ÜÇÜNCÜ BÖLÜM: YÖNTEM
3.7. Geçerlik ve Güvenirlik Çalışmaları
Uma primeira apreciação dos resultados do CD-SEI se refere às análises descritivas, que foram realizadas em relação aos itens, isoladamente, e em relação às escalas em seu todo, o que será apresentado a seguir.
5.1.2.1. Resultados descritivos dos itens e distribuição dos resultados das escalas
Seguindo o mesmo caminho da etapa anterior do estudo, a análise descritiva dos itens pautou-se em medidas de tendência central e dispersão, especificamente a média, o desvio padrão, a moda, o mínimo e o máximo. Além disso, analisou-se a concentração das respostas
em cada grau da escala para a amostra em estudo, apresentando as frequências em porcentagem. Como já mencionado, a apreciação desses dados é relevante para avaliar a variabilidade das respostas e a sensibilidade das medidas às diferenças individuais.
A Tabela 13 apresenta as análises descritivas dos itens do CD-SEI. Foram observados casos omissos em praticamente todos os itens do instrumento, mas em pequeno número, tendo variado de 0 nos itens 16 “preparar meu próprio currículo resumido” e 19 “escolher cursos
técnicos, tecnológicos ou superiores com sabedoria para me preparar para meu futuro profissional” a 7 (menos de 1,5%) no item 15 (pensar sobre a relação entre a minha escolha de área e as perspectivas de carreira), sugerindo que a amostra não teve grandes dificuldades
ao responder aos itens.
Tabela 13 – Análises descritivas dos itens do CD-SEI, considerando-se medidas de tendência
central e dispersão, além da concentração de respostas nos níveis da escala.
Itens em cada Dimensão
Casos Omissos
Tendência Central e Dispersão Frequência de Respostas (%) Média Desvio
Padrão Moda Mín Máx 1-2 3-4 5-6
Planejamento de Carreira Estou confiante de que posso...
1. equilibrar meus interesses e perspectivas
futuras. 5 4,91 0,91 5 1 6 1,3 23,2 74,4
7. explorar (pesquisar) diferentes carreiras
(ou profissões) nas áreas de meu interesse. 3 5,03 0,92 5 1 6 1,3 21,5 76,6 13. compreender minhas habilidades, de
modo a me auxiliar na escolha de uma carreira (ou profissão).
1 5,09 0,84 5 1 6 0,6 18,7 80,4
19. escolher cursos técnicos, tecnológicos ou superiores com sabedoria para me preparar para meu futuro profissional.
0 5,25 0,86 6 1 6 0,2 16,4 83,4
Questões de Gênero na Carreira Estou confiante de que posso...
2. compreender a relação entre o meu sexo e
a escolha de uma carreira. 4 5,17 0,94 6 1 6 2,2 14,3 82,7 8. me relacionar bem com pessoas do sexo
oposto no trabalho. 1 5,35 0,81 6 1 6 0,6 10,7 88,5 14. fazer uso dos pontos positivos de ser um
homem ou uma mulher no trabalho. 1 5,24 0,83 6 2 6 0,4 15,7 83,6 20. lidar com obstáculos, críticas e pontos de
vista opostos, se eu escolher uma carreira que é desempenhada principalmente por pessoas do sexo oposto.
3 5,00 0,97 5 1 6 1,5 21,1 76,8
Informação para Escolha Profissional Estou confiante de que posso...
3. compreender um programa de formação
profissional antes de me matricular nele. 3 4,86 0,94 5 2 6 1,9 26,1 71,2 9. coletar informações tais como critérios de
admissão e procedimentos de seleção de cursos das escolas de formação profissional.
2 4,82 0,90 5 2 6 0,9 29,4 69,4
15. pensar sobre a relação entre a minha
escolha de área e as perspectivas de carreira. 7 5,07 0,81 5 3 6 0 20,9 87,7 21. selecionar e me inscrever em cursos
Itens em cada Dimensão
Casos Omissos
Tendência Central e Dispersão Frequência de Respostas (%) Média Desvio
Padrão Moda Mín Máx 1-2 3-4 5-6
diferentes situações econômicas (por exemplo, mudanças, crises) e demandas de trabalho.
