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2. İÇ DENETİM VE ÇAĞDAŞ İÇ DENETİM UYGULAMALARINI YÖNLENDİREN

2.2. Çağdaş İç Denetim Uygulamalarını Yönlendiren Kurumsal Temeller ve

2.2.1. Uluslararası İç Denetçiler Enstitüsü (IIA)

2.2.1.2. Uluslararası İç Denetim Standartları

Na medida em que o desenvolvimento capitalista avançou em Goiás, afetou a estrutura de classes existente, alterando em profundidade as relações sociais de produção, como veremos mais adiante.

Em Goiás, como vimos, os recursos públicos, aplicados em grande monta, afetaram a base de produção, a agricultura e a pecuária, notadamente a primeira. Este processo se deu de forma diferenciada, no âmbito interno ao Estado. Se tomarmos como linha divisória o paralelo 13, onde se inicia o atual estado do Tocantins, podemos apontar, simplesmente, um único aspecto da modernização da agricultura – o número de tratores existentes em 1980 que servirá de comparação entre a parte mais afetada por este processo. Nesta data, somente 10% dos tratores existentes em Goiás estavam na região Norte, acima do paralelo 13, território que compreendia 45% da área estadual.

Com estes números, e pelo que apontamos dos programas que foram implementados pelo Estado, a região Centro-Sul de Goiás foi fortemente afetada

com a implementação da modernização conservadora, na medida em que se manteve sua estrutura fundiária, gerando sérios desarranjos na organização social no campo.

A incorporação de tecnologia por parte dos produtores rurais – em sua maioria, como vimos, foram os médios e grandes proprietários que tiveram acesso aos créditos oferecidos pelo Estado – provocou a proletarização do trabalhador rural. Este processo aponta, por um lado, que o desenvolvimento capitalista no campo articulou novas relações sociais de produção, mais desenvolvidas, com situações de relações sociais de produção pré-capitalistas. De outro, ele provocou o surgimento do trabalhador volante, temporário, em que, além de ser um produto deste processo de desenvolvimento é, ao mesmo tempo,

resultado da insuficiência e da fraqueza desse desenvolvimento: da insuficiência do capital em submeter as forças da natureza, do ponto de vista técnico; da fraqueza de generalizar essa subordinação, não apenas do ponto de vista formal, mas sobretudo de uma maneira real e ampla, revolucionando a produção agrícola em todas as suas fases (SILVA apud ESTEVAM, 1998, p. 181).

Desta forma, a especificidade do desenvolvimento capitalista da agricultura gerou a categoria de trabalhador volante, ao menos como uma etapa de seu desenvolvimento, com a introdução de inovações tecnológicas, em especial em cultivos voltados à exportação.

A quantificação dos trabalhadores volantes ou temporários é difícil de ser feita. Os dados do IBGE não abrangem o total efetivo de temporários, inexatidão advinda em parte da própria não contabilização do produtor e de não saber o número de trabalhadores utilizados em cada etapa da produção agrícola, o que dificulta a pesquisa. No entanto, podemos apontar alguns dados que nos permitirão uma abordagem satisfatória: Estevam (1998) mostra que, na década de 70, nos

estabelecimentos de menos de 10 hectares, a relação homem/hectare caiu de 2,35 para 1,70 e, nos estabelecimentos de 10 a 20 hectares, decresceu de 5,11 para 4,29.

Estes dados, por si só, não oferecem muito apoio analítico. Contudo, quando verificamos que o pessoal ocupado na área de estabelecimentos de até 10 hectares aumentou 37,5%, bem como nos de 10 a 20 (em 6,85%, de 1970 a 1980), podemos, então, verificar que os minifúndios passaram a fornecer trabalhadores temporários para o processo de modernização da agricultura em Goiás.

Conforme demonstrou Vaz (1992), a maior concentração estadual de volantes ocorreu na região Sudoeste do Estado, justamente na área do Polocentro, onde atuavam no plantio e corte de cana-de-açúcar e na colheita de algodão. Utilizaremos, para efeito de análise, os dados desta região de Goiás, devido ao fato de ter-se beneficiado mais intensamente da ação estatal, nas décadas de 70 e 80, quando mudou seu perfil produtivo.

O número total de pessoas ocupadas no campo no Sudoeste de Goiás, em 1970, era de 89.730 pessoas, passando para 112.180 em 1975 e para 123.840 em 1980. Somente este crescimento, conforme a tabela, apesar de ser significativo, não oferece subsídios para uma análise mais detalhada; porém, se observarmos mais detalhadamente, podemos tirar algumas importantes conclusões. Vejamos.

Tabela 17: Pessoal ocupado na agricultura – Sudoeste de Goiás (1970-80)

ANO TOTAL: PESSOAS

OCUPADAS MEMBROS FAMILIARES EMPREGADOS PERMANENTES EMPREGADOS

TEMPORÁRIOS PARCEIROS OUTROS

SEM CONTRATO 1970 89.900 36.677 10.468 21.007 10.198 705 10.845 1975 112.861 48.179 20.442 27.413 3.654 2.518 10.655 1980 138.019 57.742 31.378 36.543 1.820 379 10.157 1985 134.294 57.845 37.241 25.854 616 2284 10.454 Fonte: IBGE (1970; 1975; 1980).

Na tabela acima podemos notar uma importante transformação nas relações sociais de produção: o número de parceiros diminui de forma acentuada no período de análise, caindo o número de pessoas nestas condições de 10.198 para apenas 616 entre 1970 e 1985 – o que denota haver uma intensa mudança nesta forma de produção no campo, cuja tendência é o desaparecimento.

