ÇANAKKALE CEPHESİ DENİZ HAREKÂTI *
VI. İtilaf Devletleri’nin Çanakkale Boğazı’na 19 Şubat 1915’ten Önceki Saldırıları Çanakkale Boğazı önündeki İtilaf Devletleri donanmasının hareketliliği kasım ve aralık
Seca (PARAÍBA) e Itabaiana e São Cristóvão (SE), no nordeste brasileiro.
Fonte e Organização/cartografia: Base de Pesquisa em Estudos Urbanos e Regionais/DGE/UFRN.
BEZERRA, Josué; BARBOSA, Anieres.
Os municípios pesquisados apresentam características bastante peculiares, cada qual com seu potencial, bem como suas limitações. Os dados oficiais como aqueles levantados por instituições como IBGE, IPEA e Pnud foram bastante úteis, uma vez que os mesmos permitiram desenhar um
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Portanto, ao fazer referência aos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e/ou Sergipe, deve-se interpretar como sendo esses seis municípios.
A tabela 01 traz os dados demográficos segundo os censos 1991 e 2000.
Tabela 01. População residente por Estado por situação de domicílio segundo os censos – 1991 e 2000.
Municípios/ Período
Alagoa Grande Lagoa Seca
1991 2000 1991 2000
Paraíba
Pop. Absoluta Pop. Absoluta Pop. Absoluta Pop. Absoluta Urbana 15.979 16.847 6.378 8.112
Rural 14.149 12.322 15.282 16.042
População Total 30.128 29.169 21.660 24.154
Antonio Martins Apodi
1991 2000 1991 2000
Rio Grande
do Norte Pop. Absoluta Pop. Absoluta Pop. Absoluta Pop. Absoluta
Urbana 2.922 3.157 13.864 16.353
Rural 4.642 3.600 17.311 17.821
População Total 7.564 6.757 31.175 34.174
Itabaiana São Cristóvão
1991 2000 1991 2000
Sergipe
Pop. Absoluta Pop. Absoluta Pop. Absoluta Pop. Absoluta Urbana 41.045 55.472 46.233 63.116
Rural 23.793 21.341 1.325 1.531
População Total 64.838 76.813 47.558 64.647
Fonte: IBGE (1991 e 2000).
Segundo os dados dos censos (1991 e 2000) em Alagoa Grande e Antônio Martins caíram os valores das populações totais (urbana e rural). Isso demonstra a migração geral dos municípios. Ainda nesses municípios, a população urbana cresce significativamente, contudo, a população rural diminui, daí explica-se a queda no valor total, visto que o êxodo acontece para outras localidades fora dos respectivos municípios.
A população residente em áreas rurais é maior em Apodi (RN) e Lagoa Seca (PB). E os que possuem menor contingente populacional na área rural são os municípios de São Cristóvão (SE) e Antonio Martins (RN).
Os números contidos na tabela anterior revelam que uma parcela considerável da população reside no meio rural. Contudo, os mesmos dados também permitem outra importante constatação: a redução dessa população no meio rural, para os municípios de Alagoa Grande (PB), Antonio Martins (RN) e Itabaiana (SE). Sugere um incremento do êxodo rural, traduzido no
deslocamento de contingentes populacionais para as áreas urbanas dos respectivos municípios. Isso porque, os mesmos demonstram elevação do número de pessoas nesse sentido.
Quanto à população rural, é necessário conhecer como se caracteriza os estabelecimentos ditos rurais. Segundo o Censo Agropecuário 1995/96 (IBGE, 1998)40 - considerado a principal referência de consulta em muitos outros trabalhos - nos municípios estudados, a maior quantidade de agricultores classificam-se na categoria de menos de 10 hectares (ha).
Na tentativa de tornar breve essa caracterização convêm destacar, apenas as condições socioeconômicas dos municípios. Para isso, faz-se necessário mostrar os indicadores básicos como educação e renda, uma vez que estes se afirmam como estruturantes no processo de reprodução social. Assim, optou-se por trabalhar com aqueles que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH (educação, longevidade e renda). Segundo os dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - Pnud, os municípios estudados se configuram da seguinte forma (Figura 05).
Figura 05. Indicadores de longevidade, renda, educação e IDH municipal, 2000.
Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2000 (Pnud/Ipea/Fundação João Pinheiro, 2003).
Tomando-se o IDH médio por município, percebe-se que o estado de SE detêm os melhores indicadores. São Cristóvão (SE) ocupa o 5º lugar no ranking estadual de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de 2000 da ONU, com um índice da ordem de 0,700. Já para os demais municípios, dos outros 40
No Censo Agropecuário de 1995-1996, a data de referência para os dados estruturais foi 31/12/1995 (IBGE. Censo Agropecuário 1995-1996 – número 1 – Brasil. Rio de Janeiro, 1998).
