XVI. YÜZYILIN İKİNCİ YARISINDA OSMANLI DEVLETİ’NDE VERGİ MUÂFİYETİ VE MUÂFİYET SEBEPLERİ
2.2. Askerî Hizmete Bağlı Muâfiyet
2.2.2. Geri Hizmetlere Bağlı Muâfiyet
2.2.2.4. Cebelü Vermek
A produção textual-discursiva é um fenômeno extremamente complexo, no qual muitos componentes interagem entre si. Ela tem sua origem em representações cognitivas que dizem respeito aos aspectos históricos, culturais, sociais, situacionais, políticos, psicológicos ou pessoais da vida. Consequentemente, qualquer modelo teórico do discurso representa uma simplificação dessa realidade, uma abstração que, de um lado, deve reduzir a complexidade real a proporções convenientes e, do outro lado, não pode perder as sutilezas importantes para a compreensão do objeto de pesquisa. Dependendo da disciplina acadêmica e das preferências para determinadas tradições intelectuais, o sentido da palavra “discurso” pode variar bastante, mas, de uma maneira geral, é um ponto pacífico entre os estudiosos que o discurso se constitui de duas dimensões principais que são intimamente relacionadas: o contexto e a linguagem (cf. CHIMOMBO & ROSEBERRY,
1998, p. 4). Cada uma dessas dimensões inclui certo número de componentes básicos cuja análise permite a exploração dos aspectos essenciais correspondentes do discurso.
A saber, o contexto do discurso inclui os seguintes elementos: a cultura, os participantes, suas relações mútuas, o cenário, o canal e as atitudes dos interlocutores para com o texto, o objetivo comunicativo e o tópico em questão. Vistos em conjunto, esses componentes determinam o gênero de um texto. É de se pressupor que, numa dada situação comunicativa, a realização das intenções dos interlocutores dependa da escolha de um gênero apropriado que cumpra as expectativas dos membros de uma comunidade. Os gêneros representam uma categoria central na classificação dos textos e discursos. Como veremos mais adiante, o conceito do gênero, ao demarcar as relevantes relações funcionais e situacionais, facilita a sistematização e explicação das ações comunicativas e dos seus padrões de formulação e construção.
A linguagem do discurso, por sua vez, caracteriza-se por uma série de fenômenos que estabelecem a coesão dos segmentos supraoracionais que, desse modo, contribuem para a gramática discursiva. É comum mencionar aqui: a referênciação5, a escolha das unidades lexicais, a substituição ou a elipse de unidades discursivas, a conjunção das orações e a relação entre elas. Esses elementos, evidentemente, afetam o discurso como unidade inteira. Todavia, a representação dos possíveis padrões linguísticos seria incompleta sem uma análise dos traços linguísticos no nível da gramática oracional que são distribuídos, em cada gênero, de uma maneira típica. A esses elementos estruturais, convém acrescentar, ainda, a distinção entre o sentido literal e o não literal, assim como as implicaturas e os sentidos implícitos ou inferidos. Em conjunto, esses componentes determinam a descrição apropriada da linguagem de um texto, ou seja, o seu registro. É de se pressupor que, ao lado da escolha do gênero certo, a gramaticalidade da linguagem usada representa outro fator que determina a aceitabilidade de um texto. Entre o gênero e o
5 Incluímos aqui a referenciação na “gramática discursiva” porque desde Halliday & Hasan (1976) ela foi
tratada assim em inúmeros trabalhos da área. Todavia, nos últimos dez ou quinze anos, essa posição é, com bons argumentos, vista como “reducionista” pela maioria dos pesquisadores da atualidade (cf. CAVALCANTE et al. 2003; KOCH, 2004; KOCH et al. 2005).
um texto. Um texto cujo gênero é apropriado ao contexto e cuja linguagem pertence ao registro certo é considerado aceitável e pode realizar as intenções do(s) seu(s) produtor(es).
