3. TÜRKİYE’DE İÇ DENETİM UYGULAMALARI
3.2. Kamu Mali Yönetimi ve Kontrol Kanunu Dışındaki Sektörlerde İç Denetim
3.2.1. Bankacılık Sektöründe İç Denetim
3.2.1.1. BDDK Mevzuatına Göre İç Denetim
No processo de avaliação neuropsicológica, Mauro apresentou desempenho intelectual global médio, todavia, foram evidenciados indicadores de um desenvolvimento desarmônico das funções mentais superiores. Áreas de maior domínio abrangeram as funções de linguagem oral e memória, porém, observaram-se alterações importantes relacionadas às funções executivas, principalmente no que se refere à flexibilidade cognitiva, planejamento e automonitoramento. Mauro também apresentou baixo rendimento em provas visoconstrutivas, prejudicadas em função das dificuldades de síntese visual e transposição destas informações para atividades motoras. Em relação às funções de atenção, foram detectados indicadores substanciais da presença de um perfil clínico de déficit de atenção em um instrumento informatizado de atenção visual contínua. No que se refere à manipulação mental da informação (memória operacional), Mauro também revelou dificuldade importante.
Tais dificuldades têm reflexos significativos no ambiente escolar, mormente em atividades que requerem habilidades “perceptivas” (como o reconhecimento ou a leitura de símbolos numéricos ou sinais aritméticos, e o agrupamento de
objetos em conjuntos), habilidades de “atenção” (como copiar figuras corretamente nas operações matemáticas básicas, recordar o número que “transportamos” e que devemos acrescentar a cada passo, e observar os sinais das operações) e as habilidades “matemáticas” (como o seguimento das sequências de cada passo nas operações matemáticas, contar objetos e aprender tabuadas de multiplicação). Isso foi confirmado na avaliação da matemática, onde Mauro apresentou dificuldades tanto nos procedimentos quanto na resolução de problemas envolvendo número e operações. Percebe-se que as operações de multiplicação e divisão não estão bem consolidadas. Em relação à localização ou operações com números decimais, os problemas são ainda maiores, o que denota dificuldades na construção do sistema de numeração decimal. Esses resultados corroboram com os achados nas imagens neurorradiológicas que indicam comprometimento das áreas pré-frontais, responsáveis pelas funções executivas, de atenção, memória operacional, bem como de associação entre a análise visoespacial e o ato grafomotor.
4.5 Vinicius
Na avaliação inicial, Vinicius não apresentou boa fluência de leitura e compreensão de conteúdo. A compreensão do texto foi parcial, com dificuldade em recontá-lo imediatamente após a leitura. A dificuldade de memorização do texto interferiu, como seria de esperar, na compreensão. Em relação à escrita, em tarefa de ditado de texto, não respeitou a pontuação e cometeu trocas sistemáticas, por se apoiar na oralidade (ex: extintor/estintor; gesso/jeso; sozinho/sosinho; xadrez/xadres; horrível/orrivel; aceso/aseso; quíntuplo/quintoplo; cachoeira/caxoeira). Na avaliação do EACI-P encaminhado à escola, foram evidenciadas dificuldades relacionadas à autonomia nas atividades escolares no comportamento de Mauro na escola. Comparado a outros alunos da série em que se encontra, seu desempenho escolar está bem abaixo da média.
4.5.1 Resultados obtidos nos instrumentos de desempenho escolar em matemática
No domínio matemático, na prova do SARESP (2007), a área em que Vinicius obteve melhor desempenho foi a relativa a espaço e forma: das 5 questões, acertou 3, sendo uma delas a que tinha como objetivo identificar a localização ou a movimentação de objetos em mapas, croquis e outras representações gráficas. Vinícius demonstrou ter internalizado os conceitos de parte/todo, e ainda, os de direita, esquerda, perto, longe, centro, frente. Segundo a análise de itens clássica do SARESP, é considerada uma tarefa fácil.
Figura 41 – Identificar localização/movimentação de objetos
No tema relativo a números e operações, Vinicius acertou oito das quinze questões. Nesta prova, em algumas delas, pediu ajuda para entender o que estava sendo dele pedido, como descrito a seguir (fig. 42).
