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2. İÇ DENETİM VE ÇAĞDAŞ İÇ DENETİM UYGULAMALARINI YÖNLENDİREN

2.1. İç Denetim Kavramı ve Kapsamı

2.1.3. İç Kontrol Modelleri

A inovação tecnológica implementada na agricultura brasileira, principalmente durante o período militar, não deve ser encarada somente como introdução de recursos tecnológicos para aumento da produtividade agrícola (como tratores, máquinas e implementos, produtos químicos e fertilizantes, genética e produtos

veterinários etc.). As inovações tecnológicas devem ser entendidas em conjunto com a implantação de um setor industrial nacional provedor dos recursos tecnológicos necessários, existindo uma correlação entre os dois.

Pode-se citar a indústria de tratores como um exemplo do desenvolvimento da agricultura capitalista integrada com a economia urbana e industrial nacional. No ano de 1960 havia 61.345 tratores sendo utilizados no país em estabelecimentos agropecuários, todos importados – somente entre 1950 e 1960 foram trazidos do exterior 82.684 dessas máquinas. Um dado importante é que, em 1964, a produção nacional de tratores já atendia em 90% à demanda interna, com a produção de 88.925 unidades, chegando a atender a 99% da demanda interna em 1970.

Em Goiás, houve um forte crescimento na mecanização agrícola: em 1960 existia um número muito reduzido de tratores nos estabelecimentos agropecuários – 1.349, passando para 5.692 no ano de 1970 (Tabela 10), um forte crescimento intercensitário, se comparado aos dados do Brasil como um todo, nos períodos subseqüentes. Se o número dessas máquinas aumentou em dez vezes em termos nacionais, em Goiás o crescimento foi de 25 vezes.

Tabela 10: Números de tratores na agricultura – Brasil e Goiás (1960-85)

ANOS BRASIL VARIAÇÃO (%) GOIÁS VARIAÇÃO (%)

196018 61.345 1.349 1970 165.869 170 5.692 321,94 1980 545.205 229 27.600 384,89 1985 665.280 22 33.548 21,55 Fonte: Fibge/Seplan-GO.

A mecanização da agricultura, concomitantemente com o aumento na escala de produção e o financiamento da incorporação de novas tecnologias, com farto subsídio estatal, promoveu uma forte acumulação de capital e a proletarização da força de trabalho. Em Goiás estes efeitos foram mais potencializados, devido à sua configuração particular, dependente e subordinada ao centro dinâmico da economia nacional.

O processo de mecanização pode ser dividido em duas vertentes: a do aumento da produtividade do trabalho e a do incremento da produtividade da terra, isto é, do aumento do rendimento físico da produção. Tratores, colheitadeiras e implementos mecânicos são poupadores de força de trabalho e, ao mesmo tempo, produzem um maior excedente de mais-valia por trabalhador, auferido pelo empregador. No tocante à produtividade do rendimento da terra, relaciona-se com produtos químicos e biológicos utilizados, como adubos, fertilizantes, pesticidas, sementes adaptadas e afins; não trazem ganhos de mais-valia, mas através da produtividade aumentada da terra.

Quando este processo de desenrola em uma estrutura econômica capitalista já desenvolvida, o efeito mais imediato é o de desemprego setorial, localizado; quando, porém, ocorre em uma formação capitalista incipiente e que mantém, ainda, relações pré-capitalistas de produção, o resultado é bastante significativo: o êxodo rural, que expulsa os trabalhadores não-assalariados do latifúndio que se mecaniza.

A mecanização afeta também as pequenas e médias propriedades que se tecnificam. Os tratores e implementos agrícolas substituem postos de trabalho que, na pequena e média propriedade, eram ocupados pelos membros das famílias. Assim, os grandes grupos familiares, tão comuns no campo, são afetados, obrigando muitos membros a migrar para outras regiões à procura de trabalho.

Em que pese ser o êxodo rural um assunto já amplamente discutido, o nosso recorte deste tema impõe abordá-lo com vistas ao nosso objeto de estudo. De fato, o Estado de Goiás foi afetado e, como conseqüência, transformaram-se as relações sociais de produção, que eram predominantemente pré-capitalistas, como discutimos anteriormente. A urbanização estadual foi significativa no período estudado, ou seja, nas décadas de 1960-80.

Tabela 11: Goiás – População Urbana e Rural (%) (1940 a 1980)

POPULAÇÃO URBANA POPULAÇÃO RURAL

ANO

GOIÁS BRASIL GOIÁS BRASIL

1940 17,2 31,2 82,8 68,7 1950 20,2 36,2 79,8 63,8 1960 30,1 44,7 69,9 55,3 1970 42,1 55,9 57,9 44,1 1980 62,2 67,6 37,8 32,4

Fonte: Anuário Estatístico – Fibge.

Como podemos observar na tabela acima, de 1960 a 1980, a participação da população urbana goiana em relação à população total dobrou em termos percentuais, enquanto que a população rural teve sua participação na população total decrescida em 45,9%. Se compararmos com a distribuição da população brasileira, podemos notar que Goiás possuía um perfil bastante distinto na década de 60: aproximadamente três goianos em quatro moravam no campo, enquanto em todo o país essa proporção se aproximava de um para um; 20 anos depois, as proporções já eram praticamente as mesmas: no Estado havia, praticamente, um morador no campo e dois na cidade.

Estes números, se comparados ao país, mostram o forte processo de urbanização ocorrido em Goiás, cujas características peculiares se apresentam

dentro dos impactos havidos na modernização conservadora do campo e suas políticas, que induziram fortes modificações no perfil demográfico ali onde atuavam.

Outro aspecto importante do processo de modernização agrícola foi o aumento na escala de produção, que implica a manutenção e/ou ampliação da propriedade fundiária – em outras palavras, afeta diretamente a pequena propriedade, na medida em que precisa de maior volume de capital ou de meios de acesso ao crédito disponível.

A mecanização é importante para explicar esse fator, já que somente a aquisição de um trator necessita de um volume de recursos considerável para pequenos ou médios proprietários; além disso, deverão ser adquiridos outros implementos acessórios, como máquinas para o plantio, arados etc. Como conseqüência, os pequenos produtores, não conseguindo se tecnificar, acabam por vender suas propriedades e se transferem para a cidade, aumentando, dessa forma, o êxodo rural. Este passa a ser, assim, não somente de trabalhadores, mas também de pequenos produtores.

Se, por um lado, a mecanização afeta as relações sociais de produção, com impactos no desemprego rural, por outro há evidentes ganhos de produtividade, ocasionando aumento da escala de produção. Só este fator implica um rearranjo na distribuição fundiária, ao passo que a crescente mecanização necessita de capital para se realizar. Assim sendo, quanto mais cresce a escala, tornam-se necessárias propriedades maiores e volumes crescentes de capital, visto que vai se tornando necessário o uso de outros implementos e equipamentos para fazer frente ao aumento da escala de produção.

Para que fosse possível esse aumento na escala de produção houve necessidade de capital. Isso se deu através da financeirização da agricultura, do modo de capitalização do produtor.