Os conceitos “registro” e “gênero”, então, abrem duas perspectivas diferentes do mesmo objeto de pesquisa (LEE, 2001). A saber, o registro focaliza o texto como realização de uma configuração convencional e funcional da língua. É de se pressupor que haja uma correlação sistemática entre certas variáveis contextuais e a maneira como a língua é usada em textos que são produzidos em contextos situacionais semelhantes. Com efeito, diferentes tarefas e situações comunicativas exigem diferentes configurações da língua. Empregamos a língua de modos diferentes em função dos contextos de situação em que nos encontramos, ou seja, a língua varia de acordo com a função a que está servindo. Logo, falamos de um registro quando analisamos os padrões linguísticos (escolhas léxico-gramaticais) associados a um determinado tipo de contexto situacional. Em resumo, entende-se como registro uma variação linguística que é associada, funcionalmente, a certos parâmetros situacionais e que é definida por certas características estruturais.
A noção do “gênero”, no entanto, opera no nível da estrutura discursiva e serve para analisar o texto como um artefato cultural, produzido pelos membros de uma dada comunidade discursiva. Cada gênero reúne textos que pertencem a uma certa categoria definida por critérios convencionais que dizem respeito, entre outras coisas, à relação entre produtor e receptor, ao modo de produção e recepção, a um potencial semântico específico, a formas de composição historicamente elaboradas e, especialmente, ao propósito comunicativo. Evidentemente, os textos e as atividades interacionais que realizam diferentes tarefas, num dado contexto cultural, desdobram-se de maneiras diferentes, passando por estágios e movimentos diferentes. Por outro lado, é de se esperar, também, que os textos pertençam ao mesmo gênero se, em situações comparáveis, realizam os mesmos modelos de organização textual e passam por estágios semioticamente semelhantes. Sabe-se, também, que os gêneros mantêm uma
relação específica com os registros, uma vez que as escolhas sistemáticas no nível sociocultural de uma rede de gêneros são realizadas pelas escolhas no nível situacional do registro que, por suas vez, são realizadas pelas escolhas no nível da língua.
É importante, ainda, destacar que o termo gênero não diz respeito principalmente a um conjunto de textos (orais ou escritos), produtos da interação social, que partilham certas propriedades formais, mas estabelece “uma estreita correlação entre os tipos de enunciados (gêneros) e suas funções na interação socioverbal; entre os tipos e o que fazemos com eles no interior de uma determinada atividade social” (FARACO, 2003; p. 111). Pressupõe-se que toda situação da vida cotidiana disponha de um repertório específico de gêneros apropriados. Além disso, acredita-se que cada gênero tenha seu campo predominante de existência em relação ao qual é insubstituível (SOUZA, 2002, p. 102). Os padrões formais e acionais que caracterizam as instanciações de um gênero são resultados das necessidades comunicativas que se manifestam no seu campo original. A função social dos gêneros, então, é disponibilizar e impor soluções convencionais para problemas repetitivos na comunicação social.
A orientação nos padrões disponíveis ajuda os interactantes a escapar da situação difícil de precisar inventar “espontaneamente” para cada atividade verbal um novo gênero. Livre de preocupações com a forma, o falante pode se concentrar na comunicação do seu conteúdo e na realização das suas intenções. A reprodução de uma solução convencional previne, além disso, a perda de face que está iminente cada vez que se revela que, apesar de competência linguística inegável, há uma falta notável de recursos textual- discursivos necessários para solucionar uma determinada situação comunicativa. No caso contrário, isto é, quando a prática de um gênero se tornou rotina, nota-se que o domínio das suas normas deixa espaço suficiente para demonstrar virtuosidade no uso do inventário das suas formas. Tudo isso mostra que o gênero está no âmago da visão da linguagem como atividade sociointeracional.
Terminadas nossas considerações sobre a terminologia básica necessária para a apresentação de diferentes abordagens interpretativas relevantes para uma visão holística da produção discursiva da moral no gênero fofoca, voltamos nossa atenção agora para diversas escolas de pensamento da fenomenologia social (como a análise da conversação, a etnometodologia, a etnografia da comunicalção, a teoria da contextualização, a sociologia da vida cotidiana), que se propõem a fornecer subsídios para a análise de interações entre participantes da cena social cotidiana. Aqui não há espaço para apresentar o edifício teórico de cada uma das abordagens ao discurso cotidiano coloquial, mas queremos mostrar, pelo menos, em linhas gerais, as principais características das teorias mais relevantes para nossa pesquisa.