Preparação para Busca de Emprego Estou confiante de que posso...
4. dominar técnicas gerais para participar de entrevista de emprego ou estágio (por exemplo, aparência, modos de falar, etc.).
1 5,12 0,90 5 1 6 1,1 18,3 80,6
10. preencher formulários de pedido de
emprego com exatidão. 4 4,83 0,94 5 1 6 1,3 30,6 67,2 16. preparar meu próprio currículo resumido. 0 4,80 1,07 5 1 6 3,7 29,3 67 22. redigir uma carta de apresentação para
busca de emprego. 5 4,61 1,03 5 1 6 3,2 35,5 60,2 Procura de Emprego
Estou confiante de que posso...
5. manter a energia para procurar diferentes oportunidades de trabalho, mesmo quando há dificuldades para encontrar emprego.
4 5,09 0,82 5 2 6 0,4 18,9 79,8
11. procurar trabalho adequado de acordo
com meus interesses e capacidades. 3 5,28 0,77 6 2 6 0,2 13,5 85,7 17. conseguir ajuda de algumas instituições e
contatos para me ajudar a encontrar um emprego.
2 4,81 0,95 5 1 6 1,8 28 69,8
23. encontrar um trabalho adequado com
sucesso. 5 5,10 0,86 5 2 6 0,6 19,4 78,9
Definição de Objetivos de Carreira Estou confiante de que posso...
6. avaliar e modificar meus objetivos de carreira de acordo com mudanças na situação externa.
1 4,77 0,87 5 1 6 0,8 31,9 67
12. resolver os problemas que eu encontrar durante o processo de realização dos meus objetivos de carreira.
2 5,08 0,80 5 2 6 0,6 16,3 82,5
18. dominar as estratégias para alcançar os
meus objetivos na carreira (ou profissão). 1 5,09 0,84 5 2 6 0,2 20,9 78,7 24. melhorar constantemente meus estudos e
plano de carreira para trabalhar em direção a meus objetivos profissionais e de carreira.
1 5,32 0,78 6 2 6 0,4 13,2 86,2
Uma outra observação relevante diz respeito à dispersão das respostas: os valores mínimos foram 1 ou 2 para a maioria dos itens, embora observa-se o valor mínimo 3 no item 15, enquanto o valor máximo foi 6 para todos os itens, o que evidencia a variabilidade de respostas e a sensibilidade dos itens às diferenças individuais. Apesar disso, a apreciação da concentração das respostas nas diferentes faixas de pontuação da escala, bem como das medidas de tendência central, evidencia assimetria para a direita, o que implica em elevados escores de autoeficácia para a amostra, confirmados mais adiante na distribuição dos resultados das subescalas.
As médias variaram de 4,61 (para o item 22 “redigir uma carta de apresentação para
trabalho”.), com mediana 5,03 e modas 5 e 6. Verifica-se que as médias observadas foram
notadamente mais elevadas em comparação ao estudo de Yuen et al. (2005), no qual variaram entre 3,95 e 4,57. Já os desvios padrão apresentaram valores entre 0,77 e 1,07, ligeiramente menores que naquele estudo, quando variaram entre 0,91 e 1,10, o que sugere maior homogeneidade da amostra brasileira no tocante à autoeficácia. É fato que a amostra chinesa era significativamente maior que a brasileira (6776 participantes), o que por si só favorece uma observação mais heterogênea das variáveis. No entanto, é preciso lembrar também a especificidade da amostra brasileira: adolescentes aprendizes, que vivenciam inserção profissional precoce e se submetem a um tipo específico de qualificação para o trabalho, com suporte sócio-profissional especializado na vivência da conciliação e/ou transição escola- trabalho, o que pode favorecer sua autoeficácia de carreira.
A Tabela 14 apresenta a distribuição dos resultados das subescalas do CD-SEI. Para essa pesquisa, adotou-se o cálculo médio dos escores, uma das formas de apuração recomendada pelos autores (Yuen et al., 2004).