Nesta questão, cujo objetivo é identificar a localização de números racionais representados na reta numérica, na forma decimal Vinícius disse que não tinha entendido o que era para ser feito. Respondi que ele deveria acrescentar 10 para descobrir o número da próxima posição. Ele montou a primeira conta, dando como resultado “680”. A partir daí, disse-me que era fácil e que iria fazer os cálculos de cabeça. Respondeu conforme o esperado à questão. Neste caso, ele obteve sucesso também devido à ajuda recebida: quando teve de resolver a questão sozinho, descobrindo a estratégia mais adequada para chegar à solução do problema, não conseguiu. Note-se que essa era uma questão cujo nível de dificuldade era considerado médio, de acordo com a análise de itens clássica (percentual de acertos entre 36 a 65%). Ao longo de toda a prova, Vinicius demonstrou falta de engajamento, reclamando muito das atividades propostas. Em alguns momentos, explicitava que não sabia como as resolver, só o fazendo depois de muita conversa e, para surpresa dele próprio, com sucesso. As questões em que não obteve sucesso eram, em sua maioria, tidas como difíceis, segundo a análise de itens do SARESP (2007). Algumas delas envolviam resolução de problemas, como a descrita abaixo (fig. 43):
Figura 43 – Resolução de problema 1
Esta questão, como pode ser visto, requer que se resolvam problemas utilizando a escrita decimal de cédulas e moedas do sistema monetário brasileiro. Trata-se de um problema de estrutura aditiva, envolvendo a subtração. Vinicius não conseguiu definir qual era o algoritmo a ser utilizado. Melhor dizendo: definiu o algoritmo errado, pois não percebeu o verbo utilizado na questão – “gastando”. Por isso, ao invés de subtrair, ele adicionou. Como não chegou a uma resposta
aceitável, escolheu o valor da compra, a qual já estava descrita no problema. Insistiu na abordagem inicial, sem escolher outra alternativa para a resolução.
O tema em que Vinicius teve pior desempenho foi o que trata de “Grandezas e Medidas”, que dá ênfase às habilidades ligadas que permitem estimar diferentes medidas: de tempo, espaço, peso, capacidade, e as ligadas ao sistema monetário. A maioria das questões deste tema foi considerada difícil, segundo a análise de itens clássica do SARESP (2007), e das sete questões, ele acertou apenas uma. Na realização das questões de matemática da prova de Bastos (2003), Vinicius realizou todos as adições que envolviam até 5 dígitos com sucesso. No entanto, nas operações que requeriam subtração, realizou apenas as que tinham até 3 dígitos (figura 44). Recusou-se a fazer as operações envolvendo multiplicação e divisão, alegando que não sabia como proceder.
Figura 44 – Cálculos (subtração)
Nas duas contas, o erro cometido deve-se a carregamento em situação de empréstimo. Vinicius atrapalha-se logo no início e não consegue finalizar as contas. Conforme observei, ele se sai bem quando os números envolvidos na operação não ultrapassam a ordem das centenas simples. Seus problemas surgem quando é preciso trabalhar com o milhar, com as dezenas de milhares, etc. Isto ocorre tanto quando precisa trabalhar com o sistema de numeração decimal quanto quando deve realizar as operações, e também quando cabe utilizar números e operações para solucionar problemas envolvendo medidas e grandezas. O pior desempenho de Vinicius, nessa prova, deu-se em questões relativas à resolução de problemas, ficando claro que só consegue solucionar
aqueles que tratam de operações simples, de adição de apenas um dígito. A figura 45, abaixo, ilustra essa situação:
Figura 45 – Resolução de problema 2
Como foi possível verificar, Vinícius não conseguiu compreender as relações lógicas que cada problema apresentava e, em consequência disso, não relaciona os dados entre si e não consegue definir as operações necessárias para uma adequada resposta.
