XVI. YÜZYILIN İKİNCİ YARISINDA OSMANLI DEVLETİ’NDE VERGİ MUÂFİYETİ VE MUÂFİYET SEBEPLERİ
2.3. Konum ve Güvenlik Hizmetlerine Bağlı Muâfiyet
2.3.2. Bir Yerleşim Yerinin Yol Üzerinde Olması
De modo geral, o que as diversas abordagens do paradigma interpretativo, ou seja, da fenomenologia social têm em comum é que colocam o indivíduo e o seu trabalho interpretativo no foco das suas descrições. As pessoas não agem porque se comportam funcionalmente diante das condições estruturais que caracterizam uma dada sociedade, mas porque conferem um significado a essas condições e, desse modo, se tornam os seus criadores. Uma escola de pensamento que leva essa ideia ao extremo é o interacionismo simbólico, que se baseia em três postulados, nomeadamente: (i) os seres humanos agem sobre os objetos do seu mundo com base no sentido que esses objetos têm para eles; (ii) o sentido desses objetos surge na
sentidos são manejados e modificados num processo interpretativo usado pelas pessoas enquanto se ocupam com os objetos que passam a conhecer (BLUMER, 1969, p. 2).
As sociedades, nessa perspectiva, são compostas por agentes sociais ou, melhor ainda, constituem-se pelas ações desses agentes (BLUMER, 1981, p. 85) e as estruturas sociais servem apenas como pano de fundo para a interação simbólica. Na melhor das hipóteses, sedimentam-se na interação, impondo restrições à criação e à negociação do sentido. A sociedade, então, é percebida como pura ação: ela surge de um processo contínuo de coordenação recíproca em relação às atividades dos seus membros. Essas atividades não podem ser atribuídas a algum sistema sociocultural, mas são causadas diretamente pelos agentes individuais. Assim sendo, é de se pressupor também que não exista um mundo por si mesmo, mas apenas os mundos construídos pelos seres humanos. Logo, os objetos do mundo não têm um significado por si mesmo, mas recebem esse significado como produto das interações simbólicas entre os membros de uma comunidade. Em resumo: dando sentido ao fluxo ininterrupto de situações, o homem cria seu mundo ao interpretá-lo nas suas interações.
Nessa visão voluntarista do comportamento humano, interação significa interpretação. A interação é um processo permanente de agir, observar e projetar as ações seguintes. Ao usar símbolos partilhados, os agentes sociais definem, uns para os outros, a situação em que se encontram e mostram-se continuamente o sentido das suas ações. O ser humano explora seu mundo por meio de significados simbólicos. A premissa antropológica da fenomenologia social é, então, que o ser humano – diferentemente ao animal, que reage instintivamente – apossa-se do seu mundo por meio das suas ações e da comunicação com signos, gestos e símbolos que conferem a essas ações um determinado sentido. Uma vez que a comunicação simbólica é o princípio básico da organização social do ser humano, é natural perguntar como o indivíduo adquire a consciência de si mesmo e desenvolve a competência necessária para interagir com os outros de acordo com as normas e os valores
vigentes na sua comunidade? Para Mead (1968 [1934]), a resposta dessa questão encontra-se na capacidade dos seres humanos de pensar a partir da posição dos seus semelhantes, ou seja, de ver o mundo pelos olhos dos outros. Identificando-se com o papel do seu interlocutor, uma pessoa é capaz de compreender como o outro reagiu à sua ação e pode antecipar, ao mesmo tempo, o comportamento futuro dele.
Explicamo-nos melhor: devido às experiências sociais que tiveram com seus semelhantes, os seres humanos são capazes de refletir sobre o sentido de uma situação, ou seja, eles sabem “colocar uma situação num enquadre ideacional” (MEAD, 1968 [1934], p. 224). Numa situação social na qual vários participantes se influenciam mutuamente, essa capacidade implica que os indivíduos interpretam o sentido do comportamento dos outros. Em outras palavras: eles são capazes de identificar-se com o papel do outro. Mead (1968 [1934], p. 113) chama essa capacidade de taking the role of the
other [“assumir o papel do outro”]. Tomar o papel do outro significa que ego,
antes de agir, se identifica com o papel de alter e imagina como alter reagirá ao seu comportamento; quer dizer: ego reflete sobre seu próprio comportamento e sobre as reações possíveis de alter, assumindo o ponto de vista de alter. Esse tipo de reflexão pode ser relativamente seguro quando ambos se socializaram na mesma comunidade e usam os mesmos símbolos. Nesse caso, eles interpretam suas ações mutuamente sob a pressuposição de que estejam seguindo princípios semelhantes. Naturalmente, faz parte desses princípios que alter também se identifica com o papel de ego e pensa a partir da perspectiva dele e sabe que ego se identifica com o papel de alter e, portanto, orientará seu comportamento numa determinada direção. E alter sabe que ego sabe que alter sabe disso, etc.