Tabela 14 – Distribuição dos resultados das subescalas do CD-SEI – Versão Brasileira. Subescalas do CD-SEI Média Desvio
Padrão Mínimo Máximo
Planejamento de Carreira 5,07 0,65 2,75 6,00
Questões de Gênero na Carreira 5,19 0,61 3,00 6,00
Informação para Escolha Profissional 4,88 0,67 2,50 6,00
Preparação para Busca de Emprego 4,85 0,70 2,50 6,00
Procura de Emprego 5,08 0,58 2,75 6,00
Definição de Objetivos de Carreira 5,07 0,61 3,25 6,00
CD-SEI – Escore Total 5,04 0,52 3,29 6,00
Conforme os critérios de apuração dos resultados propostos originalmente no manual do CD-SEI (Yuen et al., 2004), a pontuação média possível em cada subescala e no escore total do CD-SEI deve variar no intervalo entre 1 e 6, tendo o valor 3,5 como ponto médio. Sendo assim, pode-se considerar que as médias em todas as subescalas foram elevadas para essa amostra, dado que variaram entre 4,85 (em Preparação para Busca de Emprego) e 5,19 (em Questões de Gênero na Carreira), sempre acima do ponto médio estimado. Essa foi uma tendência observada também em outros estudos, embora as médias evidenciadas tenham se mostrado mais baixas que as encontradas junto à presente amostra. No contexto internacional,
Yuen et al. (2005) observaram médias entre 4,10 e 4,34 entre os adolescentes chineses, enquanto em Portugal, as médias observadas por Teixeira et al. (2011) variaram entre 3,67 e 4,06. Já no Brasil, resultados preliminares da pesquisa de Leal (2012) apresentaram médias entre 4,53 e 5,04 junto aos estudantes do Ensino Médio Regular e entre 4,52 e 4,94 junto aos alunos do Ensino Técnico. Esses resultados parecem sugerir que os aprendizes brasileiros se percebem mais autoeficazes frente às tarefas de carreira avaliadas que os demais. E uma última observação se faz relevante nessa comparação: em todos os estudos as médias mais elevadas se referem à dimensão Questões de Gênero e Carreira. Essa tendência pode representar uma boa notícia: adolescentes que participaram em diferentes estudos parecem mais confiantes em se relacionar com pessoas do sexo oposto no trabalho, bem como em lidar com situações de carreira nas quais tenham de enfrentar estigmas de gênero, um sinal de que os mesmos podem estar perdendo força e importância nos diferentes contextos sociais em que esses jovens estão inseridos.
Os desvios padrão variaram entre 0,52 (no score total do CD-SEI) e 0,70 (em
Preparação para Busca de Emprego). As maiores amplitudes observadas foram de 2,5 a 6,
para as dimensões Informação para Escolha Profissional e Preparação para Busca de
Emprego. Já as menores foram de 3,25 a 6 no caso de Definição de Objetivos de Carreira e
de 3,29 a 6 no caso do escore total do CD-SEI.
Comparando-se as médias observadas nas diferentes dimensões do instrumento, pode- se considerar que o ponto forte da amostra diz respeito às Questões de Gênero e Carreira, cuja média foi notadamente mais elevada em comparação com as demais (M = 5,19; DP = 0,61). Já os principais déficits na autoeficácia de carreira desses adolescentes referem-se a aspectos da Preparação para a Busca de Emprego (M = 4,85; DP = 0,70) e de Informação
para Escolha Profissional (M = 4,88; DP = 0,67), que devem ser entendidos como
importantes demandas aos programas de Educação à Carreira.
Vale citar que os achados preliminares de Leal (2012) junto aos alunos do Ensino Médio e Técnico, bem como os de Teixeira et al. (2011) em Portugal, apontam esses mesmos déficits, com a diferença de que esses jovens se percebem menos eficazes em relação à escolha profissional que no tocante às tarefas preparatórias à procura de emprego. Essas diferenças poderiam ser previstas, dadas as realidades distintas vividas por adolescentes trabalhadores e não trabalhadores. Enquanto os primeiros têm a preocupação em logo preparar-se e conseguir uma colocação profissional, bem como experimentam os desafios relacionados à busca de um trabalho, os demais podem ainda não terem se atentado a isso, tendo em vista suas possibilidades de primeiro dedicarem-se às tarefas de carreira voltadas à
escolha profissional, igualmente desafiadoras na adolescência. A propósito, tendo em vista que os adolescentes portugueses estão melhor assistidos pelos serviços de carreira disponíveis naquele país, em comparação aos brasileiros, esses resultados, parecem reforçar uma ampla discussão teórica e prática no tocante ao desenvolvimento nessa fase da vida: a percepção da escolha profissional como um de seus principais dilemas.
