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I. BÖLÜM

1.3. ESERLERİ

1.3.2. Felsefe ve Teoloji

O mercado de trabalho no Brasil passa a registrar, já desde os anos de 1980, uma trajetória muito diferente, ao compararmos com a sua trajetória anterior. Antes, especificamente no período que vai dos anos de 1930 até 1980, prevalecia um mercado de trabalho que era sustentado pela capacidade de ampliação dos empregos assalariados, principalmente os regulares e os registrados formalmente, ao mesmo tempo, verificava- se a redução do nível de desemprego e das ocupações por conta própria ou até mesmo sem remuneração.

Vale salientar, no entanto, que apesar desse período, ainda mais precisamente de 1960 a 1980, ter se caracterizado por um maior dinamismo na geração das ocupações no Brasil, devemos ter em mente, concordando com Siqueira e Maia (2010), sobretudo a partir da década de 1970, que teremos um período marcado por particularidades, ao mesmo tempo controvertido, heterogêneo e complexo no que diz respeito ao processo de desconcentração produtiva no âmbito regional brasileiro.

Isto porque ao lembrar Tavares (1999), Siqueira e Maia (2010) apontaram para o fato de que os processos que atuaram na composição da urbanização e nos mercado regionais do país, em meio a “fuga para frente” de uma constante apropriação privado do território brasileiro, assim como de uma constante interiorização, que tiveram na expansão da fronteira agrícola e nos processos de industrialização, determinantes desse processo, acabaram também aumentando os estoques de mão de obra nos diferentes espaços urbanos do país, entretanto, mesmo assim tivemos processos econômicos e sociais estruturantes, ainda que de forma incompleta

É somente a partir da década de 1980 que ocorrerá a sinalização de uma ruptura da tentativa de funcionamento de mercado de trabalho estruturante no Brasil e que irá se manifestar, por sua vez, com maior intensidade, nos anos de 1990. O mercado de trabalho, brasileiro, a partir de então, passará a ser caracterizado pelo aumento do desemprego aberto e das ocupações não-assalariadas e pelo decréscimo do próprio salário, sobretudo daquele registrado em carteira, em comparação ao total das ocupações geradas.

É a crise da dívida dos anos de 1980, bem como posteriormente as reformas de caráter neoliberal dos anos de 1990 que dificultarão de maneira incisiva, como lembram Siqueira e Maia (2010), as políticas nacionais de desenvolvimento. Determinou-se uma dinâmica macroeconômica que será profundamente desfavorável ao crescimento econômico, haja vista a ampliação de uma lógica de valorização financeira, tornando defensivo o ajuste patrimonial e produtivo no país.

Tivemos assim dois movimentos diferentes que caracterizariam o comportamento geral do mercado de trabalho brasileiro nos últimos setenta anos, bem definidos, por exemplo, por Pochmann (2008): no período de tempo que vai dos anos de 1930 até 1980, onde se destaca uma estruturação do mercado de trabalho do Brasil, mas, diga-se de passagem, realizada de forma incompleta; e, a partir da década de1980, onde irá prevalecer de fato no mercado de trabalho brasileiro um processo de desestruturação.5

Essa desestruturação pode se observada em várias dimensões, como ressaltaram Siqueira e Maia (2010): fruto de uma inserção internacional vulnerável do país; da manutenção de baixo nível de investimento, com inversões de capital de baixa qualidade; no próprio desadensamento da estrutura produtiva brasileira; na ampliação das desigualdades regionais e na tendência de desconcentração “espúria”, ou seja, como definiu Cano (2008) apud Siqueira e Maia (2010), uma desconcentração que ocorre sob um pífio crescimento econômico e a custa de uma guerra fiscal, contrastando com o período da desconcentração “virtuosa”, principalmente entre 1970 e 1980, caracterizada por políticas de desenvolvimento nacional e regional e com elevado nível de investimento que possibilitaram num aprofundamento da integração da economia brasileira.

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Mercado de trabalho estruturado seria aquele em que há predominância do segmento organizado do mercado de trabalho urbano e que prevalece o avanço das ocupações mais homogêneas; que por sua vez, são sustentadas ou baseadas no tripé: empresas tipicamente capitalistas, administração pública e empresas estatais. Ao mesmo tempo, as suas ocupações se caracterizariam pelo emprego assalariado de forma regula e regularizada. Em contraposição, teríamos o processo de desestruturação, que seria o contrário, caracterizando-se pela manifestação do segmento não organizado, onde as formas principais de ocupação são heterogêneas e não pertencentes, sobretudo, às organizações tipicamente capitalistas, nem tampouco à administração pública e às empresas estatais; características marcantes de um mercado de trabalho típico de economias subdesenvolvidas (POCHMANN, 2008).

A partir da análise da evolução do PIB per capita extraídos dos Censos demográficos produzidos pelo IBGE, Pochmann (2008) observou ou constatou que durante o período ou o ciclo da industrialização da economia brasileira, que vai de 1930 a 1980, há um movimento de estruturação, mesmo que incompleta, do mercado de trabalho no Brasil.

Com o abandono do projeto de industrialização a partir de 1980, já se verifica um comportamento de forte oscilação na evolução do PIB per capita brasileiro, com uma trajetória condizente a um momento de semi-estagnação. Simultaneamente a esse comportamento de semi-estagnação do PIB per capita, o mercado de trabalho no Brasil passa, então, a apresentar características de desestruturação.

A tendência de desestruturação do mercado de trabalho nacional vai até o ano de 2000, prevalecendo intenso desemprego aberto e perda relativa da participação do emprego formal no total das ocupações, como relatado por Pochamnn (2008). É importante frisarmos também, que os dados da PNAD do IBGE, analisados também por Pochmman, mostraram uma trajetória similar à percebida nas pesquisas censitárias, por ele também pesquisado; entretanto, os dados da PNAD já indicavam uma contraposição relativa à desestruturação do mercado de trabalho já a partir do ano de 1999. Esse fato é importante porque o estudo que fizemos sobre o mercado de trabalho no Rio Grande do Norte, objeto de nossa pesquisa de tese, utilizou-se também dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).

5.2. Panorama recente do mercado de trabalho no Brasil: reestruturação ou