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Ayşe Erkmen

Belgede SANATTA YETERLİK TEZİ (sayfa 130-136)

2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.5. Türkiye’de Çağdaş Sanatta Kültür Bağlamında Yerleştirme

2.5.4. Ayşe Erkmen

Todos os colaboradores estudaram em escolas públicas quando eram jovens e ao relembrarem a vivência nos espaços escolares afirmaram que há muitos fatores que influenciam a aprendizagem na escola, que não se restringem ao conhecimento.

Isso tudo influencia na escola: a cor da parede, a forma como o professor conduz (Voz de

colaborador).

[A escola] tá parecendo cadeia, mano, cê é loko

(Voz de colaborador).

Porque se tudo aquilo for tão monótono e tão chato ele não vê a hora de cursar o terceiro ano e sumir de lá (Voz de colaborador).

Igual... tem muitas aulas que você vê... todo dia a mesma aula (Voz de colaborador).

As falas dos colaboradores evidenciam que se a estrutura física da escola não faz dela um espaço agradável de se estar isso interfere diretamente sobre à relação que os alunos estabelecem com a aprendizagem. Nessa lógica, os colaboradores reproduzem a comparação de Foucault (2009) entre a prisão e a escola. Evidenciam a escola como espaço de repetição, onde há poucas inovações e excessiva rotina, o que contribui para que se tornem espaços pouco atrativos para estar. Essas percepções dos colaboradores corroboram a análise de Adorno (1991, p.78) da escola como sendo:

Constituída em espaço sombrio, destituído de emoções e atrações lúdicas, espaço desinteressante e desmotivador, ela contrasta com um universo cultural no qual os desafios, os confrontos, as lutas, o mundo do tête-à´tête, a vida eminentemente feita de pessoas e não de abstrações constituem seus traços mais significativos.

Apontam que nem sempre o aluno é ouvido em suas necessidades, não sendo incluído no processo de sua própria aprendizagem. O(a) professor(a) muitas vezes não

está aberto para compartilhar com os alunos as escolhas metodológicas assumidas e os alunos poucas vezes são preparados para participarem desse processo. Estabelece-se, assim, uma relação em que muitas vezes as partes – professor e aluno – não se entendem, fazendo com que a potencialidade do processo de aprendizagem diminua.

Eu quero aprender, só que eu quero aprender do jeito que eu possa entender, não do jeito que não vai dar para entender (Voz de colaborador). Então poder criar o mecanismo para poder absorver a aula, criar mecanismos de formar opinião, de falar: professora, tá chato isso daí, não pode mudar? (Voz de colaborador).

A questão de saber entender, a nossa sociedade precisa aprender a entender o nosso próximo, se for só do jeito que eu penso, se torna difícil

(Voz de colaborador).

Na mesma perspectiva das insatisfações dos colaboradores com a relação de ensino-aprendizagem, Mosé (2013, p. 47) traz a seguinte reflexão:

Por que a escola prepara para a vida, em vez de ser a vida exercida no presente? E por que o presente das crianças na escola não é também um exercício de cidadania, de respeito a si mesmas, à vida e ao outro? Por que a escola não é um espaço democrático, de produção de conhecimentos, de debates, de criação? Em vez disso, tem sido um presídio de alunos, um depósito de conteúdos impostos sem muito sentido, um desrespeito aos saberes que os alunos já trazem, um lugar onde as crianças não têm direito a voz.

Os colaboradores manifestam em suas falas as questões postas pela autora como necessidades que precisam ser superadas nos modelos escolares atuais. Há um esgotamento no modo de fazer à educação escolar que urge por mudança.

