BÖLÜM III: YÖNTEM
3.2 Türkçe İçin Önsel Bir İlgeç Sınıflandırması
O aprofundamento da discussão sobre a produção do espaço enquanto estratégia de acumulação do capital acabou nos conduzindo aos conceitos de renda da terra e propriedade, fazendo emergir um aspecto fundamental na compreensão desse espaço urbano contemporâneo: o papel do Estado e do mercado na organização espacial da produção.
Lefebvre, (1999) ao propor explicar a função da cidade a partir do ponto de vista da teoria marxista, usa os conceitos de formação, realização e distribuição da mais-valia porque acredita que eles levam a uma compreensão mais ampla do circuito de acumulação capitalista onde o Estado tem um papel fundamental.
Desse modo, ele inicia esclarecendo que a cidade, para Marx (1983), não tem função essencial na primeira fase da acumulação do capital, isto é, do ponto de vista da
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“formação da mais-valia” porque “o lugar da exploração” da mão de obra ocorre na unidade de produção: na empresa industrial ou agrária, onde a cidade fornece apenas o pano de fundo. No entanto, o autor reconhece o papel da cidade no interior das forças produtivas, com a sua função concentradora, “no espaço e no tempo, dos elementos da produção: empresas, mercados, informações e decisões, etc.” (Op.cit. p.143-142). Seguindo o seu raciocínio, a cidade passa a ter uma função essencial somente a partir da segunda fase da acumulação, isto é, do ponto de vista da “realização da mais-valia”, porque essa realização (a venda da mercadoria para obtenção do lucro/dinheiro) exige: primeiro um mercado e em segundo, um sistema particular de crédito, de transferências de fundos que permitam ao dinheiro completar plenamente a sua função.
Fica claro nesse caso que a extensão do mercado se liga à do fenômeno urbano, uma vez que o comércio suscitou a formação e expansão de centros urbanos, desde a cidade medieval, até os centros econômicos e políticos da sociedade capitalista contemporânea. Desse modo, controlam o mercado mundial por diversos meios: entre eles, a publicidade, as tarifas aduaneiras, etc. inclusive pela ação do Estado.
No entanto, quando Lefebvre (1999) aborda a “distribuição da mais-valia”, como a terceira fase de acumulação do capital, afirma que ela opera no nível mais elevado da sociedade capitalista: o global (nacional e mundial). Neles, há uma concorrência entre os capitais no mercado mundial que se efetua tanto no plano econômico, com os custos de produção, como no político travado na arena nacional e internacional. Ao final, essa massa da mais-valia global se distribui em diversas frações, inclusive de proprietários de terra, comerciantes, industriais e profissionais liberais, etc. que se efetua em diversos níveis, inclusive no global, onde a supervisão do Estado tem a função de impedir as distorções consideradas excessivas.
Ao mesmo tempo, o autor destaca que o próprio Estado retém uma parte considerável dessa mais-valia, por meio do sistema fiscal em particular, para atender às funções de sua responsabilidade (educação, saúde, burocracia, cultura, segurança, etc.), mantendo prioritariamente as necessidades da sociedade burguesa.
Conclui, portanto, que o Estado capitalista, através do seu sistema contratual jurídico, mantém e aperfeiçoa o poder político, tornando-se o responsável pelo controle do
capital que, em última análise, “repousa na propriedade privada, a da terra (propriedade imobiliária) e a do dinheiro (propriedade mobiliária)” (op.cit. p. 138).
A organização espacial da produção como racionalidade urbana
Aprofundando a questão da participação do Estado no processo de acumulação capitalista, Csaba Deák (1989) parte da negação da teoria da renda como categoria de análise e propõe outra abordagem constituída de um arcabouço teórico que inclui a análise da organização espacial da (re) produção capitalista. Desse modo, situa o que
chama de “dialética da forma-mercadoria” 15 como o antagonismo entre a “forma mercadoria” e a intervenção do Estado que considera ser a mais profunda contradição
do capitalismo e, ao mesmo tempo, a sua própria força motriz e razão desta organização espacial. (Op.cit. p. 18).
Para o autor, a categoria “renda da terra” dá lugar à categoria “pagamento pela localização” podendo esta tomar a forma de renda ou de preço de acordo com o período e o nível de controle exercido sobre a localização, enquanto condição de produção. Considera o preço, a forma mais compatível com a “forma-mercadoria” plenamente desenvolvida, sendo a renda uma forma subsidiária em casos como nos estágios inicial e final de desenvolvimento de ramos industriais específicos.
