4. NEOLİTİK ÇAĞ’DAN ROMA DÖNEMİ’NE KADAR KİLİKYA BÖLGESİ’NDE TİCARET 52
4.3. Demir Çağı’nda Kilikya Bölgesi’nde Ticaret 63
A cidade de Assú está localizada a 246 km de Natal, capital do estado. Nela vivem, atualmente, mais de 48.000 habitantes. Foi elevada à categoria de município por meio da Lei Provincial de n. 124, de 16 de outubro de 1845 (PINHEIRO, 2001). É uma cidade que valoriza bastante a cultura popular e se tornou conhecida como a Atenas Norte-Rio- Grandense, ou o município dos poetas, em virtude das muitas manifestações artísticas de alguns de seus habitantes, como, por exemplo, o artigo de Ferreira (2007) sobre o poeta assuense Renato Caldas. No mês de junho, a administração municipal costuma promover uma festa para o padroeiro da cidade, a qual já recebeu o título de “a festa de São João mais antiga do mundo”.
Além disso, Assú é um grande produtor de frutas e, também, de petróleo, configurando-se, assim, como uma forte economia dentro do estado do Rio Grande do Norte. Por essa razão, a cidade foi a primeira a receber, em 1974, um Campus Avançado da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) após a fundação do seu campus sede em 1968, na cidade de Mossoró.
Em relação à Educação, segundo o relato de Pinheiro (2001), a institucionalização da escola pública em Assú deu-se por meio dos Grupos Escolares, os quais se constituíram como um passo de modernidade dado pela cidade rumo à instrução de seus munícipes. De acordo com a autora, em 1908, o RN seguiu o exemplo dos demais estados brasileiros, criando tais instituições, as quais:
[...] utilizavam métodos modernos de ensino nas salas, em substituição às Cadeiras de Instrução Primária. Essa modalidade de instituição escolar [os Grupos Escolares...] constituía um conjunto de escolas com direção comum, embora cada qual mantivesse sua organização interna. Nesse
estabelecimento de ensino se desenvolvia o curso primário, traduzido pelas escolas infantil e elementar, podendo funcionar com turmas mistas ou por sexo. [...] A cidade de Assú, assim como todo o estado do Rio Grande do Norte, não contava com prédios destinados ao desenvolvimento de práticas escolares. Até então as escolas funcionavam na residência do(a) professor(a). A preocupação do poder público estadual em criar estabelecimentos próprios ao ensino, atendia às mudanças que ocorreram na economia brasileira, no processo de formação do Estado Moderno, durante a primeira metade do século XX. Embora de forma emergente, a sociedade brasileira vivia um período de industrialização, que exigia a modernidade e racionalidade dos setores público e privado (PINHEIRO, 2001, p. 33-34).
Tal procedimento ainda orienta as instituições escolares da cidade, as quais tiveram de passar por modificações acentuadas tanto no que se refere à estrutura física quanto à forma de organização, mormente nos aspectos administrativos e didático-pedagógicos.
Nesse sentido, de acordo com o que pude constatar, atualmente, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura administra o funcionamento das escolas públicas municipais dividindo-as em 08 Centros Regionais de Ensino (CRE). Há centros que chegam a reunir até 05 escolas de Ensino Fundamental, as quais funcionam algumas com a modalidade da EJA e outras sem. Ao tomar como base esses dados, penso que apresentá-las pode ser relevante na medida em que elas tendem a nos fazer ampliar a compreensão sobre a política de educação em Assú, possibilitando uma elaboração de hipóteses sobre o que parece ser prioridade, de fato, em termos de atendimento educacional para o município.
Isto se justifica porque a EJA deveria configurar uma experiência educacional de jovens e adultos, realizada, conjuntamente, pela instituição educativa, a família e a sociedade. Todavia, ela parece ter se tornado uma tarefa, quase que exclusiva, da primeira parte desse triângulo. Além disso, a instituição educativa é tomada, na prática, apenas como sinônimo das ações empreendidas pelo professor, desconsiderando-se a relevante atuação que deveria ter a supervisão escolar, a coordenação pedagógica e, sobretudo o gestor da instituição. Em complemento, destaco, ainda, as interpretações equivocadas de alguns setores da administração pública acerca do que é uma experiência educativa em escolas, especialmente em relação às camadas populares.