No geral, a análise da distribuição dos resultados das escalas demonstrou a variabilidade de respostas entre esses adolescentes, evidenciando a sensibilidade do instrumento às diferenças individuais. Mesmo diante de uma amostra que evidenciou crenças de autoeficácia bastante positivas, foi possível observar casos inferiores ao ponto médio estimado em todas as dimensões avaliadas. Conforme comentado anteriormente, isso é fundamental em avaliação psicológica (Anastasi & Urbina, 2000; Pasquali, 2001; Urbina, 2007). Resultado favorável ao uso do instrumento no Brasil, terá confirmações mais relevantes adiante, com as evidências de validade e precisão apresentadas nas seções seguintes.
Os elevados escores, observados nas diferentes dimensões da autoeficácia de carreira, parecem sugerir que a amostra se percebe competente diante das tarefas do desenvolvimento profissional avaliadas, o que é positivo para o grupo e tende a influenciar positivamente seu amadurecimento. Uma vez mais confiantes, tendem a lançar-se mais a experimentações e a engajar-se mais nas formações e na busca de oportunidades, o que amplia seu rol de possibilidades profissionais, bem como as chances de serem melhor sucedidos nas ações que vierem a empreender. Mas vale lembrar que essas observações merecem ainda cautela, pois esse é apenas um dos primeiros estudos brasileiros a adotar o CD-SEI como medida da autoeficácia, ressaltando-se a importância de novos estudos que contribuam para fortalecer as constatações da presente pesquisa. Investigações que venham a confirmar as qualidades métricas do instrumento, especialmente aquelas com design apropriado para se averiguar a validade convergente e discriminante, trarão contribuições significativas para aumentar a confiança nos resultados aferidos pelo CD-SEI. Além disso, estudos que comparem os escores de aprendizes com adolescentes que vivenciem outras realidades de formação profissional, ou mesmo nenhum engajamento em programas dessa natureza, permitirão considerações mais acertadas quanto a de fato possuírem ou não uma autoeficácia de carreira mais elevada.
Teoricamente, ao se colocar em foco o constructo em questão – a autoeficácia de carreira – esses resultados poderiam ser esperados se consideradas algumas características da amostra e dos serviços de Aprendizagem Profissional a que se vinculam. Esses adolescentes, em sua maioria, já estão inseridos no mundo do trabalho, vivenciam uma formação
profissional estruturada, na qual se busca estimular conhecimentos, habilidades e atitudes como bases ao seu desenvolvimento de carreira, e contam com o acompanhamento e suporte de equipe especializada durante todo o processo de sua inserção profissional como aprendiz. A qualificação e o acompanhamento oferecidos, além do monitoramento das atividades realizadas no estágio e da atenção e feedback pelos gestores, potencializam não apenas as experiências de sucesso, mas o seu reconhecimento e a devolutiva verbal (que pode se caracterizar como persuasão verbal, como considera a Teoria Social Cognitiva), duas importantes fontes de autoeficácia, segundo Bandura (1997). Além disso, possibilitam a intervenção precoce em possíveis situações difíceis que os aprendizes venham a vivenciar, de modo a minimizar seus impactos negativos, bem como promover ações corretivas favoráveis à melhoria do desempenho e das relações no trabalho. Por consequência, levam também a uma atuação com mais chances de sucesso, que tenderá a ser assim percebida e interpretada pelo jovem, favorecendo sua autoeficácia.