Sua noção de “processo urbano” parece apropriada à análise das condições de produção do espaço sob a influência da industrialização / produção de mercadorias, tanto pelos conceitos que utiliza como também pelos exemplos apresentados e poderia não ser precisa para a nossa análise sobre a produção do espaço turístico.
Mesmo assim, consideramos importante situar a contribuição de Deák (1989) em nossas referências por que além de ser um trabalho consistente sobre a produção do espaço, a divergência identificada não impede de aproveitar sua discussão sobre as relações entre o Estado e o mercado, evidenciando a produção capitalista como uma racionalidade da organização espacial. Embora o seu enfoque seja mais alinhado à realidade industrial, como dissemos, ela explicita aspectos que evidenciam a interferência e participação do
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Essa dialética, segundo o autor, se constitui fundamentalmente no antagonismo entre a produção de
valores de uso enquanto valores de troca (a produção de mercadorias) e a produção direta de valores de uso.
Estado no controle do espaço, comum também à realidade da produção do espaço em geral como o próprio autor reconhece no final.
Embora a sua abordagem parta da divergência em torno da “renda da terra”, em última
análise, Deák afirma a mesma influência exercida pelo preço da terra sobre a organização espacial e consequentemente sobre a urbanização levantada por Lefebvre (1999) e Botelho (2007). Ao substituir a “categoria renda” por “pagamento pela localização” Deák considera que essa categoria se constitui efetivamente num “meio de
organização espacial da produção”. Assim, esclarece que “o pagamento pela localização está incluído no preço de produção de uma mercadoria juntamente com os meios de produção, matéria-prima e trabalho” (Op.cit.).
No caso da produção imobiliária, no contexto do turismo, o baixo preço da terra também determina uma série de escolhas a respeito da localização dos empreendimentos na perspectiva de uma maior margem de valorização e lucro, como veremos nas seções seguintes.
No entanto, Deák (1989) afirma que embora a produção seja regulada pelo mercado, a intervenção do Estado na produção é prevista desde os tempos de Engels e que conforme prosseguia o desenvolvimento do capitalismo, ampliava-se o papel do Estado no âmbito da produção e em especial, do seu papel de controle do uso do espaço.
O preço da terra é a forma dominante de pagamento pela localização, para o autor, e constitui-se num dos meios de organização espacial da produção juntamente com outros como: as ações normativas, indutivas e coercivas do Estado. Assim, a regulação econômica se dá através de uma combinação de forças do mercado e do planejamento, como a regulação espacial que se exerce por uma combinação dos mesmos processos que se concretizam tanto no preço da localização como na intervenção do Estado. Portanto, a combinação particular dos diversos meios de regulação utilizados pelo Estado é determinada pelo estágio de desenvolvimento das forças produtivas que se converteram , segundo o autor, em um dos aspectos da crise atual do capitalismo. Esta, segundo Deák, diz respeito ao aumento do papel do Estado na regulação do capitalismo até um ponto que coloca em questão a própria primazia da forma-mercadoria, o que
delineia uma perspectiva de abordagem para análise do pagamento pela localização e em particular, do preço da terra na aglomeração urbana.
Embora esse assunto possa tomar uma dimensão mais ampla, caso fossem abordadas as múltiplas dimensões do Estado, nosso interesse se restringe, no momento, a ressaltar o papel antagônico entre Estado e o processo de acumulação do capital que mesmo sendo pensado para o contexto industrial, revela os mesmos processos e contradições do capitalismo em geral. Nesse caso, nos serve de referência teórica para a análise da produção do espaço turístico, quando o Estado e suas políticas públicas apresentam papel destacado, como veremos em detalhes nas sessões seguintes.
O que é verdadeiro para a organização da produção em geral vale também para a organização espacial em particular. Assim como o fluxo de capital entre empresas e ramos industriais é regulado em grau menor ou maior (de acordo com o estágio da acumulação) [...] da mesma maneira a localização espacial é enquadrada mediante zoneamento legal, impostos e taxas de localização, empreendimentos públicos etc., de modo que o preço da localização exerça sua função de organização apenas dentro daquilo que ainda resta de ‘liberdade’ ao mercado. (DEÁK, 1989, p.18-31).
1.2 Transição metropolitana e a dissolução urbana nas cidades