Denuncio, por um lado, “a submissão, o disciplinamento, o silêncio e a obediência” do aluno, e por outro, uma “escolarização carente”, realizada, por meio de atividades como a alfabetização e a numeralização, em geral ações educativas “pobres e empobrecedoras”. Por esse motivo, a educação municipal vem sendo avaliada como detentora de baixos índices de qualidade, como uma ação orientada pelos modelos assistencialista e/ou escolar, além de uma política que ainda dista da concretização do desejo de melhorar o atendimento aos jovens e
adultos. No entanto, não se pode, simplesmente, atribuir tais fatores aos professores e às suas limitações, especialmente naquilo que concerne à formação específica que tal campo de conhecimento demanda.
No que diz respeito, especificamente à EJA, a cidade de Assú parece seguir o “modelo” de grande parte dos municípios brasileiros, tratando-a como sendo um encargo a ser distribuído entre os setores de assistência social, especialmente as escolas, e os órgãos ligados à educação, sob cuja responsabilidade está a parte mais significativa da oferta de educação.
Em todo o município de Assú, é oferecido o atendimento para 29 turmas da EJA, atingindo o contingente de 570 alunos, esses dados são referentes à matrícula na EJA no ano de 2009. De acordo com esses números, é possível calcular a presença média por turma que é de 30 alunos. Essa frequência foi constatada por mim em uma das escolas da EJA, na qual se localizam 06 turmas de Educação de Jovens e Adultos, foi nessa instituição que fixei a atividade de pesquisa. A escolha se justificou porque considerei que o trabalho de construção dos dados poderia render “bons frutos” se eu o vivenciasse, com mais afinco, no dia a dia dos professores de uma mesma escola. Por esse motivo, decidi trabalhar na Escola Municipal Walter de Sá Leitão de Assú, nome fictício atribuído por mim à referida escola que concentra as 06 turmas da EJA. A escolha do nome fictício da escola se justifica por ter uma relação direta com a formação dos professores sujeitos deste trabalho e minha atuação como professor da UERN, pois esse é o nome do campus da UERN em Assú.
É importante salientar que o nome da escola é fictício não apenas para resguardar a identidade da escola, mas também porque nela a EJA divide espaço com outros níveis de Educação Básica. A instituição de ensino trabalha com o Ensino Fundamental (anos finais) pela manhã, tarde e noite, mantendo, igualmente, na modalidade de Educação para Jovens e Adultos, algumas turmas nesses turnos. Como é possível supor, a EJA não é prioridade nessa escola e, por isso, as turmas de jovens e adultos disputam pelo espaço, destinado a outros alunos em idade regular de ensino.
O espaço que é reservado para a EJA se localiza na parte baixa do terreno da escola, ao lado da quadra de esportes. Ali, encontra-se um bloco de salas muito pequenas e bem próximas umas das outras, o que dificulta o trabalho docente em razão do barulho produzido pelos alunos. Desde minhas primeiras visitas à escola no final do ano de 2008, para o início da pesquisa em 2009, até o final daquele ano, as aulas foram realizadas no mencionado bloco de salas. Como consequência das reclamações constantes acerca da má acomodação dos alunos e do pouco espaço para desenvolver as atividades, a prefeitura de Assú, por meio da Secretaria de Educação, prometeu reformar e ampliar as referidas salas, no início no primeiro
semestre de 2009, antes do começo do ano, nos meses de janeiro e fevereiro. Todavia, isso não aconteceu.
Como tal reforma chegou mais tarde, somente no mês de março, as salas tornaram-se inviáveis para qualquer tipo de atividade. Assim, a direção da instituição, juntamente com o corpo docente e as famílias dos alunos, decidiu iniciar as aulas, utilizando outras salas porque julgou inadmissível um adiamento por mais tempo. Considerou-se, também, que a reforma das salas jamais ficaria pronta em um curto espaço de tempo e foi, portanto, nesse cenário conflituoso que a pesquisa começou a se estruturar.