Conclusão
O desempenho de Vinicius na prova do SARESP (2007) foi classificado, de acordo com a matriz de referência empregada, como básico. Isto significa domínio parcial dos conteúdos, competências e habilidades requeridas para a série escolar em que se encontrava. Na prova de matemática do protocolo de Bastos (2003), Vinicius atingiu 53% de acertos, um desempenho regular, segundo o critério de correção. Deve ser relembrado aqui, que essa classificação se refere a respostas que demonstram o uso adequado da estratégia, mesmo sem se alcançar a solução do problema, em função de falta de clareza quanto ao uso do procedimento empregado. Seu desempenho, quando comparado aos percentuais de acerto obtidos por crianças e adolescentes das escolas particulares (Bastos, 2003), está abaixo da média para sua idade e nível de escolarização.
4.5.2 Resultados da avaliação neuropsicológica
Em relação ao funcionamento intelectual global, considerando a Escala Wechsler de Inteligência para Crianças (WISC-III), Vinícius apresentou um desempenho compatível com a média da faixa etária, considerando normas brasileiras (QI total=108) sem discrepâncias significativas (mais de 15 pontos de diferença, conforme Simões, 2002) entre o domínio verbal (QI verbal=104) e o de execução (QI execução=109).
Com relação à atenção, indicadores de impulsividade, desatenção e pobre vigilância fizeram-se presentes, sugerindo dificuldades para manter o foco atencional em uma mesma atividade durante um período prolongado. Foram constatadas, ainda, dificuldades em tarefas que exigiram manipulação e integração da informação, cálculo mental, organização e controle inibitório, além daquelas para planejar antecipadamente as ações. O perfil de funcionamento demonstrou impulsividade, e consequentemente, baixa capacidade analítica. A flexibilização do raciocínio é precária, custando a buscar estratégias alternativas
de resolução de problemas. Comete, assim, muitos erros, com respostas de perseverança elevada.
No que diz respeito às funções da memória, o nível de informação semântica geral mostrou-se abaixo do esperado para a idade. Na esfera da memória audioverbal, encontrou-se dificuldade importante no registro imediato de dados. Embora não tenha apresentado melhorias no desempenho após exposição repetida aos estímulos, as informações que puderam ser codificadas permaneceram armazenadas e foram devidamente evocadas no longo prazo. Pode-se dizer que seu desempenho ficou aquém do esperado na reprodução imediata de figura complexa (figura 46).
Figura 46 – Cópia da Figura de Rey
Figura de Rey – memória imediata
Em relação às funções visoconstrutivas, o garoto apresentou desempenho superior à média, empregando recursos eficientes para organizar e integrar este tipo de estímulo às atividades que demandavam discriminação de detalhes e transposição de objetos no espaço, envolvendo as noções de bi e tri- dimensionalidade. Por outro lado, o comportamento revelou que Vinicius, de modo geral, foi pouco veloz em atividades dependentes das habilidades viso e grafomotoras.
4.5.3 Síntese dos resultados
No processo de avaliação neuropsicológica, Vinícius apresentou desempenho intelectual global médio, evidenciando que a área de maior domínio está relacionada à memória operacional e à visoconstrução. O garoto obteve, também, bom desempenho em tarefas de raciocínio verbal e não-verbal. Houve, porém, alterações nas funções de atenção, especialmente no que se refere à habilidade de manter o foco por mais tempo em uma mesma atividade e a se adaptar às variações de ritmo. Este perfil pode gerar consequências relacionadas às disfunções executivas e de memória, uma vez que o baixo controle inibitório e a dificuldade de codificação impedem o eficiente armazenamento e posterior evocação da informação. Pode-se considerar, assim, que seu problema incidiu em uma fase precoce do desenvolvimento, comprometendo algumas das funções supracitadas e prejudicando a evolução de seu funcionamento cognitivo.
Estas dificuldades parecem ter reflexos no ambiente escolar. De fato, Vinicius, com frequência, requer mais tempo e mais auxílio para executar algumas tarefas. Em função disso, os resultados da avaliação em leitura, expressão escrita, e principalmente em matemática, estão abaixo do esperado para sua idade e escolarização. A análise evidenciou dificuldades de abstração para a resolução de problemas matemáticos e de cálculos numéricos mais complexos.