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 Alagoa Grande Lagoa Seca Ant. Martins Apodi Itabaiana São Cristóvão IDH-M Renda Longevidade Educação
IDH municipal, sem dúvida, é a educação, seguido do indicador de longevidade para os municípios como Alagoa Grande (PB) e Apodi (RN). Já para o indicador renda, esse apresentou uma significativa contribuição para o aumento do IDH-M para os municípios de Lagoa Seca (PB) e Antonio Martins (RN).
Um outro fator bastante característico em pequenos municípios brasileiros, especialmente aqueles situados no Nordeste do Brasil, é a importância das transferências governamentais para a economia local. A figura 06 mostra esses dados para o ano 2000.
Figura 06. Renda proveniente de transferências governamentais e de trabalho, 1991 e 2000. Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2000 (Pnud/Ipea/Fundação João Pinheiro, 2003).
Todos os municípios apresentam um percentual significativo da população que faz parte de algum programa de transferências direta do governo. Alagoa Grande (PB) é o município com o percentual mais elevado. Esse muncípio também se apresenta como o que possui o maior percentual da população cuja renda, mais de 50%, é proveniente de transferências governamentais.
Esse dado revela a tamanha dependência da população frente a algum benefício41. Convém ressaltar que esses dados correspondem ao censo de 2000. Certamente esses valores aumentaram, tendo em vista a atual cobertura do principal programa de transferência de renda do governo federal – o Bolsa Família - BF42 e ainda das aposentadorias e pensões.
Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS (2006), o percentual médio de cobertura do Programa BF em relação ao acompanhamento das condicionalidades de saúde no estado da Paraíba foi de 61,0%. Em Alagoa Grande (PB) 6.196 famílias foram beneficiadas, representando um total de recursos transferidos no mês de
41 Total de recursos repassados ao município com programas de renda mínima do Governo Federal:
1.036,100. Fonte: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), 2006.
42 O Bolsa-Família vem unificando os seguintes programas de transferência de renda do Governo Federal:
Bolsa-Escola, Auxílio-Gás, Bolsa-Alimentação e Cartão- Alimentação. Instituído pela Medida Provisória nº 132, de 20 de outubro de 2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004.
26,38 54,38 25,91 20,04 56,81 19,1 19,21 63,12 19,2522,43 52,66 22,5 17,23 65,43 15,49 14,6 63,42 13,19 0 10 20 30 40 50 60 70
%
Alagoa GrandeLagoa Sec aAnt.Martins Apodi Itabaiana São Crsitóvão
% da renda proveniente de transferências governamentais % da renda proveniente de rendimentos do Trabalho
% de pessoas com mais de 50% da renda provenientes de trasnferências governamentais
foram beneficiadas 2.625 famílias, sendo que o total de recursos transferidos foi de R$ 4.933,50.
Para o estado do Rio Grande do Norte o percentual de cobertura foi de 81,5%. No município de Antonio Martins (RN). No mesmo período de referência, este possuía 1.296 famílias cadastradas recebendo o benefício, perfazendo um total de mais R$ 3.304,10. Enquanto que no município de Apodi (RN), no ano de 2006, o programa BF atendeu 5.700 famílias sendo o valor médio do benefício R$ 61,90 reais por família, totalizando um montante R$ 352.819,00 recebidos pelo município.
O percentual médio de cobertura do Programa BF em relação ao acompanhamento das condicionalidades de saúde no estado de Sergipe foi de 57,9%.
Segundo o relatório “Sobre a recente queda da desigualdade de renda
no Brasil” (IPEA, 2006) o aumento na cobertura do programa BF veio
acompanhado de maior inclusão da população mais carente. Além disso, o BF baseou sua expansão em aumento de cobertura, ao invés de aumento no valor do benefício entre os que já recebiam. No caso das pensões e aposentadorias públicas ocorreu o contrário. Apenas uma fração irrisória de sua contribuição para a queda da desigualdade veio da expansão da cobertura.
Segundo essa pesquisa do IPEA são cinco os determinantes imediatos da renda familiar per capita e sobre os quais a análise está concentrada: a) características demográficas das famílias; b) transferências de renda; c) remuneração de ativos; d) acesso a trabalho, desemprego e participação no mercado de trabalho; e e) distribuição dos rendimentos do trabalho.
