GİRİŞ Çalışmanın Konusu
BÖLÜM 1: SAKARYA VİLÂYETİNDE TARİHİ, MÜLKİ YAPI, DEMOGRAFİK YAPI VE BELEDİYECİLİK ÇALIŞMALARI DEMOGRAFİK YAPI VE BELEDİYECİLİK ÇALIŞMALARI
1.3. Belediye Hizmetleri
1.3.2. Belediyelerin Su ve Temizlik Çalışmaları
1.3.2.2. Çevre Temizliği
Masculino Feminino
Escolaridade Freqüência Porcentagem Freqüência Porcentagem
Até 4asérie 31 28,7 3 20,0
5a a 8asérie 66 61,1 10 66,7
Ensino médio 11 10,2 2 13,3
Total 108 100,0 15 100,0
Nota-se que a maioria dos jovens, tanto do sexo masculino como do feminino, estudou entre a 5ª e a 8a série, o que corresponde ao ensino
fundamental. Segundo o censo do IBGE (2001), o estado de São Paulo tem uma taxa de analfabetismo de 6,2%. Dentre esses, 83,9% concentra-se na faixa etária de 15 a 17 anos de idade, isto é, 83,9% dos analfabetos do estado de SP tem entre 15 e 17 anos de idade, fato que não foi observado no presente estudo, pois todos concluíram a primeira parte do ensino fundamental (1a a 4a séries).
Quanto ao grau de escolaridade, verifica-se que esse variou da 1a série do ensino fundamental até a 2a série do ensino médio. Como as séries de escolaridade são medidas anuais e contínuas, se for considerado, teoricamente, que cada série
corresponde a um ano de escolaridade, a média de escolaridade foi de 5,84, o que significa que os adolescentes, em média, apresentaram 5,84 anos de estudo. Considerando a idade dos participantes, nota-se uma defasagem de 4 anos na escolaridade, isto é, em média os adolescentes tinham quatro anos a menos de escolaridade do que deveriam ter, considerando suas idades.
Os participantes tiveram um nível educacional baixo, o que está condizente com os diversos estudos realizados no Brasil (Ministério da Justiça, 1998) e exterior (Patterson, & Yoerger 2003). Segundo Patterson, DeBaryshe e Ramsey (1989), o fracasso escolar pode ser fruto das experiências educacionais precárias e da não obtenção de empatia e cooperação adequada dos colegas. Ou seja, sem um repertório comportamental de estudar, o estudo não adquire um valor reforçador. Entre os colegas, também considerados problemáticos, o comportamento anti-social é aceito e reforçado, enquanto os comportamentos socialmente adequados são ridicularizados e rechaçados.
Rossi (2001) destaca que investigações epidemiológicas realizadas em diversos paises confirmaram a relação entre a prática de atos infracionais e problemas de aprendizagem. Padovani (2003) salienta que o estudo realizado por Moffit, Gabrielli, Mednick e Schulsinger (1981) indicou uma relação significativa entre escores menores no teste de inteligência e prática de atos infracionais. Os autores concluíram que é possível que crianças com menor Q.I. provavelmente se engajem em comportamentos desviantes porque suas habilidades verbais restritas limitam suas oportunidades de obter recompensas no ambiente escolar.
Padovani (2003) também discute o estudo de Hartung e colaboradores (2002) que compara
déficit
de atenção e agressão. Participaram do estudo 127 crianças (22 meninas e 107 meninos) que tinham Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Ambos, meninos e meninas, que apresentavam critériospara TDAH eram menos habilidosos do que seus pares de mesmo sexo, do grupo controle, em diferentes medidas quanto à inteligência e outros tipos de psicopatologia. Os professores relataram que meninos com TDAH eram menos atenciosos e mais hiperativos/impulsivos do que as meninas com TDAH.
