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1.2. Kümelenme ile Bağlantılı Temel Kavramlar

1.2.2 Örgütlenme Modelleri ve Kümelenme

1.2.2.1. Dünyada Uygulanan Benzer Örgütlenme Modelleri

1.2.2.1.6. İtalya’da Örgütlenme Modelleri

Segundo Lugli (2005) uma das primeiras associações de professores que se tem notícia no Brasil foi fundada em 1902, no estado de São Paulo. Tratava-se da Associação Beneficente do Professorado Público de São Paulo. Embora essa associação represente um marco no processo de desenvolvimento do ator corporativo docente que se desenvolveria ao longo do século XX, congregando os professores em torno de reivindicações internas e externas à profissão, podemos dizer que desde o século XIX os professores ensaiam formas de organização e delimitam princípios daquilo que poderíamos chamar de uma tomada de consciência acerca da profissão (VILLELA, 2003).

Baseando-se na leitura dos ofícios trocados entre os professores e as autoridades públicas do estado de São Paulo entre 1820 e 1860, Hilsdorf (2001) evidencia a preocupação dos professores com a manutenção e a abertura de escolas, o uso de livros e materiais didáticos, além da construção de um discurso preocupado com a expansão e a manutenção de escolas para garantir a profissão, sem prescindir da proteção do Estado como funcionários. Para a autora, o professor das primeiras décadas do Império não é uma mera sombra do mestre-régio pombalino, incapaz e desligado da realidade social. Embora de maneira dispersa e isolada

[...] os professores executam ações no sentido de assegurar a escolarização segundo o modelo do ensino mútuo proposto pelas lideranças, mas são ativos e reivindicativos e possuidores de metodologias definidas, atuando como mediadores entre as pressões do público (o governo provincial) e o privado (os pais, os alunos) (HILSDORF, 2001, p. 74).

Não havia aqui um espírito de corpo formado nem mesmo unidade entre os docentes e suas reivindicações. Lutavam pela abertura e sustento da escola, pela aquisição de material para seu funcionamento, pelo pagamento dos vencimentos entre outras reivindicações de pequena monta. Se não podemos falar de uma consciência do corpo docente, podemos falar ao menos de um processo que estava no seu nascedouro.

referência para o nascimento ou emergência do professorado como ator coorporativo na cena política e educacional. É bem verdade, continua a autora, que a existência de movimentos envolvendo a participação de professores, especialmente clubes literários e/ou sociedades de instrução, fora uma realidade antes dessa data. Contudo, só a partir da segunda metade do século XIX é que ela começa a tomar corpo. Para isso muito contribui o desenvolvimento e o fortalecimento da esfera pública burguesa que, guardadas as devidas especificidades históricas quanto à sua estrutura e desenvolvimento, ganha força no final desse século com o crescimento da vida urbana, o movimento abolicionista e republicano e os debates travados em torno desses temas polêmicos, facilitados pelo desenvolvimento dos meios de comunicação. O surgimento de clubes, grêmios e associações literárias e políticas marcavam o ritmo dessa época, embalada, também, pelos debates públicos e pela maior circulação de jornais. Estamos falando da afirmação de um processo a partir do qual “[...] o público constituído pelos indivíduos conscientizados se apropria da esfera pública controlada pela autoridade e a transforma numa esfera em que a crítica se exerce contra o poder do Estado [...]” (HABERMAS, 1984, p. 68). Segundo Giroux, “[...] a esfera pública não somente serviu para produzir os discursos de liberdade, mas também conservou viva a possibilidade de que grupos subordinados desenvolvessem seus próprios intelectuais [...]” (GIROUX, 1988. p. 7). Habermas afirma que é na Inglaterra da virada do século XVII para o XVIII que vamos ter realmente uma esfera pública funcionando politicamente. No Brasil, ela começa a ganhar corpo na segunda metade do oitocentos e vai exercer uma forte influência sobre o movimento de associação dos professores, especialmente no que diz respeito aos periódicos pedagógicos surgidos no período.