Assim, pois, convém mencionar, primeiramente, a análise da conversação (AC) (HUTCHBY & WOOFFITT, 1998; KERBRAT-ORECCHIONI, 2005, 2006; LIDDICOAT, 2008; LODER & JUNG, 2008; MARCUSCHI, 2001; SCHEGLOFF, 2007; TEN HAVE, 2007; WOOD & KROGER, 2000), que fornece um conjunto de técnicas para analisar os padrões interacionais na conversação cotidiana. Como mostraremos no capítulo 9, essas ferramentas são muito úteis para descrever empiricamente as microestruturas conversacionais, as características do sistema de troca de turnos e as diferentes estratégias conversacionais que caracterizam, por exemplo, em nosso caso, a produção discursiva da moral no gênero fofoca. Justifica-se essa opção metodológica pelo fato de que a análise de práticas sociais interativas conduz, inevitavelmente, a problemas especiais que têm sua origem na necessidade de coordenar a sucessão ordenada das falas de várias pessoas. Por certo, as pessoas pronunciam enunciados para realizar determinadas ações que, por sua vez, convidem para realizar outros tipos de ações. Ao contrário do que muitos imaginam, o uso da língua nessa troca de turnos envolve uma organização social com características formais que não dependem do conteúdo que deve ser transmitido de uma consciência para outra.
O domínio dos princípios gerativos e dos mecanismos formais que produzem a ordem dos eventos comunicativos e, desse modo, facilitam a compreensão dos interactantes faz parte da competência interpretativa e interativa dos membros de uma comunidade sociocultural. É de se pressupor, de um lado, que o sistema de tomada de turnos influencia a construção e o encadeamento dos turnos, independentemente dos participantes específicos, da disposição deles ou dos seus atributos individuais. Naturalmente, isso não significa que não haja variações individuais, mas que os traços organizacionais da conversação constituem uma ordem sui generis, que transcende línguas e culturas e desfruta de autonomia em relação ao contexto concreto. Por outro lado, é oportuno presumir que os padrões de orientação e as estruturas conversacionais são também sensíveis ao contexto, de tal modo que sua realização, num dado momento e num contexto particular, constitui ou define esse momento e dá forma à interação. Esses dois princípios de organizar a interação são aplicáveis em todas as situações possíveis e, ao mesmo tempo, concedem, aos interactantes, o espaço necessário para uma construção particular das suas contribuições. Assim, pois, Goodwin (1990, p. 1 seg.) pode ressaltar que os participantes, no decorrer de uma interação, sempre indicam, um ao outro, qual é a sua interpretação do que estão fazendo atualmente. “Em outras palavras, a interação age em dois níveis simultaneamente: o engajamento direto dos atores com o mundo e sua avaliação no que diz respeito ‘ao que está acontecendo’ em cada dado momento” (AUER, 1998, p. 210).
Por meio dessa gestão local (i.e., aplicação dos princípios gerativos sob determinadas condições contextuais), a máquina conversacional (turn
taking machine) organiza o fluxo da interação e, desse modo, cria,
continuamente, as condições para o turno seguinte. A competência social que forma a base da interação, ou seja, os procedimentos e as expectativas, pelos quais a interação é produzida e compreendida, assegura a produção coordenada da entrada, da saída e da suspensão dos procedimentos de revezamento para a conversação. As contribuições individuais, portanto, “devem demonstrar, de alguma forma, uma relação com o curso da conversa”
sequências interrelacionadas cuja organização se baseia na competência comunicativa dos interlocutores, na sua compreensão das circunstâncias relevantes e num acordo tácito sobre os procedimentos convencionais de produção e interpretação dos enunciados. Nesse ponto de vista, todo movimento conversacional é uma resposta metodológica aos problemas que surgem (repetidamente) no decorrer da interação verbal.
Cada ação social é um comentário reconhecível sobre o cenário de atividade no qual ela ocorre e uma intervenção nesse mesmo cenário. Seu caráter específico como comentário e intervenção [...] tem uma base processual. Ela é produto de procedimentos ou métodos que são socialmente compartilhados e usados (HERITAGE, 1997, p. 382).
