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Genco Gülan

Belgede SANATTA YETERLİK TEZİ (sayfa 148-152)

2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.5. Türkiye’de Çağdaş Sanatta Kültür Bağlamında Yerleştirme

2.5.7. Genco Gülan

Quando questionados sobre o que gostavam na escola, os colaboradores apontaram uma série de situações relacionadas, direta ou indiretamente, com o lazer e divertimento.

O campeonato de handebol (Voz de colaborador). O futebol no intervalo que tinha, lá (Voz de

colaborador).

Educação física e as meninas (Voz de colaborador).

Tinha cara que pulava o muro da escola no intervalo, ia embora no intervalo, só ficava no intervalo mesmo (Voz de colaborador).

Teatro, festival, o que eu gostava era bagunça, e na onde que estava tendo esse tipo de brincadeira, zueira eu tava tudo envolvido (Voz

de colaborador).

Aula de computação também era gostoso (Voz de

colaborador).

O que eu gostava mais era das amizades. Tinha um grupo que aprontava muito, isso era bem divertido

(Reflexão escrita por colaborador)

Eu me lembrei algo que a gente fazia na escola que me fazia ter vontade de ir as aulas e a tirar notas boas. Eram as feiras de ciência e as viagens que as professoras faziam com um grupo

de alunos que tinha bom comportamento e notas boas (Reflexão escrita por colaborador).

Os momentos mais agradáveis de estar na escola, são, portanto, justamente aqueles de menor duração, mais raros ou esporádicos. Na maior parte do tempo a escola se constitui como um espaço desagradável. O que fica evidenciado como fator atrativo da escola é seu caráter socializador, ou seja, os momentos em que compartilham diversão com demais alunos, que flertam com as meninas, que exercem atividades esportivas e interativas.

Por não se adequarem à escola e quererem se livrar dela, os colaborares apresentam memórias de estratégias que tinham para sabotá-la.

Sabe o que nós fazia para não ter aula? Na frente da escola assim, tinha a fiação, a molecada subia com umas correntes desse tamanho assim, com dois cadeados, um em cada ponta e jogava, aí dava o estouro e acaba com a força da escola, todo mundo era dispensado. Quanto não fizemos isso! Ainda mais de sexta feira... (Voz de colaborador). Eu fiquei uns três meses, cada quinze dias eu... nós ia embora, ia lá na caixa d'água e fechava o registro (Voz de colaborador).

Porque a gente queria dar uns rolê sem a mãe da gente saber, porque pra ela a gente estava na escola ainda, a escola dispensava, mas tinha ainda duas horas para acabar a aula (Voz de

colaborador).

Eu matava as aulas e ia pras lagoas, ó as ideias. Ia lá fazer graça para as meninas (Voz de

colaborador).

Essas traquinagens relatadas pelos colaboradores são exemplos de atitudes consideradas prejudiciais para o andamento da rotina escolar. Alunos que praticam tais feitos geralmente são considerados bagunceiros e, portanto, representam problemas que a escola precisa resolver ou eliminar. Visto de outro ângulo, tais atitudes constituem-se como mecanismos de resistência e boicote a um sistema que lhes suga o tempo de vida, que almejam viver de outra forma que não a imposta em sala de aula. Por essa razão, quando recordam os momentos prazerosos associados à escola o que se percebe é que:

A memória da escola é, na verdade, a memória de sua ausência, daquilo que se passava fora de seu muro, durantes as fugas e cábulas às aulas. É a memória das travessuras infantis, das pedaladas nos campos abertos, da natação nos riachos e lagos, do trepar nos pomares para roubar frutos (ADORNO, 1991, p.80)

Por terem nos momentos de transgressão suas memórias positivas da vivência escolar, os colaboradores desta pesquisa problematizaram se os alunos considerados bons e estudiosos são hoje pessoas felizes.

Esses nerds aí, quem me garante que eles são feliz? (Voz de colaborador).

Discutir felicidade é entrar em terreno complexo. Entretanto, a fala deste colaborador é importante por expressar o questionamento às fórmulas de sucesso: quem garante que o aluno que se adequa às regras da escola será bem sucedido e feliz? Nessa perspectiva, a colocação de Mosé (2013, p. 45) contribui para a reflexão:

Quando um pai diz que quer que seu filho entre em uma universidade para ser alguém na vida, o que ele está, sem querer, dizendo é que quem não estuda não é ninguém, não existe. Ousaria mesmo dizer que a exclusão do saber, do conhecimento, é a raiz de toda exclusão. É especialmente em função disso que precisamos de uma nova escola. Essa nova escola deve deixar de ser uma fábrica que produz humanos com os mesmos objetivos e para as mesmas finalidades. O ingresso na Universidade deve ser um caminho e não o caminho. A escola deve ser muito mais que uma ponte para o ensino superior. O desafio dessa nova escola é, portanto, a transposição da teoria e legislação escolar - visto que esses entendimentos já estão previsto na Lei de Diretrizes e Bases (LDB - Lei nº 9.394 de 1996) - para a prática escolar.

A principal queixa apresentada pelos colaboradores refere-se ao fato de que as coisas que a escola pretendia ensinar eram pouco interessantes, ou não lhes faziam sentido.

O que você não gostava na escola? Da escola! (Voz

de colaborador).

O que o Estado quer mostrar e eu achava aquilo muito limitado, aí eu queria ser diferente, só que ser diferente era ser errado (Voz de

colaborador).

