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D. SELÂHADDÎN-Ġ EYYÛBÎ ÖNCESĠ TASAVVUF

2.3. SELÂHADDĠN-Ġ EYYÛBÎ‟NĠN YAPTIRDIĞI HÂNKÂHLAR

2.3.1. Filistin‟deki Hânkâhlar

2.3.1.5. Hanefiyye zaviyesi

Concorda-se com Burrell e Morgan (1979) que todo cientista social, ao abordar seu objeto de estudo, o faz, de forma explícita ou implícita, ancorado em pressupostos sobre a natureza do mundo social e a maneira como deve investigá-lo.

A natureza do mundo social, em sua perspectiva ontológica, diz respeito à concepção de realidade: se é externa ao indivíduo, impondo-se às consciências individuais; ou se a realidade é produto da consciência individual.

O pressuposto assumido nesta pesquisa foi de que o homem é um emergente tanto de um contexto histórico quanto de condições concretas de existência que oferecem possibilidades de produção de seu comportamento e revestem seu comportamento de significado. Por outro lado, considera-se também que o homem mantém uma relação de determinação recíproca com seu contexto, modificando essa realidade e sendo por ela modificado. Portanto, considera-se que a realidade é, simultaneamente, externa ao indivíduo e produto de sua consciência, numa relação dialética de mútua transformação.

Esse pressuposto, conduziu as escolhas de como o conhecimento deveria ser produzido – dimensão epistemológica. Isto é, considerou-se necessário contemplar a

dimensão histórica e as condições concretas de existência, de um lado, e a percepção desta realidade pelos sujeitos, de outro.

Assim, as questões que nortearam a pesquisa partiram de algumas premissas específicas em relação à gestão da diversidade, considerando que a gestão do trabalho de pessoas com deficiência nas organizações tem pelo menos três dimensões relevantes de análise:

¾ a forma como a deficiência é vista pelos gerentes e pessoas responsáveis pela inserção de

pessoas com deficiência na empresa, isto é, as concepções de deficiência predominantes, construídas a partir da análise histórica;

¾ as ações de adequação das condições e procedimentos de trabalho – adequação do espaço

e das práticas de inserção, isto é, adequação do espaço social, que remete às condições concretas de trabalho das pessoas com deficiência; e

¾ a necessidade de considerar a satisfação das pessoas com deficiência em relação à gestão

da diversidade e a aspectos relevantes de manutenção da qualidade de vida no trabalho.

Neste sentido, buscou-se:

¾ através da remissão à história, identificar as principais concepções de deficiência que

funcionam como matrizes interpretativas que reconhecem e qualificam as necessidades e admitem formas específicas de ações em relação às pessoas que portam deficiências;

¾ através da verificação das ações de adequações do espaço e das práticas de inserção,

identificar as condições concedidas ou negadas que favorecem mais ou menos a inserção de pessoas com deficiência nas organizações; e

¾ os fatores que caracterizam a satisfação das pessoas com deficiência em relação à

Para cumprir tal intuito, foram elaborados construtos com o objetivo de auxiliar na verificação da forma como tem ocorrido a gestão do trabalho de pessoas com deficiência nas organizações e colocado esses construtos à prova em uma pesquisa inseparavelmente teórica e empírica, pois entende-se que o conhecimento é produzido por meio da articulação dialética entre teoria e empiria, num processo de retroalimentação contínuo.

Além disso, considera-se que para produzir conhecimento é necessário romper com as crenças comuns dos grupos, organizações e instituições que se pretende examinar. Para Bourdieu (2000), “um dos instrumentos mais poderosos de ruptura é a história social dos problemas, dos objetos e dos instrumentos de pensamento...”(p. 36).

As opções teóricas adotadas levaram às escolhas metodológicas empreendidas na pesquisa. Concorda-se com Bourdieu (2000) que é necessário “mobilizar todas as técnicas que, dada a definição do objeto, possam parecer pertinentes” (p. 26).

