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Çanakkale’de Türk Askeri ve Mustafa Kemal

“Outro aspecto perverso da vulnerabilidade é a escassa disponibilidade de recursos materiais ou simbólicos a indivíduos ou grupos excluídos da sociedade.” (Miriam Abramovay e Leonardo Castro Pinheiro)

A vulnerabilidade está no rol das desigualdades sociais, e está associada às questões inerentes ao risco social (violência, problemas ambientais, exclusão, pobreza, entre outros), quando em outro momento tecemos algumas linhas acerca do conceito de pobreza e sua relação com a questão de renda e de atenção às necessidades básicas. Podemos, segundo a citação acima, inferir que a vulnerabilidade segue para além da questão da subsistência. Ela ingressa nas questões simbólicas. Concordamos com os autores, quando afirmam a perversidade de tal situação, proporcionada pela carência de recursos materiais e imateriais.

Conforme já mencionado, o uso do termo vulnerabilidade social no estudo da reprodução das desigualdades sociais, no contexto brasileiro é recente. Entretanto, contribuições importantes podem ser identificadas, Observatório das Metrópoles/IPPUR/UFRJ16, que constitui um Instituto virtual entre Universidades Brasileiras, elaborou um estudo denominado, “Análise das Regiões Metropolitanas do Brasil. Construção de Tipologias, Tipologia Social e Identificação de Áreas Vulneráveis,” tal estudo tem como recorte as Regiões Metropolitanas brasileiras e o Livro Novas metrópoles Paulistas: população, vulnerabilidade e segregação, do grupo de estudos da Unicamp, que constitui uma série de artigos relacionados ao tema da vulnerabilidade.

Neste trabalho, nos inspiramos nos estudos acerca da vulnerabilidade social nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, elaborado no relatório citado acima, cuja autoria foi da Rede Metrópoles, o qual resgata o conceito de vulnerabilidade social, partindo de um conjunto de estudos sobre a vulnerabilidade social das cidades

16O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional – IPPUR, criado em sessão de 25 de

metropolitanas latinoamericanas elaborados por Rúben Kaztman e Fernando Filgueira. O relatório diz:

Segundo documentos da CEPAL, a vulnerabilidade é definida como ‘a qualidade de vulnerável’, ‘qualidade que se aplica àquele’ que pode ser ferido ou receber lesão física ou moralmente. Para que se produza um dano deve concorrer um, evento potencialmente adverso - isto é, um risco, que pode ser exógeno ou endógeno - uma incapacidade de resposta frente a tal contingência-já seja devido à ausência de defesas idôneas ou à carência de fontes de apoio externas – e uma inabilidade para adaptar-se ao novo cenário gerado pela materialização do risco (CEPAL, 1999 apud ANÁLISE DAS REGIÕES METROPOLITANAS DO BRASIL, 2005; p. 25-26).

E, continua afirmando que:

Assumimos a vulnerabilidade como a situação de risco que veda ou bloqueia os segmentos mais fragilizados socialmente de adquirirem os recursos necessários à plena integração na sociedade que vem imergindo, no Brasil,desde os anos 80,quando se inicia a crise do modelo de desenvolvimento caracterizado pela substituição de importações, ao mesmo tempo em que, imerge o modelo sócio- produtivo fundado nos parâmetros da revolução molecular-digital e na flexibilização do trabalho (CEPAL, 1999 apud ANÁLISE DAS REGIÕES METROPOLITANAS DO BRASIL, 2005; p. 26).

O estudo da CEPAL, citado no relatório, resgata o panorama ou o alicerce do qual o termo vulnerabilidade está apoiado historicamente: na crise do suposto Estado de Bem-Estar na América Latina e adoção de políticas neoliberais; tecnologia, adotadas em meados do século passado e, além de hoje vivenciarmos a revolução não somente tecnológica, mas, a revolução do conhecimento técnico – cientifico. Hoje, a sociedade está impactada pelo rápido avanço do conhecimento em todas as áreas; passa do poderio econômico para o poderio da informação tecnológica; vide, hoje, países tidos como emergentes têm o poder de dizimar a população mundial com suas armas químicas. Com o surgimento de inovações técnico-científicas, o homem, em algumas atividades, foi colocado em segundo plano, cedendo lugar às máquinas, em seus postos de trabalho. Apesar das disparidades existirem historicamente, somente após o término da Segunda Guerra

Mundial é que as desigualdades entre as nações do mundo receberam atenção pública.

Neste sentido, entendemos que segmentos vulneráveis da sociedade como os jovens oriundos de famílias com laços frágeis de inserção na sociedade, com baixo número em anos de estudo e moradores de áreas urbanas com risco social eminente, e que apesar da crescente urbanização e elevado número de serviços, ditos como modernos (transações bancárias, presença de multinacionais, maior quantidade de aparelhos educacionais, novos espaços de sociabilidade como os shoppings centers, entre outros), estas camadas, em situação de vulnerabilidade, por não acessarem serviços básicos e essenciais como saúde e educação, estarão expostas ao risco social e, conseqüentemente, à marginalidade. A marginalidade, segundo o autor do fragmento abaixo, origina-se após a Segunda Guerra Mundial, para caracterizar a nova configuração urbana e a precariedade nos serviços do entorno geográfico. A ausência de serviços básicos como: água, luz, transportes, segurança afirmam a precariedade com que as populações marginais convivem, em seus espaços de habitabilidade.