Para facilitar o planejamento local da conversa, o desenvolvimento da estrutura tópica e a construção sistemática das sequências conversacionais, os interlocutores têm, à sua disposição, um amplo painel de controle que ajuda, em qualquer momento da interação, a cumprir uma série de tarefas que dizem respeito às mútuas expectativas estruturais, à definição das adequadas relações interpessoais e à realização dos propósitos sociais e das intenções individuais. O uso adequado dessa ferramenta exige que todos os interlocutores ouçam ativamente (STREECK, 1983, p. 76) para poder reconstruir o sentido das mensagens verbais e também para evitar falhas nos dois mecanismos fundamentais da conversação: a saber, primeiramente, é preciso recorrer aos conhecimentos linguístico, enciclopédico e pragmático para organizar a própria contribuição nuclear que dá andamento ao tópico; em seguida, convém optar para uma das diversas estratégias de conduzir o turno para poder negociar, nos lugares relevantes para a transição, o direito de fala para o próximo turno (SACKS, SCHLEGLOFF & JEFFERSON, 1974). Aliás, vale mencionar, aqui, que a ocorrência de uma possível troca do falante no intervalo entre os “grupos respiratórios”, os “grupos tonais” ou os “grupos informacionais” (CHAFE, 1994, p. 57) pode levar a uma passagem de turno, a um assalto ao turno ou à sustentação da fala.
A necessidade de alinhamento dos turnos refere-se tanto às expectativas culturais no que diz respeito à percepção dos papéis interacionais e ao estatuto social quanto às interações rotineiras que facilitam a compreensão intersubjetiva. Esse alinhamento realiza-se, em parte, pelos marcadores conversacionais (KOCH, 1998a, p. 106), que facilitam a orientação mútua dos interlocutores, e, em outra parte, pelos turnos inseridos (cf. SCHEGLOFF, 2007, p. 97-114), que pouco contribuem para o desenvolvimento do tópico, mas que exercem, sempre, uma função interacional, sinalizando convergência, divergência ou indagação. Além disso, importa lembrar que, para manter a conversação nos trilhos, há uma série de táticas verbais e não verbais (aceitar ou rejeitar, pedir e dar explicações, pedir e dar desculpas, definir uma situação, indicar motivos, etc.) que recuperam ou asseguram uma interação significativa em situações problemáticas.
Abstraindo-se de algumas exceções como a conversa ao telefone ou nos meios de comunicação modernos, há, ainda, três critérios adicionais que são relevantes para uma descrição apropriada das atividades conversacionais: a saber, (i) a maioria dos diálogos realiza-se hic et nunc (MERLEAU-PONTY, 2002, p. 403-428) numa interação face a face na qual todos os interlocutores percebem o mesmo espaço e a mesma dimensão de tempo. Além disso, vale mencionar (ii) que os interlocutores são envolvidos numa tarefa comum, ou seja, numa “interação centrada”, “pois o simples acompanhamento linguístico de ações físicas não caracteriza uma conversação” (MARCHUSCHI, 2001, p. 15). Finalmente, convém realçar (iii) que toda conversação ocorre no contexto de uma atividade social superior ou mais complexa que se reflete na estrutura da conversação e na sequenciação das ações coordenadas. Todos esses fatores constituem um ecossistema local de interação com contingências específicas que fazem de cada conversação um evento único, uma encenação coordenada muito complexa de escolhas táticas as quais se baseiam nos recursos disponíveis no cenário e no código linguístico e que envolvem um conjunto recíproco de obrigações e direitos comunicativos.
O objetivo principal desse sistema da tomada de turnos (SACKS, SCHEGLOFF & JEFFERSON, 1974) é estabelecer uma ordem sequencial que
possíveis continuações interativas. Logo, a produção das condições de conexibilidade tem que fornecer soluções, por exemplo, para a abertura e o fechamento de uma conversação, para o encaixamento de uma sequência inserida ou de uma narração dentro da conversação, etc. Todas essas ocorrências percebíveis constituem um objeto de pesquisa e fazem de um fenômeno comum uma forma relevante para um tipo de análise científica que se ocupa de um princípio básico da constituição da realidade social, nomeadamente: cada enunciado, numa sequência conversacional, é influenciado pelo contexto anterior (fornecido pelo(s) enunciado(s) precedente(s)) e proporciona, por sua vez, um contexto para o enunciado seguinte.
A análise da conversação pressupõe que os fatos sociais, inclusive o contexto e a identidade dos interlocutores, são produzidos pelos interactantes, in situ, ou seja, durante a conversação. Isso significa que cada objeto de discurso é desenvolvido, paulatinamente, e pode ser modificado a qualquer altura da interação; portanto, o analista da conversação não pergunta por que as coisas são como são ou por que alguém está fazendo o que faz, mas concentra sua investigação na pergunta de que modo os fatos são produzidos na interação e como é possível que uma certa situação seja reconhecida como tal.