Conforme Brandão (1999):

A complexidade dos fenômenos sociais implica na impropriedade de qualquer ortodoxia metodológica e na necessidade de combinar angulações diferentes dos mesmos objetos. A incomensurabilidade das práticas sociais não significa, no entanto, que não se possa e deva tentar aproximações quantitativas dos fenômenos. Portanto, os antagonismos quantitativo- qualitativo, assim como micro/macro-social são improcedentes; informações e dados objetivos, assim como depoimentos e entrevistas em profundidade podem ser produzidos de uma perspectiva positivista; sem uma conceituação prévia e uma reconstrução a posteriori, nenhum material de pesquisa escapa à superficialidade do mau jornalismo. O mesmo se coloca para a relação entre macro e micro; em Ciências Sociais a visão do mais geral não é melhor nem pior do que a focalização do particular; a questão que se coloca é da pertinência do enfoque para obter o ângulo mais adequado do problema em investigação” (p. 2).

Nesse sentido, a pesquisa empírica ratifica, retifica e coloca novos elementos à teoria que servirão para sua ampliação e enriquecimento dos modelos utilizados como referência.

Assim, a pesquisa empírica pretendeu, através de metodologia quantitativa (survey), colocar à prova os construtos elaborados e o modelo teórico adotado (não determinístico e geral, devido à natureza contingencial do problema), buscando verificar, por exemplo, se determinadas concepções de deficiência compartilhadas pelos gerentes estavam mais ou

menos relacionadas com as ações de adequação das condições de trabalho empreendidas pelas

empresas pesquisadas. A investigação pretendeu também verificar se os diversos segmentos a que pertencem as empresas têm concepções e ações diferenciadas em relação à inserção de pessoas com deficiência; isto é, se se poderia agrupar as empresas em grupos com elevada homogeneidade interna e elevada heterogeneidade externa – Análise de Cluster.

Ao mesmo tempo, buscou, através de metodologias quantitativa e qualitativa, analisar a gestão da diversidade em uma única empresa – estudo de caso, considerando os construtos de concepções de deficiência, ações de adequação das condições e práticas de trabalho, e qualidade de vida no trabalho, pois compartilha-se com Bourdieu (1996) a premissa de que:

Não podemos capturar a lógica mais profunda do mundo social a não ser submergindo na particularidade de uma realidade empírica, historicamente situada e datada, para construí-la, porém, como caso particular do possível (grifo nosso, p.15).

A análise foi feita com duas perspectivas. Em primeiro lugar, buscou-se caracterizar as empresas brasileiras que trabalham com a inserção de pessoas com deficiência, através da coleta de dados, realizada por meio da aplicação de dois questionários estruturados, desenvolvidos a partir das duas primeiras seções do referencial teórico. Além disso, foram verificadas as possíveis relações de associação entre os fatores contemplados nos dois questionários. Em segundo lugar, procurou-se focalizar a gestão do trabalho de pessoas com deficiência de um outro ângulo, deslocando as análises de uma perspectiva horizontal, que contemplou diversas empresas simultaneamente, para uma perspectiva vertical, aprofundando

as análises em apenas uma empresa e introduzindo, além das análises quantitativas dos dois questionários aplicados em todas as empresas, um questionário de qualidade de vida no trabalho e a realização de entrevistas e análises documentais, visando caracterizar as condições em que a organização realizava a inserção de pessoas com deficiência e dando voz aos sujeitos da pesquisa. A análise da satisfação em relação aos aspectos de qualidade de vida no trabalho das pessoas com deficiência só foi realizada no estudo de caso, devido às dificuldades de participação das pessoas com deficiência de todas as empresas pesquisadas.

A pesquisa empírica teve por objetivo, portanto, colocar à prova (BOURDIEU, 1996) a discussão teórica e os modelos de pensamento apresentados, buscando uma articulação viva e, portanto, inacabada entre teoria e empiria. Dessa forma, a discussão teórica subsidiou toda a fase empírica e as etapas subseqüentes: a definição das técnicas e métodos utilizados; a elaboração dos instrumentos de pesquisa; a análise dos resultados e a elaboração de recomendações para as empresas; e a articulação entre teoria e empiria, que forneceu elementos para a proposição de novas pesquisas, necessárias ao desenvolvimento do campo de estudos sobre a diversidade nas organizações.