Professores, pais e profissionais da área de educação reconhecem que adolescentes com Transtorno de Conduta, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, entre outros, apresentam dificuldades para controlar sua atenção para atividades acadêmicas, sendo disruptivos (Kauffman, 2001). Entretanto, isso não significa que tais adolescentes sejam autores de ato infracional, mas cabe enfatizar que jovens em conflito com a lei, muitas vezes, apresentam critérios para o diagnóstico desses transtornos.
A Figura 5 apresenta a relação entre reincidência e o grau de escolaridade dos participantes. 0 50 100 1 a 4 5 a 8 Médio Anos de Escolaridade % d e ad o le s c e n te s Primário 1 Vez 2 Vezes 3 Vezes
Figura 5
. Porcentagem dos adolescentes distribuídos de acordo com o grau deescolaridade (n= 123).
Verifica-se que o número de reincidências distribui-se, ao longo dos níveis de escolaridade, concentrando-se nas séries de 5a a 8a séries, o que está condizente
de escolaridade dos participantes. 0 50 100 1 a 4 5 a 8 Médio Anos de Escolaridade % de ad o lesc e n tes L.A. P.S.C.
Figura 6
. Porcentagem de adolescentes em medida sócio-educativa, distribuídosde acordo com o grau de escolaridade. (LA=93 e PSC=30).
Nota-se que os jovens com escolaridade até a 4a série do ensino fundamental estavam, em proporção maior cumprindo a medida de LA (z= 0,29806; p= 0,05), enquanto os jovens com maior escolaridade (5a a 8a séries) estavam, em
maior proporção cumprindo a medida de PSC (z= 0,16109; p= 0,05). Em relação ao ensino médio não houve diferença entre as medidas devido ao número reduzido de participantes.
Esse dado confirma os estudos de Kauffman (2001) no qual um nível baixo de escolaridade atua como um fator de risco e um nível alto atua como fator de proteção. Os participantes que tiveram menor escolaridade (1a a 4a séries)
cumpriam, em sua maioria, uma medida mais severa (LA), enquanto os participantes que tiveram um nível educacional maior (5a a 8a séries) cumpriram uma medida menos severa (PSC). O ensino médio, por ser a maior escolaridade entre os participantes, refletiria melhor essa relação, mas o número de adolescentes com tal escolaridade foi muito pequeno para fazer inferências e análises estatísticas.
A Figura 7 ilustra os motivos declarados pelos participantes para explicar o fato de terem abandonado os estudos.
0
25
50
Desin tere sse Conf litos Aban dono Drog as Muda nça Fraca sso Trabal ho Grav idez Sus pensã o Doe nçaMotivos
%
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o
lescen
tes
Figura 7
. Motivos declarados pelos adolescentes, de ambos os sexos, para nãofreqüentar a escola (n=74).
Quanto ao motivo alegado que levou 60,2% dos adolescentes a abandonar a escola, tem-se o “desinteresse” como o principal motivo (43,2%). Se for considerado que as categorias "desinteresse", “abandono” e “fracasso escolar” poderiam ser agrupados em uma mesma categoria, pois representam as dificuldades que as escolas têm em manter esses alunos nas salas de aula, tem-se 62,2% dos motivos alegados, ou seja, mais da metade da amostra. Os conflitos e suspensão representaram, juntos, 14,9% dos casos. Os demais (uso de drogas, mudança, trabalho, gravidez e doença), agrupam 22,9% dos casos.
Nessa direção, Kauffman (2001) alerta que a própria escola pode contribuir para as dificuldades sociais e a incompetência acadêmica. Os motivos de abandono da escola refletem a incapacidade das escolas em manejar o problema de jovens com problemas de comportamento. Não há uma política específica para o atendimento dessa população na rede educacional (Padovani, 2003). As Diretrizes Nacionais para Educação Especial na Educação Básica, instituídas pela resolução no. 02/2001 da Câmara da Educação Básica do Conselho Nacional de Educação dizem:
“tradicionalmente, a educação especial tem sido concebida como destinada apenas ao atendimento de alunos que apresentam deficiências (mental, visual, auditiva, física/motora e múltiplas), condutas típicas de síndrome e quadros neurológicos ou psiquiátricos, bem como altas habilidades/superdotação.