A AC tomou da etnometodologia a ideia básica de rejeitar métodos padronizados e cientificamente definidos e procura, em vez disso, métodos que podem alterar-se em conformidade com o objeto de pesquisa. Por conseguinte, ela prescindiu de uma articulação explícita dos seus métodos e ofereceu a descrição de uma mentalidade analítica que orienta a reconstrução completa dos acontecimentos. Faz parte dessa mentalidade desenvolver as questões e as categorias analíticas com base no material disponível, apoiar-se na descrição das práticas pelas quais os agentes sociais produzem a ordem social, observar as estruturas no decorrer dos acontecimentos e eliminar todas as suposições que não aparecem nos dados empíricos. Na análise, é preciso excluir todo o conhecimento teórico prévio (Don’t contextualize!) para descobrir
os métodos (etnológicos) que os membros de uma sociedade realizam para definir suas práticas cotidianas e para construir e representar seu mundo social.
Assim sendo, a AC baseia seus estudos empíricos em gravações e transcrições pormenorizadas e se propõe a descrever os princípios formais que regem a organização social das interações verbais e não verbais. A abordagem tem interesse, além disso, na constituição sistemática da ordem interacional e nos métodos que os interlocutores aplicam na realização das suas ações e na organização coelaborada das suas conversas. Nisso, ela orienta-se pelos seguintes princípios analíticos (DEPPERMANN, 2000, p. 98):
a) caráter acional: as conversas surgem em atividades nas quais os interactantes determinam tarefas, resolvem problemas e perseguem certas finalidades; logo, a análise tem que explicar a ordem observável da conversa como uma ocupação com tarefas, problemas e finalidades;
b) trabalho metódico: ao agir, os participantes recorrem a métodos mais ou menos rotineiros; a análise, portanto, deve reconstruir o caráter metodológico das atividades;
c) sequencialidade: as conversas representam processos temporais e a sucessão temporal é decisiva para a importância e a função dos elementos e para o planejamento das contribuições; por conseguinte, a análise deve tomar em consideração a sequência temporal das atividades e demonstrar como cada contribuição é ajustada ao momento particular da interação;
d) interação: as conversas constituem-se pelas atividades interrelacionadas de duas ou mais pessoas; logo, é preciso analisar como os participantes se relacionam mutuamente, como determinam os significados e como produzem a estrutura da conversa;
e) reflexividade: os interactantes documentam com suas ações o contexto (social e cognitivo) no qual essas ações devem ser
a realidade e a validez dos contextos em questão; por conseguinte é necessário que a análise reconstrua quais contextos são estabelecidos e como esses contextos são efetuados pela ação.
A AC parte da ideia de que os participantes indicam mutuamente o sentido e a ordem das suas ações e sua interpretação das contribuições percebidas. Consequentemente, essa abordagem exige que a interpretação de dados tem que se confirmar no decorrer da conversa, ou seja, o significado não pode ser procurado em atos isolados de fala. Além dessas pressuposições metodológicas, há várias perspectivas principais que essa abordagem explora: convém mencionar, particularmente:
a) o encaixamento das interações nos diferentes contextos situacionais,
b) a construção dos sistemas de valores e de conhecimento, assim como as suas relações mútuas,
c) a construção de sistemas simbólicos que facilitam a interação (syntax for conversation),
d) os métodos pelos quais os interlocutores produzem seus enunciados e percebem-nos como unidades e
e) as estratégias pelas quais os interactantes resolvem seus problemas de formulação e alcançam seus objetivos pragmáticos.
Na AC, o sujeito não é visto como alguém que traz uma ordem coletiva prévia para a situação. A intersubjetividade surge apenas na própria situação comunicativa. A ordem social é o produto de uma construção incessante e interativa que se torna visível nos procedimentos efetuados pelos interactantes em suas atividades comuns. De fato, os participantes indicam mutuamente o que consideram relevante para a definição da situação. Eles dão a entender o que acham que está acontecendo, qual função sua contribuição tem no contexto atual e como interpretam as atividades do(s)