§ 5 — YAYIM SÖZLEŞMESİNİN TARAFLAR
C) İFANIN ZAMANI I MUACCEL BORÇ
II. YAYIMLATANIN HAKLAR
Para que se pudesse ter uma ideia da localização de todas as fontes presentes ao longo da transecta, vários Índices Estruturais (IE) foram testados, e o que mais se adequou foi o de 0,1 (Fig. 6.6), tendo em vista que que esse valor é mais compatível com a geologia local que tem seu contatos geológicos dominados predominante- mente por falhas.
A Deconvolução de Euler foi aplicada nas anomalias gravimétricas regionais e residuais separadamente, bem como para cada domínio geológico individualmente. Como esperado, as soluções para a componente regional do campo gravitacional indicaram fontes mais profundas e extensas (Fig. 6.7). Um grande número de solu- ções foi gerado entre a Bacia de Tucano e o Cráton São Francisco, revelando a zo- na do rifte com importante gerador de anomalias gravimétricas. Uma feição que ficou bastante clara nas soluções regionais foi o Lineamento Pernambuco entre a Zona Transversal e a Bacia de Jatobá, com uma descontinuidade crustal bem marcada com soluções de até 50 km de profundidade e vergência para SW (Fig. 6.7). Na Zo- na Transversal, encontram-se soluções mais rasas de até 20 km, porém em número bem menor. Já no domínio Rio Grande do Norte, a feição mais marcante é a Bacia Potiguar com um padrão de soluções que se assemelham a um sistema de falha- mentos, formando um conjunto de grábens.
A Deconvolução de Euler para a componente residual apresentou soluções ra- sas entorno de 5 km de profundidade por toda a extensão SW e central da transecta. Já na porção nordeste, algumas soluções atingem profundidades de até 20 km (Fig. 6.7). Nestas áreas, as nuvens de soluções para os dados residuais ocorrem em maior número do que aquelas obtidas das anomalias regionais (Fig. 6.7). Os resul- tados da Deconvolução de Euler permitem o fácil reconhecimento dos limites das bacias de Tucano, Jatobá e Potiguar, bem como os lineamentos Pernambuco e Pa- tos. As demais nuvens de soluções estão relacionadas às heterogeneidades geoló- gicas da crosta superior, cujas geometrias internas serão modeladas guiadas por tais soluções da Deconvolução de Euler.
48 Figura 6.6: Soluções da Deconvolução de Euler para a Zona Meridional (topo), Zona Transversal e Domínio Rio Grande do Norte (base), para os índices estruturais de 0,1; 0,5; 1,0.
49 Fig. 6.7. Soluções da Deconvolução de Euler para as componentes residual e regio-
nal do campo gravitacional, utilizando-se o índice estrutura de 0,1 e uma janela espacial de 15 Km.
6.8 MODELAGEM 2,5D
A modelagem gravimétrica 2,5D da transecta foi efetuada no módulo GM-SYS do software Oasis Montaj 7.1, que proporciona uma interface computacional que fa- cilita a criação e o ajuste de modelos de forma interativa. Como os efeitos gravimé- tricos de fontes rasas e profundas se superpõem na composição das anomalias Bouguer, optou-se por modelar as componentes residuais e regionais separadamen- te. Na modelagem da componente regional, foi obtido um modelo da geometria in- terna da crosta, onde foram interpretadas as variações de profundidades na interfa- ce crosta-manto, que oscilaram entre 19 a 28 Km (Fig. 6.8). A Zona Meridional é o domínio crustal mais espesso onde a profundidade da Moho chega a 28 km. No limi- te com a Zona Transversal, no Lineamento Pernambuco, a espessura crustal é de 24 km, a mesma de toda a porção da Zona Transversal até o Lineamento Patos. No Domínio Rio Grande do Norte, a espessura crustal é de 24 km até uma distância de 120 km da costa. A partir daí, em direção ao oceano a espessura diminui para 20 km (Fig 6.8). Esse afinamento crustal é resultante do estiramento e posterior rompimen- to da crosta na abertura do Oceano Atlântico.