Os indicadores de pobreza utilizados constaram que o percentual de pobres reduziu de 33.3 em 2001 para 31.5 em 2004. O hiato de pobreza passou de 15.1 (2001) para 13.1 (2004) e a severidade da pobreza de 9.3 para 7.7, também no meso período. Em relação aos indicadores de extrema pobreza o percentual de pobres passou de 14.3 para 12, o hiato de 6.2 para 4.8 e severidade da pobreza de 4.0 para 3.0 considerando a mesma referência de tempo (IPEA, 2006).
Como esta pesquisa baseia-se em investigar o padrão alimentar de familias rurais, mais especificamente os beneficiários do grupo B do pronaf que por sua vez caracterizam-se por ser uma população de baixa renda. Algumas considerações podem ser feitas no sentido de conhecer como se destingue cada um dos municpios pesquisados. Particularmente, no que diz respeito ao percentual de pobres e indigentes dessa população (Figura 07).
Figura 07. Distribuição dos indicadores de indigência e pobreza segundo os dados do censo 2000.
Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2000 (Pnud/Ipea/Fundação João Pinheiro, 2003).
Mesmo considerando que os dados do gráfico anterior não fazem distinção entre áreas urbanas e rurais é importante analisá-los. Nesse sentido, ressalta-se que dos municípios estudados Antonio Martins (RN) apresenta o maior percentual para as duas categorias estabelecidas – pobres e indigentes, 74,84% e 50,37% respectivamente, seguido por Alagoa Grande (PB).
Mais uma vez, os municípios do estado de Sergipe apresentaram os menores percentuais. Outros estudos descrevem esses dados de forma otimista, pois os mesmos refletem a sua dinamicidade econômica frente a outros municípios do estado. Itabaiana, por exemplo, caracteriza-se por ter uma importância significativa para a região do agreste sergipano.
A posição intermediária dos outros municípios Apodi (RN) e Lagoa Seca (PB), não os favorecem, pois os mesmo se encontram bem próximos daqueles municípios que apresentaram os piores indicadores de pobreza e indigência.
Os censos do IBGE, ou mesmo os dados já trabalhados pelo Pnud, não são suficientemente detalhados para fornecerem mais do que dados
37,41 65,83 26,44 57,41 50,37 74,84 36,53 62,13 20,07 46,61 24,69 33,82 0 20 40 60 80
%
A la go a G ra nd e L a go a S e c a A n t .M a rt ins A po d i It a ba ia na S ã o C rs it ó v ã o % de indigentes % de pobresda realidade das famílias rurais fez-se necessário ampliar o campo de busca, através de uma pesquisa de campo realizada em 2006. O mês de novembro foi considerado o melhor período, vez que até o final de outubro, a maioria da população brasileira tinha suas atenções voltadas para as eleições (Governo dos estados e Presidente da República).
A viagem até o chamado “rural profundo”43 possibilitou uma reflexão mais acurada a respeito das inúmeras dificuldades impostas a essa população. A ausência de tudo: de políticas, de recursos, de estrutura, de cidadania. Enfim se tornou muito mais evidente do que visualizar meros números em gráficos e tabelas cuja oficialidade os torna públicos.
Convém esclarecer que antes da pesquisa de campo, propriamente dita, houve um processo de seleção da amostra (estados, municípios, e sujeitos). Ressalta-se, também que este estudo fez parte de uma pesquisa mais ampla intitulada “Impactos do Pronaf B sobre o meio rural do Nordeste” e que foi realizada no âmbito do Núcleo Avançado de Políticas Públicas – NAPP/UFRN44. Com o apoio do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura - IICA/ Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural - NEAD.
Para definição dos três estados pesquisados foi tomado como parâmetro o maior número de aplicações do Pronaf B, proporcionalmente ao número de agricultores familiares no período de referência temporal das três últimas safras: 2003/2004, 2004/2005 e 2005/2006. Feitas as devidas apurações, despontaram com maior proporcionalidade os estados: Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Os dois municípios pesquisados por estado foram escolhidos utilizando- se como critério o maior número de operações do Pronaf B contratadas na safra 2003/2004. A utilização de apenas a primeira safra da série para escolha
43 Terminologia usada por Graziano da Silva (2001, p. 06) para caracterizar o meio rural mais
tradicional.
44 Essa, por sua vez, se propôs a investigar sobe a efetividade dessa modalidade de crédito junto às
famílias beneficiadas, priorizando-se o estudo dos impactos dos financiamentos para os municípios e o uso do financiamento como um fator que potencializa e gera oportunidades e mudanças na qualidade de vida dessas famílias.
do município foi devido ao fato de se aumentar assim as possibilidades de se captar o maior movimento dos produtores nas diferentes safras do período.