A estatização da profissão docente e a afirmação dos professores como categoria profissional são condições fundamentais para o desenvolvimento dessa imprensa pedagógica e para o surgimento das associações de professores. Os periódicos denunciavam as condições de vida e de trabalho dos professores, a sua situação de pobreza e sacrifício, criavam um espírito de corpo entre os professores ao estimular a discussão em torno da profissão (questões metodológicas, legislação e assuntos gerais), bem como forjavam identidades, difundindo imagens e significados do ser e do estar professor. A busca de reconhecimento público da importância da educação, afirma Schueler, “[...] era um outro modo de mostrar a própria afirmação dos professores como classe de funcionários indispensáveis [...]” (SCHUELER, 2005, p. 383).

professores como categoria profissional. Eles reafirmaram os interesses comuns da categoria, mesmo em meio aos embates e aos conflitos, construíram imagens dos professores como profissionais indispensáveis à sociedade e, por fim, estimularam a associação docente possibilitando a agregação desses profissionais mesmo diante das disputas entre os distintos projetos expressos pelos diferentes periódicos.

As associações docentes criadas ao longo do século XX foram acompanhadas de perto por essa imprensa pedagógica. Muitas delas eram mesmo periódicos oficiais dessas entidades e tinham um público fiel. A fundação do Centro do Professorado Paulista (CPP), em 1931, foi acompanhada pela criação da Revista do Professor, em 1934, órgão difusor de suas idéias. O Centro do Professorado Primário Pernambucano (CPPP), de 1955, criou o Jornal do Professor neste mesmo ano. Essa proximidade entre as associações docentes e a imprensa pedagógica, afirma Luigi, nos permite “[...] compreender de que forma as representações desses grupos profissionais sobre o próprio trabalho se expressavam nesse cruzamento com o campo político”. (LUGLI, 2005, p. 233). Estes periódicos expressam, segundo a autora, as representações da categoria frente ao poder público e frente ao seu próprio trabalho. Além do mais, expressam também as diferentes formas de organização política e de reivindicação da categoria.

Ao longo do século XX, as associações docentes tomaram forma e forjaram a base do discurso profissional que se estenderia até o início dos anos de 1970. O eixo central desse discurso girava em torno das questões salariais, mas ele comportava uma ambigüidade: o discurso expressava uma insatisfação com as condições de trabalho e de salário dos professores, tinha uma conotação reivindicatória, mas se apresentava como desinteressado, especialmente em relação ao aspecto econômico. Para Lugli,

Os reclamos que são, em última instância, salariais, não se apresentam como tais dado que a imagem de “sacerdotes do saber” dos professores não permitia a admissão de interesses próprios, especialmente materiais. O discurso articula-se então, sempre em função de interesses maiores, como o futuro dos alunos, o progresso do país e os destinos da humanidade (LUGLI, 2005. p. 237).

Para a autora, esse desinteresse expressa um habitus professoral e não uma estratégia conscientemente orquestrada pelo grupo de professores. Segundo ela, as

representações sobre a função e o status do próprio trabalho, ou seja, a docência naturalizada como profissão vocacional, de amor e dedicação incondicionais, conferem significados às práticas cotidianas, garantindo coesão ao grupo profissional. Assim, os discursos instituídos sobre a profissão não permitem que as reivindicações salariais apareçam de forma direta.

Em dezembro de 1953 viria a ocorrer o primeiro congresso de professores que se tem notícia no Brasil. A cidade escolhida para acolher as delegações dos 17 estados representados foi Salvador, no estado da Bahia. Este congresso representou um marco no processo de unificação da categoria docente e deu maior visibilidade à profissão. Nas 37 teses discutidas no encontro, afirma Fischer, “[...] é possível identificar discursos reveladores do despertar em torno da tarefa docente e das necessidades da classe. Ao mesmo tempo, evidencia-se o desejo de assegurar o status do professor na escala social” (FISCHER, 2005, p. 184). O encontro de Salvador, no entanto, como de resto em todos os outros que se seguiram, deixou evidente o embate entre forças com interesses bastante distintos e até antagônicos. Conservadores, católicos, liberais e comunistas se enfrentaram nestes congressos na tentativa de fazer valer as suas idéias nas teses discutidas e na condução do movimento. As próprias associações de docentes são instituições que exprimem estas divergências entre diferentes correntes de pensamento, o que demonstra que a constituição dessas associações se dá num espaço de lutas e conflitos mais do que de consensos (Fischer, 2005).