Os números da tabela mostram o pessoal ocupado. Não obstante, o número de estabelecimentos também sofreu um decréscimo acentuado, de 4.170, em 1970, para apenas 275, em 1985 (conforme dados dos Censos de 1970, 1975 e 1980). É interessante observar, também, que a quantidade de empregados em 1970 era praticamente igual à parceiros, o que demonstra uma realidade inversa, pouco mais de uma década depois. Podemos inferir que estes parceiros se proletarizaram, tornando-se trabalhadores permanentes ou volantes.

Um dado importante a ser observado é o número de trabalhadores permanentes em conjunto com os trabalhadores temporários; os primeiros tiveram um vertiginoso aumento, sendo que, de 1970 a 1985, cresceram de 10.468 para 37.241. Já os temporários – que em 1970 constituíam o dobro do número dos permanentes – chegaram em 1985 com um número menor – 25.854 trabalhadores, havendo um “pico” de 36.543 trabalhadores volantes no ano de 1980, resultado do tipo de plantio utilizado na época.

Uma importante observação, contudo, reside no extrato “membros familiares”, que representavam, em 1970, 40,8% da quantidade do pessoal ocupado e que aumentou sua participação para 43,1% em 1985. Em números, no período, passaram de 36.677 para 57.845.

Podemos dizer que, na região, estendendo essa análise para o restante do Estado, praticava-se então uma agricultura tipicamente familiar, dado que a ampla maioria do pessoal ocupado era formada por membros familiares, no período de análise. Contudo, não devemos confundi-la com uma agricultura que tem elevado índice de tecnificação, poupadora de mão-de-obra, que provocou mudanças profundas nas relações sociais de produção e na apropriação da terra, em seu perfil fundiário.

Dos estabelecimentos rurais existentes no Sudoeste de Goiás em 1970, 54,2% alcançavam até 100 hectares, diminuindo para 52,3% em 1985. Os de 200 a 1.000 hectares tiveram praticamente inalterada sua participação; no entanto, o subextrato dos estabelecimentos de 1.000 a 2.000 hectares aumentou de 3,58% para 4,3% e aqueles dotados de áreas superiores a 2.000 permaneceram em torno de 3%. O que chama mais a atenção é o fato de que a área ocupada concentrou-se em propriedades que tinham tamanho acima de 500 hectares, demonstrando forte concentração fundiária.

Estas modificações nas relações sociais de produção mesclaram, neste período, elementos da organização anterior, de relações de produção “velhas”, com outros, relativos à ordem moderna. A propriedade rural – a fazenda – era uma miscelânea de produção de gado, de produtos agrícolas voltados para o mercado interno. Tradicionalmente, as relações de produção eram de parceria, com meeiros, agregados e retireiros que se reestruturaram em outra organização de classes. As

transformações acabaram por quase extinguir algumas categorias sociais, como os agregados, meeiros e parceiros; com a proletarização destas surgiram, em compensação, novas categorias sociais, como vaqueiros, tratoristas, diaristas, trabalhadores volantes e outros.

A modernização conservadora atingiu os proprietários rurais de forma diferenciada: mesmo os latifundiários adaptaram-se parcialmente às novas formas de produção; já que a propriedade era, ainda, “um negócio de família com exploração e contabilidade conjuntas (...), são avessos ao risco, ao crédito, aos técnicos, ao associativismo, e têm na propriedade territorial a forma por excelência de capital. Em suma, continuam ‘tradicionais’, mas de um ‘tradicionalismo dinâmico’” (RIBEIRO apud ESTEVAM, 1986, p. 186). Entretanto, o que pode parecer um contra-senso, estes tinham uma ligação muito forte com o mercado.

Os proprietários rurais de menores áreas se proletarizaram, não tiveram acesso ao crédito rural nem condições de sobreviver com os recursos de sua propriedade. Muitos acabaram por vender ou arrendar suas propriedades, quando não foram compelidos a enviar alguns de seus membros para o mercado, em busca de emprego assalariado em tempo parcial.

Este fenômeno facilitou a expansão capitalista, por servir-se de uma fonte de mão-de-obra barata durante os picos de demanda. A força de trabalho produzida no minifúndio era, em Goiás, tipicamente não-capitalista, de subsistência, tornando-se barata na medida em que os trabalhadores precisavam de remuneração que lhes cobrisse o sustento imediato enquanto estivessem no trabalho. Depois, estes trabalhadores volantes eram dispensados e retornavam ao seu pedaço de terra de subsistência, que era trabalhado, neste ínterim, por outros membros de sua família.

No Estado de Goiás como um todo, 60% dos estabelecimentos tinham o produtor como principal agente de produção. Em quantidade de área isto significava, em 1985, 45% dos estabelecimentos com áreas de até 100 hectares e 13,5% dos que tinham de 100 a 200 hectares – mas compreendiam somente 18,0% da área do Estado.

Dessa forma, podemos comprovar que em Goiás a modernização foi conservadora em termos sociais, uma vez que não mudou seu perfil fundiário e, no seu decorrer, o número de estabelecimentos que podemos considerar pequenos e médios, embora considerável, não atingia um terço do território goiano.

Em suma, as relações de trabalho, com as inovações tecnológicas e o emprego de farto capital, via crédito rural subsidiado, foram alteradas profundamente com a proletarização de agregados e parceiros, que se transformaram em empregados permanentes e volantes, criando novas categorias sociais.

As décadas do governo militar, com seus programas de modernização conservadora, aprofundaram a diferenciação de classes em Goiás e deterioraram laços tradicionais de convivência.