Nesse sentido, os colaboradores compartilham, sem necessariamente terem conhecimento disto, dos ideais da educação dialógica defendida por Freire (2011b, p. 112), que vê o espaço escolar como lugar de encontro onde “não há ignorantes absolutos, nem sábios absolutos: há homens que, em comunhão, buscam saber mais.” Suas falas denunciam, entretanto, que a prática de muitos docentes, dentro e fora das prisões, ainda segue a lógica bancária, ou seja, os alunos pouco ou nada participam do processo de construção de seu saber, constituindo-se como depósitos de informações trazidas e escolhidas pelo professor. De acordo com Freire (2011b, p. 166):

O importante, do ponto de vista de uma educação libertadora, e não “bancária”, é que, em qualquer dos casos, os homens se sintam sujeitos de seu pensar, discutindo o seu pensar, sua própria visão do mundo, manifestada implícita ou explicitamente, nas suas sugestões e nas de seus companheiros.

Se tal mudança na relação de ensino-aprendizagem ainda é pouco ou nada, percebida pelos alunos, faz-se necessário superar o abismo entre os discursos oficiais que exaltam os ideais freireanos de educação e as práticas exercidas nos espaços escolares. No contexto dos espaços de privação de liberdade, essa superação se estende a mudanças de mentalidade do todos os agentes que direta ou indiretamente atuam como educadores. A expressão de opiniões e leituras de mundo não pode ser vista como atitude de rebeldia, tampouco o posicionar-se criticamente pode ser interpretado como desobediência. Essas são mudanças profundas na cultura prisional. Trata-se, sem dúvida, de um imenso desafio.

Um dos colaboradores afirmou que o interesse pela aprendizagem é uma responsabilidade individual que depende, portanto, da vontade de cada aluno.

O incentivo tem que vir de você mesmo, você que tem que querer aprender (Voz de colaborador). A responsabilidade individual já foi analisada na fala dos colaboradores quando estes refletem sobre a (re)socialização. Novamente ela aparece na fala de alguns colaboradores, responsabilizando o indivíduo pelos percursos e escolhas de sua vida, só que agora no universo escolar. Alguns dos jovens entrevistados por Dias (2011, p.111) também apresentaram falas que revelam a introjeção de um “discurso dominante que culpabiliza o indivíduo pelas suas dificuldades e pelas suas condições estruturais, econômicas, sociais, não fazendo uma análise crítica do contexto histórico no qual ele está inserido”.

Entretanto, outro colaborador sinalizou que quando há investimento e cuidado com o aluno isso interfere em sua relação com a aprendizagem. Nessa perspectiva, pode- se transpor esse cuidado tanto para a estrutura física, quando para a disponibilidade de recursos e tratamento destinado ao aluno.

Uma coisa interessante é o aluno ver que está sendo investido nele (Voz de colaborador). O investimento a que o colaborador se refere pode ser interpretado como valor, ou seja, quando o aluno se sente valorizado isso lhe motiva. Essa valorização passa pela disponibilidade de estruturas, equipamentos e materiais e cuidado com o ambiente. Com base em sua longa experiência em instituições tutelares de menores infratores, Costa (2006b, p. 52) defende que:

O adolescente, diante de um chão limpo, de banheiros onde pode se respirar sem medo, de paredes bem-cuidadas, de cartazes bonitos e significativos, de plantas que revelam trato e carinho, cuidadosamente distribuídas, respirará dignidade e se sentirá respeitado e aceito. As coisas estão lhe dizendo isso.

O investimento que está sendo feito no aluno se manifesta também nas sutilezas, nos pequenos cuidados, nos gestos de delicadeza. Essas são dimensões que precisam ser alvo de atenção no espaço escolar. Investir no aluno também pode ser entendido no sentido de acreditar e apostar em sua potencialidade. Uma relação de ensino e aprendizagem que investe no aluno é, portanto, aquela que o valoriza em suas habilidades, que o auxilia a ser protagonista de sua própria formação, que o ajuda a descobrir e desenvolver suas qualidades, que o incentiva a ser sempre melhor que a si mesmo e não que o outro, e por isso preza pela superação e não pela competição.

3.2.3 Significado da formação escolar e sua relação com os contextos e

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