C. OLUMSUZ YILDIRIM BAYEZİD ALGISI
C.2. b Yıldırım Bayezid’in İçki İçmesi ve Eğlence Anlayışı
Ministério Público que causou impactos na legislação. Um deles foi o surgimento de uma nova lei para combater o desvio ético na Administração Pública. Havia uma antiga lei, que o Ministério Público lutava para aplicar com grande dificuldade. Também já havia legislação penal punindo crimes de administradores públi- cos, mas cuja aplicação não era muito simples, porque era preciso tipificar os crimes.
Era preciso encontrar um meio de “criminalizar” a conduta dos administradores públicos para tornar mais efetivo o Direito Administrativo. Surgiu a idéia de algo como um “crime de impro- bidade” para os administradores que impedissem a concretização do Direito Público. Esse foi um dos objetivos da lei de improbi- dade: pressionar os administradores públicos com condenações cada vez mais severas e exemplares para que eles respeitassem o Direito Público.
Então veio a idéia, aproveitando a força institucional e a influên- cia do Ministério Público, de uma nova lei: a Lei de Improbidade Administrativa (Lei Federal nº 8.429, de 2 de junho de 1992), que estabeleceu três espécies de improbidade
A primeira delas é a improbidade por lesão ao erário, que pre- tendeu punir aqueles que se beneficiam indevidamente de recursos provenientes dos cofres públicos (art. 10).
A segunda espécie é a improbidade por enriquecimento ilíci- to, que independe de lesar diretamente o erário público e corresponde àquelas situações em que o agente se beneficia do cargo, ou do vínculo que possui com a Administração, para rece- ber algum tipo de vantagem (art. 9º).
A experiência do Ministério Público sinalizava que essas duas espécies não seriam suficientes para influenciar na eficácia do Direito Público no combate à corrupção. Era preciso criar uma terceira moda- lidade de improbidade para o caso de a conduta lesiva não se enqua- drar em nenhuma das modalidades anteriores. Dessa idéia surgiu a improbidade por lesão aos princípios da Administração Pública. É uma espécie de “outros”. O raciocínio do MP foi o seguinte: se o agente não for pego por lesão ou por enriquecer, será pego por lesão aos princípios da Administração Pública.
A improbidade por lesão aos princípios da Administração Públi- ca corresponde, então, à terceira espécie de improbidade. Com ela
pretende-se alcançar as condutas que não se enquadram nas duas modalidades anteriores, mas que mereceriam ser punidas. Essa espé- cie de improbidade aproveitou o sucesso dos princípios no Brasil para criar um “tipo penal”, no âmbito sancionatório da Lei de Improbidade, que diz o seguinte: é ato de improbidade violar os princípios da administração, da legalidade, da moralidade, da impar- cialidade, etc (art. 11).
Com base nessa espécie de improbidade, o Ministério Público passou a propor ações sempre que houvesse alguma suspeita de ile- galidade ou mesmo de violação ao princípio da moralidade. E as sanções previstas pela lei são severas, incluindo multa civil em até cem vezes o valor da remuneração do agente público, suspensão dos direitos políticos por até cinco anos, cassação de mandato e dever de reparar o prejuízo que houver causado (art. 12, III). Tudo a par- tir da violação de princípios.
Essa foi uma grande idéia do Ministério Público, que começou a propor ação de improbidade no Brasil todo. Toda vez que apare- cia alguma suspeita de ilegalidade, ainda que formal, ou de violação a algum princípio, estava aberta a oportunidade para uma ação por lesão aos princípios.
E os juízes foram condenando pessoas que praticaram a impro- bidade por violação aos princípios da Administração Pública, por exemplo, suspendendo os direitos políticos de um prefeito que cele- brou contrato decorrente de licitação na modalidade tomada de preço e não concorrência, como previsto. Embora não se demons- trasse que isso tenha gerado prejuízo ao erário ou enriquecimento ilícito, constituiu motivo suficiente para afastar o indivíduo da vida pública por cinco anos.
A improbidade por violação aos princípios serviu para casos como esse. Só tem um problema: o que é violar o princípio da moralidade? E uma pessoa pode perder seus direitos políticos por cinco anos por ter violado a moralidade? Mas isso não é o pior. O mais difícil, nesse debate, é saber o que é violar a legalidade. E o que é violar a legalidade, já que a Administração revê seus atos a todo o momento? Será que cada ato administrativo anulado dá ensejo à propositura de uma ação de improbidade? Pois o Minis- tério Público não faz esse raciocínio ao propor uma ação. A lógica é inversa: a ação deve ser proposta, depois o juiz decide.
Esse tipo de situação gerou um forte contencioso judicial, que chegou ao Superior Tribunal de Justiça. A Corte foi chamada a decidir qual o significado prático dos princípios da moralidade, da impessoalidade, da legalidade, etc.
Teve início uma controvérsia jurisprudencial para tentar descobrir o que é violação de princípio, já que isso seria essencial para aplicar as penas da Lei de Improbidade Administrativa. A saída do STJ foi adotar outros princípios, igualmente imprecisos, para tentar resolver os casos de improbidade. Esses princípios foram os da proporcionalidade e da razoabilidade e algo como um “princípio do dolo”.
Um exemplo em que o STJ aplicou os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade foi em um acórdão envolvendo um prefeito de uma cidade do interior da Paraíba. Ele teve seus direitos políticos suspensos por cinco anos por ter sancionado uma lei que deu o nome de sua esposa (que, segundo o acórdão, não era candidata a nada) à escola municipal. Ao analisar o caso, o STJ entendeu que não seria proporcional, nem razoável, punir o sujeito por esse ato.
Para não confundir os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, que possuem um significado mais complexo, eu diria que o STJ fez uso do “princípio da gravidade”. Se a coisa é grave, a Corte pune; se não é grave, não pune. Isso é o que eu chamo de “princípio da gravidade”.
Após algum tempo, o STJ se deparou com outro argumento, dessa vez dos advogados: violação de princípio só configura improbidade quando praticada com dolo. Como é muito difícil provar a existência de dolo, esse argumento se tornou uma espé- cie de palavra mágica para a absolvição.
O STJ passou, então, a discutir sobre a necessidade do dolo para a condenação em casos de improbidade administrativa. E a Minis- tra Eliana Calmon um dia percebeu que ela própria não tinha uma posição certa sobre o tema, assim como o Ministro José Delgado, que em um voto exigia o dolo e em outro o afastava. A ministra chegou até a transcrever trechos que demonstrariam sua contradi- ção, cada dia votando de um jeito. Então ela resolveu uniformizar sua própria jurisprudência.
E o fundamento da Ministra Eliana Calmon ao uniformizar foi o de que a doutrina é unânime ao exigir o dolo para condenações por improbidade administrativa decorrente de violação aos princípios da
Administração Pública. É um argumento curioso, porque a doutrina trata sim do assunto, e tem divergências a respeito. Mas o fato é que ela uniformizou seu entendimento.