A palavra [marginalidade] introduziu-se em nosso meio como referência a certos problemas surgidos no processo de urbanização posterior à Segunda Guerra Mundial, como conseqüência do estabelecimento de núcleos de populações recentes e de características sub-standard na periferia do corpo urbano tradicional da maior parte das cidades latinoamericanas. ... Como, precisamente, esses povoamentos se levantaram em regra geral, nas bordas ou margens do corpo urbano tradicional das cidades, o mais fácil era denominá-los “bairros marginais” e seus habitantes, “populações marginais”. ... O problema que estes grupamentos encerravam se constituiu no problema das “populações marginais... “não era unicamente a moradia ou a habitação como tais que se encontravam em precariedade, mas todo o conjunto de ‘serviços comunais’ (água, esgoto, luz elétrica,transportes) de certas áreas da cidade” (QUIJANO, 1978; p. 18 apud MAIOLINO & MANCEBO, 2005; p. 1).

A diminuição de postos de trabalho, provocado pelo avanço tecnológico, da grande revolução digital que vivenciamos, é um fator da diminuição de renda das camadas médias que migram para estratos menos favorecidos. Nas camadas tidas como vulneráveis, a renda é mínima, onde, em muitos casos, a população encontra-

se abaixo da linha de pobreza17. A desigualdade não é vista de uma forma tão equivocada quanto a pobreza, pois a pobreza é, muitas vezes, mitigada assistencialista de forma filantrópica, e com ações pontuais tanto por parte do Estado quanto da sociedade: campanha de doação de alimentos, doações de cestas básicas, “esmola” a um pobre, a “boa ação” do dia, basta para muitos no combate à pobreza urbana. “No senso comum, a desigualdade é vista de forma ‘natural”, pois uns nascem ricos e outros pobres; é a ordem natural das “coisas”. Seria uma forma determinista, de afirmação da desigualdade.

A vulnerabilidade não é o mesmo que pobreza, mas a inclui. Ser pobre, segundo Katzman (2005), é quando não se satisfazem as necessidades básicas. A vulnerabilidade transcende esta situação de não satisfação das necessidades, pois, ela tem um valor também simbólico. O autor define vulnerabilidade, como sendo:

Vulnerabilidad no es exactamente lo mismo que pobreza se bien la incluye. Esta última hace referencia a uma situación de carência efectiva y actual mientras que la vulnerabilidad trasciende esta condción proyectando a futuro la posibilidad de padeceria a partir de ciertas debilidades, que se constatan em el presente. (KATZMAN, 2005, p. 04).

E amplia seu conceito, dizendo que:

Em su sentido amplio la categoria de vulnerabilidad refleja dos condiciones: la de los “vulnerados”, que se assimila a la condición de pobreza es decir que ya padecen uma carência efectiva que implica la imposibilidad actual de sostinimiento y desarrollo y uma debilidad a futuro a partir de esta incapacidad y la de los “vulnerables” para quienes el deterioro de sus condiciones de vida no esta yamateralizado sino que aparece como uma situácion de alta probabilidad em um futuro cercano a partir de las condiciones de fragilidad que los afecte. (KATZAM, 2005, p. 04).

17 As linhas de pobreza oficiais do Brasil, calculadas pelo IPEA (R$ 62,00 per capita/mês no caso de

pobreza extrema e R$ 125,00 no caso de pobreza). Esses valores correspondem, aproximadamente a ¼ e ½ de um salário mínimo per capita/mês, ou cerca de US$ 25,00 e US$ 50,00 respectivamente. Para cálculo dos novos parâmetros é necessário observar o valor do salário mínimo atual (HERRAN, 2005, p. 8).

A vulnerabilidade, então, não diz respeito a uma situação de risco presente, mas afirma uma situação de risco futura, uma debilidade que pode acompanhar a trajetória de vida dos indivíduos, e que influencia suas escolhas quanto ao padrão de vida que o mesmo possa alcançar.

A vulnerabilidade social é um conjunto de três componentes dependentes entre si que são: risco, inabilidade de adaptar-se ativamente à situação e incapacidade de resposta. Seria um bloqueio ao enfrentamento das situações de risco social, impossibilitando os indivíduos de ascenderem socialmente. Logo, estes componentes são interligados, formando uma cadeia negativa. A figura 1 ilustra tal afirmação.

Figura 01: Vulnerabilidade Social e Seus Componentes

Fonte: A autora, baseado nos texto de Rúben Kaztman.

Vulnerabilidade diz respeito à falta de ativos materiais e imateriais a que, determinado indivíduo ou grupo está exposto a sofrer futuramente, alterações bruscas e significativas em seus níveis de vida. No estudo realizado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (UNESCO) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que originou o livro “Juventude,

INABILIDADE PARA ADAPTAR-SE