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Şakir Gökçebağ

Belgede SANATTA YETERLİK TEZİ (sayfa 143-148)

2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.5. Türkiye’de Çağdaş Sanatta Kültür Bağlamında Yerleştirme

2.5.6. Şakir Gökçebağ

Os motivos que levaram os colaboradores a evadirem da escola durante suas juventudes são bastante variados, porém todos podem ser associados a fatores que incidem predominantemente sobre as classes sociais mais baixas: necessidade de trabalhar, reprovação e expulsão da escola, casamento e filho na adolescência, uso de drogas e contato precoce com o tráfico.

Eu trabalhava e estudava, então eu entrava na segunda aula todo o dia, isso aí começou a

incomodar os professores, então não fiquei me sentindo bem, até tive uma discussão com o diretor da escola, falei: “seguinte... então eu vou parar de estudar”. Aí eu parei de estudar, comecei só a trabalhar, trabalhar, vou ter mais tempo para trabalhar e ficar do lado da minha família, e com isso aí eu fui deixando a escola de lado, deixando, deixando... (Voz de colaborador).

Os motivos que me levaram foi assim que meu padrasto foi morto dentro de casa e meu irmão era pequeno e minha mãe precisava trabalhar para que ele terminasse os estudos. E por isso eu tive que trabalhar também para ajudar minha mãe a tratar dele. Eu passei a ficar mais no trabalho do que em casa, para financeiramente minha mãe não ter tanto a pagar sozinha dentro de casa

(Reflexão escrita por colaborador).

Aí eu comecei a ficar ganancioso, vi que na escola eu não tinha tempo para ganhar dinheiro, essas coisas, aí sai da escola, aí nunca mais voltei para a escola (Voz de colaborador). Eu já não tinha interesse pela escola mais, eu pensava assim: “eu tô mais velho já, a escola não vai virar nada para mim”. Aí comecei a ter preguiça de estudar, comecei a ficar com ganância, querer ganhar dinheiro (Voz de colaborador).

Eu casei com uma mulher aos 18 anos, estava na oitava (Voz de colaborador).

Em resumo, eu parei de estudar quando minha namorada ficou grávida e logo me vi com dificuldades de conciliar tempo e trabalho, mas principalmente dificuldade financeira, já que eu mantinha meus estudos. Assim, tentei honestamente seguir minha vida, mas a oportunidade de um ganho maior me atraiu e parti para outro lado (Reflexão escrita por colaborador).

A idade, porque é... eu fui muito reprovado, reprovei a segunda série, fiz três vezes a quinta. Aí quando eu estava na quinta eu via os meus amigos lá no primeiro, aí isso desanimava

(Voz de colaborador).

Eu fui porque eu ia expulso mesmo. Daí não tinha nenhuma escola para pegar eu, ninguém aceitava eu (Voz de colaborador).

Aí quando eu cai no mundo das drogas nem pra escola eu ligava, não queria nem saber. Foi onde eu comecei a afundar mais nas drogas e aí saí da escola, quando eu ia para a escola só chegava drogado só (Voz de colaborador).

O motivo que eu deixei de frequentar a escola foi 1º preguiça de estudar, 2º ir para as ruas usar drogas, 3º mostrar para as meninas que eu que mandava na minha vida, 4º porque eu pensei que nunca precisaria do estudo, 5º a ganância, eu queria dinheiro para comprar além daquilo que meus pais me davam (Reflexão escrita por

colaborador).

Quando eu era mais novo eu não estudava e eu tinha preguiça de ir para a escola, aí eu via meu pai e minha mãe trabalhando e eu achava legal eles trabalhando, eu queria sair da escola para trabalhar. Depois que eu comecei a trabalhar eu me arrependi de ter saído da escola (Voz de

colaborador).

Razões semelhantes são identificadas por Onofre(2009), Dias (2011) e por Lucena e Ireland (2013) entre seus entrevistados e entrevistadas. Evidencia-se, assim, que, durante a juventude dessas pessoas, outras dimensões da vida se tornam mais importantes que a formação escolar. Para Lucena e Ireland (2013), ausência de oportunidades sociais e de aprendizagens para a emancipação, que marcam as biografias de vida das entrevistadas, repercutem sobre suas atitudes desviantes por estas constituírem-se como oportunidades locais que tiveram em suas vidas. Tal associação não pode ser generalizada, pois como bem salientou os autores, o “comportamento desviante não é uma regra para todas as pessoas com características de vida semelhantes” (LUCENA; IRELAND, 2013, p.123). Contudo, a baixa escolaridade e a marca da evasão escolar existente na maior parte da população carcerária são aspectos importantes de serem considerados e analisados.

Em sua pesquisa, desenvolvida com menores infratores, Adorno (1991, p.79) percebeu que para estes jovens:

A evasão apresenta-se como possibilidade segura, seja diante da contingência econômica, seja devido ao caráter monótono e nada estimulante da aprendizagem oferecida. Alguns param de estudar efetivamente movidos por expressões econômicas. Desde os 7 ou 8 tem que trabalhar, auxiliar no sustento da família. No entanto, mesmo entre estes, não há firmes convicções a propósito da utilidade da escola. A grande incidência de evasão escolar revela a inadequação da escola ao contexto das classes sociais mais baixas. As escolas foram historicamente pensadas e planejadas para a elite, mas em seu processo de popularização ela não foi adaptada para as novas demandas. Essa escola não lhes produz sentido, não lhes é útil no seu viver e por essa razão:

Desde cedo, parcelas destes jovens vêem se constrangidos a abandonar o lar de origem, a furtar-se da vigilância doméstica, a constituir novos agrupamentos familiares em que se tornam os provedores. Nessa condição, a escolarização e a profissionalização ficam irremediavelmente bloqueadas, contribuindo para a ilusão do trabalho infantil: a incorporação precoce ao mercado de trabalho, longe de amenizar a pobreza, cumpre perversamente o papel de preservá-la. (ADORNO, 1991, p.78).

Tem-se, portanto, um processo de expulsão não explícita desses jovens das escolas, por não se adequarem a ela. Não é correto, nesse sentido, atribuir exclusivamente a esses jovens a responsabilidade por seus supostos “fracassos” escolares.

No contexto prisional, onde a maior parte dos alunos adultos tem a marca da evasão escolar em suas juventudes, “é preciso reconciliar o detento com o ato de aprender, na verdade com o prazer de aprender” (DE MAEYER, 2011, p. 53).

Belgede SANATTA YETERLİK TEZİ (sayfa 143-148)