C. HADİS MUHALİFLERİNE KARŞI TAVRI
II. HADİS TEKNİĞİ AÇISINDAN EBÛ UBEYD
O conceito de documentário é um desafio que implica na consideração de vários aspectos, como a diversidade de estilos, temas e características técnicas das produções do gênero; as diferenças e semelhanças com a ficção e a hibridação de linguagens, entre outros.
A dificuldade em definir o documentário é ressaltada por autores como Bill Nichols (2005), para quem seu conceito parece vago, sobretudo devido às diferenças entre os filmes e por sua definição frequentemente ser relativa ou comparativa aos filmes de ficção, experimentais e de vanguarda. Para ele, a imprecisão dessa definição também se deve às transformações inevitavelmente sofridas pelos conceitos no decorrer do tempo e à impossibilidade de abrangência de todos os tipos de documentários por uma única categoria.
Para o autor, seria mais simples definir o documentário se ele correspondesse a uma reprodução fiel da realidade ou a uma simples cópia do real. Mas por se tratar de uma representação, ele sempre expressa uma visão particular do mundo para o espectador, mesmo quando são identificados aspectos que lhe sejam familiares e, por isso, é normalmente é avaliado pelo valor de suas ideias e pelo conhecimento ou prazer que proporciona, diferentemente de uma reprodução que é analisada por sua semelhança com o original e por sua capacidade de satisfazer às mesmas finalidades que ele.
Para essa análise, por não adotarem um conjunto fixo de técnicas e estilos, nem abordarem apenas um grupo de temas, os documentários às vezes
apresentam características muito diferentes entre si e sua prática está sujeita a constantes transformações. Segundo Nichols:
A prática do documentário é uma arena onde as coisas mudam. Abordagens alternativas são constantemente tentadas e, em seguida, adotadas por outros cineastas ou abandonadas. Sobressaem-se obras prototípicas, que outras emulam sem jamais serem capazes de copiar ou imitar completamente. Aparecem casos exemplares que desafiam as convenções e definem os limites da prática do documentário. Eles expandem e, às vezes, alteram esses limites. (2005, p. 48).
Apesar da diversidade da produção do gênero, Nichols identifica algumas convenções que diferenciam os documentários de outros tipos de filme, como o uso do comentário com voz de Deus (ou voz over – narração sobreposta à imagem que não pertence ao universo sonoro da cena e de alguém que nunca é mostrado durante o filme); recurso à entrevista; gravação de som direto; cortes para a introdução de imagens que ilustrem ou ampliem situações de uma cena e presença de atores sociais como personagens principais, realizando suas atividades e papéis cotidianos.
A predominância de uma lógica informativa, outra característica do gênero documental, é a responsável pela organização das representações do mundo real elaboradas pelo filme. Uma forma recorrente de organização é a solução de problemas, cuja estrutura pode ser comparada a de uma história: inicialmente, há a apresentação de um tema ou problema; em seguida, são apresentadas informações anteriores sobre ele e, depois, uma análise sobre a sua situação no momento da realização do filme. Essa estrutura conduz à indicação de uma solução ou resposta conclusiva, que o espectador é estimulado a apoiar ou a incorporar como sua. Para Nichols: “A lógica que organiza um documentário sustenta um
argumento, uma afirmação ou uma alegação fundamental sobre o mundo histórico, o que confere ao gênero sua particularidade.” (2005, p. 55).
A impressão de autenticidade pelo documentário teve início com a própria imagem fílmica bruta e sua aparência de movimento, de certa forma indistinguível do movimento real: “Quando acreditamos que o que vemos é testemunho do que o mundo é, isso pode embasar nossa orientação ou ação nele.” (NICHOLS, 2005, p. 20). Algumas produções se baseiam nessa crença para persuadir o espectador a adotar determinada perspectiva, assim como a propaganda política ou a publicidade também o fazem.
Desse modo, mesmo que totalmente fabricado, o vínculo entre as imagens fotográfica, analógica ou digital e o que elas representam pode ser forte, sendo necessário, segundo Nichols (2005), questionar o modo com que o espectador se dispõe a acreditar nas representações construídas pela imagem em movimento e quais as possíveis consequências dessa crença para a sua relação com o mundo em que vive.
Apesar dos documentários geralmente abordarem temas do mundo real e não de mundos imaginados por cineastas, não há uma separação absoluta entre ficção e documentário, havendo a incorporação de recursos associados a um gênero, por outro (câmeras portáteis, improvisação e imagens de arquivo, pela ficção, e roteirização, encenação e ensaio, pelo documentário).
Para Nichols, existem dois tipos de filme: os documentários de
satisfação de desejos e os documentários de representação social, com histórias ou
Os documentários de satisfação de desejos (ou ficção) traduzem os frutos da imaginação em sons e imagens, expressando desejos ou receios em relação às perspectivas de transformação da realidade e transmitindo pontos de vista que podem ser rejeitados ou aceitos pelo espectador. Os documentários de representação social (ou não ficção) representam aspectos de um mundo compartilhado, convertendo a realidade social em imagens e sons, segundo os critérios de escolha e a organização do cineasta, e expressando uma compreensão do mundo histórico do passado, do presente e do futuro. Para ele, assim como a ficção, a não ficção também transmite verdades, afirmações e argumentos que precisam ser analisadas e aceitas ou não, para contribuírem para novas visões de um mundo comum que serão compreendidas e exploradas pelo espectador.
Por se tratar de histórias verdadeiras, os dois tipos de filme demandam nossa crença e interpretação, assim como nossa compreensão de como a organização do filme transmite valores e sentidos, para nos posicionarmos em relação a eles. Por normalmente se referir a temas do mundo real com a finalidade de influenciá-lo de alguma forma, os documentários necessitam convencer o espectador de que seu enfoque é mais adequado que outros, estimulando a crença do espectador. Já a ficção, contenta-se com a aceitação da plausibilidade do mundo apresentado pelo filme, suspendendo temporariamente a incredulidade do expectador diferentemente do documentário, que coloca a necessidade de que o mundo apresentado pelo filme seja aceito como real. Para Nichols:
É isso o que alinha o documentário com a tradição retórica, na qual a eloquência tem um propósito estético e social. Do documentário, não tiramos apenas prazer, mas uma direção também. […] Literalmente, os documentários dão-nos a capacidade de ver questões oportunas que necessitam de atenção. Vemos visões (fílmicas) do mundo. Essas visões colocam diante de nós questões sociais e atualidades, problemas recorrentes e soluções possíveis. O vínculo entre o documentário e o mundo histórico é forte e profundo. (2005, p. 27).