MEHMET FEYZİ EFENDİ'NİN HAYATI, İLMÎ VE MANEVÎ KİŞİLİĞİ
2.1. Mehmet Feyzi Efendi'nin Hayatı 1.Doğumu
2.1.2. Ailesi ve Nesebi
Quando iniciei a pesquisa, em maio de 2009, a turma era formada por doze alunos, duas professoras e uma estagiária. Após as férias do mês de julho, quando retornei ao campo em agosto, mais uma menina havia sido inserida na turma. Então, a partir do segundo semestre, a turma constava de treze crianças, sendo oito meninos e cinco meninas.
A idade das crianças, do início ao final da pesquisa, variou entre quatro e seis anos. No início das visitas, toda a turma tinha cinco anos, exceto Alessandro, que tinha quatro. A partir do segundo semestre, as idades variaram entre cinco e seis anos.
A turma era formada por crianças de situações socioeconômicas diversas, ao contrário do que acontece em escolas de educação infantil da iniciativa particular ou da pública. Provavelmente, nessas instituições os grupos devem ser mais homogêneos quanto ao nível econômico. Apesar de ser uma escola pública, a demanda por vagas no NDC é maior que a oferta, o que torna necessário um processo seletivo.
A seleção das crianças acontece anualmente, e dezesseis crianças são selecionadas para o Infantil III. Visto que as crianças permanecem no programa por três anos, apenas se houver desistência há seleção para os outros grupos. Os pais das crianças precisam ter vínculo com a UFC e cada família concorre com aquelas do seu mesmo nível profissional (médio, superior, de apoio e estudante), quatro vagas são destinadas para cada nível. A seleção acontece por sorteio na presença dos pais ou responsáveis que inscreveram as crianças. Essa forma de seleção permite que os grupos sejam formados por crianças provenientes de contextos socioeconômicos diferentes, o que torna a turma mais diversa. Vale ressaltar que para a instituição, a criança deve “aprender a conviver com outras crianças e com adultos de origens e hábitos culturais diversos” (NDC, 2006, p. 28).
A padronização das fardas e das mochilas foi uma tentativa de amenizar um pouco as diferenças socioeconômicas. Algumas professoras falaram que antes da padronização, os pais, com melhores condições econômicas, compravam mochilas bastante caras e incrementadas para seus filhos, o que gerava desconforto e conflito nas outras crianças, assim como nas próprias professoras. Contudo, a desigualdade social se expressa em vários outros aspectos, tanto materiais (os brinquedos, sapatos, acessórios) como simbólicos (formas de falar e se comportar). Por exemplo, nos dias de sexta-feira, as crianças podem levar brinquedos de casa para a sala de aula. No momento da roda de conversa, início da aula, elas mostram os brinquedos que trouxeram e, posteriormente, nas brincadeiras são orientadas a dividi-los com as outras crianças, o que nem sempre acontecia.
Os presentes que as crianças dão umas para as outras nos dias de aniversário também podem demarcar o lugar socioeconômico de cada uma. Como destaco a partir do seguinte trecho do diário de campo:
Iuri4 cobra o presente que Felipe o prometeu, no caso uma roupa do Ben 10 [desenho animado atual que faz bastante sucesso entre as crianças, principalmente as do sexo masculino]. Felipe diz que sua mãe não é rica e não pode comprar, mas comprou chocolate, Iuri diz que é porcaria. A professora Acácia intervém, afirmando que chocolate é um bom presente e que não é uma porcaria. Felipe enfatiza mais uma vez que sua mãe não é rica, mas que um dia ela ainda vai ser rica, que está bem pertinho. Iuri fala mais uma vez que chocolate é porcaria. (22ª visita, 31/08/2209).
Esse episódio aconteceu durante o momento da roda de conversa no início da aula, numa segunda-feira, dia no qual eles falavam sobre as novidades e acontecimentos do final de semana. Na quinta-feira da semana anterior houve a comemoração dos aniversariantes do mês, Iuri era um deles. Geralmente os aniversariantes do mês recebem presentes de todas as outras crianças. Os dois garotos do episódio acima eram muito amigos. Felipe nutria uma admiração enorme por Iuri, eles sempre brincavam juntos. Felipe sempre atendia às solicitações de Iuri. Na medida em que as diferenças socioeconômicas se evidenciaram nos discursos dos garotos, elas não foram um empecilho para a amizade deles, mas, também, não deixavam de existir nem foram superadas totalmente. Claro que a fala de Iuri não pode ser entendida apenas como direcionada ao valor econômico do presente em questão, houve todo um investimento simbólico e afetivo na cobrança feita por ele ao amigo. Contudo, Felipe recorreu à questão econômica para explicar o porquê da quebra da promessa feita ao amigo, mas Iuri pareceu não reconhecer ou entender a justificativa.
Como citei acima, a diferença socioeconômica não se situa apenas nos objetos, mas nas formas simbólicas de falar e fazer. No próprio jogo simbólico, esse processo se evidenciou quando determinados papéis, que pressupõem posições sociais de status e relações de poder e mando sobre o outro, foram protagonizados mais por algumas crianças que por outras. Dessa forma, a protagonização desses papéis também envolvia muitas negociações e conflito entre as crianças. Ressalto que não estou propondo uma transposição mecânica da posição social da criança para o papel que ela adota na brincadeira, mas que pode haver uma relação entre os dois. Contudo, as relações sociais são o principal conteúdo do jogo protagonizado e influenciam bastante o desenrolar do mesmo, embora uma das características do lúdico seja a possibilidade de experimentação e criação de outras formas de ser e dizer. Usei essas passagens para ilustrar como a “diversidade” socioeconômica se concretiza no cotidiano da turma.
4
Exceto pelo meu nome, Rubens, todos os nomes dos participantes da pesquisa citados no corpo desse trabalho são fictícios, a fim de manter o sigilo dos sujeitos pesquisados.
As duas educadoras da turma são professoras substitutas. Acácia é graduada em Economia Doméstica, e Iasmim em Pedagogia. Lis, a estagiária, estava concluindo o curso de Economia Doméstica.