BÖLÜM IV: KURAMSAL TARTIŞMA
4.13 Zamansal Dışsal ve Göreli Çerçeveler Arasındaki Anlam Belirsizlikleri
Os principais elementos que viabilizaram o início da estruturação metropolitana de Fortaleza foram, evidentemente, a constituição do seu sistema viário, com as alterações
Fig. 2.53 Mapa da evolução da mancha
urbana na RM de Fortaleza: 1932-1980. Fonte: AUMEF (PAIVA, 2011).
e acréscimos progressivos na infraestrutura ferroviária, rodoviária, portuária e aeroportuária.
Já falamos no primeiro bloco, como a construção do Porto do Mucuripe, na porção leste de Fortaleza, redesenhou profundamente a localização das funções intraurbanas, pelo fato de criar um novo vetor de expansão industrial no sentido leste, na mesma direção da expansão da dinâmica habitacional de alta renda. Com isso, configurou-se uma contradição ao desenvolvimento histórico da cidade, cuja tendência de crescimento verificava-se no sentido sul e oeste, onde suas ligações apontavam na direção do sertão, ao longo da malha ferroviária de traçado radial.
Embora essa contradição caracterize uma singularidade da estruturação urbana de Fortaleza, as malhas radiais Sul e Oeste, recebem progressivas mudanças que vão constituir a infraestrutura de transporte ferroviário e rodoviário de Fortaleza. Sobre esse tema Paiva, (2001, p. 96-99) desenvolve uma síntese que utilizamos como referência. Assim , segundo o autor, o sistema ferroviário de Fortaleza permaneceu praticamente com o mesmo traçado consolidado historicamente no contexto da exportação do algodão. Apenas duas discretas ampliações por ocasião da criação do porto em 1940 e outra derivação ferroviária criada em 1941, a partir da antiga Estrada de Ferro de Baturité, permitiu a interligação do Bairro da Parangaba ao Mucuripe, viabilizando o escoamento de produtos comercializados pelo novo porto.
Dois trechos desta malha ferroviária inseridos na RMF acolheram o sistema de trem metropolitano para transporte de passageiros, composto por duas linhas: a Tronco Sul, que liga Pacatuba e Maracanaú ao Centro de Fortaleza, e a Tronco Norte, que liga Caucaia também ao Centro. A exceção ficou somente com o sub-ramal que conecta o Porto à linha sul, operando exclusivamente com cargas,
As linhas férreas cortando o município na escala metropolitana foram, portanto, a primeira infraestrutura preexistente que dinamizou os fluxos de pessoas e cargas entre a capital e os demais municípios vizinhos, sendo a responsável pelo início de um processo de conurbação urbana, mais visível nos municípios onde se localizam os grandes conjuntos habitacionais, como: Maracanaú, Caucaia e Pacatuba (fig.2.54).
Além do sistema ferroviário, as rodovias federais também tiveram papel importante no início da estruturação metropolitana, como a BR 116, interligando Fortaleza ao Sul do país e a BR 222 às cidades do Meio Norte, como Teresina e São Luís (Figura 2.54). Essas duas conexões principais atravessam o território metropolitano, aproximando ainda mais os Municípios vizinhos a Leste: Eusébio, Aquiraz, Itaitinga, Horizonte e Chrozinho (BR 116) e a Oeste: Caucaia e São Gonçalo do Amarante (BR 222).
Outra rodovia federal importante na escala metropolitana é a BR-020, que parte de Caucaia e se liga à Capital Federal, transformando-se no anel viário da RMF, conectando a CE-040 à BR-116, a CE-060, a CE-065 e BR-222. Essas rodovias federais são as mais importantes do sistema viário metropolitano e estadual por promoverem fluxos mais intensos e de abrangência nacional, justificando o fato de que a metropolização de Fortaleza tem motivação exógena e se insere no processo de unificação do mercado nacional. (PAIVA, 2011, p.96)
Fig. 2.54: Mapa RMF – Sistema Viário - Década de 1980
As rodovias estaduais complementam o sistema viário de integração do espaço metropolitano: a CE 040 que parte da zona Leste de Fortaleza, segue na direção dos municípios litorâneos entre Fortaleza e Aracati (no extremo Leste do estado), passando por Eusébio, Aquiraz, Pindoretama, Cascavel e Beberibe12. Essa conexão vai conferir um importante papel na estruturação do fluxo turístico do litoral Leste, a partir dos anos 1990.