Trazendo essa discussão para as tarefas de carreira específicas que o instrumento aborda, vale considerar as intervenções de carreira promovidas nas duas instituições que cederam espaço a essa pesquisa. Nessas, em geral, as questões de carreira são tratadas sob uma ótica abrangente, considerando-se desde a escolha profissional até a definição de objetivos e o planejamento de como alcançá-los, passando pelos desafios e exigências do mundo do trabalho, além dos instrumentais relevantes à busca e manutenção de emprego. Se esses são os focos do CD-SEI, certamente seus resultados trariam possíveis reflexos dessas experiências. Desse modo, poder-se-ia pensar nesses resultados como possíveis indicadores de sucesso dos serviços oferecidos, embora não se tenha essa pretensão aqui, evidentemente; tanto pelo design de pesquisa pouco adequado a esse objetivo, como pela própria necessidade de novos estudos com o instrumento, conforme já sugerido. No entanto, o uso futuro dessa medida no diagnóstico de necessidades, para nortear as intervenções de carreira e, posteriormente como recurso avaliativo dos resultados das mesmas, certamente trará contribuições significativas à verificação da eficácia dos serviços e à melhoria dos mesmos.
Por outro lado, há que se resgatar as experiências relatadas na literatura científica que, ao mencionarem a aparente falta de perspectivas, desamparo e apatia frente ao futuro por parte dos jovens das camadas populares, especialmente aqueles que precisam lançar-se precocemente ao trabalho, motivaram os interesses de pesquisa geradores deste estudo. Dentre eles, destacaram-se: Duran (1995), Sarriera (1998), Sarriera, Câmara e Berlim (2000), Aguillera (2003), Bressan, Godoy e Lunardelli (2004), Arulmani (2005), Aguillera e Caetano (2005), Silva e Scalda (2005), Dias e Soares (2007) e Costa (2007). É fato que esses relatos
não se pautaram na investigação sistemática da autoeficácia de carreira dos jovens; mas suas observações acerca de um evidente desamparo, ou mesmo pessimismo por parte deles, pareciam sugerir possíveis relações desse quadro com crenças de autoeficácia negativas. No entanto, os resultados que aqui se apresentaram evidenciam a elevada autoeficácia de carreira por parte dos aprendizes da amostra. Ficam algumas questões: será que esses adolescentes são mesmo diferenciados em comparação aos dos demais estudos, apesar de igualmente submetidos a situações de desvantagem socioeconômica? A que são devidas essas diferenças na autoeficácia dos jovens, caso sejam comprovadas? Efeito das intervenções de carreira? E da cultura das instituições dedicadas à sua preparação profissional? Como fomentar neles crenças mais positivas e favoráveis ao engajamento em suas carreiras, mesmo diante dos desafios e limites que a situação socioeconômica das famílias os impõe?
Evidencia-se a necessidade de estudos que avaliem mais sistematicamente a autoeficácia de carreira e os projetos de futuro dos jovens mais pobres, em diferentes contextos e realidades sociais, com diferentes oportunidades e experiências de formação e trabalho, explorando-se as diferentes tarefas pressupostas ao desenvolvimento da carreira. Acredita-se que, assim, será possível verificar quais experiências têm sido mais favoráveis ou desfavoráveis à profissionalização e ao desenvolvimento desses jovens, mapear as realidades de fato prejudiciais, subsidiar ações e políticas no combate às mesmas, bem como estimular aquelas que favoreçam o reconhecimento e o investimento nos serviços que, comprovadamente, promovem benefícios à trajetória de carreira de seus usuários.
Dando continuidade ao estudo do Inventário de Autoeficácia em Desenvolvimento da
Carreira, seguem os resultados relativos à validade e precisão do instrumento.
5.1.2.2. Evidências de Validade e Precisão do CD-SEI
O CD-SEI é um instrumento de origem chinesa, cuja primeira versão para uso em contexto brasileiro foi produzida no decorrer dessa pesquisa, conforme mencionado anteriormente. Tendo em vista que seus indicadores de validade de conteúdo foram descritos junto aos cuidados preliminares para sua adaptação (seção 4.4.2.5), a seguir serão apresentados os resultados pertinentes a suas propriedades psicométricas, considerando-se a consistência interna, as correlações entre suas dimensões e a estrutura fatorial.