Nesse sentido, considerando as questões e os objetivos da pesquisa – que envolveram a investigação de aspectos considerados relevantes para a gestão da diversidade – em empresas brasileiras que trabalham com a inserção de pessoas com deficiência em seu quadro de pessoal (18 empresas compuseram a amostra, entre as 147 que compunham o universo da pesquisa), a pesquisa foi realizada em duas etapas: a primeira contemplou toda a amostra pesquisada, e a segunda focalizou uma grande empresa do setor de serviços e intermediação financeira que atua com a inserção de pessoas com deficiência de forma sistemática desde 1999 e que havia participado do survey.

Os métodos quantitativos mostraram-se mais adequados, na primeira etapa da pesquisa, como ponto de partida para o levantamento tipo survey, conduzido com dois

inventários elaborados para tal fim (APÊNDICES 1 e 2) e aplicado em uma amostra de gerentes e pessoas que atuam com a inserção de pessoas com deficiência. Procurou-se verificar como tais sujeitos percebiam a deficiência e o trabalho das pessoas com deficiência em suas organizações e as ações de adequação das condições e práticas de trabalho realizadas pelas empresas. Como as informações utilizadas nas análises desta primeira etapa da pesquisa foram resultantes de uma pesquisa quantitativa, utilizando-se de questionário estruturado, é necessário considerar que as percepções não são opiniões livremente emitidas sobre o tema da pesquisa, mas as opiniões desses sujeitos frente a um instrumento fechado de pesquisa.

Na segunda etapa da pesquisa, foi realizado um estudo de caso, com enfoque quantitativo e qualitativo, com uma grande empresa do setor de serviços e intermediação financeira, visando contemplar as dimensões consideradas relevantes para a gestão da diversidade em um contexto organizacional específico, em que as políticas de inserção e as práticas de Recursos Humanos foram colocadas em relevo, com vistas a analisar os dados coletados. Além disso, foram realizadas entrevistas que, apesar de serem em grande parte estruturadas, davam aos gerentes, às pessoas que atuam com a inserção e às próprias pessoas com deficiência a oportunidade de manifestar suas opiniões sobre a questão da gestão da diversidade na empresa.

Também foram consultadas fontes secundárias de dados, tais como os princípios de responsabilidade socioambiental da empresa, cartilhas de orientação aos gerentes sobre a inserção de pessoas com deficiência e as informações contidas em sua homepage, visando caracterizar a organização estudada.

PRIMEIRA ETAPA: SURVEY EM EMPRESAS BRASILEIRAS

¾ Universo: 147 empresas que tinham seus balanços sociais disponíveis no IBASE em

2004.

¾ Amostra: 18 empresas – 163 respondentes (profissionais que atuavam com a inserção

de pessoas com deficiência; profissionais da área de Saúde e Segurança no Trabalho; e chefias imediatas das pessoas com deficiência).

¾ Instrumentos utilizados: Inventário de Concepções de Deficiência (ICD) e Inventário

das Ações de Adequação das Condições e Práticas de Trabalho (IACPT).

SEGUNDA ETAPA: ESTUDO DE CASO

¾ Caso: 01 empresa do setor financeiro com mais de 1000 funcionários portadores de

deficiência.

¾ Instrumentos utilizados:

9 Inventário de Concepções de Deficiência (ICD) e Inventário das Ações de

Adequação das Condições e Práticas de Trabalho: respondidos por 80 pessoas (profissionais que atuavam com a inserção de pessoas com deficiência; profissionais da área de Saúde e Segurança no Trabalho; e chefias imediatas das pessoas com deficiência).

9 Questionário de Qualidade de Vida no Trabalho: respondido por 128 pessoas

com deficiência da empresa.

9 Entrevistas: 11 pessoas com deficiência; 11 gerências (chefias imediatas das

pessoas com deficiência); e 5 profissionais que atuavam com a inserção de pessoas com deficiência e na área de Saúde e Segurança no Trabalho).