Assim, a comparação entre o total de contratos efetivados por município nos três estados anteriormente escolhidos levou a seguinte definição: a) Paraíba – Lagoa Seca e Lagoa Grande; b) Rio Grande do Norte – Apodi e Antonio Martins; e, c) Sergipe – São Cristóvão e Itabaiana.
O número de questionários aplicados foi definido a partir do cálculo de 5% do total de contratos do Pronaf B realizado por município. A proporção de 5% foi adotada a partir da perspectiva de que o universo dos agricultores familiares classificados como público do Pronaf B, por serem os mais pobres, não apresentaria uma diversidade muito grande no que se refere: características de acesso e posse dos meios de produção; nível tecnológico; quantidade produzida; acesso a crédito e assistência técnica; e organização interna da produção.
O trabalho de campo contou ainda com a execução prévia de três etapas, a saber:
1) Contato com funcionários do Banco do Nordeste - BNB, para obtenção de listagem com os nomes dos tomadores de crédito do Pronaf B nos municípios selecionados;
2) Escolha aleatória dos beneficiários pesquisados, utilizando a ferramenta do Windows Explorer e do Microsoft Office Excel 200345 e,
3) Definição da amostra utilizando-se como intervalos de entrada todos os nomes dos beneficiários.
Foi utilizado como margem de segurança, para cada município, 20 (vinte) beneficiários a mais. Assim, foi possível inferir em definitivo a amostra, salvaguardando de possíveis repetições, ou mesmo, de algum imprevisto que pudesse ocorrer durante a pesquisa de campo (Quadro 1).
Quadro 01. Distribuição do número de questionários a serem aplicados em cada município com a sua respectiva margem de segurança.
Município/UF Nº dos Beneficiários a Serem pesquisados Nº de Beneficiários com margem de segurança 45 Através do menu ferramentas Î Suplementos Î Análise de dados Î Análise de Estatística Î
Alagoa Grande
(Paraíba) 42 49
Lagoa Seca (Paraíba) 37 50
Antonio Martins (Rio
Grande do Norte) 47 66
Apodi (Rio Grande do Norte)
63 81
Itabaiana (Sergipe) 44 55
São Cristóvão
(Sergipe) 63 76
3.2 As fontes: os principais sujeitos
Sou fio das mata, cantô da mão grosa Trabaio na roça, de inverno e de estio A minha chupana é tapada de barro Só fumo cigarro de paia de mio. Sou poeta das brenha, não faço o papé De argum menestrê, ou errante cantô Que veve vagando, com sua viola, Cantando, pachola, à percura de amo. (O Poeta da Roça Patativa do Assaré)
Os beneficiários do Pronaf B serviram como sujeitos principais para a realização dessa pesquisa.
Bastos (2006) refere-se aos agricultores familiares classificados no grupo B do Pronaf, como os que possuem as condições de vida mais precárias. Isto é, são basicamente famílias com baixa renda (até 1.500,00 mil reais/ano)46, trabalhadores rurais e aqueles que utilizam a terra de forma mais precária como os parceiros, pequenos arrendatários e ocupantes, além de pescadores artesanais.
Um outro estudo realizado por Carvalho e Alvarenga (2006) no estado de Minas Gerais ao traçar o perfil dos beneficiários do grupo B do Pronaf revela que esses se dedicam à atividade rural há muitos anos. Esse fato, segundo as autoras, explica a dependência das famílias para com o meio rural. As pesquisadoras esclarecem ainda que essa categoria de produtores explora intensivamente a pouca terra de que dispõem, utilizando ao máximo a mão- de-obra familiar não-remunerada. Há grande escassez de capital, e os recursos produtivos utilizados na produção agropecuária são rudimentares e tradicionais.
entanto, a maioria possui uma análise economicista sob a ótica da sustentabilidade enquanto política de credito, sendo poucos os estudos que exploram o estilo de vida, as condições de sobrevivência, ou ainda a situação de segurança alimentar48. É possível afirmar que os mesmos são muito úteis
uma vez que possibilitam uma avaliação comparativa com os dados do presente estudo.
A experiência de trabalhar com dados primários, através da aplicação de questionário, foi bastante compensadora. Isso porque fazer parte, mesmo que por pouco tempo, da realidade vivida pelos agricultores serviu para analisar com menos sisudez, porém com a devida seriedade, as inúmeras informações contidas nas 13 páginas do questionário (Anexo 01).
47 BASTOS (2006a, 2006b); MAGALHÃES; ABRAMOVAY (2006); CARVALHO; ALVARENGA (2006); SILVA;
CORRÊA; NEDER (2006); SOUSA; VALENTE JÚNIOR (2006).