5.1.2.2.1. Consistência Interna
Como no caso do QEC, apresentado anteriormente, uma análise preliminar da consistência interna do CD-SEI foi pautada na correlação entre cada item e o escore total da subescala a que pertence (correlação item-dimensão), bem como em relação ao instrumento como um todo (correlação item-total). O objetivo foi conferir a homogeneidade dos itens e sua qualidade enquanto representantes das dimensões. Além disso, os coeficientes Alpha de
Cronbach foram estimados para cada subescala e para o CD-SEI completo.
A Tabela 15 apresenta esses resultados.
Tabela 15 – Coeficientes de confiabilidade do CD-SEI – Versão Brasileira.
Dimensão (Alpha)
Itens
Estou confiante de que posso...
Correlação Item-Dimensão Correlação Item-Total Planejamento de Carreira Alfa (α) = 0,76
1. equilibrar meus interesses e perspectivas futuras. 0,541 0,562 7. explorar (pesquisar) diferentes carreiras (ou profissões)
nas áreas de meu interesse. 0,536 0,578
13.compreender minhas habilidades, de modo a me auxiliar
na escolha de uma carreira (ou profissão). 0,560 0,686 19. escolher cursos técnicos, tecnológicos ou superiores
com sabedoria para me preparar para meu futuro profissional. 0,583 0,667 Questões de Gênero na Carreira Alfa (α) = 0,69
2. compreender a relação entre o meu sexo e a escolha de
uma carreira. 0,410 0,481
8. me relacionar bem com pessoas do sexo oposto no
trabalho. 0,448 0,529
14. fazer uso dos pontos positivos de ser um homem ou
uma mulher no trabalho. 0,562 0,645
20. lidar com obstáculos, críticas e pontos de vista opostos, se eu escolher uma carreira que é desempenhada
principalmente por pessoas do sexo oposto.
0,466 0,562
Informação para Escolha
Profissional
Alfa (α) = 0,78
3. compreender um programa de formação profissional
antes de me matricular nele. 0,514 0,605
9. coletar informações tais como critérios de admissão e procedimentos de seleção de cursos das escolas de formação profissional.
0,643 0,663
15. pensar sobre a relação entre a minha escolha de área e
as perspectivas de carreira. 0,606 0,683
21. selecionar e me inscrever em cursos adequados para me preparar para as diferentes situações econômicas (por exemplo, mudanças, crises) e demandas de trabalho.
0,568 0,636
Preparação para Busca de Emprego
Alfa (α) = 0,72
4. dominar técnicas gerais para participar de entrevista de emprego ou estágio (por exemplo, aparência, modos de falar, etc.).
0,453 0,568
10. preencher formulários de pedido de emprego com
exatidão. 0,529 0,624
16. preparar meu próprio currículo resumido. 0,514 0,554 22. redigir uma carta de apresentação para busca de
emprego. 0,538 0,547
Procura de Emprego
Alfa (α) = 0,69
5. manter a energia para procurar diferentes oportunidades de trabalho, mesmo quando há dificuldades para encontrar emprego.
0,390 0,511
11. procurar trabalho adequado de acordo com meus
interesses e capacidades. 0,537 0,672
17. conseguir ajuda de algumas instituições e contatos para
me ajudar a encontrar um emprego. 0,420 0,524
Dimensão (Alpha)
Itens
Estou confiante de que posso...
Correlação Item-Dimensão Correlação Item-Total Definição de Objetivos de Carreira Alfa (α) = 0,76
6. avaliar e modificar meus objetivos de carreira de acordo com mudanças na situação externa.
0,468
0,538 12. resolver os problemas que eu encontrar durante o
processo de realização dos meus objetivos de carreira. 0,638 0,727 18. dominar as estratégias para alcançar os meus objetivos
na carreira (ou profissão). 0,604 0,686
24. melhorar constantemente meus estudos e plano de carreira para trabalhar em direção a meus objetivos profissionais e de carreira.
0,514 0,585
Alfa (α) = 0,94
As correlações item-total observadas nesse estudo variaram entre 0,48 e 0,72, mostrando-se similares às obtidas no estudo de Yuen et al. (2005) em Hong Kong (entre 0,52 e 0,72). No geral, pode-se considerar que as diferenças entre os valores das correlações item- total observados nos dois estudos foram pequenas, sendo que todas essas correlações foram