50 Figura 6.8: Modelagem gravimétrica 2,5D da Descontinuidade Moho, onde foram
utilizadas as densidades de 2,75 g/cm³ para a crosta e 3,4g/cm³ para o manto.
Para a modelagem da componente residual, foram individualizadas fontes anômalas intracrustais, como unidades litoestratigráficas, corpos intrusivos e bacias sedimentares, assim como os limites dos principais blocos geotectônicos da Provín- cia Borborema. As soluções da Deconvolução de Euler forneceram também subsí- dios para a localização das fontes gravimétricas em profundidade. Como a compo- nente residual reflete as fontes mais rasas, foram modelados apenas os primeiros 12 km da crosta, onde estima-se ser a profundidade média do embasamento gnáissico (Fig. 6.9). Os diferentes domínios geotectônicos foram modelados, separadamente, em face das inúmeras unidades geológicas aflorantes ao longo da transecta e do apertado intervalo de amostragem de 2,0 km.
Na porção SW da transecta (Fig. 6.9), observa-se que o contato entre o Cráton São Francisco e a Zona Meridional, recoberto pela Bacia de Tucano, é constituído por uma unidade litoestratigráfica de densidade elevada, que se trata provavelmente da Faixa Riacho do Pontal. A NE deste contato, dois mínimos gravimétricos encon- tram-se com extensão de 200 e 50 Km, representando as bacias de Tucano e Jato- bá, respectivamente. Essas bacias são compostas por rochas sedimentares, para as
51 quais foi definida uma densidade de 2,5 g/cm³. A profundidade obtida para essas coberturas sedimentares foi de cerca de 7 km para cada. Entre as duas bacias en- contra-se um alto gravimétrico referente às rochas metamórficas do Terreno Cabro- bó. Toda a Zona Meridional encontra-se sobre um embasamento com uma densida- de de cerca de 2,77 g/cm³. O Lineamento Pernambuco é muito bem marcado pelas anomalias gravimétricas. Segundo as soluções de Euler, possui
Figura 6.9: Modelagem gravimétrica 2,5D da componente residual para a Zona Me- ridional.
mergulho para SW e se estende por mais de 50 km de profundidade. O sistema de falhamentos associados ao rifte da Bacia de Jatobá mostra-se sobreposto ao Line- amento Pernambuco, sugerindo sua reativação na formação da bacia.
No modelo que engloba a Zona Transversal (Fig. 6.10), são seccionados os Terrenos Alto Pajeú, onde encontra-se uma fonte profunda, que representaria uma intrusão em fácies anfibolito de densidade igual a 2,8 g/cm³. Além dessa intrusão, são identificadas mais duas fontes com densidades entre 2,76 e 2,78 g/cm³ e pro- fundidades de até 10 km. No limite entre os terrenos Alto Pajeú e Alto Moxotó, en- contra-se um enxame de soluções da Deconvolução de Euler, que apesar de não existir um gradiente característico nos valores, sugere uma importante zona de cisa-
52 lhamento. No Terreno Alto Moxotó, encontram-se fontes com também cerca de 10 km de profundidade e densidade de 2,77g/cm³, que aumenta para 2,79 g/cm³ próxi- mo ao Lineamento Patos. Nesta zona de cisalhamento, encontra-se uma cobertura sedimentar de cerca de 10 km de extensão e 1,5 km de profundidade, possivelmente correspondente aos sedimentos turbidíticos da unidade Santana dos Garrotes (Brito Neves 2005).
O perfil ao longo do Domínio Rio Grande do Norte indica 3 altos gravimétricos associados às intrusões máficas ultra-máficas dos terrenos Granjeiro e Rio Piranhas. A fonte gravimétrica mais próxima à Zona de Cisalhamento Patos apresenta profun- didades superiores a 12 km, porém sua extensão é de apenas 4 km. Suas densida- des variam entre 2,69 e 2,68 g/cm³. No Terreno Rio Piranhas, as demais fontes têm dimensões e densidades semelhantes à do Terreno Granjeiro (Fig. 6.11).
