3. TÜRKĐYE’DE SEÇKĐN SINIFLAR VE SĐYASAL YAPI
3.2. GELENEKSEL LAĐK SEÇKĐNCĐ SINIFLAR
3.2.3. Büyük Sermayedar Seçkinler
3.2.3.2. Cumhuriyet’e Devreden Miras ve Đzmir Đktisat Kongresi
Na contemporaneidade, não faz mais sentido abordar a comunicação entre os objetos, as redes comunicativas que se criam entre pessoas, objetos e entorno sem discutir a Internet. Em especial, é preciso lançar luz sobre a Internet das Coisas – Internet of Things (IoT) – pois se a cada tempo que se passa, a metáfora ecológica se concretiza como uma realidade inevitável, é também graças à IoT que podemos nos perceber inseridos num ecossistema midiático, onde lugares e coisas se comunicam autonomamente, sem a interferência direta das pessoas.
Antes de adentrar a conexão online da Internet, André Lemos (2013) argumenta que os objetos fazem parte de uma trama invisível que os associa a outros objetos, tornando difícil perceber onde começa e onde termina um objeto. O pesquisador continua comentando que esses limites podem até se tornar visíveis, mas que pelo fato de eles estarem imersos em questões culturais, sociais, técnicas, ambientais, políticas, entre outras questões, percebê-lo em sua totalidade é praticamente impossível.
A sua existência é só em parte percebida pela nossa experiência, pelos nossos sentimentos, pelo patos. Objetos estão sempre associados a outros objetos e outros componentes que formam a sua estabilidade como caixas-pretas. Uma xícara, um computador ou uma caneta Bic são objetos compostos de muitos outros objetos remetendo a funções e experiências diversas. Eles se estabilizam em uma unidade (ponctualization). Mas basta um problema acontecer para que as suas redes tornem-se visíveis e os pedaços revelem outros objetos vinculados a outros objetos. (LEMOS, 2013, p. 21).
Assim, o ecossistema que Innis, a partir do qual Scolari (2015) elabora uma genealogia, afirmava se fazer mais visível ao tomarmos a ecologia da mídia como uma abordagem, aqui algo semelhante acontece: percebemos que estamos, junto aos objetos, inseridos em um espaço autônomo, quando algo fora do controle se faz, por conseguinte, percebemos que identificar o objeto por si só, sem pensa-lo em associação, não contempla o seu alcance e potencialidades. Se os objetos, então, já possuem em si
mesmos tamanha dinamicidade, a IoT leva ao extremo as possibilidades de os objetos subverterem as lógicas e funções daquilo que os fundou.
Lemos explica que na perspectiva da IoT, os objetos fluem de maneira tal que conseguem se comunicar diretamente com outros objetos e o espaço no qual estão ineridos, por meio de uma troca de informações (dados). Argumenta o pesquisador que
A Internet das Coisas é, de acordo com CERP 2009 (Cluster of European Research Projects on the Internet of Things), uma infraestrutura de rede global dinâmica, baseada em protocolos de comunicação em que “coisas” físicas e virtuais têm identidades, atributos físicos e personalidades virtuais, utilizando interfaces inteligentes e integradas às redes telemáticas. (LEMOS, 2013, p. 19 e 20).
O objeto, agora, dotado de uma conexão à Internet, intensifica ainda mais a rede invisível que o torna uma espécie independente dentro do ecossistema comunicacional, bem como cria novos ambientes. Lemos (2013) chama essa potencialidade dada aos objetos quando das suas conexões à Internet de potência infocomunicacional. O autor questiona como podemos compreender esses objetos, que agora são dotados dessa potência em rede, que se comunicam entre si e que podem ser demandados a distância por humanos e não-humanos e para humanos e não-humanos (LEMOS, 2013). Ele esboça um exemplo para podermos visualizar a problemática:
Como compreender que essa xícara que agora está na minha mesa muda (como objeto sensível e suas qualidades) ao ganhar poderes (vitalismo, animismo?) infocomunicativos? Imagine que agora, ao ser esvaziada do seu líquido, ela pode solicitar a uma cafeteira em outro lugar a produção de mais café. Esta máquina de café pode me avisar por Twitter ou SMS assim que o novo café estiver pronto ou pedir ao mercadinho ao lado para trazer mais grãos de café para a trituração. Aqui a xícara é uma xícara, mas é também mais que uma xícara! (LEMOS, 2013, p. 23).
A capacidade de os objetos se comunicarem entre si é algo que para Lemos sempre foi possível. Afirma o pesquisador que o tempo é uma das formas de comunicação entre os objetos e o meio, é a passagem desse tempo que nos faz perceber quando um objeto envelhece, por exemplo (2013). Mas com a IoT, essa comunicação se altera, pois se trata de uma outra forma de se comunicar, “uma comunicação informacional em rede por protocolos de conexão seguindo a algoritmos e performances
criando delegações, mediações, intermediações e estabilizações nas associações.” (LEMOS, 2013, p. 24).
E é justamente esse outro tempo que se configura com a ascensão da Internet, bem como, por sua vez, a Internet das Coisas, que faz com que nos percebamos em uma outra era de nossa história. Com o tempo, altera-se também os espaços e ambientes, que como já visto, são criados pelos objetos (SANTOS, 2013; SCOLARI, 2015) e essa relação tempo/espaço se faz cada vez mais calcada nas mídias – nesse caso também, em mídias contemporâneas.
A compreensão do tempo e do espaço, em cada sociedade, depende do meio de comunicação primário usado para as interações entre os indivíduos e as instituições dessa sociedade. Dessa maneira, duas das percepções mais importantes das pessoas – a experiência do espaço e do tempo – estão vinculadas ao modo como os indivíduos se relacionam com o meio de comunicação predominante em cada época. (MARTINO, 2014, p. 188).
Numa perspectiva em que se sabe que no fim da década de 2000 o número de coisas conectadas à Internet já superava a quantidade de pessoas no mundo (LEMOS, 2013), e, como exposto por Martino (2014), a percepção de tempo e espaço pelos indivíduos está ligada a forma como interagimos com os meios de comunicação de nossos tempos, como conceber esse novo mundo em que tudo parece estar movente e em comunicação? É o que pergunta Lemos ao discutir as questões centrais sobre a IoT: “como compreender as novas qualidades dos objetos, seu novo eidos8, já que essa mudança acarreta consequências importantes nas relações sociais”? (LEMOS, 2013, p. 24 e 25).