercial aceita como correta, somente em instituições privadas; entretanto, verifica-se também a utilização corrente da fórmula química de alguns medicamentos, em substituição à sua denominação genérica, como forma de abreviar a redação do nome do medicamento. Como exemplos de medicamentos freqüentemente prescritos utilizando essa denominação química, pode-se citar: “KCl”, para cloreto de potássio; “KMnO4”, para Permanganato de Potássio e

“Al(OH)3”, para hidróxido de alumínio.

A prescrição contendo denominações usadas em pesquisa, abreviaturas, denominações locais e fórmulas químicas deve ser evitada, pois dificulta a identificação do medicamento e pode contribuir de forma decisiva para a ocorrência de erros, com conseqüentes danos aos pacientes (THE UNITED STATES PHARMACOPEIAL, 2004a). A forma mais adequada de denominação de um medicamento é a genérica (LAWYER, DESPOT, 1997; VRIES et al., 1998;COHEN, 1999).

O uso de denominação comercial, nos EUA, está relacionado a erros de troca de medicamentos, ocasionados pela semelhança entre os mesmos, tendo sido identificados mais de 1000 medicamentos cujos nomes comerciais são tão semelhantes que induzem os profissionais de saúde a cometerem erros. Em 400 mortes estudadas pelo Food and Drug Administration - FDA, decorrentes de erros de medicação, 16% foram devido a trocas de medicamentos com nomes semelhantes (FDA, 2002). Esses dados reforçam a necessidade da prescrição utilizando a denominação genérica dos medicamentos, como forma de reduzir a incidência de erros.

A introdução de prefixos e sufixos em denominações comerciais de medicamentos já existentes, para designar apresentações de liberação prolongada e

associações, está relacionada a erros. Do ponto de vista comercial, a introdução de sufixos e prefixos a nomes comerciais já existentes pode ser compreendida, pois facilita a propaganda e a divulgação do produto, porém aparece como importante fator contribuinte para o aumento de erros (LESAR, 1992). No Brasil, podemos citar como exemplos da introdução de prefixo às denominações comerciais os casos do Renitec(enalapril)/Co-Renitec(enalapril+hidroclorotiazida) e como exemplos de uso de sufixo Carbolitium(carbonato de lítio)/Carbolitium CR (carbonato de lítio liberação prolongada) e Cardizen(diltiazen60 e 30mg)/Cardizen CD(diltiazen 180 e 240mg)/Cardizen SR(diltiazem, liberação prolongada 90 e 120mg).

A denominação genérica, além de ser de uso obrigatório por lei no serviço público brasileiro de saúde, também reduz as confusões entre nomes de medicamentos e facilita a obtenção de informações a respeito de fármacos em literatura internacional, já que a denominação comercial varia de país para país (WANNMACHER; FERREIRA, 1998). Apesar da determinação legal, em estudo realizado no Hospital Universitário de Brasília, foi identificado por Sudo et al., (1995), que dentre 1430 medicamentos prescritos no período do estudo, 29,5% não foram identificados com denominação genérica.

Erros envolvendo denominações semelhantes de medicamentos podem ocorrer durante a elaboração da prescrição de medicamentos (escrita), ao interpretar uma prescrição escrita de forma inadequada, não confirmada com o prescritor qual é o medicamento desejado, ou, ainda, quando é repassada uma ordem verbal envolvendo medicamento com similaridade fonológica no nome, ao de outro medicamento (LAMBERT, 1997; COHEN, 1999).

Diversos medicamentos possuem nomes parecidos, similaridade ortográfica e fonológica, isto é, escrita e som parecidos, podendo gerar erros. São exemplos disso: cefuroxima/ cefotaxima, ácido fólico/ ácido folínico; Diamox/ Diabinese; quinina/ quinidina, vimblastina/ vincristina, doxorrubicina/ daunorrubicina, sulfadiazina/ sulfassalazina, (U.S. Pharmacist, 2000), Feldene/Teldane, necamim/novamin, dentre outros (ROCHA JÚNIOR, 1997)

Uma causa comum de troca de nomes de medicamentos está relacionada a fatores humanos. Um desses fatores é denominado “bias de confirmação”. Tal bias ocorre quando o profissional, diante de uma prescrição mal escrita, pode ver o nome do medicamento com o qual ele está mais familiarizado, podendo até mesmo negligenciar evidências contrárias. Em muitos casos o profissional envolvido não pensa em questionar o que leu (LILLEY; GUANCI, 1995; COHEN, 1999).

Outro tipo de erro associado à denominação dos medicamentos é causado pelo uso de sufixos. Esse erro é verificado, quando o sufixo é adicionado a um nome comercial já utilizado e familiar, para um novo lançamento no mercado farmacêutico. Esses sufixos podem ser relacionados a erros quando omitidos na prescrição, mal interpretados como abreviaturas de dosagem ou via de administração ou se forem ignorados (COHEN, 1999).

O uso de abreviaturas nos nomes dos medicamentos, também tem sido associado a erros. No Brasil, o Decreto n° 20931/32 (BRASIL, 2002c), estabelece que o nome do medicamento deve ser escrito de forma clara e sem abreviaturas. Portanto, o uso de abreviaturas no nome de medicamentos deve ser evitado (BENET, 1996), sob pena de ocasionar troca entre fármacos com abreviaturas e nomes semelhantes.

A concentração dos medicamentos deve ser expressa em unidades do sistema de pesos e medidas adotado oficialmente no país, porém, para alguns medicamentos, é considerado correto que seja expressa em unidades internacionais, tais como as heparinas e vitaminas. O sistema farmacêutico de medidas (aa= partes iguais, etc) deve ser evitado, pois não é familiar para a maioria dos profissionais, podendo gerar erros (COHEN, 1999).

A prescrição da forma farmacêutica dos medicamentos é outra importante ferramenta para reduzir a probabilidade de erros de interpretação do medicamento prescrito (COHEN; DAVIS, 1992), pois em alguns casos a prescrição da forma farmacêutica poderá levar o farmacêutico e o enfermeiro a identificarem corretamente o medicamento. Como exemplo, pode-se citar a prescrição de Lasix

20mg e Losec 20mg. Se a forma farmacêutica prescrita for cápsula, o medicamento não poderá ser o Lasix, pois o mesmo não existe disponível no Brasil, até o presente momento, nesta forma farmacêutica.

As especificações da concentração, do volume e da forma farmacêutica do medicamento prescrito conferem precisão e clareza à prescrição, reduzindo a ocorrência de erros na dispensação e na administração.

1.5.4 SUBINSCRIÇÃO: DOSE, DILUENTE, POSOLOGIA, QUANTIDADE