Já próximo ao litoral encontra-se a Bacia Potiguar, com cerca de 50 km de ex- tensão ao longo da transecta. Esta região é conhecida como Plataforma de Touros, cujo pacote sedimentar é da ordem de 0,5 a 1 km de espessura (Matos, 1999). O mínimo gravimétrico nesta região deve-se a presença de rochas metassedimentares da sequência supracrustal (Grupo Seridó) e/ou corpos graníticos brasilianos. No ex- tremo NE da transecta, o mínimo gravimétrico foi modelado por uma fonte sedimen- tar de densidade igual a 2,55 g/cm³ e nela podem ser observados grábens de até 3 km de profundidade e altos do embasamento.
53 Figura 6.10: Modelagem gravimétrica 2,5D da componente residual para a Zona
Transversal.
Figura 6.11: Modelagem gravimétrica 2,5D da componente residual para o Domínio
54 Figura 6.12: Modelagem gravimétrica final da Transecta
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CAPÍTULO 7
Conclusões
CONCLUSÕES
O presente trabalho abordou a aquisição, processamento e interpretação de dados gravimétricos ao longo de uma transecta geofísica de 820 km de ex- tensão, cruzando importantes domínios crustais e feições estruturais da Pro- víncia Borborema, assim como a zona de contato com o Cráton São Francisco. Em relação a levantamentos pretéritos, a principal contribuição desta pesquisa reside na modelagem gravimétrica 2,5D de detalhe ao longo da transecta, vin- culada a informações oriundas de análise do espectro de potência e soluções de Euler dos dados gravimétricos. O espaçamento entre as estações gravimé- tricas levantadas de 2,0 km permitiu um maior detalhe na interpretação, para que se determinasse a forma, tamanho e profundidade das feições geológicas mapeadas em superfície.
Na modelagem gravimétrica da componente regional do campo gravitaci- onal, é notável um afinamento da crosta em direção à margem continental, no limite NE da Província Borborema. A crosta, localmente mais fina, está associ- ada ao rifteamento do período Neocomiano-Barremiano, evento de abertura do Atlântico Sul e separação América do Sul-África, ocasionando um estiramento seguido de ruptura crustal, evento classificado como parte de um Ciclo de Wil-
56 son clássico. De acordo com esse processo, esperava-se que o mesmo acon- teceria na região da Bacia de Tucano, que tem sua geração em um processo de rifteamento Jurássico. No entanto, o que se observa através da modelagem gravimétrica 2,5D é um espessamento da crosta na região. Conforme modelos crustais prévios baseados em dados sísmicos e gravimétricos, tal espessamen- to relativo pode ser explicado por modelos de descolamento subhorizontal en- tre as crostas inferior dúctil e superior rúptil. Assim, os blocos falhados estariam deslocados da crosta afinada pelo processo de rifteamento.
A modelagem da componente residual do campo gravitacional foi orienta- da pela Deconvolução de Euler. As nuvens de soluções facilitaram a determi- nação dos limites entre os blocos geotectônicos da Província Borborema, bem como a forma e profundidade de grande parte das feições geológicas ao longo da transecta.
A modelagem gravimétrica do Cráton São Francisco não se apresentou como o esperado, que seria de uma crosta mais espessa do que a Província Borborema. Observa-se que os valores das anomalias aumentam na região do Cráton São Francisco, mesmo a componente regional. Acredita-se que, ao in- vés da crosta cratônica ser mais espessa, um acréscimo relativo na densidade das rochas, que compõem seu embasamento, possam gerar anomalias regio- nais positivas.
Na região do limite entre o Cráton São Francisco e a Zona Meridional, foi modelada uma rocha mais densa, sotoposta às sequências sedimentares da Bacia de Tucano. Provavelmente, esta fonte gravimétrica é relacionada aos litotipos da Faixa Sergipana, que se assemelha a uma nappe empurrada sobre o cráton.