Mas é que nada encaixava na minha mente, na escola eu comprava prova, nunca fiz, eu dava um jeito de comprar a prova, eu nunca fazia nada, passava de ano porque os outros faziam para mim, você entendeu, ia para bagunçar e namorar... (Voz

de colaborador).

... eu não sei como explicar isso para você, mas na escola eu era um desastre mano (Voz de

colaborador).

Quando tinha a atenção chamada, não gostava dos professores, odiava as lições, e ter que ficar

esperando as aulas acabarem. Não gostava das provas, nem de ficar de recuperação, e muito menos quando repetia de ano (Reflexão escrita

por colaborador).

Eu não gostava de alguns professores pois pra mim eles eram muito mandões e muito chatos, na minha cabeça eles eram todos ignorantes e eu como sempre o certinho. Mas na verdade tudo isso que passa pela minha cabeça são atitudes e ignorâncias minha pois eu era o bagunceiro e o engraçadinho que atrapalhava todas as aulas, na verdade eu era o chato de toda a história (Reflexão escrita por colaborador).

Constatações semelhantes foram feitas por Dias (2011, p.117) ao entrevistar jovens infratores. A fala de um de seus participantes “parece indicar que o que se aprende na escola se ‘coloca em prática’ somente dentro da própria escola”. A escola apresenta- se então como um universo desconexo da vida de seus alunos, que em certa medida encerra-se em si mesma. Nesse perspectiva, os colaboradores manifestam sentimentos de deslocamento e desajuste em relação ao esperado no contexto escolar. Corroborando essa análise, Adorno (1991, p. 79) afirma que a escola:

é vista de forma negativa pela imposição de um aprendizado estranho ao seu universo cultural, pelo sequestro de tempo que seria dedicado ao lúdico, às brincadeiras e aos folguedos, pela vigilância atroz que exacerba sentimentos de rebeldia e de desobediência às normas O desgosto e desinteresse pela escola é apresentado pelos colaboradores também como característico da juventude, que tem outros interesses e preocupações que não as demandas escolares.

Meu interesse era só andar de skate (Voz de

colaborador).

Eu queria era farra mesmo (Voz de colaborador). Eu olhava as meninadas e as meninadas gostavam daqueles caras bagunceiros (Voz de colaborador).

É a adolescência, pelo simples fato de se aparecer (Voz de colaborador).

Aí depois você vai ficando mais velho muda o interesse, o interesse muda, né? Continua sendo menina e agora droga (Voz de colaborador). Usar cocaína dentro da escola não é uma experiência muito boa não, é bom você usar maconha, agora cocaína...ficar sentado na aula. Ficar preso naquela sala de aula. Tinha acabado

de dar um tiro23, começava a suar, transpirar...nossa...a hora não passava, você querendo ir embora... (Voz de colaborador). O tempo passa, sua mente muda, você é molecão, eu gostava de zueira, curtição, hoje em dia não tenho mais interesse de curtição (Voz de

colaborador).

No momento da oportunidade a gente quis curtir

(Voz de colaborador).

As falas dos colaboradores sinalizam o desinteresse pela escola como um processo natural da juventude e, visto desta forma, inevitável. Entretanto, faz-se necessário questionar essa inevitabilidade: pode o espaço escolar agregar as demandas características da adolescência e juventude ao seu processo formativo? Como incluir nas atividades escolares os anseios da juventude por estar com seus pares, por descobrir suas identidades, por viver processos prazerosos de socialização?

Apesar da maioria dos colaboradores reconhecerem que não foram bons alunos e que a evasão escolar trouxe prejuízos para suas vidas, um deles afirmou que teve aprendizagens na escola.

Mas foi bom o tempo que eu estudei porque o pouco que eu sei eu aprendi na escola (Voz de

colaborador).

Em meio ao crescente descrédito em relação ao sistema de ensino e a movimentos de desescolarização, falas como essa nutrem a esperança de que a escola ainda é um terreno fértil para a formação e socialização dos seres humanos. Apesar de todas as suas imperfeições, elas tem se constituído como espaços de aprendizagem. Porém, é certo que mudanças na estrutura, metodologia e concepções de escola são urgentes.

Um dos colaboradores apontou que durante quase todo o período que o jovem fica na escola não lhe é permitido fazer muitas escolhas, por isso, na visão dele, apenas quando as pessoas deixam a escola, e começam a fazer suas próprias escolhas, é que passam a se envolver realmente com os estudos.

Eu acho a hora que a escola começa a ficar legal, que você começa mesmo a estudar por vontade, acho que depois que você termina o terceiro ano que aí você busca um curso, busca uma faculdade, porque aí você já está com a sua ideia formada, você já é um adulto, sua mentalidade é outra (Voz

de colaborador).

Novamente a importância da liberdade de escolha aparece na fala dos colaboradores. A necessidade de poder escolher reflete o anseio por sair da passividade e assumir-se enquanto protagonista de sua formação. Esse desejo manifestado pelo colaborador vai ao encontro do protagonismo juvenil defendido por Costa (2015), que envolve a participação ativa, construtiva e solidária do aluno não apenas em seu processo de aprendizagem mas na solução de problemas reais na escola, comunidade e sociedade. Para que o aluno possa se tornar um cidadão que busca solucionar os problemas que o circundam, ele precisa ser formado na experiência da participação e não na passividade, daí a importância de aprender a fazer escolhas.

Belgede SANATTA YETERLİK TEZİ (sayfa 148-152)