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1.2. Kümelenme ile Bağlantılı Temel Kavramlar

1.2.3. Yenilik ve Kümelenme

O Município de Queimadas se localiza no planalto da Borborema. Situado na mesorregião do Agreste paraibano, está distante aproximadamente 15 km de Campina Grande, da qual sofre grande influência cultural e econômica e com a qual mantém estreita relação. Queimadas possui uma área de 409 km2 e uma população estimada pelo censo IBGE de 2007 de 38.883 habitantes. O nome atual da cidade se deve à derrubada e à queimada da mata nativa pelos habitantes da região no século XIX, com intenção de assentar aí agricultura e pecuária.

Localizada no alto e nas encostas da serra de bodopitá, no planalto da Borborema, Queimadas possui um relevo singular. O seu perímetro urbano, e de resto toda a extensão do município, alterna espaços planos com grandes e moderadas elevações de rara beleza, dando à cidade um colorido especial. Uma das características marcantes do município é a grande quantidade de formações rochosas que compõem a paisagem. Nestas formações foram encontradas inúmeras inscrições rupestres, sinais preservados da presença dos índios Cariri na região, os seus primeiros habitantes. Espremida entre serras, subindo mesmo por elas, a cidade acolhe os moradores da sede e da zona rural. A zona rural, aliás, por ser muito extensa, constitui a maior parte do município, espalhada na forma de pequenas comunidades bucólicas dedicadas à vida agrária e pastoril.

O município vive basicamente de seu ativo comércio, de algumas indústrias que compõem o chamado distrito industrial de Queimadas e das atividades agropastoris. O comércio se destaca pela comercialização de alimentos (industrializados e in natura) e pela grande circulação de produtos que atentem à demanda da agricultura e da criação

de animais. A feira da cidade, que ocorre aos sábados, é bem movimentada e diversificada. Nela se comercializam os produtos locais e aqueles oriundos de outras regiões do estado e do país como carnes, ovos e derivados animais, bem como a produção agrícola local cuja fartura e exuberância dependem dos períodos de chuva.

A feira se espalha pelas ruas centrais da cidade numa confusão ruidosa típica das cidades do interior. Para ela se dirigem os moradores da sede, estes com maior conforto, e os moradores das comunidades rurais. Ônibus, caminhonetes, motos e carros de aluguel garantem o transporte dos moradores das comunidades mais distantes que vêm à cidade comercializar os seus produtos ou mesmo cuidar do abastecimento familiar. Quanto estive no município trabalhando no Programa de Pedagogia em Regime Especial visitava a feira todos os sábados. Lá, eu tomava o café da manhã antes de iniciar as aulas, e não foram raras as vezes que encontrei as minhas alunas-professoras cuidando do abastecimento da casa antes de cuidarem de si mesmas e de sua formação.

Embora próxima de Campina Grande, Queimadas guarda um ar de cidade provinciana do interior. A conversa animada nas calçadas das casas ainda ajuda a matar o calor das noites quentes. Os acontecimentos da política local, os ‘causos’ do lugar e as novidades da televisão servem de mote para a conversa. A caminhada pela rua central da cidade, de onde se pode ver a igreja matriz, os encontros furtivos entre os jovens curtindo a noite ociosa com os amigos, ajudam a matar o tempo numa cidade que oferece pouquíssima diversão. Uma cena que se enriquece nos dias de missa com novos personagens, homens e mulheres crentes em Deus ou simplesmente dispostos a circular pelo lugar festivo e alegre. O funcionamento das escolas noturnas ajuda a fazer as noites do lugar mais colorida. Na saída das aulas a cidade se enche de estudantes em busca do caminho de casa, ou em direção a uma parada estratégia em alguma lanchonete. Ajudam a compor essa paisagem os estudantes que chegam de Campina no ônibus do município, especialmente aqueles que estão cursando a universidade. Depois o silêncio e o recolhimento. A cidade dorme hipnotizada pela luzinha azul dos aparelhos de TV.

Nos fins de semana o movimento fica por conta da feira, dos shows que acontecem na única casa especializada do lugar, das partidas de futebol jogadas nos campos de várzea, dos banhos de açude ou de piscina e das serestas dançantes que um ou outro barzinho oferece. Nas comunidades rurais, o isolamento da distância torna a vida mais difícil. Mais tranqüila e mais pacata, mas não menos difícil. Algumas comunidades possuem capelas e em algumas delas se realizam festas religiosas em homenagens aos seus santos. É diversão certa. Nas proximidades das festas juninas,

estas comunidades organizam quadrilhas e prévias de São João e São Pedro. É festa na certa. Em cada uma delas se espalham os campos de futebol que animam as manhãs e as tardes de domingo. Açude cheio é sinal não só de fartura mas também de alegria e diversão.

Estive em várias dessas comunidades em busca dos professores. Distâncias longas, muita poeira nos dias de sol e veredas intransponíveis nos dias de chuva, nestes dias guardados ao recato e esquecimento. Trabalhar nestes dias de água farta é uma aventura, especialmente para aqueles que moram mais distantes da escola. Cenas de heroísmo me foram narradas. Nos dias de sol inclemente, calor e poeira os esperam, o suor escorrendo pelo rosto. Nos dias de chuva, um Deus nos acuda.