Na perspectiva de Mead (1968 [1934]), a comunicação é, então, um processo pelo qual ego e alter chegam a um acordo sobre o que eles são, como eles querem ser percebidos e qual sentido eles atribuem às suas interações. Ela é um processo no qual alter e ego, com base nas suas reações recíprocas, ganham uma ideia de si mesmo. As perspectivas dos dois entrelaçam-se e cada um deles pode adaptar-se ao agir do outro. Na medida
perspectivas e os papéis adequados torna-se possível. Durante o processo de comunicação, então, ego comunica alguma coisa a alter. Contudo, ao realizar essa comunicação, ego se encontra no papel de alter que, por sua vez, é estimulado e influenciado para tomar o papel de ego. Desse modo, ao assumir o papel do outro, cada um pode orientar seu processo de comunicação e refletir sobre sua identidade e a do(s) outro(s) (MEAD, 1968 [1934], p. 300).
Na interação, ego age e, antes de agir, pensa, mas, na mesma interação, alter também age e ego pensa também nas ações dele. O pensamento, portanto, estende-se sempre em duas direções: ego reflete sobre a finalidade do seu agir, ou seja, o que ele quer comunicar a alter e, ao mesmo tempo, reflete sobre o agir de alter. Quando ego, então, imagina ainda os comportamentos possíveis com os quais alter poderá reagir às suas ações intencionais, ele começa conscientizar-se do seu próprio agir. Na abordagem de Mead, essa reflexão é a origem da autoconsciência e, indiretamente, também a condição prévia da identidade individual. O processo pelo qual se toma o papel do outro, então, não envolve apenas a interação, mas também a identidade, porque ego – ao conscientizar-se do ponto de vista e das atitudes que alter pode assumir diante dele – projeta esses pontos de vista e atitudes em si mesmo. Em outras palavras: ego examina como seria se ele estivesse no lugar de alter. Nesse processo, ele conscientiza-se dos motivos do seu próprio agir e se pergunta por que esse agir, eventualmente, se assemelha ao agir de
alter ou se distingue dele. Mead realça que sem esse “desvio” pelo outro, não
seria possível estabelecer uma identidade própria: o indivíduo conscientiza-se da sua identidade apenas quando se vê pelos olhos do outro.
Quanto ao desenvolvimento da identidade e a capacidade de orientar-se num sistema social maior, Mead (1968 [1934], p. 200) afirma que uma criança aprende primeiramente a tomar o papel de uma pessoa relevante que lhe está próxima, o chamado significant Other [o Outro significante]. Nessa primeira fase, a criança pensa e age a partir do ponto de vista dessa pessoa relevante. Por isso, numa brincadeira (play), ela não finge como se
ela participa de jogos competitivos (games) cada vez mais complexos e apodera-se, passo a passo, de mundos simbólicos cada vez maiores. Na interação com os outros participantes da cena social cotidiana, ela aprende que há regras mais abstratas e que cada jogador tem que assumir seu papel para o jogo inteiro poder funcionar. A criança, por assim dizer, tem que aprender o
espírito do jogo e internalizar o papel de todos os participantes. Enquanto, na
primeira fase, a criança ocupou apenas uma única perspectiva e um outro significante, agora ela tem que assumir simultaneamente a perspectiva de
vários outros, pois, num jogo no qual as ações de todos os participantes se
influenciam reciprocamente, não basta concentrar-se apenas na sua própria tarefa ou na tarefa do cojogador mais próximo, mas, em princípio, é preciso tomar em conta as ações e perspectivas possíveis e reais de todos os participantes.
A soma de todas as perspectivas num determinado contexto acional, Mead (1968 [1934]) chama de generalized Other [o Outro generalizado]. A diferença fundamental entre uma brincadeira (play) e um jogo competitivo (game) é que, no último, a criança tem que internalizar a atitude de todos os outros participantes. Ainda de acordo com Mead, as atitudes dos co-jogadores pressupostas por cada jogador individual organizam-se numa unidade e os princípios e as regras dessa organização começam a controlar as reações de cada um. A organização das atitudes de todas as pessoas envolvidas num mesmo processo social gera, então, uma comunidade organizada ou um grupo social que confere aos indivíduos a sua identidade comum, a qual, como foi dito, pode ser chamada de generalized Other [o Outro generalizado]. A atitude do Outro generalizado é a da comunidade inteira. Trata-se de um tipo de inconsciente coletivo ou, por assim dizer, do horizonte de ideias sobre o que, comumente, se faz numa determinada situação e, por conseguinte, sobre o que, normalmente, se pode esperar de todos os participantes. O Outro generalizado é, então, uma expressão metafórica para o conjunto de convenções sociais que delimitam o sentido de uma situação específica e as expectativas de como cada um deve agir nela. A criança, ao instruir-se nas regras dos diferentes jogos interacionais e mundos simbólicos, torna-se capaz não apenas de assumir seu papel e o das pessoas mais próximas, mas
todo, existem valores, convenções e normas gerais sobre como se deve agir nos diferentes domínios sociais. Posto isso, é possível compreender o Outro generalizado como a soma de todas as expectativas, normas e valores de uma sociedade, relevantes numa dada situação comunicativa.