• O método desenhado não permitiu identificar erro de omissão da prescrição de um medicamento necessário ao paciente, sendo limitado à avaliação do que foi prescrito;
• Mesmo seguindo escalas, a avaliação da severidade dos erros pode conter algum grau de subjetividade;
• O desenho do estudo não permitiu avaliar se as recomendações fornecidas e aceitas pelos prescritores foram adotadas, levando à alteração na forma de prescrever;
• Possivelmente, o número de erros existente nas prescrições selecionadas é maior do que os identificados, pois as análises realizadas foram manuais podendo conter reflexo da variabilidade individual dos pesquisadores.
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6. CONCLUSÕES
1) A adoção de padrões conceituais e metodológicos, para avaliar periodicamente a segurança do processo de assistência aos pacientes atendidos no hospital em estudo, é urgente e imprescindível, pois somente através da avaliação periódica do processo de trabalho, com criação de barreiras aos erros, é que a instituição poderá ver concretizado seu compromisso social com a segurança dos clientes que buscam seus serviços e acima de tudo com a qualidade da assistência.
2) A estratégia metodologia desenhada para o presente estudo, mostrou ser, nas condições descritas, reprodutível, podendo ser utilizada para reavaliar, periodicamente, a segurança do processo de prescrição;
3) A classe terapêutica mais prescrita, e predominantemente envolvida nos erros clinicamente significativos e nos erros potencialmente fatais ou severos, foi a de medicamentos cardiovasculares, indicando que esta deve ser objeto de treinamento dos prescritores, além de necessariamente ter os medicamentos mais envolvidos em erros, incluídos em programa sistemático de monitorização da prescrição;
4) Apesar da existência de regulamentação brasileira para prescrição em Serviço Público de saúde, que institui como obrigatório o uso da denominação genérica, verificou-se que o uso da denominação comercial ainda é elevado (cerca de um terço dos itens prescritos), sugerindo a necessidade da adoção de medidas de regulação da propaganda da indústria farmacêutica dentro da instituição em estudo;
5) Quando analisadas as forma de redação das prescrições, pôde-se identificar que nenhuma das formas adotadas atualmente satisfaz às condições de segurança necessárias ao processo de prescrição, sendo campo fértil para a omissão de elementos importantes para garantir a segurança da dispensação e administração do medicamento prescrito. Ao que tudo indica, essa problemática, poderá ser bastante minimizada, com a implantação da prescrição e prontuário eletrônico.
6) No presente estudo, quase todos os itens contendo medicamentos prescritos possuíam abreviaturas, tendo estas funcionado como potencializadoras dos erros.
7) Quando analisadas as categorias dos erros clinicamente significativos, pôde- se identificar que a maioria deles ocorreu no processo de redação da prescrição, indicando, portanto, que a adoção de medidas que estimulem o cumprimento das boas práticas de documentação e registro, poderão conduzir ao aumento da taxa de segurança do processo de prescrição. Por sua vez, a redução da ocorrência de erros de prescrição no processo de decisão, deve passar, necessariamente, pela revisão do processo de ensino sobre o uso de medicamentos, adotado para os prescritores da instituição;
8) A taxa de prevalência dos erros de prescrição clinicamente significativos identificados neste estudo foi considerada elevada, assim como o percentual dos erros potencialmente fatais ou severos. Esses achados resultaram em uma taxa de segurança do processo de prescrição abaixo da considerada aceitável, quando comparada: às de outras instituições hospitalares, ao observado em indústrias (como a de aviação) e ao padrão desejado (“100% de segurança” e “zero erro”).
9) Em cerca de um quinto das prescrições analisadas foram identificadas interações medicamentosas potencialmente significantes, indicando a necessidade da revisão sistemática das mesmas, por parte de farmacêuticos, aliada ao uso de um sistema eletrônico de análise de erros, como estratégica para aumentar a sensibilidade do método e minimização do impacto danoso dos erros;
10) Os resultados obtidos permitiram o mapeamento dos grupos que deverão ser envolvidos, prioritariamente, nas estratégias voltadas para redução da ocorrência de erros de prescrição e prevenção de riscos aos pacientes, sendo estes: médicos no primeiro ano de residência, medicamentos cardiovasculares e os Serviços de: Clínica Médica, Nefrologia, Endocrinologia e Cardiologia
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7. RECOMENDAÇÕES
À luz das transformações evidenciadas atualmente nas instituições, no perfil dos usuários do sistema de saúde brasileiro, e naquelas projetadas para os próximos anos, é pertinente sugerir que se faz necessário imprimir urgentemente, mudanças nos diversos estágios do processo de assistência, dentre eles, no processo de prescrição, de forma a imprimir mais segurança às ações de saúde, transferindo aos usuários a certeza de que estão seguros quando buscam assistência hospitalar. Através das recomendações abaixo relacionadas, o presente estudo espera contribuir com a busca de uma assistência hospitalar cada vez mais segura,na qual a máxima hipocrática “Primum non nocere” (primeiro não cause mal) seja vivenciada dia-a-dia na assistência aos pacientes.
RECOMENDAÇÕES
• Padronizar protocolos terapêuticos de conduta, definindo claramente os critérios para prescrição de medicamentos;
• Elaborar o guia de redação da prescrição segura, contendo recomendações sobre como elaborar uma prescrição de medicamentos contendo todos os elementos necessários à comunicação completa e correta da ordem médica;
• Criar Formulário Terapêutico eletrônico disponível em rede, baseado em fontes idôneas, para pronto acesso em todos os setores do hospital, contendo as principais informações sobre os medicamentos disponíveis na instituição.
• Implantar sistema de prescrição e prontuário eletrônico, de forma a facilitar o acesso dos membros da equipe de assistência às informações do paciente;
• Desenvolver e divulgar junto aos prescritores, tabelas com doses máximas, diluição, estabilidade e velocidade de infusão para os medicamentos padronizados na instituição;
• Incorporar de forma efetiva, a participação do farmacêutico nas equipes de visitas clínicas, revendo prescrições, participando do processo de educação da equipe de assistência sobre terapia medicamentosa, controlando custos e cooperando para a garantia da qualidade da assistência;
• Implantar sistema de monitorização do uso dos medicamentos mais envolvidos em erros clinicamente significativos;
• Sistematizar processo de educação sobre farmacoterapia, prescrição racional, e boas práticas de documentação, para internos e residentes, através de técnica de trabalho em grupo, com problematização das questões relevantes abordadas, durante todo o transcurso do treinamento dos mesmos na instituição;
• Revisar o processo de elaboração da prescrição no HUWC, objetivando instituir barreiras de proteção contra a ocorrência de erros, instituindo reavaliação periódica da taxa de segurança do processo de prescrição;
• Instituir sistema de comunicação (fonia, bip, ou outro) para facilitar a localização e contato com os médicos prescritores.
• Instituir, através da contribuição, em jornal da Comissão de Riscos da instituição, um canal permanente de divulgação de sugestões para evitar a recorrência dos erros identificados ou notificados.
• Instituir medidas de controle da propaganda da indústria farmacêutica dentro da instituição em estudo.
• Ampliar o sistema de notificação da Comissão de Riscos Hospitalares, estimulando a notificação anônima de erros.