1. KAMU YÖNETİMİNDEKİ DEĞİŞİM VE DEĞİŞEN DENETİM PARADİGMASI
1.1. Geleneksel Kamu Yönetimi Anlayışından Yeni Kamu Yönetimi Anlayışına
1.1.2. Yeni Kamu Yönetimi Anlayışından Yeni Denetim Anlayışına
Mauro Borges era coronel do Exército quando ocupou o cargo de diretor da Estrada de Ferro de Goiás nos anos 1951-54. A campanha para o governo foi, novamente, disputada pelo PSD, desta vez o partido se coligou com o PTB, e a UDN, aliou-se ao PSP. A coligação vencedora (PSD/PTB) recebeu 51,1% dos votos, e a outra (UDN/PSP), 49,9%, demonstrando um embate acirrado.
Mesmo com um discurso desenvolvimentista, moderno, a coligação PSD/PTB sofria com o desgaste do longo tempo no governo e com a orientação personalista e autoritária de seu chefe, Pedro Ludovico.
O ano de 1960 marcou na história do PSD goiano, o início, portanto, de uma renovação partidária, embora ainda dentro do jogo político tradicional. A candidatura Mauro Borges foi um exemplo disso. Alguns elementos dos que iam depois definir-se como ala jovem já atuavam então, como Walteno Cunha, Sebastião Arantes, e foram eles que fecharam posição em torno daquela candidatura. Foram consultados todos os diretórios do interior e, por fim, a palavra final coube a Pedro Ludovico Teixeira. (MOREIRA, 2000, p. 143)
A coligação foi derrotada nas duas maiores cidades do Estado – Goiânia e Anápolis. As velhas lideranças pessedistas tinham se tornado incapazes de aliciar populações destes centros. A vitória veio de um leque de apoio que incluía, na
região de Trombas e Formoso, o PCB. Ali, este partido já tinha organizado o cadastramento eleitoral dos posseiros e, em reuniões, apresentava candidatos às eleições. “Os candidatos apoiados pelo PCB foram sufragados na região por um percentual sempre próximo dos 100%” (CUNHA, 1994, p. 201).
O apoio do PCB a políticos do PSD não ocorreu somente neste momento. Houve acordos anteriores entre os comunistas e o governador Juca Ludovico, que estava pleiteando a prorrogação de seu mandato e apoio posterior à candidatura de Mauro Borges, pacto que ocorreu à revelia dos posseiros de Formoso.
O concerto consistia na não intervenção do Estado na região e do combate à grilagem em troca do apoio eleitoral. Foi a partir deste acordo que o PCB passou a ser um canal de negociação dos posseiros de Trombas-Formoso e o governo, diante da crise oriunda dos confrontos entre posseiros e grileiros:
é o momento onde o PCB se legitima como um forte instrumento de pressão e se viabiliza efetivamente como um canal de negociação na busca de uma solução política para a crise, em razão do empenho dinamizador dado e associado ao movimento de Formoso e também como agente potencializador de ação de seus membros ao movimento popular e de opinião pública de dimensão inédita no Estado de Goiás (CUNHA, 1994, p. 164).
A prorrogação do mandato do governador não ocorreu e houve um mandato- tampão de dois anos, como vimos, para o qual foi eleito José Feliciano (1959-60). O governo estadual, neste período, efetivamente realizou medidas de combate à grilagem.
O acordo para apoiar Mauro Borges foi feito em um momento em que o PCB, através da Associação de Formoso e Trombas, pretendia se firmar como o legítimo canal de negociação dos posseiros com o governo estadual.
Mauro Borges articulou politicamente com a Associação (leia- se PCB), em uma reunião reservada pós-comício, as bases de
um acordo político. O acordo em si reconhecia a Associação de Formoso como a legítima interlocutora entre os posseiros e o governo e o atendimento e mediação do processo a ser desenvolvido na área em relação a todas as questões e principalmente na sua maior reivindicação, a titulação e o assentamento dos posseiros na terra. (CUNHA, 1994, p. 196)
O Partido ficou dividido. Na Capital, o Secretariado tinha decidido apoiar o candidato adversário de Mauro Borges, o ex-governador Juca Ludovico. Em uma reunião preparatória para o V Congresso no Rio de Janeiro, muito tensa, adotou-se uma solução: deixar a questão em aberto. Esta decisão foi importante para a vitória de Mauro Borges. Este, em entrevista a Cunha (1994) sobre o apoio do PCB, negou que tivesse havido. Os fatos, porém, não corroboram esta afirmativa. Em seu governo, o PCB foi bastante ativo, principalmente na Secretaria do Trabalho e em órgãos da administração por ele criado.
Em seu governo, Mauro Borges buscou unificar as forças políticas, aliando-se às diferentes classes sociais do campo e formalizando até uma proposta de reforma agrária. O formato desta foi engenhosamente pensado para não desagradar à burguesia e aos latifundiários: seriam criadas colônias (à semelhança da Cang), na perspectiva de “não haver ataque à propriedade privada”, sendo cristã e democrática. Foi o caso do Combinado Agro-Urbano de Arraias, no Norte de Goiás, que atuou “distribuindo terras e organizando cooperativas como forma de suavização de tensões geradas em torno da questão da posse da terra” (DUARTE, 1998, p. 173).
Outra medida tomada pelo governo de Mauro Borges foi o incentivo à sindicalização do trabalhador rural, criando, para esta finalidade núcleos de apoio ao sindicalismo, ligados à Secretaria de Trabalho e Ação Social (Setas) e o Conselho Regional da Superintendência do Plano de Reforma Agrária (Supra). Esta medida visava a cooptar mais facilmente o trabalhador rural e a tutelar suas lutas no Estado.
Foi a partir deste governo – mesmo procedente de uma estrutura partidária oligárquica e liderado pelo filho do principal líder desta – que seria definida a divisão entre o aparato estatal e a face personalista do dirigente maior.
Por outro lado, como observou Borges (1998), antes desta gestão a atividade estatal se limitava à administração dos negócios públicos, ou seja, pouco se fazia em termos de produzir ou promover a produção econômica. Durante sua gestão foram criados diversos órgãos de ação estatal: Banco do Estado de Goiás (BEG), Centrais Elétricas de Goiás (Celg), Companhia Agrícola de Silos do Estado de Goiás (Casego) e Companhia Agrícola do Estado de Goiás (Caesgo); as autarquias: Departamento Estadual de Comunicação (DEC), Departamento Estadual de Saneamento (DES), Consórcio Rodoviário Intermunicipal (Crisa); três novas Secretarias e outros órgãos: Superintendência de Planejamento (Suplan), Centro Penitenciário Agrícola e Industrial de Goiás (Cepaigo), Escola Superior de Educação Física (Esefego) e outros.
Podemos, não obstante, identificar a preocupação do governo com a classe dominante goiana, o setor agropecuário – das 50 metas do I Plano de Desenvolvimento Econômico do Estado de Goiás, nenhuma se referia à industrialização.