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4. BÖLÜM: ÇEVREYİ KURGULAMAK: TÜRKİYE’DE ÇEVRECİLİK

4.2. Çevre-Siyaset İlişkisi

4.2.5. Çevreci Siyasetin Koordinatları

Iniciei minha busca pelas práticas terapêuticas mais utilizadas pela psiquiatria brasileira nos anos 30 e 40 procurando por trabalhos que já houvessem discorrido sobre o tema. Pouca coisa foi encontrada. Assim como acontece com os estudos sobre a história da saúde Pública no Brasil, também ocorre nos estudos sobre a história da psiquiatria: há uma lacuna na produção historiográfica recente sobre os anos que compreendem desde o início da década de 1930 até meados da década de 1950. Longe da pretensão de preencher essa lacuna, este capítulo é apenas uma contribuição nesse sentido. Por isso o tema aqui percorrido pode vir a ser mais profundamente analisado em uma pesquisa futura.

Entre os poucos trabalhos encontrados destaco os seguintes: História da Psiquiatria no Brasil: um corte ideológico, de Jurandir Freire Costa, publicado como livro pela primeira vez em 1976; Organização da Psiquiatria no Brasil, escrito por Darcy de Mendonça Uchôa e publicado em 1981; Pesquisa, Ensino e Assistência Psiquiátrica no Brasil, dissertação de mestrado defendida por Eugenia Turenko Beça em 1981; O Aspecto da Psiquiatria Biológica – uma revisão histórica, artigo de Romildo Bueno publicado no Jornal Brasileiro de Psiquiatria em 1988; e A Psiquiatria Brasileira nos anos de 1930 a 1950, dissertação de mestrado de Maria de Fátima Martins Pereira defendida em 1992.

Esses trabalhos tiveram o importante papel de fornecer pontos de partida e de compreensão para clarear o contexto psiquiátrico que estava sendo procurado. De um modo geral, esses estudos apontam para a coexistência de três discursos psiquiátricos durante as décadas de 1930 e 1940 - o biológico, o psicológico e o preventivo-social, sendo o discurso biológico preponderante. Mesmo de posse desse esclarecimento ainda me restavam algumas perguntas iniciais: onde se encaixava a terapêutica ocupacional nesses discursos? Estaria mesmo na periferia como Nise da Silveira havia apontado? E arte dos alienados, como era vista pela psiquiatria eminentemente biológica?

Foi então que se tornou necessário procurar nos próprios textos psiquiátricos tais respostas. Optei pelos periódicos médicos correntes nos anos 30 e 40 visto que estes são apontados, por toda uma literatura especializada, como fontes que demonstram a estruturação do próprio campo profissional. Tarefa árdua essa devido à grande quantidade de obras a serem encontradas e consultadas em um período relativamente curto.

Beça (1981) listou a produção psiquiátrica no Brasil desde 1830 até 1980 31. No período de 1931 a 1940, a autora destacou cerca de 22 periódicos distintos. Já nos anos de 1941 a 1950, esse número subiu para 48. Foi preciso delimitar os principais periódicos do Rio de Janeiro e São Paulo, onde os psiquiatras costumavam publicar seus trabalhos com maior freqüência, para depois poder averiguar quais as questões e temas mais levantados nessas publicações.

Uchôa (1981, p. 36-37) destacou que o vigor da escola psiquiátrica do Rio de Janeiro tornou-se evidente por intermédio dos sucessivos números do Jornal Brasileiro de Psiquiatria. Da mesma forma, a pujança paulista era revelada através dos Arquivos do Departamento de Assistência a Psicopatas do Estado de São Paulo e das Memórias do Hospital de Juqueri. No entanto, foram as preciosas informações fornecidas pelo extenso trabalho de Beça32 (1981) que possibilitaram a minha escolha para análise neste capítulo pelo Jornal Brasileiro de Psiquiatria, cuja primeira publicação data de 1942 ainda como Anais do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina e Cirurgia da Universidade do Brasil e pelos Arquivos Brasileiros de Neuriatria e Psiquiatria, órgão oficial da Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal fundada em 1907. E entre os periódicos principais de São Paulo, foram destacados para análise os Arquivos de Neuro-Psiquiatria e os Arquivos do Departamento de Assistência a Psicopatas do Estado de São Paulo, sendo o primeiro uma publicação referente à Seção de Neuro-Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina fundada em fins de 1930, e o segundo referente ao que se convencionou chamar de Escola de Juqueri, iniciada no início do século XX com Franco da Rocha, cuja primeira publicação surgiu somente em 1936, não estando necessariamente ligada às Faculdades de Medicina de São Paulo.