48 Salvo algumas pesquisas realizadas no final da década de 70 sobre o tema “Hábitos e Ideologias
Alimentares em Grupos Sociais de Baixa Renda”, foram realizadas onze pesquisas de campo com grupos sociais rurais e urbanos, nas regiões Amazônica, Nordeste, Centro Oeste e Leste, abrangendo camponeses “independentes” em regiões de fronteiras (WOORTMANN, 1978). Ou ainda àquelas que exploram a questão do autoconsumo, mas que também embute o viés econômico.
3.3 Como ferramenta: o questionário
É exatamente a vida, que aguçando nossa curiosidade, nos leva ao conhecimento; é o direito de todos à vida que nos faz solidários. Pulo Freire
A pesquisa foi realizada por meio da aplicação de um questionário semi-estruturado. Segundo Minayo (1994) facilita a obtenção de informações consideradas objetivas e subjetivas, sendo, uma ferramenta importante já que a busca destas às fontes secundárias impossibilita o pesquisador de relacionar, no procedimento de análise, valores referentes às atitudes e às opiniões dos sujeitos entrevistados.
Através das questões ditas “abertas” foi possível trazer para a análise o testemunho dos próprios agricultores e trabalhadores rurais sobre a essência das suas condições de vida: família, moradia, alimentação, acesso à educação, saúde, programas governamentais; e de trabalho: acesso à terra, ao crédito, regime e qualidade das relações de trabalho. Além do seu estilo e perspectiva de vida: consumo, alimentos, dificuldades, aspirações, frustrações.
A escolha desse recurso como coleta de dados, mesmo parecendo “amarrado”, não impediu que os entrevistados revelassem seus sentimentos, suas impressões ou suas expressões.
Como foi mencionado, anteriormente, esse trabalho é parte de uma pesquisa maior, nesse sentido, o item referente aos aspectos gerais da residência e da família, foi o que mais contribuiu para as análises desta pesquisa:
9 Tipo de escoamento sanitário; 9Variedade da alimentação;
9 Número de cômodos; 9Freqüência das refeições/alimentos; 9Benefício/ajuda em dinheiro;
9 Material utilizado na construção da
casa; 9Programas que a família tem acesso.
As questões relacionadas à segurança alimentar ou ainda ao padrão de consumo alimentar das famílias rurais merecem algumas considerações. A idéia inicial era a de aplicar a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar – EBIA. Esse instrumento permite perceber e, principalmente classificar a IA em seus vários níveis: leve, moderada e grave. A estrutura da escala é constituída por 15 questões e possui agrupamentos conceituais e uma forma de classificação descrita, cujas condições permitem estimar as prevalências de SA das unidades domiciliares. O instrumento adaptado foi previamente validado por Corrêa et. alli (2004)49.
Contudo, a escala não foi utilizada integralmente por uma opção metodológica. Apesar de haver uma recomendação estrita, de não utilizá-la em procedimentos analíticos a partir de uma ou mais de suas perguntas de forma isolada. Pois segundo as recomendações da equipe técnica da PNAD (IBGE, 2006) implicaria em resultados não-consistentes e não-comparáveis com àqueles apresentados pelo IBGE.
Como se tinha consciência da não utilização comparativa dos resultados dessa pesquisa com as análises do IBGE, registrou-se essa “restrição” metodológica imposta e optou-se por aplicar algumas das alternativas da EBIA50, agregando outras informações como: forma de aquisição de alimentos
49 A estrutura da escala permite não só classificar o grau de IA, mas também de prever o medo de passar
fome, ou seja, desde a preocupação de que o alimento venha a acabar antes que haja dinheiro para comprar mais, o que configura uma dimensão psicológica da IA, passando, em seguida, pela insegurança relativa ao comprometimento da qualidade da dieta, porém ainda sem restrição quantitativa, até chegar ao ponto mais grave, que é a insegurança quantitativa, situação em que a família passa por períodos concretos de restrição na disponibilidade de alimentos para seus membros. Esse instrumento foi recentemente utilizado pela PNAD (IBGE, 2006) e resultou na publicação do suplemento especial de Segurança Alimentar.
50 a) O Sr. (a) considera que a alimentação da sua família é em quantidade suficiente para todas as
pessoas? Sim Não Por quê?
b) O Sr. (a) considera que a alimentação da sua família tem variedade? Sim Não Por quê?
c) Nos últimos 3 meses o (a) Sr. (a) sentiu PREOCUPAÇÃO de que a comida na sua casa iria acabar e não tinha dinheiro para comprar mais alimento?
(produção para o autoconsumo, compra via mercado), aplicação de um Questionário de Freqüência Alimentar (QFA) e ainda as condições de moradia,