Queimadas combina muito bem o seu ar provinciano com um olhar voltado para o mundo. É difícil encontrar residência na cidade que não esteja ligada ao mundo por poderosas antenas parabólicas. As casas mais pobres, que parecem não poder com o seu próprio peso, sustentam heroicamente esses titãs de metal. O fenômeno se estende, também, pela zona rural. Lá, elas parecem pequenos arbustos incorporados de vez à vegetação, alimentando com sua seiva as noites de memória e de esquecimento.

Os dados do IBGE1 nos ajudam a compor um perfil de seus moradores. Do total de habitantes, as mulheres com dez anos ou mais representam a maioria. Elas são 14.378 mulheres contra 13.530 homens com a mesma idade. Os níveis de escolarização do município, por sua vez, são preocupantes. A população residente com mais de dez anos de idade, sem instrução ou com menos de um ano de estudo somam 7.132 pessoas. As que possuem entre um e três anos de estudo representam 9.072 pessoas e as que possuem entre quatro e sete anos de educação formal somam 7.753 pessoas. Este número cai vertiginosamente à medida que os anos de escolarização avançam. Este dado é revelador. Ele corrobora com o que os nossos Questionários de Caracterização apontam, ou seja, a baixa escolarização dos pais e dos cônjuges dos nossos professores, cuja maioria possui apenas o ensino fundamental incompleto – 58,7% dos pais, 61,3% das mães e 41,3% dos cônjuges.

O nível de renda dos habitantes do município é também um indicador para pensar a situação econômica dos seus habitantes. Senão vejamos a tabela abaixo:

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Fonte: IBGE, Resultados da Amostra do Censo Demográfico 2000 - Malha municipal digital do Brasil: situação em 2001. Rio de Janeiro: IBGE, 2004.

TABELA 01: Rendimento nominal mensal da população do município de Queimadas – PB

Nível de renda nominal População Referência Pessoas residentes - 10 anos ou mais de idade - rendimento nominal

mensal - até 1 salário mínimo 7.662 Habitantes

Pessoas residentes - 10 anos ou mais de idade - rendimento nominal

mensal - mais de 1 a 2 salários mínimos 3.675 Habitantes

Pessoas residentes - 10 anos ou mais de idade - rendimento nominal

mensal - mais de 2 a 3 salários mínimos 856 Habitantes Fonte: IBGE, Resultados da Amostra do Censo Demográfico 2000 - Malha municipal digital do Brasil: situação em 2001. Rio de Janeiro: IBGE, 2004.

Os números mostram que a renda nominal da população é extremamente baixa. Ela se concentra na faixa que vai de menos de um até dois salários e começa a cair vertiginosamente a partir da faixa dos dois salários. A população residente com nível de renda superior a vinte salários, por exemplo, soma apenas 30 pessoas conforme os mesmos dados do IBGE, o que demonstra a enorme disparidade entre ganhos e a forte concentração de renda no município. Estes dados corroboram, também, com as informações que colhemos sobre a renda pessoal dos professores e de suas famílias. A média de rendimento dos professores gira em torno de 1 a 2 salários (90,7%) e a renda familiar em torno de 1 a 3 salários (78,7%).

Constatamos também, a partir da observação e da conversa com os professores e com outros servidores da rede municipal de educação (supervisores e pessoas da Secretaria de Educação), o alto índice de desemprego no município, principalmente entre os jovens, o que contribui fortemente para o alto índice de migração de sua população, especialmente a da zona rural. Um professor de uma escola estadual do município, o Ernestão2, afirmou que é grande o número de jovens que abandonam os estudos, desistência causada, segundo ele, por essa migração, especialmente entre os homens, e pelo alto índice de gravidez precoce entre as meninas. Embora saibamos que a evasão escolar é causada, também, por uma série de outros motivos, esta afirmação não deixa de ser preocupante. Ainda mais quando observamos os índices de escolarização do município, extremamente baixos, em associação com o baixo nível de renda dessa população, associação essa que se reflete na busca por emprego. Os reduzidos níveis de renda familiar e a baixa escolarização da população são apontados

pelo DIEESE (2001) como uma das dificuldades para a inserção dos mais jovens no mercado de trabalho. O reduzido capital econômico das famílias inviabiliza o investimento em capital escolar e cultural, cada vez mais exigido pelo mercado. Com menos renda, “[...] as famílias têm menos condições de se preparar para um mercado de trabalho cada vez mais competitivo em termos de níveis de instrução, cultura geral e mesmo condições de saúde [...]” (DIEESE, 2001, p. 33).

Transitando entre o campo e a cidade, acostumados à vida provinciana do interior, os habitantes de Queimadas levam a vida como podem. É ai que vivem e trabalham, é ai que amam e morrem. Os professores de nossa pesquisa habitam esse cenário e, entre tantos outros atores, emprestam o seu colorido especial ao drama da vida humana que aí se desenrola.