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Os Arquivos Brasileiros de Psiquiatria, Neurologia e Ciências Afins foi considerado por Beça (1981) o primeiro periódico médico que versava exclusivamente sobre temas psiquiátricos. Sua circulação iniciou em 1905.

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Em seu trabalho Beça (1981) apresentou tabelas sobre a produção psiquiátrica no Brasil de 1830 a 1980. Desde 1830 os trabalhos acerca de temas psiquiátricos eram publicados em periódicos médicos, mas foi somente no século XX que os periódicos psiquiátricos apareceram. Provavelmente o aparecimento desses periódicos relacionam-se com uma necessidade trazida pelo ensino psiquiátrico que havia sido fundamentado em 1881. Entre as importantes informações que o trabalho de Beça (1981) fornece, a seguir destaco as que me foram mais preciosas: 1- um aumento considerável no número de publicações em torno de temas psiquiátricos nas décadas de 1930 e 1940; 2- a preponderância da produção no Rio de Janeiro e em São Paulo; 3- a produção carioca nos anos 30 e 40 foi maior que o dobro da produção paulista; 4- listas com os principais periódicos psiquiátricos brasileiros

Em geral, os métodos de tratamento mais divulgados e discutidos nos periódicos psiquiátricos acima destacados foram, em primeiro lugar, as chamadas terapias biológicas, onde estão incluídas as convulsoterapias, as psicocirurgias e as quimioterapias; e em segundo lugar a psicanálise. No Jornal Brasileiro de Psiquiatria e nos Arquivos do Departamento de Assistência a Psicopatas do Estado de São Paulo mais da metade dos artigos publicados nos anos 40 versavam sobre as terapêuticas biológicas. Essa mesma proporção não foi encontrada nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria e nos Arquivos Brasileiros de Neuriatria e Psiquiatria, mas em ambos as terapias biológicas também se destacaram mais que qualquer outra modalidade de tratamento das doenças mentais. É possível que essa diferença se justifique por serem esses últimos periódicos um local onde se discorria tanto sobre temas referentes à ciência psiquiátrica quanto sobre temas concernentes à neurologia.

Entre todos os periódicos médicos33 e psiquiátricos consultados, foi encontrado apenas um artigo sobre terapêutica ocupacional no Jornal Brasileiro de Psiquiatria de 1951. Sobre a arte dos alienados foram encontradas apenas quatro referências, duas no Jornal Brasileiro de Psiquiatria e duas nos Arquivos do Departamento de Assistência a Psicopatas do Estado de São Paulo. Os quatro, no entanto, tinham ligações com a Exposição de Arte Psicopatológica ocorrida por ocasião do I Congresso Internacional de Psiquiatria, realizado em Paris no ano de 1950.

Essa rápida análise quantitativa por si só já poderia revelar onde a terapêutica ocupacional se encontrava nos idos de 1930 até o início da década de 1950. É nítida a pouca importância atribuída ao método ocupacional pelos psiquiatras da época apenas pelo fato de pouco se dedicarem a escrever especificamente sobre o tema ou mesmo em associação a outras terapêuticas. Esse menosprezo ou indiferença ao método ocupacional contrasta bastante com a ênfase, e muitas vezes o entusiasmo, que envolvia os psiquiatras com relação aos métodos biológicos, notadamente a insulinoterapia, a eletroconvulsoterapia e as psicocirurgias. No entanto, apenas essa análise quantitativa não forneceria subsídios suficientes para que fosse contextualizada a terapêutica ocupacional desenvolvida por Nise da Silveira em

de 1931 a 1940 e de 1941 a 1950; 5- os autores que constituíram frente de pesquisa, em termos da quantidade de artigos publicados, nos anos 30 e 40; 6- os principais temas abordados nesse período pelos periódicos.

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Antes de delimitar com quais periódicos exclusivamente psiquiátricos iria trabalhar, pesquisei também alguns periódicos médicos, entre eles os Archivos Brasileiros de Medicina e a Revista de Medicina, Cirurgia e

Engenho de Dentro em meio aos métodos de tratamento utilizados pela psiquiatria brasileira nos anos de 1940. Tampouco seria possível que o mesmo fosse feito acerca da arte dos alienados. No sentido de um maior aprofundamento foram analisados alguns artigos encontrados no Jornal Brasileiro de Psiquiatria, na revista Medicina, Cirurgia, Farmácia, nos Arquivos do Departamento de Assistência a Psicopatas do Estado de São Paulo, nos Archivos Brasileiros de Medicina, nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria e nos Arquivos Brasileiros de Neuriatria e Psiquiatria. Os textos foram escolhidos pelo título – se referente à terapêutica psiquiátrica – ou pelo autor, caso este fosse um personagem já destacado na história da psiquiatria brasileira.