A CE 060 cruza Maracanaú e seu distrito industrial, chegando até Pacatuba no sentido sudoeste, correndo paralelamente ao sentido da CE 065 que conecta Fortaleza à Maranguape, cidade serrana, transformada em destino turístico cultural, de aventura e natureza que se articula com o roteiro turístico das serras úmidas, criado nos anos 1990, na região do Maciço de Baturité - Guaramiranga.
Essas vias estruturantes (federais e estaduais) são tão importantes que, ao passarem pela maioria das sedes dos municípios da RMF, constituem verdadeiros catalisadores do zoneamento dos municípios, concentrando a maioria das atividades de produção, distribuição e consumo, ligados à atividade secundária e terciária, ao passo que os arruamentos secundários tendem a abrigar as habitações. (PAIVA, 2011, p. 99)
O transbordamento da expansão econômica e urbana da capital para os demais municípios vizinhos foi, portanto, a força motriz da primeira fase de metropolização, caracterizada pela polarização absoluta de Fortaleza sobre os demais municípios que se apresentavam ainda em estágio inicial de desenvolvimento urbano. Nessa fase, esse transbordamento se deu também na oferta de habitação popular dos conjuntos habitacionais para as classes menos favorecidas, como também pela ocupação de loteamentos regulares e irregulares por habitações precárias na periferia da capital e nos municípios vizinhos.
De um lado, parece ter havido um planejamento consistente para o estabelecimento do distrito industrial que contava com boa acessibilidade e oferta de infraestrutura. No entanto foi precário o planejamento da integração urbana entre o distrito industrial e os Municípios que gravitaram em torno dele, especialmente Maracanaú e Fortaleza.
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Além da dinâmica industrial, conjugada com a implantação da infraestrutura viária, outras dinâmicas interferiram no processo de metropolização de Fortaleza, de forma complementar: a dinâmica de comércio e serviços, que atua principalmente no interior do tecido intraurbano de Fortaleza, reforça a sua centralidade como polo metropolitano, complementada pela dinâmica habitacional. Esta última se desdobra em três dinâmicas específicas: a dos conjuntos habitacionais, conjugadas com o desenvolvimento periférico da cidade, no sentido Oeste e Sul ao longo dos eixos metropolitanos; a dinâmica da expansão habitacional das camadas médias e superiores de renda, no sentido Leste, ao longo dos corredores de adensamento e a última que se desenvolve de modo particular, no sentido paralelo à linha da costa: das habitações de segundas residências alinhadas ao processo de urbanização litorânea. Como vimos na primeira seção, essa dinâmica se modifica com o desenvolvimento do turismo e será tratada em detalhes, no próximo capítulo.
Fig. 2.55 O mapa da dinâmica Industrial da RMF na década de 1980 permite visualizar, sinteticamente a
relação entre os eixos industriais e os corredores metropolitanos estruturantes. Fonte: AUMEF - elaborado por Paiva (2011).
Não é nosso objetivo, no momento, aprofundar sobre os detalhes do processo de metropolização de Fortaleza, falando de suas características particulares, como: a ocupação rarefeita entre os eixos rodoviários; a escassa integração radial; o papel do
“novo” distrito industrial de Maracanaú na urbanização do seu entorno ou a dificuldade
de articulação entre o sistema ferroviário e rodoviário criando barreiras na expansão entre bairros. Isso, porque o foco da pesquisa está voltado apenas para uma das dinâmicas mencionadas. No entanto, julgamos importante compreendê-la também no conjunto do contexto de Fortaleza, uma vez que é de lá que partem as suas motivações principais.
Nosso objetivo nesse bloco, portanto, foi caracterizar em linhas gerais o padrão de metropolização entre as décadas de 1960 - 1980 que se confunde em parte com a
Fig. 2.56. Mapa RMF – Dinâmica Terciário - Década de 1980
estratégia de implantação da infraestrutura para o desenvolvimento industrial e o consequente fluxo gerado pelas dinâmicas econômicas e demográficas que marcaram o modelo de planejamento dos governos militares.
2.4.4 Reestruturação produtiva no Ceará contemporâneo e as consequências