Hoje, com adoção do conceito de necessidades educacionais especiais, afirma-se o compromisso com uma nova abordagem, que tem como horizonte a inclusão.
Dentro dessa visão, a ação da educação especial amplia-se, passando a abranger não apenas as condições, disfunções, limitações e deficiências, mas também aquelas não vinculadas a uma causa orgânica específica, considerando que, por dificuldades cognitivas, psicomotoras e de comportamento, alunos são freqüentemente negligenciados ou mesmo excluídos dos apoios escolares” (p. 43-44).
A educação de estudantes que apresentam problemas comportamentais é um problema complexo e, portanto envolve questões difíceis de serem respondidas, como por exemplo, quando um comportamento anti-social pode ser legitimamente considerado uma incapacidade e quando deveria ser considerado um comportamento para o qual a educação especial é inapropriada (Padovani, 2003).
A realidade desses dados deixa claro o fenômeno da exclusão social dessa população, contrariando a tendência e o direcionamento da inclusão e integração efetiva dos indivíduos portadores de necessidades especiais. Permitir esse contexto dentro de tal leitura social significa impedir o desenvolvimento do indivíduo, aprisionando-o na rede de significações sociais, com seu rol de conseqüências, atitudes, preconceitos e estereótipos (Amaral, 1994).
apontam para a questão de que os relatos sobre a educação das crianças no século XIX e início do século XX mostram que “as famílias dos setores populares, quase sempre associados à ignorância, pobreza, descuido, vício, abandono, licenciosidade e, muitas vezes, vistas como criadoras de criminosos e delinqüentes, eram acusadas de incapazes, no que dizia respeito à educação e formação de suas crianças. A elas eram oferecidas, como alternativas de educação, asilos, creches, escolas industriais e agrícolas, profissionalizantes, casas de correção e educandários e reformatórios” (Pereira, & Mestriner, 1999, p.21).
Hoje, apesar do avanço científico da área de educação e da psicologia desde essa época, a realidade infelizmente ainda não é muito diferente. As escolas (estabelecimentos de ensino) que rejeitam os alunos considerados “problemáticos”, não compreendem que essa rejeição pode ser vista como uma função estabelecedora, em uma análise funcional, para respostas agressivas por parte desses alunos, contra a própria escola (agência controladora). Um artigo publicado na revista Época (Pereira, 2002) procura traçar um panorama da violência nas escolas. Pereira (2002) relata uma pesquisa anual do Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (UDEMO) mostrando que 76% das 429 escolas entrevistadas foi cenário de algum episódio violento no ano de 2001, mas a maioria dos casos nunca chegou aos registros policiais.
Para Sposito (2001) o mais alarmante é que nos locais onde há ocorrência grave de violência contra pessoas, a proficiência dos alunos pode cair pela metade. A violência afeta diretamente a qualidade do ensino, criando um círculo vicioso, onde a escola rejeita aqueles considerados problemáticos e, ao mesmo tempo, cria condições para episódios de violência contra as próprias escolas, que acabam em restringir ainda mais o acesso, aumentando a rejeição. Esse círculo vicioso também pode ser verificado em uma outra relação: a intensificação do policiamento resultou
na diminuição dos índices de depredação escolar, sendo perceptível, ao mesmo tempo, o aumento das brigas físicas entre os alunos (Pereira, 2002). A partir do momento que as escolas passaram a coibir coercitivamente a depredação, a mesma coerção produziu respostas agressivas entre alunos, que passaram a brigar entre si com mais freqüência.
A Tabela 8 apresenta a freqüência e porcentagem de adolescentes de ambos os sexos que realizaram algum curso extracurricular, considerado pela instituição responsável pelas medidas sócio-educativas como sendo cursos profissionalizantes.
Tabela 8.