Na Zona Meridional, encontram-se os grábens de Tucano e Jatobá, com coberturas sedimentares mesozóicas de até 5,0 km de profundidade. O limite entre a Zona Meridional e Transversal ocorre exatamente no Lineamento Per- nambuco do Brasiliano. Esta zona de cisalhamento possui uma expressiva concentração de soluções da Deconvolução de Euler, revelando uma importan- te descontinuidade lateral de densidade, com profundidades de cerca de 30 km. O Lineamento Pernambuco é bem marcado por uma descontinuidade, com mergulho para SW e que corta a crosta, possivelmente, até o manto litosférico.
57 Na Zona Transversal, as fontes modeladas representam uma intrusão leucogranítica/migmatítica Neoproterozóica da Suíte Riacho do Forno e rochas vulcânicas do Complexo São Caetano, com cerca de 10 km de profundidade. O embasamento é composto por ortognaisses do Terreno Moxotó. No Terreno Alto Moxotó, foram modeladas fontes de até 10 km de profundidade, provavel- mente pertencentes às rochas Paleoproterozóicas do Complexo Sertânia e a rochas metavulcânicas do Terreno Riacho Gravatá. Entre os terrenos Alto Pa- jeú e Riacho Gravatá, foram identificadas soluções de deconvolução de Euler que caracterizam um lineamento geológico bem proeminente, caracterizando a Zona de Cisalhamento Serra do Caboclo. Próximo ao Lineamento Patos, é en- contrada uma pequena cobertura metasedimenta de cerca de 1,0 km de pro- fundidade e 10 km de extensão, correspondente à Formação Olho d’Água do Terreno Piancó-Alto Brígida. O Lineamento Patos, apesar de não muito ex- pressivo, é facilmente observado por um gradiente gravimétrico, no limite entre a Zona Transversal e o Domínio Rio Grande do Norte.
No Domínio Rio Grande do Norte, encontra-se o Terreno Granjeiro, que possui provavelmente a mesma espessura crustal que as unidades geológicas a sul da Zona de Cisalhamento Patos. Nesta região, afloram ortognaisses Pro- terozóicos dos complexos Caicó e São Vicente. Ainda neste domínio, foram modeladas também duas intrusões graníticas da Suíte Poço da Cruz do Terre- no Rio Piranhas, com cerca de 10 km e 5 km de extensão, respectivamente. Estes litotipos são representantes do embasamento paleoproterozóico, deste domínio crustal. Na extremidade NE da Província Borborema, onde observa-se a menor espessura crustal ao longo da transecta, encontra-se a Bacia Potiguar. Pela modelagem gravimétrica, foi possível reconhecer os grabéns de Guamaré e do Umbuzeiro e a Plataforma de Touros. A cobertura sedimentar mesozóica apresenta espessuras de 0,5 a 1,0 km na porção plataformal e cerca de 3,5 a 4,0 km na região dos grabéns. A Bacia Potiguar ocupa cerca de 50 km de ex- tensão ao longo da transecta.
Por fim, o modelo gravimétrico 2,5D da Transecta Angüera – Macau revela: a) o contato entre a Província Borborema e o Cráton São Francisco é marcado por um forte aumento de densidade no embasamento do cráton, sendo tam- bém caracterizado por um empurrão da Província Borborema sobre o Cráton São Francisco; b) um forte e extenso mínimo gravimétrico na região da Bacia
58 de Tucano é resultante da baixa densidade das rochas sedimentares com es- pessuras de até 5,0 km. O espessamento crustal nesta região pode ser relaci- onado a um mecanismo de detachment da crosta inferior durante os esforços distensionais mesozóicos; c) a feição melhor definida nesse trabalho foi o Line- amento Pernambuco, uma zona de cisalhamento de idade Brasiliana, com rea- tivações cretáceas associadas à ruptura entre os continentes sul-americano e africano e com prolongamento até o manto superior; e d) uma crosta parcial- mente estirada na porção NE da Província Borborema, relacionada aos esfor- ços distensionais mesozoicos, que culminaram com a abertura do Atlântico Sul.
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